Contatos do Pescador
Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Sabemos? (Uma mensagem natalina?)
Sabemos da inúmera quantidade de charlatanismo que provocam em nós certa insensibilidade às mazelas vividas por muitos.
Sabemos que muitos passam realmente por essa situação em que a perspectiva de uma vida digna é uma mera ilusão.
Sabemos da grande quantidade de famílias que vivem em seu mundo repleto do bom e do melhor.
Sabemos que muitas dessas famílias não vêem nada além do seu mundo, que, enquanto vão para os shoppings durante a madrugada das vésperas de natal para comprar os luxuosos presentes natalinos, inúmeras famílias não têm sequer uma alimentação básica para cear com os seus.
Sabemos que as compras de um natal não solucionariam os problemas do mundo e nem as quero condenar, e muito menos quem as fazem.
Sabemos que não devemos esperar esses momentos para lembramos ou não dos que passam por uma vida desumana.
Sabemos, e muito bem, o que devemos fazer.
Sabemos muitas alternativas que ajudariam na construção de sociedade mais igualitária.
Sabemos que para transformar uma realidade tão cruel não bastam escritos bonitos que nos comovam ao lê-los, mas que nos excite à prática da mudança.
Sabemos que isso não mudará por causa do espírito natalino e nenhum espírito de períodos passageiros mudará.
Sabemos, sabemos e sabemos.
E o que fazemos?
Essa resposta precisamos saber.
Sabemos que não basta saber.
Precisamos saber que saber vai além do saber.
E que quem sabe concebe,
E quem concebe é porque gerou,
E não consigo conceber que alguém com saberias queira gerar um mundo tão desigual.
Já estamos fartos de saber
Precisamos partir para o fazer.
E para isso uma antiga canção já dizia:
Que “quem sabe faz a hora e não espera acontecer”.
Vem, vamos embora que ainda nos falta saber, saber uma coisa: Saber fazer.
Não desejarei um feliz natal, mas desejo que você encontre a felicidade na construção de uma sociedade mais humana.
E quando chegar o natal percebermos que para alcançarmos realmente um "natal feliz" temos que trabalhar intensamente e que pode não ser tão fácil, mas o importante é não deixar de tentar.
Para podermos dizer em coro um dia: feliz natal! E o Natal seja realmente feliz.
Desejo a você ótimos anos de: estudo, trabalho, luta, conquistas, saúde, paz, risos, beijos, carinhos, cuidados, cumplicidade e que 2010 seja apenas o 1º ano dessa grande missão em que todos/as devem assumir a sua parte!
E, até o Natal Feliz! Onde além do nascimento da criança da esperança, bebemoraremos o nascimento de uma nova sociedade.
sábado, 12 de dezembro de 2009
Tua Marca
Quanta saudade dos teus beijos
De tuas mãos à noite me acariciando
Dos meus olhos à noite te velando
Do meu corpo o teu aquecendo
De nós juntos saciando nossos desejos
De sermos uma só matéria
De nossos corpos se preenchendo
De nossa vontade louca de nos entregarmos
E eternamente nos amarmos
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Agora só o amor
Vejo recompensa em tanta beleza encontrada
Após tantas desilusões
Vejo os tantos momentos inesquecíveis
Após choros e lágrimas
Vejo os tantos sorrisos encontrados
E tantos abraços recebidos e dados
Após, tantos após...
De frente com decisões
Diante de tantas invasões
Sentimentos estranhos
Tentei fugir e me esconder
Medo e insegurança
Parte integrante de mim
Dominadores e dominado
A flor murcha no vaso
O som silenciado da presa
E eu pseudo feliz
O amor
Que dúvida cruel
Ser e não ser
Fim de questão
Descobrir-me amante
No amor coragem
Medo não combina com amor
Em mim uma força irradiante
Medo e insegurança não me dominam mais
Agora só o amor
Amar incondicionalmente exige fundamentalmente coragem
Só os corajosos são capazes de amar verdadeiramente.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Resposta
De repente fui dominado por uma incontrolável ansiedade
Cada segundo se tornou eterno
A ansiedade me embriagou e comecei a criar coisas
Simular situações
Mas, o que me levaria a ficar assim?
Não escrevi nada de mais
O que estaria por trás daquela mensagem?
Que influência estranha sobre mim
Meu corpo estremece
Não consigo parar de pensar
A mensagem!
Ela foi lida? Foi entendida? Como foi lida? Como foi entendida?
Porque enviei?
A ansiedade virou angustia
Que não consegui controlar
Quantas questões em minha mente
Quantas dúvidas rondam meus pensamentos
Só uma coisa explica esta confluência de sentimentos
Que me tiram a paz
E que me fazem esquecer que a paciência é uma virtude
Escrevi esperando uma resposta.
Nota:
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Esta costura faz parte do acervo de textos inacabados do Pescador.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Velho Preto
Tuas aventuras despertavam em mim desejos
No teu jeito simples de pescador
O teu dom nobre de galanteador
Tua pele áspera da experiência acumulada
Na “mardita branquinha” tua fraqueza
Que te libertava da escravidão patriarcal
Nas tuas canções o sonho e a tristeza
Sonho de um mundo novo
Tristeza herdada pela dor vivida por teu povo
Ao costurar a tarrafa em tuas mãos a destreza de cada ponto
Assim como em tua boca os pormenores de cada conto
Viveste a espera dos anjos que te buscassem e te levassem
Hoje, és um, junto deles
És o meu anjo guerreiro e defensor
Meu anjo cor noturna
Pescador e contador
Meu sangue afro
Minha força
Grande companheiro de minha amada
Hoje, minha grande companheira
Tens ao teu lado um fiel escudeiro
De cor igual à noite
Juntos me acompanham
Presença que me encoraja
Que me faz sentir proteção
Fostes nas companhias dos anjos
Que tanto chamastes
Agora, tua vida pulsa em mim, Velho Preto
Meu Vô Preto.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Sereia - o amor é libertação
Há muito te procuro e não te encontro
Sinto saudades dos teus olhos
Do teu sorriso encantador
Da tua voz sedutora
Sem tua presença eu perco minha paz
Minha ansiedade me faz seguir sons errantes
Que imagino serem teus
Os teus sons que sempre foram únicos
Que eu podia distingui-los entre mil sons
Procuro-te nos teus lugares preferidos
Procuro-te nas paisagens mais belas
Procuro-te na calmaria das águas e nas tortuosas tempestades
Procuro-te no pôr do sol e no nascer lua
Morte a nascimento tão lindos
Só comparados ao seu nascer e ao seu morrer
Uma lua que vai e um sol que surge fazendo nascer um novo dia
[e morrer mais uma noite
Fenômenos incomparáveis em que me perdia no tempo
[ao te contemplar contemplá-los
Tentei te encantar com meus cantos
Mas, tu me encantaste com teus encantos
Hoje, canto um canto de saudade que te traz aqui
Meu canto de lamento por não te encontrar
Em minhas águas, estas belas águas que te viram chegar
[e que se harmonizaram com tua chegada
Ó pescador! Por onde andarás?
Foste navegar por outros mares
Foste em busca de novas aventuras
Foste encantar outros leitos
Foste em busca de teus sonhos
Sei que o mundo é tua felicidade
E eu continuo aqui a me contentar com este pedaço do mundo
Que sempre acreditei ser uma imensidão
Imagino-te desbravando o por ti desconhecido
E isso me dar força para ir além
Transcender essa forma de semi deusa e seguir-te
Para isso faço-te um pedido
Traga seu encanto até mim e me liberte desse lugar
Deixe-me ouvir o teu canto de felicidade
E terei a coragem de vencer meu medo e irei contido
Como tua companheira, navegar por outros mares
Venha “Em-canto” meu que eu irei sem pranto e medo
Meu amor por ti é minha libertação.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Vença o seu medo ou serás infeliz...
[coisas por medo
E eu disse: - Acredito que só o medo é capaz de impedir nossa
[felicidade
Diante dessa situação, lembrei dos momentos em que sinto medo
Ouço como que um sussurro ao ouvido
- Vença o medo, engane-o, só assim serás capaz de ser feliz
Então me pergunto: Eu quero ser feliz? Sim, eu quero.
Mas, tenho tanto medo
Medo de ser enganado, Medo de não dar certo
Medo de sofrer, Medo de me machucar
Medo de me decepcionar, medo, medo, medo...
Sim, tenho muito medo
E aquele sussurro não pára...
Nesses momentos pensei: Como vencer o medo? Como enganá-lo?
Recordo da minha infância: Eu tinha medo de escuro
Mas, eu enganei meu medo
Lembro minha mãe dizendo: – meu filho não tem medo
Eu acreditei naquilo, criança acredita em cada coisa!
Era preciso acreditar naquilo para vencer meu medo
Acreditar em nós é o primeiro passo para vencer o medo
Acreditando que eu não tinha medo eu fazia o inacreditável para
[alguém medroso
Quando tinha que ir lá fora, meu coração acelerava
Minhas pernas tremiam e eu sentia o medo ali
Tentando me impedir de seguir em frente
Era quando eu conseguia enganá-lo
Dizendo-me: eu não tenho medo
Ele estava ali, o escuro era personificação do meu medo
E eu o enfrentei muitas vezes
E assim eu venci o medo na minha infância
A gente cresce e outros medos aparecem
Mas, agora eu sei como vencê-los
Pois, uma coisa eu aprendi
Se você quer vencer seu medo é preciso encará-lo
No começo engane-o, depois de tanto enganá-lo você o vencerá
Mas, lembre-se, é preciso acreditar em você
E não perca a chance de ser feliz por causa do seu medo.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Paraense é assim...
Existem coisas que só paraense, seja ele de nascimento ou por adoção, sabe o que é: passar numa esquina e salivar só de sentir o cheiro do tucupi, vindo de um bom tacacá, ou o cheiro da maniçoba, empinar papagaio do Cobra ou fazer pacientemente, com talinhas de palmeira e papel de seda uma curica e se perder no tempo, no encantamento com sua arte subindo os mais altos céus e dar laço e correr atrás do papagaio que xina. Paraense joga peteca e não bolinha de gude, tem seguro contra as mangas que quebram os pára-brisas dos carros, uma pena é não existir seguro para a cabeça, eu mesmo quase já fui alvo delas...sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Um dia como outro qualquer
O dia amanheceu como todos os outros dias têm amanhecido
Nada de especial
Um dia comum
Teria ficado tudo como sempre
Se não fosse por uma pergunta que me incomodou a alma
A tenho escutado frequentemente
Mas, hoje, ela alterou meu dia
Quando a escutei
Olhei para mim e fingir não ser comigo
Continuei a conversa como se a pergunta não tivesse existido
Esforço inútil
A pergunta ressoou em ecos dentro de mim
Ansiando por uma resposta
Resposta que só eu seria capaz de dar
Tentei esconder
A angústia que aquela pergunta provocara em meu ser
Neste dia comum
Comum como os outros dias
Se não fosse por aquela pergunta.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Encaixe
Eles se estremecem
No toque se entregam
Em cada toque um êxtase
O tempo não existe mais
Cada momento é eterno
E no infinito nos perdemos
Quando retornamos da transcendência
Recuperamos a consciência
E nos percebemos quase em falência
E a vontade é gritar ao mundo inteiro
Nosso encaixe é perfeito!
sábado, 24 de outubro de 2009
Amar-te é inevitável
Aguardam ansiosos por teu abraço
Beijar-te seria sublime
Amar-te é inevitável
Tudo se torna mais belo com tua presença
Antes de ti, tudo era confuso
Mas, você me mostra outras possibilidades
Ir por caminhos novos
Nunca será difícil com você ao meu lado
Hoje, mais que ontem tenho certeza do caminho a seguir
Amar incondicionalmente
Antes de tudo
Maior que tudo
Amar incondicionalmente
Difícil não amar após um encontro contigo
Antes, a dúvida, agora o amor
Minha vida se encheu de brilho
E o mundo se encheu de colorido
Um colorido que reaviva a alma
Amar-te até a eternidade
Meu destino feliz
Ostentado pelo sorriso sempre solto
Regado por teu carinho e cuidado, capaz de acalmar o mais feroz
[dos animais selvagens.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Gozo
Sinto teu corpo desejando o meu
Quando chego estás a me esperar
Vejo o teu olhar e isso basta
Nada precisamos dizer
E sem perceber já estamos lá
A nos banhar do suco do desejo
Que de nossos corpos brotam
E não conseguimos deter
Que ele venha e nos embreague
Que este momento nunca acabe
Te sinto quente e úmida
Isso me leva ao céu
Me perco dentro de ti e não quero me encontrar
Que este momento eterno se congele
E marque para sempre nossa história
Para que um dia o revivamos com nossa memória
Essa entrega de nossos corpos
Esse momento tão grandioso
Em que sempre terminamos
Num sublime gozo
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Voltei por você
Vai minha amadaVai encontrar os teus caminhos
Vai viver a tua vida e teus sonhos
Que teus projetos sejam vividos intensamente
Vai e cuida deste coração tão amável e delicado
Vá, mas volte para continuar a me ensinar a ser homem
Volte para que eu possa ser o teu homem
E sendo teu homem te ame como os pássaros que se amam na liberdade de poder voar
Te ame com amor dos poetas que se deleitam na beleza causada pela saudade
Saudade que me faz te sentir aqui ao meu lado
Vivendo das doces lembranças de tua presença junto a mim
Saudade que será minha companheira
Até que meus olhos voltem a te contemplar
Até que minhas mãos voltem a sentir a maciez de tua pele
Até que meus pulmões voltem a ficar cheios de teu cheiro
Até que meus braços voltem a sentir o teu abraço
Até que meus lábios voltem a sorrir ao ver o teu sorriso
Até que meu coração volte a sentir as batidas do teu
Até que minha boca volte a dizer silenciosamente em teu ouvido:
Eu te amo... Fica comigo?
E você,
Com teus olhos brilhantes e tua pele radiante
Com teu cheiro raro e teu abraço envolvente
Com teu sorriso encantador e teu coração acelerado
Com tua boca linda, decida dizer:
Meu amor, eu voltei por você...
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
A quem me ajudou ler o mundo...
Lembro de minhas professoras e professores que muito me impressionavam por sua dedicação a tão belo ofício, alguns, lembro com maior freqüência: Dionéia, Joana Barros, Rosa Tereza, Xuxa, Maciel, Ávaro, Nazaré Sá, Leão, Linda, Filó, Haroldo, Vanilza, Virgínia, João Carlos, Amauri, Andrelino, Nilma, Juarez, Ana, Marco...
Por tudo que representaram em minha é que agradeço pelo seu dia, que assim como tive a oportunidade de COM-Viver com pessoas que sentiam prazer em exercer a arte do ensino aprendizagem, espero que mais vocações despertem nos corações de muitos, para que as novas gerações possam desfrutar de verdadeiros educadores como eu desfrutei.
E, para isso, desejo que consigamos, neste mundo com tanta desesperança, insistir teimosamente em ensinar e aprender a magnífica arte do diálogo e assim nos tornarmos mais que boas lembranças na cabeça das meninas e meninos que por nós passaram, bem como, referência de amor e dedicação a educação.
Para tanto, reforço que Sonhar é imprescindível na arte de educar, pois, sem o sonho a educarão se tornaria vazia e sem sentido, e assim, seria impossível uma verdadeira prática educativa, sobretudo, uma educação que se efetiva pela construção de outra sociedade possível, com vida digna e abundante para todas as pessoas.
Com isso tudo não quero isentar ou maquiar as dificuldades existentes nas práticas educativas, mas não podemos deixar de fazer aquilo que nos é possível diante da imensidão de nossos sonhos. Paulo Freire disse certa vez que “em história se faz o que se pode e não o que se gostaria de fazer. E uma das grandes tarefas políticas a ser cumprida se acha na perseguição constante de tornar possível amanhã o impossível de hoje somente quando, às vezes, se faz possível viabilizar alguns impossíveis de agora”.
Apresento minha gratidão a cada verdadeira/o educador/a que por mim passou, pois foram elas e eles que me fizeram perceber que “não pode haver caminho mais ético, mais verdadeiramente democrático do que testemunhar aos educandos como pensamos as razões por que pensamos desta ou daquela forma, os nossos sonhos, os sonhos por que brigamos, mas, ao mesmo tempo, dando-lhes provas concretas, irrefutáveis, de que respeitamos suas opções em oposição às nossas” (FREIRE).
Quero que você professora e você professor recebam minha eterna gratidão por existirem em minha vida.
sábado, 26 de setembro de 2009
As amizades são como as primaveras
Enquanto isso, ela descabelava-se sobre sua produção acadêmica, com esforço conseguiria terminar seu trabalho, mesmo que para isso levasse a noite inteira acordada, terminar aquele trabalho era uma questão de honra. O cansaço mental já dominava seu corpo e sua vontade era de jogar tudo pelos ares, resolveu tomar um banho, um banho quente a traria de volta daquele cansaço que a fazia desesperar-se.
Ele, com o intuito de enganar sua espera começou a contar quantas pessoas estavam antes de sua vez, avistou uma figura que estava quase para ser atendida que lhe pareceu familiar, observou bem e reconheceu, um velho amigo que há muito não falava. O observou ser atendido e o acompanhou com o olhar, parece que sentimos quando somos observados, e o seu amigo sentiu algo diferente, algo que pareceu lhe incomodar a ponto de fazer uma espécie rastreamento e os olhares se encontraram, um sorriso de cumplicidade surgiu, então se cumprimentaram como bons e velhos amigos fazem: “fala seu filho da puta”, “quanto tempo, porra”, “saudades de ti”. Trocaram lembranças e um e pergunta surgiu. Vais fazer o que? Só vim pagar uma conta, estou de bobeira. Espera-me então, só vou pagar essa conta aqui.
Uma boa companhia faz até o Domingão do Faustão suportável, enquanto esperavam sua vez, lembraram das promessas não cumpridas e surge o inevitável, o convite para continuar aquela agradável conversa no velho lugar de confidencias, o Café Bahia, lá poderiam aprimorar seu diálogo recheando-o com uma deliciosa porção de moela e a geladíssima Serra Malte, pagaram a conta e seguiram ao lugar que tantas vezes testemunhou suas confidencias.
Chegaram ao seu confessionário particular e não precisaram nada dizer, logo chega o garçom trazendo o de sempre e dizendo, estão sumidos. É amigo, a correria do dia-a-dia distancia até os amigos mais próximos, responderam ao garçom como que em coro de lamentação de estarem a tanto tempo sem suas confidencias.
No quarto, ela preparava-se para o banho, espreguiçou-se, retirou cada peça de roupa como quem prepara-se para um ritual sagrado, abriu o guarda roupa, retirou uma toalha e enrolou-se, preferia andar nua pela casa, mas as janelas indiscretas dos apartamentos a tiravam a liberdade. Antes de entrar no banheiro parou em frente ao espelho e admirou-se, abriu a toalha e admirou-se. Logo ao entrar no banheiro ligou a chave da água quente e em seguida a da água fria, aparou um pouco de água nas mãos em concha e molhou o rosto. Para testar se água estava na temperatura adequada colocou apenas um dos pés, esticou um pouco mais as pernas e aos pouco sentia a água descobrindo seu corpo. Ao entrar completamente debaixo daquela água quente, deixou que apenas a água caísse sobre ela, e, ergueu a cabeça como quem se entrega ao desejo de ser possuída.
Derramou o sabonete líquido nas mãos e suavemente passou sobre seu corpo, parte por parte, deslizou sobre seus seios, massageando descendo pelos quadris, as coxas, cada uma teve sua vez, abaixou e completou até os pés, voltando cada movimento até chegar ao pescoço. Suas mãos pareciam que modelavam cada parte de seu corpo, como um escultor modela a argila dando-lhe a forma desejada, seu desejo era de modelar a tranqüilidade que tanto necessitava e que aquele banho a permitia saborear: a água, o sabonete, suas mãos e seu corpo, tudo na medida certa. E, a tranqüilidade surgia.
No bar, os amigos caminhavam para pedida final, um brinde e o desfecho de mais uma confissão terminara no Café Bahia. Bom amigo, devo ir, disse ele, precisamos nos ver com mais freqüência, não podemos deixar que essa louca correria que a contemporaneidade nos impõe nos distancie mais que a própria distância geográfica já o faz. Antes que se despedisse completamente o amigo olhou para ele e disse: reparei desde que nos vimos na fila da lotérica que seu semblante está como quem acabara de ganhar o mais belo presente. Então respondeu: é que os amigos são como as primaveras, trazem alegria ao mundo. Ao encontrar-te naquele momento senti essa alegria trazida por você, pois, és uma constante primavera em minha vida.
Após tanto tempo de confidências, aquela fora a mais bela declaração ouvida por seu amigo. Um abraço apertado e então se despediram. Sabiam que talvez só o acaso pudesse trazê-los de volta ao seu confessionário particular. Afinal, quem está livre da correria imposta pela contemporaneidade?
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
O cheiro da primavera
Enquanto o seu texto revelava o que ele não queria saber, na faculdade ela pensava: “tenho só hoje, não vou consegui”, era o penúltimo dia para entregar o trabalho final da disciplina que ela menos gostava, era preciso correr contra o tempo. De um lado, o tempo dele parecia não correr, de outro, o dela corria na velocidade da luz. Ela aliviava-se, pois ainda teria a noite e ele desesperava-se, pois ainda teria mais uma noite.
Ele olhou em volta, a faxineira limpando o chão, seus movimentos eram tão atenciosos com cada sujeira que desarmonizava o brilho daquele piso, desejou então ser o chão, queria ter aquele tratamento de tão harmoniosa atenção e cuidado. Olhou no canto direito inferior da tela do computador e o relógio já marcava duas horas da tarde e ele ainda não tinha comido nada, era preciso comer alguma coisa. Na cantina da faculdade ela ria na companhia de seus colegas, serviu apenas verduras, disse que não podia engordar.
Ele olhou para o chefe e disse: vou comer, e foi. Procurou o restaurante mais lotado, ele queria ver gente, queria estar com gente. Não sentia fome, mas era necessário alimentar-se, nada lhe enchia os olhos nas bandejas. Uma pequena porção de arroz integral, um pouco de feijão por cima do arroz e um pedaço de frango fora a composição de seu prato. Algumas mesas vazias. Avistou o alvo, uma mesa com uma bela jovem almoçando sozinha, resolveu aproximar-se.
Com sua licença, posso assentar aqui? Fique a vontade, ela respondeu. Foram as únicas palavras. Antes tivesse escolhido uma mesa vazia, talvez o vazio fosse uma melhor companhia. Não, melhor assim, pelo menos podia contemplar em sua frente aquela silhueta angelical, por um instante sentiu-se fora de órbita. Com sua licença, ela disse, e aquela voz suave o vez voltar ao restaurante. Ela estava se despedindo, acabara de almoçar e ele não percebera. Toda, disse ele. E lá se foi, aquele anjo que por alguns instantes o levou até o céu.
Na faculdade um amigo oferecia carona para ela, muitas coisas a fazer e não podia perder tempo, aceitou. O amigo a levou até em casa, ele tentou beijá-la, mas ela não permitiu, tentou com mais firmeza e ela o empurrou. Saiu furiosa do carro. O que ele está pensando que eu sou? Uma vagabunda? Foda-se! Esse filho da puta, eu sabia que essa corona tinha outras intenções, bem feito, se fudeu. Assim, da próxima vez vai pensar antes de tentar alguma coisa.
Após sair do restaurante, ainda com aquela imagem angelical que fazia seu rosto ensaiar um sorriso, caminhou, caminhou sem destino. Olhou as lojas, as construções, os carros apressados, uma senhora atravessando a rua e ele ali, a observar todos os movimentos.
Estava na hora de voltar ao trabalho. Voltou para sua sala fria e nada aconchegante, tudo ali, naquele dia, se transformou num mausoléu depressivo. Queria sair daquele lugar o mais rápido possível, mas as horas não passavam. Tinha horário a cumprir, tinha que garantir o salário que possibilitava sua sub-vida. Voltou ao texto. Este sim o fazia viver. Mas, não durou muito tempo, logo concluiu o texto e ainda eram cinco horas da tarde. Os seus pensamentos noturnos voltaram a perturbar-lhe a mente. Lembrou de sua espera, não recebera a resposta que tanto ansiava. Olhou sua caixa de e-mail e, nenhuma resposta. O que fazer? Resolveu publicar em sua página virtual sua produção. Ainda faltava algum tempo até a hora de ir embora, então acessou o MSN, talvez encontrasse alguém que o ajudasse a se animar. Nenhuma resposta.
Enquanto ele esforçava-se para livrar-se daqueles pensamentos, ela debruçava-se sob aqueles textos de teorias complexas que de nada valem para a vida cotidiana, talvez, se ela passasse a noite acordada conseguisse terminar seu tão árduo trabalho.
Muitas janelas piscando, o que aconteceu? Todos querem falar comigo? Indagou-se. Quando abriu a primeira janela, entendeu, era o seu texto. Então sorriu. Pela primeira vez naquele dia ele sorriu. Talvez fosse a noite chegando com seus mistérios que encantam. Ou a primavera que se aproximava mais. Eram muitas janelas piscando em sua frente e, as perguntas eram diversas. Todos queriam entender o motivo daquele texto. Mas, nem ele mesmo sabia explicar. Seria mesmo fuga dos seus pensamentos insólitos? Ou seria uma necessidade gritando por sair do âmago de sua alma? Sua resposta era simples: "sentir vontade de escrever e saiu isso". Mas, acrescentando expressou: "é que já sinto o cheiro da primavera".
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Anúncio de uma primavera
Enquanto dorme seu sono inquieto, ela viaja, mal sabem o que o dia seguinte prepara. Ela não consegue dormir, poltrona desconfortável, motorista que corre demais. Que perigo! As luzes dos postes são como fleches de lembranças daquilo que nunca aconteceu, a luz do dia se aproxima anunciando aquele belo horizonte.
Ele acorda e não acredita, mais uma segunda-feira, olha no relógio, está atrasado, a noite lhe pareceu tão pequena, queria dormir mais um pouco, ainda não entendia a confusão que se instalara em sua cabeça enquanto dormia. Corre para o banheiro e toma o banho mais rápido de sua vida, não podia chegar atrasado ao trabalho, não naquele dia.
Nunca uma ida para o trabalho lhe rendera tanto tempo, teria lido todos os tomos de O Capital naquele tempo, o dia tinha uma áurea diferente, seria o inverno se despedindo? Talvez fosse. Ou talvez fosse a primavera anunciando sua chegada. Está na hora de descer, desperta de seus devaneios e puxa a corda que dá o sinal de parada solicitada.
Antes que o ônibus parasse completamente ele salta e segue correndo em direção ao trabalho, em frações de segundos chega ao trabalho, ainda ofegante, lhe recepcionam com a pergunta: o que aconteceu? Está tudo bem? E ele emite uma curta e simples resposta: cheguei! Nada mais se pronunciou. Aquilo fora suficiente.
Entrou em sua sala, ligou o computador e esperou, só podia esperar. As horas passavam a passos lentos, um dever lhe martelava a cabeça, fazer o seu trabalho, nada mais. Se aqueles pensamentos noturnos o deixassem em paz, talvez conseguisse se concentrar em seu dever diário que garantia sua sub-vida.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Dê seu lance!
Para acalmar os ânimos devo informar que essa ideia não partiu de um sonho, que ao acordar eu tenha dito “eureca” e aí resolvi investir nessa ideia. Não! Essa ideia parte de uma exaustiva pesquisa de mercado e de muito interesse na atualidade.
Resolvi investir em algo que requer muito zelo e cuidado. E, considerando a fragilidade de meu produto, todos os altos métodos de tratamento e o tempo que necessita para ficar pronto para o mercado o meio para que chegue ao usuário não poderia ser a comum exposição de vitrine em loja de shopping ou pelas vendas virtuais, que ganham cada vez mais forças nesse tempo de crise econômica na atualidade. Um produto tão valioso requer uma forma especial e personalizada para sua venda. Resolvi investir no leilão.
Meus produtos são peças raras e únicas, levei anos trabalhando na melhor forma de cuidar de cada peça de acordo com sua singularidade, as mais novas, assim como são os produtos num geral me exigiram apenas um cuidado para mantê-las em seu bom estado de funcionamento, mas chegaram até mim algumas peças bem desgastadas e que me renderam muitas noites de insônia. Gosto de cuidar de cada peça pessoalmente, cada uma tem sua ficha de desenvolvimento específica que me facilita não exagerar no cuidado com uma ou falta com outra. Mesmo tendo uma ótima equipe que tem o cuidado de visitar sistematicamente o desempenho de cada peça eu faço questão de todos os dias fazer uma vistoria em cada uma delas. Isso garante a qualidade de meus produtos.
Ainda na linha das considerações, ao colocar no mercado minhas peças, o usuário que adquirir meu produto necessitará passar por um período de treinamento com minha equipe especializada para que o mesmo tenha uma vida útil duradoura. Antes de abrir meu negócio, disponibilizei algumas peças para que alguns usuários como meio de perceber elementos que poderiam ajudar na durabilidade do produto. Entre as peças disponibilizadas tivemos uma grande variação em sua durabilidade. Até o sexto mês de uso elas duram perfeitamente, depois desse tempo algumas passaram apresentar desempenho insatisfatório. E aqui está nossa grande descoberta, percebemos que esse desempenho insatisfatório era decorrente da má utilização ou da falta de cuidado com cada peça, os efeitos são quase irreversíveis, cada peça quebrada geralmente nos exige o dobro de tempo e de cuidado para que possamos devolvê-la ao mercado.
Diante dessa situação é que criamos esse tempo de treinamento para cada um de nossos usuários no qual está incluído o item: recuperação de funcionamento original de acordo com cada especificidade do problema apresentado por cada peça. E, para ajudar nessa durabilidade, também, disponibilizamos um manual no qual expomos os sinais emitidos pelo produto que indicam a falta de cuidado e possibilitarão evitar, assim, o mau desempenho e talvez até perda total do produto. Alerto que percebido os primeiros sinais de acordo com o que foi disposto no manual, as meditas de recuperação do funcionamento original deverão ser aplicadas imediatamente.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
A relação perfeita
Pois bem, nos últimos anos fui muito procurado por pessoas que nunca tinha tido contato, por pessoas que conheci em minhas navegações e também por amigos e amigas de perto e de longe, todos procuravam partilhar um pouco de sua vida com esse simples pescador que ousa costurar. Ao falarem de seus projetos de vida muitas coisas bonitas eram reveladas, para mim só o ato de sonhar já traz em si uma beleza transcendental, o ato de sonhar é a capacidade de dizer à vida que sabemos por onde queremos navegar.
Enfim, observando os inúmeros sofrimentos causados por essa dificuldade de lidar com as coisas do coração, o não saber a hora de dizer: “eu te amo”, de não saber a hora de dizer: “basta” ou mesmo de se entender que o “acabou, não dá mais” que por ventura venhamos a receber me levou a repensar a lógica das relações amorosas que estamos habituados.
Ao repensar essa lógica fui levado a um mundo paralelo, é bom ressaltar que não precisei de nenhum auxílio alucinógeno para isso, por um instante pude contemplar o mundo da pura existência (explicar esse mundo caberá a outra costura). Nesse mundo as existências conviviam, relacionavam-se e se amavam sem restrições, parecia uma grande união amorosa, e era isso mesmo, todos eram amantes. Ali a morte não existia, a morte era nascimento e o nascimento era a morte, mais uma coisa de louco, mas lá tem suas razões de ser assim. E, entender esse mundo é fundamental para entendermos as relações amorosas em nosso mundo.
O mundo que visitei é a eternidade. Assim, como todos os seres ali eram eternos, para que experimentassem a morte era necessário nascer humano e viverem todas as dores e alegrias da mortalidade. Então nascer para um ser eterno é morrer, e morrer é nascer, nascer para eternidade. Aqui está à grande resposta que buscamos e por hora isso basta.
Vamos avançar em nossa costura.
Diante dessa nossa origem, acredito que o amor deveria acontecer às avessas, só assim não teríamos tantos casais amantes se separando e sofrendo.
Somos frutos da eternidade e para ela um dia voltaremos. Quando vivemos na eternidade vivíamos em uma grande união amorosa. Sendo assim, ao nascermos, nascemos de uma separação, separação das relações que estabelecíamos na eternidade, e por que não dizer: divórcio. Para nascer nos divorciamos de nosso amor na eternidade. Nesta lógica, todos somos divorciados, eis o início da relação amorosa em nosso mundo.
O passo seguinte se dará no reencontro, no reencontro com nosso amor o passo a ser dado é o casamento. Antes de qualquer coisa, case-se. Não precisa saber nada do ser amado. Apenas que é necessário casar.
Casados virão às crises da descoberta do outro, brigas, partilhas, sexo e cumplicidade também, até o momento em que perceberão que é necessário noivar, aí as coisas começam a ficar mais tranquilas, ambos já se conhecem, os corpos se desejam ardentemente, a vida gira em torno da realização mútua e assim planejam juntos os tempos bons que virão.
Então noivos, sentirão a necessidade de namorar, e assim, se tornam namorados, não querem mais sair um de perto do outro, os desejos pessoais se confundem com os desejos do outro, não sabemos mais nada: "qual é meu desejo?, "qual é o desejo dela?". Nós nos desejamos, o sexo fica mais gostoso, o toque acalma, o cheiro inspira, o beijo nos tira do mundo e a presença nos completa.
Após esse passo entramos na etapa da paquera, onde começamos a valorizar as coisas mais simples e talvez as mais belas, andamos rindo a toa pelas ruas, aquele olhar de longe preenche a necessidade que temos do outro, os bilhetinhos, mensagens de e-mail ou celular nos fazem voar alto, o tchau e o sorriso dado ao longe nos satisfaz e nos enche dos mais belos sonhos. Assim terminaria a relação perfeita, “sonhando a vida e vivendo os sonhos”.
Uma dica: não peça ninguém em namoro. Quando encontrar a pessoa amada, diga: case-se comigo! Quero namorar você.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Quando o mundo ficou tremulo

Aos pouco tudo foi se preenchendo
Cada lembrança tua foi se materializando me minha frente
Comecei a sentir teu cheiro que me invadiu os meus pulmões
Comecei a sentir o toque suave de teus abraços que me acalmam
Comecei a sentir o gosto doce de teus beijos que faz a vida ficar muito mais bonita
Tentei te abraçar e beijar
Mas, meus gestos foram em vão
Tudo era fruto da minha imaginação
Lentamente tudo foi se derretendo
E eu ali, vendo você desaparecendo
Foi quando meus olhos começaram a ver mundo ficar trêmulo
Eram as tuas lembranças me impedindo de ver a realidade em minha frente
Até o momento em que elas começaram a cair, rolando sob mina face até encontrarem o chão
Então me percebi inundado por tuas lembranças
As lembranças que caiam me faziam soluçar como uma criança
Eu que sempre me achei forte, que um dia te disse: Vêm, eu sou seu norte!
Que sempre soube como enfrentar o mundo sem nunca me abater
A navegar os mares mais tortuosos sem me estremecer
Eu jamais poderia imaginar que as lágrimas que distorciam o mundo
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Teu corpo quente
E sinto mais frio do que desejei um dia,
Ele começou suave e agradável,
Mas, agora começou a congelar-me,
Não consigo movimentar-me,
Seria a saudade me dominando?
Não sei, mas estou com meu corpo se comprimindo,
Não sinto minhas articulações,
Queria abrir os braços para esperar-te,
Mas não consigo,
Eles se negam a abrir-se,
Parece que sentem que seria inútil,
Abrir os braços e esperar o quê?
Abrir os braços e esperar qual abraço?
Que venha o frio,
Que me congele por completo,
E preserve a última lembrança agradável,
Que me congele antes que os pensamentos tristes me dominem,
Não quero ser congelado em minha tristeza,
Se for para sentir frio, que seja da tua lembrança,
E assim, congelado, te terei eternamente junto a mim,
Esse seria meu lindo fim,
Fez escuro,
E minha última lembrança...
É teu corpo quente junto ao meu,
Numa linda noite...
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Mais uma da saudade
Senti-lo após sua partida foi tão diferente,
Isso me fez pensar o que nos leva a sentir frio,
Os mais insensíveis talvez dissessem: - Seria por que o tempo esfriou? Ou seria por que você não está bem agasalhado?
Estes seres não conseguem ver além de sua ignorância...
Busquei uma resposta no lugar mais propício para explicar esse frio tão diferente,
Busquei resposta nos corações dos amantes,
Estes me levaram à resposta mais lógica possível e talvez, por isso, mais louca...
Eles me disseram: achamos que o frio que sentimos é arrumação da saudade...
Saudade do afago,
Saudade do carinho,
Saudade do abraço,
Saudade do sorriso,
Saudade do corpo quente,
Enfim, saudade da presença de quem amamos pertinho de nós aquecendo nosso coração...
Não pense que ao tomar conhecimento de tão nobre sabedoria passei a odiar o frio,
Pelo contrário, gostei muito mais de senti-lo,
Pois, ele trouxe você até mim,
Ao fazer reflorescer em mim a saudade que sinto de você,
E me fazer perceber a falta que você me faz,
Assim, aprendi com o frio perceber você,
E desejei, desejei que nevasse para que tudo ficasse cheio da tua presença
E que tua presença jamais saísse de perto mim,
Pensei em congelar-me para que tua presença permanecesse também em mim,
Mas, congelado perderia a possibilidade dos movimentos,
Movimentos que possibilitam os carinhos eternos que desejo te dar,
Então desejei apenas que o frio me fosse suficiente para desejar-te eternamente juntinho de mim,
E aquecer-me te enchendo das mais puras e sinceras manifestações de amor,
Ah! Quando sentires saudades, não diga que está com saudade,
Diga: estou sentindo frio.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
As novas tecnologias incidem nas relações sócio-ambientais
Os avanços tecnológicos visam num primeiro momentos à obtenção de lucro e ignoram o que isso pode causar sobre a vida. Temos como exemplos as grandes montadoras de carros que substituíram a mão de obra humana por máquinas, para o aumento da produção e assim evitar gastos com pagamentos de pessoal, assegurando mais lucro.
Essa grande produção de automóveis, assim como outros elementos da modernidade, mas, nos ateremos aqui a este que é nosso exemplo, provoca uma série de implicações sobre as relações sócio-ambientais, a primeira delas, sem tomá-la em uma escala de valor, é a necessidade de consumo gerada nas pessoas. Por exemplo: com mais automóveis sendo produzidos com baixos investimentos devido à tecnologização de sua montagem, provoca um aumento de carros nas financiadoras que, por conseguinte, os oferecem ao consumidor, facilitando ao máximo para que estes possam consumir.
Consumidor: assim nós somos chamados hoje, somos quem consome, estamos para o produto e não mais o produto está para nós. Mas, voltando ao nosso exemplo, com o aumento da produção automobilística faz com que esse produto possa ter uma leve queda em seu valor final, assim o que era possível apenas para alguns afortunados passa a ser possível para uma grande parte de trabalhadores assalariados. Não pense que a possibilidade de adquirir o carro próprio se dá em função de uma situação econômica melhor ou como dizem por aí, por estar economicamente estável, não existe estabilidade na era capitalista, mais adiante pontuarei o que leva-nos a esse consumo.
Com o avanço tecnológico essa exagerada produção de “bens” de consumo deve ser escoada de qualquer forma, pois, algo novo está surgindo a todo o momento, e os produtos não podem ficar parados, isso é perda de capital, o que faz surgir às grandes promoções: “leve agora e só comece a pagar no seu sétimo dia de falecimento!”, são proposta indecentes e inescrupulosas, fazem com que as pessoas, os consumidores, entrem em verdadeiros pactos de endividamentos, sem que percebam isso, assim são levados perpetuar as grandes escalas de produção, como nosso exemplo das montadoras de carros.
O pior nessa relação com o capital é que foi introjetado na cabeça das pessoas que não é possível viver sem a posse desses “bens”, isso que nos leva a consumir, que surgem para facilitar a vida humana, mas que ao serem tomados pelo sistema capitalista o usam como ferramentas para provocar na sociedade uma dependência de consumo e inconseqüentemente agridem nosso meio ambiente, diria que cada vez mais nos viciamos com o consumo, é o prazer gerado pela possibilidade de consumir que nos leva a adquirir sempre aquilo sem o qual nós conseguiríamos viver.
É fato hoje, uma intensa fiscalização e controle por parte de agências ambientais na produção dos “bens” de consumo com o intuito de diminuir o impacto negativo desse consumo exagerado nas relações sócio-ambientais, como: o inchaço de carros nas cidades que têm como conseqüência o aumento de poluentes no ar. E, este é apenas um de muitos exemplos da influência das tecnologias nas relações humanas e no meio ambiente.
Como já anunciei, se percebe grande preocupação nas relações sócio-ambientais, mas ainda aquém do que se espera tanto na adesão desse cuidado com meio ambiente como no tempo de efetivação dessa proposta.
Enfim, acredito na capacidade das novas tecnologias estarem em prol de uma vida melhor e no seu avanço de forma que não agrida o meio ambiente e todos os habitantes deste planeta azul, bem como o sistema interplanetário no qual estamos inseridos. E, com isso se tenha uma valorização dos seres humanos já que percebemos a existência de uma grande dependência humana das novas tecnologias. Pois, nós somos, a priori, os únicos seres capazes de mudar esse quadro e instaurar uma vida sócio-ambiental melhor, na esperança de que “outro mundo é possível”.
sábado, 15 de agosto de 2009
Cuidado, Correria, Prioridade e Projeto de Vida
Acreditamos que somos motivados por um “inesgotável” gás de militantes, assumindo um turbilhão de compromisso, mas é fundamental saber o momento de dizer ou gritar: “Chegaaaaaaaaaaaaa! – Preciso Cuidar de Mim”.
Neste momento, é essencial poder contar com verdadeiros amigos/as, que antes de qualquer coisa, nos compreende.
O início...
Bruno e Aline fazem parte de um grupo que presta assessoria na linha da formação de adolescentes e jovens. Em 2008, o grupo foi convidado para assumir uma proposta de formação de educadores em que necessitaria da colaboração de toda a equipe, a formação teria 05 etapas.
Durante as reuniões iniciais de preparação da atividade, Bruno e Aline não puderam participar de nenhuma, contudo, o “casal maravilha” sempre esteve a postos para o trabalho. Sempre contribuíram com as construções virtuais de cada etapa, mesmo envolvidos em outras atividades, além dos compromissos que temos comumente como: estudo, trabalho, namoro etc. Desistir? Jamais!
Mas, chega um momento que não é possível mais fingir que está tudo bem, Bruno e Aline conseguiram perceber isso.
Após a realização da 4ª etapa e sem ter participado da execução de todas realizadas até o momento, o “Casal Militante Imbatível”, se posiciona da seguinte maneira, ao e-mail que convocava o grupo para o planejamento e preparação da 5ª e última etapa desta proposta de formação:
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De: Bruno Luz
Para: ‘Grupo de Trabalho’;
Olá Pessoal, boa tarde!
Tanto eu e a Aline ficamos felizes com o empenho de todos(as), mas nos sentimos distantes da realização desse trabalho. Pois, como havíamos dito não pudemos (nem poderemos participar de nenhuma reunião). Outro fator que complica é o nosso desgaste. Uma vez que nas últimas três semanas tivemos muito trabalho (Serra, Oficina Interna, Oficina, Apresentação no Dom Silvério, Assessorias, Faculdade, Trabalho, etc.). Enfim, gostaríamos que nos perdoassem, mas está Phoda e precisamos descansar. Reconheço o compromisso que assumimos e o fato do Mauro ter cedido o seu lugar no carro para a Aline. Mas, acreditamos que não iremos contribuir como gostaríamos. Talvez essa não seja a melhor forma de comunicar, e gostaríamos de em uma oportunidade conversarmos diretamente/pessoalmente com o grupo. Sendo assim, pedimos encarecidamente o perdão de vocês e que compreendam que apesar de tudo nos esforçamos, mandando sugestões e lendo parte do material encaminhado, mas temos que jogar a toalha. Perdoem-nos e contem conosco para próximas empreitadas, e podem ter certeza, a falta veio de uma necessidade e sentimos pela falta que daremos à equipe. Pondero que iremos nos programar melhor das próximas vezes.
Apenas para complementar teremos nas próximas três semanas reuniões e assessorias, o que implica mais tempo e descanso para nós mesmos.
Com carinho e certos da compreensão de todos(as)!
Bjus carinhosos! – AlineBC e Bruno Luz
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De: Mauro
Para: ‘Bruno Luz’; 'Grupo de Trabalho';
Olá Cúmplice de Caminhada,
Ao Bruno,
Lamento muito o ocorrido, entendo e me preocupo. Acompanhei um pouco alguns desses momentos e foi admirável seu envolvimento. Como sei que você tem acompanhado nossa construção virtual, espero que você tenha tido um tempo e lido os materiais aprofundamento deste curso que estamos construindo coletivamente, sobretudo os materiais desta etapa. Pois, entre os materiais desta etapa, enviamos o texto “Carta de um militante”, que até queríamos que você ou Aline dramatizassem, mas não foi preciso, você o está vivendo. O texto apresenta uma realidade em que todos nós que nos encantamos com a evangelização da juventude, que assumimos nosso ministério com amor, e, ao nos vermos como Neotéfilos tendemos a seguir.
A juventude precisa de Neotéfilos inteiros, íntegros, que estejam bem de corpo e de alma, assim, cuidar de nós é pré-requisito indispensável. Somos seres limitados e devemos reconhecer o quanto antes isso. Não são os homens de aço ou as mulheres maravilhas dos quadrinhos ou dos cinemas que a juventude se inspira. A juventude se inspira em pessoas assim, como você, Aline, Zizi, Lelé, eu e muitos outros que se dedicam a estarem ao serviço dela, pois, ela vê em nós, gente, seres humanos como ela. Pessoas comuns, como qualquer jovem. Pessoas possíveis de serem alcançadas, tocadas, que vivem os dramas e a as alegrias de ser gente. E seremos muito mais inspiradores se soubermos lidar com nossos compromissos com cautela, mostrando que sabemos até onde podemos ir. E devemos ir até onde nossas ações não interfiram em nossa saúde mental e corporal.
Jogar a toalha é perceber que temos limites, que precisamos nos reabastecer de fôlego, de carinho, cuidado, e diria até mesmo de Deus, que no ativismo que tendemos a entrar, não sobra tempo para falar com Ele. Jogar a toalha é reconhecer-se humano, e ser humano é ser divino.
Meu Amigo, fico feliz que você resolveu tirar esse tempo para você. Conte comigo. Nesses momentos é bom olharmos para nosso projeto de vida. Beijos carinhosos.
Uma dica: leia o texto: Carta de um militante, ele é muito interessante, sempre me ajudou nesses momentos de entrada nos ativismos desenfreados.
Paz e Vida Longa!
Mauro Rodrigues
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De: Bruno Luz
Enviada em: quinta-feira, 28 de agosto de 2008 15:13
Mauro e demais companheiros, boa tarde!
a. Obrigado pelas palavras de carinho e atenção. Se tivesse do meu lado iria lhe dar um beijão e um forte abraço;
b. Eu já havia lido o texto (como alguns outros encaminhados), e foi à luz do mesmo que refleti e partilhei com a Aline a nossa situação. Aliás, ele pode ser um motivador para momentos de retiro/avaliação do nosso grupo;
c. Saibam que estimo muito o nosso trabalho e fico feliz com a sua compreensão.
Vou realmente descansar, dormir, ver filmes, dormir, etc... rsrs! Amo vocês!
Bjus carinhosos!
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Meu refúgio, minha fortaleza
No afastamento do mundo és o meu único refúgio
Tua presença me isola
Quando estás perto posso olhar o mais profundo do meu ser
Encontrar-me contigo me torna o mais divino homem
Não há riqueza que possa se comparar ao meu valor
Cada dúvida, em ti encontro resposta
Em nosso encontro só o silêncio nos faz companhia
Como os gritos silenciosos que retiro de mim
Ah, o silêncio!
Ele nos fortalece
Fora do encontro contigo não existe vida
O nosso lugar de encontro!
É nesse lugar que encontramos a água e o alimento que precisamos
Minha cúmplice,
É no encontro contigo que consigo resolver meus conflitos
Você me dá força para encarar o mundo
O mundo!
Esse, sem os encontros estabelecidos contigo permanecerá sem sentido
Refúgio meu,
Não me abandones,
Pois, sem tua presença esse mundo me consome.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Saúde e Integração Social de Adolescentes e Jovens na perspectiva do cuidado humano.
Discorrerei aqui nesta perspectiva de ir além das questões postas, tendo como objetivo fazer uma abordagem que coloque em foco um dos diversos aspectos que constituem o mosaico das múltiplas realidades dos adolescentes e jovens.
Um desafio posto para tal reflexão é colocar os adolescentes e jovens como sujeitos de sua história, com voz e vez, que devem ser pressupostos primeiros a serem levados em consideração.
Apesar de reconhecer a necessidade de dar voz e vez a esse público, este texto ainda não consegue realizar tal feito, contudo, põe em evidência um tema/realidade que há muito tem passado despercebido dos focos das discussões teóricas sobre os adolescentes e jovens, bem como das práticas do resgate humano. Essa atenção ainda é ínfima e precisa ser ampliada, tanto na prática reflexiva como no “contato” direto com esse público, ou seja, é estar com, é estar próximo ao ponto de poder tocar, sentir, é estar ali com o tato, é deixar-se envolver diretamente.
Saúde e integração social de adolescentes e jovens é um tema polêmico e por vezes controverso, mas, que precisa ser colocado em evidência, já que é possível vermos uma movimentação a esse respeito, tanto por parte da sociedade civil organizada como pelo estado. Deste último podemos citar além dos diversos programas governamentais, o lançamento do “Marco Teórico Referencial: Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva de Adolescentes e Jovens ocorridos em 2006. E, não posso deixar de citar o” Estatuto da criança e adolescente, grande conquista na defesa dos direitos deste segmento. Pois, a promoção dos direitos e bem estar de crianças, adolescentes e jovens, o incentivo a educação, os seus envolvimentos no planejamento e implementação, bem como na avaliação de tudo aquilo que a eles se destinam são fundamentais à sua saúde e integração social.
Porém, deve-se ir adiante, isso não basta. É preciso desnudar nossos olhares, para revermos diretamente a realidade tal qual ela é, mas “para conhecer exige-se tempo, sensibilidade, alegria e envolvimento” (GADOTTI, 2005). Estas dimensões do conhecer apresentadas por Gadotti me fazem destacar um elemento de suma importância e relevância nas relações, sobretudo, as de cuidado. Antes de destacar tal elemento, vejo prudência expor o que Boff apresenta a cerca do cuidado, ele diz: “Somos cuidantes quando destinguimos o que é urgente e o que não é [...] ser cuidante é ser ético, pessoa que coloca o bem comum acima do bem particular, que se responsabiliza pela qualidade de vida social e ecológica...”
Só através desta relação de cuidado que poderemos instaurar uma nova sociedade. O cuidado contagia: eu cuido do/a outro/a para que ele/a também possa cuidar de mim e, como um contágio isso se torna um eterno ciclo de cuidado, poderia até chamar de pandemia do cuidado.
O cuidado deve ser uma das primeiras dimensões das relações humanas e destas com a natureza. Se esta dimensão não estiver intrínseca em nossas relações, nossa vida será inútil, e demasiadamente cruel. Talvez seja por isso que presenciamos e estamos inseridos nesta sociedade tão desumana e carregada de descuidado.
São inúmeras as realidades de exclusão e de excluídos. Dentre tantas e tantos ressaltamos a realidade da “rua” e dos adolescentes e jovens. Segundo Graciani: “a categoria social “meninos(nas) de rua” é o caso extremo e limite da deteriorização imposta pelo subdesenvolvimento à condição juvenil. Constitui o cenário de um processo amplo de exclusão humana, que se observa em diversos graus nessa gente estatisticamente jovem, graças ao projeto neoliberal, econômico-politico-social, que delineia a sociedade do terceiro mundo”. Reiterando dirá: “a criança, o adolescente e o jovem de e na rua em sua exclusão, antes de refletir uma atitude pessoal são membros da pobreza. Defini-los e compreendê-los mal é empobrecê-los ainda mais”. (GRACIAN, 2005, p.120) Precisamos conhecer a realidade na qual estão inseridos os meninos e as meninas em situação de rua. E, este conhecer, a partir da concepção de Gadotti. É preciso achegar-se com o sorriso no rosto, e através do envolvimento ser sensível a escuta dos anseios e necessidade destes/as cidadãos/ãs em situação de rua, esta escuta requer tempo. O tempo para que aconteça a conquista e a confiança de quem é escutado em quem escuta. E, para que isso aconteça é necessário exercitar regularmente com estes/as adolescentes e jovens o “contato”, eis o elemento de suma importância nas relações anunciado anteriormente.
O que faz o contato se tornar tão importante nas relações? O que estou entendendo como contato?
Não dá para conceber uma relação de cuidado sem o contato. Contato é o ato de maior aproximação em uma relação. Refiro-me a uma relação que pressupõe o tato, o toque. O toque que desarma!
O toque fala e é através desta fala, de maior aproximação, que acontecerá a abertura, a cumplicidade e a confiança. Toda relação de cuidado traz consigo esta dimensão da corporeidade. Tocar no outro/a é reconhecer o outro como existente, como ser. A relação cuidante que não proporciona uma relação corporal é vazia. É nesta perspectiva do “contato” que conseguiremos nos aproximar verdadeiramente de todo grupo socialmente excluído.
Assim, posso afirmar que na relação cuidante e de cuidado é imprescindível o contato, entendido aqui como aproximação através da relação corporal: o toque, pegar na mão, sorrir, olhar com proximidade e, sobretudo, o abraço. São estas questões que me fazem destacar o contato como um elemento de suma importância e relevância nas relações. Desta forma, o abraço se configura aqui, como a aproximação máxima nas relações de contato cuidante.Por fim, na relação de contato cuidante, o abraço se torna o grande ato do resgate humano.
terça-feira, 28 de julho de 2009
Mística da pipa - parte 2
Nossos sonhos devem ser como as pipas, que nos deixam felizes quanto mais alto elas chegam. Quando projetamos nossos sonhos para que voem o mais alto possível, maior será nossa felicidade ao os vermos alcançar e, até ultrapassar a altura desejada.
Ao entrarmos nessa trilha do Acompanhamento dos Adolescentes e Jovens algumas perguntas devemos nos fazer: nós conhecemos os adolescentes e jovens? Quais as imagens desse grupo social que nos é mostrada? Quais são os nossos sonhos e quais são os sonhos deles?
Percebemos que as imagens da juventude que são mostradas não são como aquele lindo colorido que as pipas deixam no céu, é uma realidade desbotada e pouco atraente. Assim, percebendo essa realidade desbotada da juventude somos desafiados a soltar no ar aquela realidade juvenil colorida que não é mostrada, a realidade juvenil que poderá colorir o céu de nossa sociedade.
Olhando para as pipas que colorem o céu e que nos encantam, somos desafiados olhar para além dessa realidade juvenil desbotada, realidade dos altos índices de violência, morte e desigualdade social. Somos desafiados a olhar e dar visibilidade ao colorido da juventude que os holofotes midiáticos ofuscam.
Podemos comparar a pipa a nossos sonhos, isso nos permite olhar para aquilo que projetamos alcançar com maior encanto. Nossos sonhos serão projetados na liberdade das pipas voando, que nos fazem sonhar cada vez mais alto, presos ao mundo, a esta realidade, apenas pelo fio que não nos deixa esquecer que somos parte dela e, que nossos sonhos se realizarão aqui neste chão duro da realidade.
O sonho e desejo de quem trabalha com adolescentes e jovens é ver a juventude feliz. Seguindo essa lógica podemos comparar a juventude a uma pipa, e nós seremos aqueles que ajudarão essa pipa a alcançar os mais altos céus; nosso jeito de trabalhar, nossa metodologia será a linha que nos ligará a juventude. Quanto maior o domínio de nossa proposta de trabalho, quanto maior o conhecimento sobre os adolescentes e jovens, mais longe poderemos ajudá-los chegar.
A armação é a consistência de nossos sonhos, é aquilo do que nossos sonhos são construídos, ela precisa ser firme e leve, bem estruturada, precisa ter equilíbrio, para que tenha estabilidade direcional, e assim siga para na direção que queremos ir.
A linha é aquilo que nos liga aos adolescentes e jovens, nos liga até o momento em que eles tenham alcançado altura suficiente para saber que a linha será sua ligação ao mundo, a sua realidade concreta e que não deverá ser abandonada.
O vento é a realidade, que nos possibilita alçar vôos, projetar nossos sonhos; uma realidade social apática à realidade e as demandas da juventude é como um vento fraco que pode não levantar a pipa, que não possibilite a juventude sonhar; uma realidade caótica, violenta é como um vento forte que pode quebrar a pipa, que pode fazer a juventude desistir de seu sonho; o desafio posto é o de lutar pela construção de uma sociedade que esteja propícia a realização de nossos sonhos, como os ventos médios e contínuos que ajudam que a pipa suba bem alto.
Enfim, a pipa nos proporciona isso, leveza e alegria, nos permite voar ao mais alto céu estando preso ao chão. É muito gostoso pôr uma pipa no ar, elas “disputam espaço, fazem acrobacias, mapeiam os céus”. Mas, o mais gostoso ao empinar pipa é quando, assim como nossos sonhos, a construção é feita por nós. É muito mais gostoso empinar uma pipa construída por nós mesmos, vê-la no alto é como ver uma parte de nós podendo tocar o céu, elas “são extensão natural da mão, querendo tocar nossas ilusões”. Assim são nossos sonhos, quanto mais de nós eles tiverem, maior será nossa felicidade quando eles se realizarem.
Preservemos o direito de sonhar da juventude, assim como a beleza e simbologia das pipas, pois uma infância sem pipa certamente resultará em uma juventude infeliz.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Abrace-me
Não me pergunte o que significa tudo o que digo
Pois, provavelmente eu também não saiba
Faça-me calar com teus beijos loucos de amor
Quando minha voz não sair
E eu gaguejar em tua frente
Enrolar-me nas frases mal construídas
Não diga que são mentiras ou que estou falseando o que sinto
É apenas um ser amante que não consegue transformar em palavras o que sente
Faça o seguinte
Abrace-me e me dê a tranqüilidade da brisa
Tranqüilidade que faça fluir as palavras doces de amor
Como as colchas de retalhos pacientemente construídas pelas mãos da costureira
Como o bailar da tarrafa lançada no rio pelos braços do pescador
Como as imagens perfeitas são registradas pelo olhar do fotógrafo
Como os poemas saem do coração do poeta
Como as canções surgem no dedilhar dos compositores
Como os passos coreografados surgem nos pés dos dançarinos
Como os harmoniosos cantos que saem dos pulmões dos pássaros e cantores
Como a sincronia do por do sol e do surgir da lua
Não diga nada
Apenas...
Abrace-me.
A contemplação do pescador...
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Encanto dos meus olhos
Vem!
Traz teu brilho e ilumina minha vida
Me conforta com teu encanto
Me tira dessa solidão
terça-feira, 30 de junho de 2009
Decidir e caminhar...
E, acredito que os passos são a concretude de nossas decisões
E que de grandes decisões são formadas as longas caminhadas
O caminho se faz decidindo:
Decidindo para onde ir e aonde chegar...
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Mística da pipa - parte 1
Vamos pôr-se a caminhar.
Muitos são os sentidos atribuídos a “Mística”, contudo, aqui, a entenderemos como aquilo que dá movimento, que dá sentido, que ilumina a prática. Ao trazer a Pipa como mística de uma proposta formativa, quero ir para além do sentido metafórico que esta relação possa trazer. Esta será o que alguns chamam de fio condutor, aquilo que possibilitará o entendimento acerca de.
Mas, por que Pipa? Como este invento/brinquedo nos ajudará a compreender e a nos envolvermos com o universo dos adolescentes e jovens que nos propusemos trabalhar?
Chegar até a Pipa como símbolo deste percurso metodológico não foi um acaso, e tão pouco foi por falta de um outro elemento que desse um sentido mais próximo ao que uma mística é compreendida. Trazer a Pipa como símbolo partiu de todo o significado que esta (a pipa) traz para o universo infanto-juvenil.
As pipas na história da humanidade datam de muitos séculos e se misturam com a historia da civilização. Dentre suas utilizações se destaca o uso como instrumento de defesa, arma, objeto artístico, de ornamentação e a forma mais comum, como brinquedo.
Esta última forma de uso e as correlações dos elementos que identificamos nesta velha e conhecida brincadeira infantil foi uma das principais inspirações para definir a Pipa como Mística deste caminho que vamos trilhar.
A pipa nos quatro cantos do mundo e não diferentemente no Brasil, é conhecida por vários nomes e, cada um deles traz consigo uma história específica. Entre os nomes como a Pipa é conhecida, vamos encontrar: papagaio, arraia, rabiola, morcego, lebreque, coruja, tapioca, bebeu, quadrado, pandorga, curica, cangula, casqueta, chambeta, raia, etc.
Assim, conhecida com todos esses e outros nomes, dependendo da região ou país, a Pipa trouxe os elementos que possibilitariam trabalhar com a tematização do universo dos adolescentes e jovens de uma forma mais envolvente.
Soltar pipa traz todo um envolvimento. Cada elemento que constitui a arte de soltar pipa nos possibilita relacionar nosso envolvimento com a realidade – natural e sócio-cultural - que nos rodeia e com os valores e motivações que nos inspiram. Através da Mística da Pipa tracei um percurso para compreensão acerca dos adolescentes e jovens. E este percurso se valerá dos elementos que constituem uma pipa.
A pipa é composta de uma estrutura armada (Armação) que suporta um plano de papel ou plástico que tem a função de asa, sustentando o brinquedo. Dependendo do modelo pode contar com uma rabiola (adereço preso na parte inferior para proporcionar estabilidade), geralmente feita de fitas plásticas finas ou de papel, ou mesmo de pano, amarradas a uma linha. Os materiais que a constitui são: varetas de bambu, papel de seda colorido ou plástico, carretel de linha, uma lata de refrigerante vazia ou outro objeto em que se possa enrolar a linha, cola branca ou goma e tesoura.
terça-feira, 23 de junho de 2009
Já te amava e nem sabia
Quis te conquistar, mas não podia
Resolvi me afastar
O tempo passou e te reencontrei
Você estava mais linda
Mas, achava que ainda não podia ser minha
Aos poucos nos aproximamos
E lentamente nos descobrimos
Não conseguia passar um dia sem falar com você
Você era minha conselheira e confidente
Ajudou-me a ver que devemos dar uma chance ao amor
Tuas cenas de ciúmes me confundiam a cabeça
Estaria eu enganado ou algo mais estava acontecendo?
Não vai me trair! Você dizia. Mas, não tínhamos nada...
Como poderia trair uma amizade tão bela?
E eu me negava a ver
O sentimento lindo que em mim existia por você
Ao percebê-lo em mim, então, não relutei
E disse: não posso viver sem essa mulher
Esforços eu não medi e até você eu fui
Mas você ainda não sabia do amor que em meu peito habitava
Voltei para meu mundo, mas não pensei em desistir
Voltamos a nos falar e a fortalecer nossa cumplicidade
O que parecia uma linda amizade foi crescendo
Quando percebemos nos descobrimos amantes
E quando você menos esperou, eu te surpreendi
Fiquei com medo de sua reação
Mas de sua boca só ouvir um sim
Fui ao infinito buscar forças para conter tamanha alegria
Questiono-me se você sabia
Que o sim que brotara de seu coração
Era sua sentença de condenação
De não mais poder ninguém amar
De amar somente a mim
E me amando... De mim, não poder mais fugir
Foi quando de ti senti um amor puro verdadeiro
Querendo estar condenado por vontade
E, de viver esse amor não querer negar-se
E isso tudo me fazia querer-te cada vez mais,
Sentir você todo dia
Com sua voz suave e decidida
Em sussurro em meu ouvido dizer: Você é o Amor da Minha Vida!
domingo, 21 de junho de 2009
Minha Amada
Aos poucos fui descobrindo teus encantos
Perdi-me em teus segredos sempre abertos
Cada história tua me fascinava
E eu dizia: sou dela, sempre irei amá-la
Jamais a abandonarei
Ao passar dos tempos, eu te queria cada vez mais
E via como os homens te maltratavam
E eu te amando e sofrendo
Queria poder vingar-te
Sentia raiva ao ver-te sempre permissiva
Mas, não seria você se não fosse assim
Sei que fazia isso esperando o amado que te defendesse dos tiranos
Mesmo maltratada e explorada, continuava bela e fascinante
A cada dia meu amor crescia e meu lamento aumentava
Não tinha força para gritar que você devia ser sempre amada
Como os casais que se amam ao cair da tarde
E que cuidam sempre para não perder seu amor
Queria que todos não só te usassem e logo te esquecessem
Mas, te amassem...
A noite te tornava tão bela
As estrelas iluminavam teus caminhos
Meu desejo era então que noite fosse eterna
E como um menino que se entrega pela primeira vez ao amor
Tentava segurar a lua por mais um instante
Pois, a meia luz te deixava misteriosa e atraente
Minhas forças eram inúteis diante da força do astro rei
Que com seus raios, lentamente desnudava você em minha frente
Era possível ver-te inteiramente
Teus segredos e mistérios tornavam-se anúncios de jornais
E todos se deliciavam com tamanha beleza
Todos queriam ver o rio banhando teus seios
E eu só queria que eles te amassem como eu te amei e amo
Não mais explorassem tuas nobrezas
Sem dar-te o amor merecido
Queria que todos percebessem em cada pedaço de ti o encanto
O encanto de teus cantos
Que o vento espalhava por toda parte
Queria que todos como poetas, te amassem
Como amantes, te cuidassem
E juntos cantaríamos, harmoniosamente, teus fascínios e encantos
Como as borboletas que dançavam coreografadamente no leito de teus rios...
sexta-feira, 19 de junho de 2009
O que dizer?
Hoje, um dia de postagem em meu blog, passo apenas para dizer que nesta última terça-feira, dia 16 de junho, a tristeza invadiu meu coração. Pois, recebi uma dolorosa notícia, que mais um de meus raros Cúmplices seguiu para sua sua última viagem, foi navegar por outros mares, costurar sua vida na eternidade. Vou suportando a dor na certeza que não lhe faltei quando a mim buscou. Este humilde pescador.
Me despeço com dor no coração e tristeza na alma.
Ass.: Um cúmplice que sofre...
terça-feira, 16 de junho de 2009
O segredo da arte de ser feliz
Estive pensando, ou, seria filosofando? A respeito de tudo que o ser humano passa em sua vida, quanto sofrimento, quanto que temos de fazer para que possamos continuar vivendo, e me questionava se é possível alcançar a felicidade.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Não pense...
Entrei no meu quarto e senti um vazio dentro de mim
Um vazio que preenchia onde não devia
As paredes pareciam comprimir-me
Resolvi deitar para ver se aquilo passava
Ao deitar deixei minha janela aberta
De repente, uma sensação estranha dominou meu ser
Como quem encontra a pessoa amada após tanta espera
Meu corpo estremeceu, meu coração acelerou
E meu peito apertou, senti uma súbita alegria que me invadia
Como um ato sobrenatural, senti algo diferente
E, estranhamente não me sentia mais só
Percebi estão uma leve brisa que pela janela adentrou meu quarto
E, suavemente senti um sussurro que tocou meus ouvidos
Era a saudade trazendo-te para mim
Ouvi, então, você me dizendo baixinho:
Quero-te!
Não perca tempo!
Não pense...
Ame!
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Para amantes à distância...
Somos únicos e por onde caminharmos daremos um jeito próprio a este caminho que ninguém conseguirá repetir. Por isso nos arriscamos a envolver-nos em novas relações. As relações passadas tiveram seu momento, sua importância e sua significância. Elas muito nos ensinaram e talvez até nos amedrontem, mas os “românticos são loucos e desvairados”, por isso se envolvem sem medo de uma nova decepção.
Não é apenas a loucura que nos leva a tentar novamente. São as pessoas que encontramos pelo caminho que nos levam ao desejo de tentar mais uma vez. Elas despertam em nós os sentimentos que estão no âmago de nosso ser. Fazem-nos querê-las. Conseguem alcançar os sentimentos que ora estavam adormecidos, mas sempre a espera de serem despertados. E, quando o Encontro acontece, o que menos queremos é que ele acabe. Isso torna a relação única. Com a marca daquele encontro, único. Pois, cada relação tem sua intensidade, e cada encontro é testemunha disso. Cada encontro traz seu kairós, que nos deixam marcas indeléveis.
O encontro aconteceu e a relação começou. O desejo é intenso de estarmos juntos e não nos separar. Mas, a singularidade da nova relação pode trazer elementos, tristes e muitas vezes dolorosos, apesar dos momentos lindos e maravilhosos que passarmos.
Em um dia como hoje, um dia especial, dia de estarmos pertinho da pessoa amada, muitos amantes são abraçados pela distância. Quando isso acontece, este dia se configura como o dia saudade. E só os nossos sentimentos poderão nos confortar. E, nos fazem encontrar saídas para estas convenções sociais.
O dia do namoro, do amor, assim como nossas relações, encontros e caminhos que percorremos, são frutos de nossa vivência. Pode ser que não estejamos juntos da pessoa amada nestas datas sociais, como hoje, mas já tivemos nossos vários momentos juntos que transcendem a qualquer data social.
Temos o nosso dia, aquele que é só nosso, meu e de quem amo. Que acontece a cada encontro. E quando ele chegar, assim como sempre fazemos quando reencontramos a pessoa amada, aí, nós comemoraremos não só o dia, mas cada instante em que estivermos juntos.
É neste dia que para muitos se torna marca de uma data especial, que devemos enviar a quem amamos, e que está longe, um gesto de carinho e cuidado, aquela frase que só nós sabemos usar. Para, assim, oferecer a nossa amada ou ao nosso amado, um momento de alegria e embelezamento deste dia que para nós, amantes à distância, se torna o dia da saudade.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Distância
terça-feira, 9 de junho de 2009
Ontem
Eu acreditei em tuas palavras
Teu choro pareceu-me súplicas
Fica comigo! Não me abandone!
Olho e vejo em um passado tão próximo
Aquilo que você me prometeu
Olho e vejo em um passado tão próximo
Você me dizendo extasiadamente
Você é minha vida!
Te encontrei e tudo foi desfeito
Pois, tuas juras de amor não mais existem
Isso tudo que acreditei...
Ficou no ontem.
domingo, 7 de junho de 2009
Lágrima

Costura Explicativa 8 - Sábado e Domingo e o ócio produtivo
O sábado e domingo é um tempo de ócio , tempo de esperar ser visitado por uma nova inspiração para as postagens da semana seguinte, entre ...

