Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.

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domingo, 31 de agosto de 2014

Costuras Explicativas 1 e 2

Amanhã se iniciará setembro e junto com ele uma nova estação. E assim pegaremos carona nas cores da primavera e vamos retomar nossas costuras no blog do Pescador.
Com esta retomada, vamos voltar elegendo um tema para cada semana de postagem, talvez não tenhamos postagens semanais, mas sempre que tivermos tentaremos seguir uma mesma inspiração para todas as postagens da semana.
E já começamos nossas publicações de setembro tendo como Inspiração as Costuras Explicativas, que serão uma forma de apresentação deste atelier. E começaremos explicando brevemente sobre o nome deste Blog.


Costura Explicativa 1

Por que Costuras e Pescarias?
A grosso modo poderia dizer: "são os ofícios que me formaram, que me construíram enquanto ser". Mas, sei que logo viria a indagação, como assim? Explique melhor. Pois bem, escolhi este nome por ser um dos ofícios de minha mãe e de meu pai. E, quando eu resolvi expor, publicar ou mesmo divulgar meus rabiscos, assim chamava meus escritos, minhas costuras. Foi a busca por algo que pudesse ter um significado mais profundo e encontrei em meu pai e minha mãe esse significado.
Assim, encontrei na costura a metáfora para meus rabiscos e na pescaria a metáfora para as experiências vivida, essa foi uma forma de homenagear estes dois seres que me são tão caros, minha mãe e meu pai.
A partir destes momento surgiu o Pescador e suas costuras e todas as metáforas deste atelier que aos poucos vai ganhando mais autonomia e a identidade própria destes elementos.
                                                                                          (Primeira Capa deste atelier)


Costura Explicativa 2

E quem é o Pescador que ousa costurar palavras?
Sou a soma dos tantos mínimos, resultado de tudo aquilo que eu quis e tentei ser e não consegui. Sou sorriso, sou piada, sentimento que chora, que afaga e acolhe. Sou amante e busco incansavelmente ser Cúmplice. Sou um ser errante, que caminha rumo ao desconhecido, acampando aqui e ali, ora fugindo do sol, ora o enfrentando e até esquecendo a sede quando a luta não nos permite parar. E há quem diga que sou pirata, poeta, palhaço, ator. Cantor? Não, minha melhor canção é o silêncio. Sou um aprendiz da arte da paciência, arte bela, árdua e necessária e muito difícil de ser praticada.

Sabe..., falar sobre nós mesmos é um tanto quanto difícil, se temos algo não muito agradável, logo tenderemos a ocultá-lo e se temos nossas qualidades, ao apresentá-las pode parecer que somos exibidos. Por isso, não vejo prudência num relato sobre mim. Porém, quem me conhece poderá fazê-lo com uma liberdade maior, espero que alguém possa fazer isso e assim, os que não me conhecem e desejam saber uma pouco sobre mim poderão ter algo a meu respeito.

Mas, antes de qualquer coisa, sou filho e irmão. Hoje, tio, pai? Um desejo e realidade em cada ser que de alguma forma ajudo na construção de sua vida como um ser humano melhor.


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Uma Singela Homenagem: Gisley - Uma Alma Rara



Hoje, resolvi reeditar este vídeo que fiz para homenagear Gisley (o Gigi, nosso Menino Maluquinho) no ano de seu encantamento, uma forma de homenagear este ser raro que passou em minha vida, que passou e deixou uma marca indelével em minha história, em minha vida e creio que na vida de muitas pessoas. Serei eternamente agradecido por ter sido agraciado por tê-lo no meu jardim de rosas negras, de rosas raras, na minha sagrada lista de Cúmplices.

Esta reedição é uma singela homenagem a esta rosa negra, esta alma rara, que como os alecrins dourados que nascem no campo sem serem semeados, nasceu no mais belo dos jardins, na terra mais fecunda, no fecundo terreno do amor, no jardim de nosso coração, lugar privilegiado para se guardar quem nos marca profundamente. Tu és presença constante em nossas vidas, estás vivo em nós e nos faz sentir esse frio que nos congela a alma, que muitos chamarão de saudade. E me faz recordar o que escreveu certa vez o pescador e traduz exatamente isso que estou sentindo agora: "Saudade é manifestação da presença de quem amamos em nós"

Esta publicação é a forma que encontrei para dar meus parabéns a este ser, no dia em que completaria seus 34 anos de vida, e que continua vivendo em mim sua vida e na vida de cada pessoa contagiada pelo seu amor, seu amor pela vida e por sua luta em defesa da vida da juventude.

sábado, 29 de maio de 2010

Dona Mundica

Ao iniciar este mês, me propus escrever no dia das mães uma mensagem para a minha mãe e postar neste espaço. Os dias foram passando, o segundo domingo do mês se aproximando e nada de belo o suficiente vinha em minha mente para definir ou expressar a admiração e amor que tenho por ela. O dia das mães chegou e eu não tinha um texto rebuscado, pronto, para postar aqui, apenas uma pequena frase, achei que minha mãe merecia mais. Recusei-me a postar uma pequena frase para dizer o que sinto por esta mulher tão maravilhosa que é minha mãe.

Por achar insuficiente a frase, ou diminuta demais, meu blog, no dia das mães, ficou sem a costura que eu desejava postar em homenagem a minha. Devem existir outras formas de dizer o quanto amamos alguém, o quanto sua existência é importante em nossa vida, o quanto o simples fato de ela existir em algum lugar no mundo já nos torna pessoas melhores e mais felizes. Talvez seja um grande erro, e digo talvez, por, de fato, não ter a menor certeza, tentarmos expor em palavras ou mesmo gestos a grandeza dos nossos sentimentos. E mais um incerteza de erro é quando exigimos que o outro/a demonstre o quanto nos ama ou o quanto somos importantes para ele/a.

Ao não conseguir dar forma verbal, gestual, escrita ou qualquer forma visual a tudo que minha mãe representa em minha vida, percebi que não é por não dar forma aos nossos sentimos que não os temos e ousaria até dizer, que esses sentimentos que não conseguimos materializar em gestos, sejam os mais belos. Enfim, no dia das mães eu liguei para falar com minha mãe, desejei para ela o que geralmente desejamos nessas datas, mas não disse tudo. Acredito que as mães são capazes de perceber essas coisas, creio que as mães são capazes de ler a alma dos filhos, por isso fiquei tranqüilo, de alguma forma ela sabia o quanto eu a amo, o quanto ela é importante para mim, sem que eu possa pronunciar qualquer palavra.

Mas, o que me levou a escrever, hoje, quase no final do mês, para contar que não escrevi no dia das mães o que desejava escrever? Além da frase que insistia em permanecer em minha mente, algo que me aconteceu na última quarta-feira tornou a minha mãe mais presente em meus pensamentos diários. Fui acometido por uma gripe na última quarta-feira e lembrei-me das vezes em que podia ser cuidado por minha mãe. Das várias noites em que deixou de dormir, para velar minhas noites de agonias durante as inúmeras crises asmáticas que tive durante minha infância e adolescência.

Nestes últimos dias do mês de maio, mês em que lembramos a importância de nossas mães e que eu esperava costurar um belo texto em homenagem a Dona Mundica, Dona Raimunda ou mesmo Dona Hermenegilda, ou melhor, a dona da minha vida, que me entregou ao mundo, minha mãe, uma gripe me fez reviver a presença dessa mulher tão especial em minha vida.

Algumas lembranças me foram recorrentes e, para evitar tornar esta costura longa demais, direi apenas alguns de seus gestos durante o tempo em que vivi com ela: lembrei dos seus cuidados quando eu adoecia; os chás – eu adorava o chá de erva cidreira, creio que era na casa da minha Vó que ela buscava; as misturas medicinais – pílula do mato amassada com mel; limão com mel – hoje acrescento uma cachaça e a coisa fica ótima; as batidas de ervas amargas que me obrigava tomar para sarar logo; as massagens em meu peito quando eu não conseguia respirar; lembrei das madrugadas em passava na máquina de costura fazendo os últimos ajustes na roupa que usaríamos na manhã seguinte; as noites em que juntava eu e meus irmãos para rezarmos o terço antes de dormir; sua cara censurando nossos risos ao não acertarmos a ave-maria, e depois seu riso ao perceber que a reza já tinha virado piada; lembrei dela me ensinando a pedir a “bença” ao papai e mamãe do céu; a me ensinar a rezar pedindo a proteção do anjo da guarda e não dormir sem camisa, se não, Nossa Senhora passava e não olhava; lembrei das tantas manhãs em que ela acordava mais cedo e esquentava um pouco de água para deixar a água da bacia morna e eu não ter que tomar um banho gelado tão cedo da manhã; lembrei das manhãs em que preparava um mingau de aveia, ou mesmo de farinha com leite, antes de eu ir para escola; lembrei do seu abraço apertado, não querendo me largar e seu choro que me apertou o peito ao se despedir de mim quando eu fui embora.

Enfim, lembrei de tantas coisas e é melhor parar de expor essas lembranças, são tantas, elas me enchem os olhos de lágrimas e de alegria na alma, por ter nascido desta mulher que tanto amo e admiro. Mas, vale dizer que desejei muito, esses dias, ser ainda aquele menino, desejei ter todos aqueles cuidados novamente. Desejei ter minha mãe aqui, queria deitar em seu colo, como fiz uma vez quando já não era mais criança e chorei. Ela não disse nada, apenas fez cafuné, como só a mãe da gente sabe fazer, e mais uma vez velou meu sofrimento e seu carinho naquele momento era a única coisa que podia me acalentar.

É... Mãe, eu nunca soube como dizer tudo o que sinto por você e a única frase que consegui construir no dia das mães expressa a minha limitação em dizer o que és para mim. A frase que me acompanhou durante todo esse mês foi essa: "há tanta beleza em teu ser, que nenhum poeta no mundo seria capaz de descrevê-las". Sei que nem os poetas, os artistas conseguiriam descrevê-la, mas, quem sabe, um dia, com os avanços das ciências, a humanidade conseguirá ter acessos ao que verdadeiramente sinto por você, ao conseguir mapear os sentimentos mais puros existentes no coração deste teu filho. Será consentido aos seres da terra, abarcarem a dimensão do amor de um filho? Como conhecer o que representa a tua presença em minha vida se tua beleza só poderá ser descrita através das almas humanas na leitura do coração? Creio que se um dia alguém for capaz de conseguir decifrar os corações humanos, ao se depararem com o meu, encontrariam todo o teu ensinamento. Teu olhar e cuidado que forjou minha alma construindo o meu eu. Tua garra destemida que me ajudou a seguir em frente e a acreditar nos meus sonhos que me fizeram partir. Fazendo-me aprender a viver sem tua presença, sem teu carinho diário e talvez o que mais sinta falta, sem o teu colo de mãe.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Velho Preto

Em tuas histórias, lindas lembranças
Tuas aventuras despertavam em mim desejos
No teu jeito simples de pescador
O teu dom nobre de galanteador
Tua pele áspera da experiência acumulada
Na “mardita branquinha” tua fraqueza
Que te libertava da escravidão patriarcal
Nas tuas canções o sonho e a tristeza
Sonho de um mundo novo
Tristeza herdada pela dor vivida por teu povo
Ao costurar a tarrafa em tuas mãos a destreza de cada ponto
Assim como em tua boca os pormenores de cada conto
Viveste a espera dos anjos que te buscassem e te levassem
Hoje, és um, junto deles
És o meu anjo guerreiro e defensor
Meu anjo cor noturna
Pescador e contador
Meu sangue afro
Minha força
Grande companheiro de minha amada
Hoje, minha grande companheira
Tens ao teu lado um fiel escudeiro
De cor igual à noite
Juntos me acompanham
Presença que me encoraja
Que me faz sentir proteção
Fostes nas companhias dos anjos
Que tanto chamastes
Agora, tua vida pulsa em mim, Velho Preto
Meu Vô Preto.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Vença o seu medo ou serás infeliz...

Outro dia alguém me disse que deixou de fazer e não faz muitas
[coisas por medo
E eu disse: - Acredito que só o medo é capaz de impedir nossa
[felicidade
Diante dessa situação, lembrei dos momentos em que sinto medo
Ouço como que um sussurro ao ouvido
- Vença o medo, engane-o, só assim serás capaz de ser feliz
Então me pergunto: Eu quero ser feliz? Sim, eu quero.
Mas, tenho tanto medo
Medo de ser enganado, Medo de não dar certo
Medo de sofrer, Medo de me machucar
Medo de me decepcionar, medo, medo, medo...
Sim, tenho muito medo
E aquele sussurro não pára...
Nesses momentos pensei: Como vencer o medo? Como enganá-lo?
Recordo da minha infância: Eu tinha medo de escuro
Mas, eu enganei meu medo
Lembro minha mãe dizendo: – meu filho não tem medo
Eu acreditei naquilo, criança acredita em cada coisa!
Era preciso acreditar naquilo para vencer meu medo
Acreditar em nós é o primeiro passo para vencer o medo
Acreditando que eu não tinha medo eu fazia o inacreditável para
[alguém medroso
Quando tinha que ir lá fora, meu coração acelerava
Minhas pernas tremiam e eu sentia o medo ali
Tentando me impedir de seguir em frente
Era quando eu conseguia enganá-lo
Dizendo-me: eu não tenho medo
Ele estava ali, o escuro era personificação do meu medo
E eu o enfrentei muitas vezes
E assim eu venci o medo na minha infância
A gente cresce e outros medos aparecem
Mas, agora eu sei como vencê-los
Pois, uma coisa eu aprendi
Se você quer vencer seu medo é preciso encará-lo
No começo engane-o, depois de tanto enganá-lo você o vencerá
Mas, lembre-se, é preciso acreditar em você
E não perca a chance de ser feliz por causa do seu medo.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Paraense é assim...

Existem coisas que só paraense, seja ele de nascimento ou por adoção, sabe o que é: passar numa esquina e salivar só de sentir o cheiro do tucupi, vindo de um bom tacacá, ou o cheiro da maniçoba, empinar papagaio do Cobra ou fazer pacientemente, com talinhas de palmeira e papel de seda uma curica e se perder no tempo, no encantamento com sua arte subindo os mais altos céus e dar laço e correr atrás do papagaio que xina. Paraense joga peteca e não bolinha de gude, tem seguro contra as mangas que quebram os pára-brisas dos carros, uma pena é não existir seguro para a cabeça, eu mesmo quase já fui alvo delas...

Paraense conhece mato, marés, conta estória do boto - moço bonito, mas com um pitiú de peixe e que mesmo assim, encanta as moçoilas mais desavisadas nas noites de lua cheia. Não sabe o que é pitiú? O paraense sabe! Se tem uma coisa que paraense sabe, é fazer comida, é irresistível ir ao Pará e não degustar de uma deliciosa unha de caranguejo (é comum ouvir alguém pedir uma coxinha de caranguejo, rsrsrs) - a sopa, também, é uma delícia -, caruru, casquinha de mussuã, pato no tucupi, peixe moqueado, sem contar a experiência única de comer um bom avuado com os amigos.

Paraense é carinhoso, chama todo mundo de mano, mana, maninho, fica logo amigo, faz almoço, jantar, põe logo dentro de casa. Eita povo hospitaleiro! Fala se não é? Por aqui tomamos açaí pra dormir a sesta, com farinha d’água ou de tapioca, com açúcar ou sem, com charque, camarão, pirarucu ou sem nada só ele purinho, bom que só! Temos os frutos mais deliciosos e mais exóticos, isso o paraense, esteja ele onde estiver jamais esquecerá, o gosto do cupuaçu, bacuri, uxi, graviola, pupunha, taperebá, castanha do pará, muruci, piquiá, tucumã, Bacaba. Delícias que proporcionam criar os melhores inesquecíveis sabores de sorvetes, sem contar o maravilhoso sorvete de tapioca. Além, dos saborosos bombons do Pará.

Paraense tem alto verão em julho, quando a maioria do Brasil morre de frio e nós por aqui bronzeadérrimos, acentuando a beleza de nossa morenice! Festa? É com a gente mesmo! Em todo o canto tem uma música legal, um legítimo carimbó, um violão, uma guitarra, uma aparelhagem botando todo o mundo pra dançar. Por aqui, tomamos banho de rio, barrento como o Guamá ou a baía de Guajará, de rio azul transparente como o Tapajós, de Igarapé Gelado de bater o queixo de frio.

Paraense quando não tem nada pra fazer vai pra beira do rio ver o pôr do sol vermelho e os pôpôpos passarem. Quando está estressado vai pra Salinas, Marapanim - eita cidade paid’égua -, Crispim, Marudá, Algodoal, Mosqueiro, Cotijuba, Marajó, Ajuruteua ou ata uma rede na sacada de casa e fica lá, de pezinho pra fora esfriando a cabeça. Somos índios, místicos e curandeiros, mas, também, com toda essa energia de águas e mata não poderia ser de outro jeito!

Paraense vai ao Ver-o-Peso, compra ervas, faz chá, garrafadas, banho de cheiro - uma delícia! Curas de corpo e de alma. Ao mesmo tempo temos o privilégio de ter as bênçãos de Nazica, com toda a intimidade que eu, como paraense, tenho pra chamá-la assim. Minha Santinha, que em outubro sai toda linda fazendo todo o mundo, paraense, turista, brasileiro e gringo engasgar de emoção.

Somos orgulhosos por sermos assim essa mistura morena, brejeira e gostosa, por sermos autênticos, pela cultura que temos, por nosso sangue índio que a tantos outros se misturou e que a nós, nos faz muito, mas muito especiais!
Nota:---------------------------------------------------------------
Costura de autoria desconhecida, remendos e ajustes feitos por Mauro Juventude.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Quem sou eu...

Sou uma pessoa jovem, ainda, e militante. Tenho 27 anos, iniciei minha caminhada no mundo das reflexões orientado por minha mãe, que, como uma “boa” católica, me conduzia às atividades da igreja e a espaços onde pude desenvolver minhas habilidades reflexivas, inicialmente. Desde então, comecei a trilhar meu próprio caminho, mas nunca esquecendo os ensinamentos de minha mãe Dona Mundica (era assim que a chamavam na minha infância) e de meu pai Seu Lourival (homem sério, mas que logo alguém se aproximasse dele conheceria o que é ter o riso solto, ele nos fazia rir com facilidade). Meu pai! Uma grande referência de honestidade e garra, assim como minha mãe.

Foi minha mãe que me apresentou os palcos dos teatros, lembro ainda daquela apresentação, quando tinha sete anos. Ah! Creio que o título era: “O mais pobre”. Aquele texto era enorme... achei que nunca iria conseguir decorar aquilo tudo, eram tantas páginas, pelo menos na época eu achava que eram. Mas, no dia da apresentação foi fantástico, me senti um Chaplin ao dominar os discursos daqueles versos que com sua sutileza fez aquela platéia se emocionar.

Enquanto minha mãe me apresentava às possibilidades de ampliar os caminhos a serem percorridos por mim, como o mundo das artes, meu pai me ensinava a arte de criar, de transformar um casco bruto de uma árvore em uma bela embarcação que, dentre tantas coisas, possibilita, em um passeio ao entardecer, contemplarmos o encanto das águas do rio, dos pássaros, do silêncio harmônico daquela natureza que grita suave em nossos ouvidos: desvenda-me! Creio que ele tenha vivido muitas vezes essa sensação, talvez seja por isso que tenha tanta habilidade de narrar àqueles contos e lendas que me prendiam a atenção e me faziam viajar em cada detalhe contado. Eu os sentia! Eu os vivia!

Eu encarei aquela peça. Eu encarei aquele público com a coragem que minha mãe me ensinou a ter para encarar o mundo, eu encarei aquele texto como meu pai encarava cada conto que nos narrava.

Junção perfeita. Sem saber os dois me formavam. Como profetas, – eles não têm dimensão disso, mas eles foram e são meus profetas –, me anunciavam em sua simplicidade e cuidado o homem que eu me tornaria.

Creio que ainda hoje seja esse menino, filho de minha mãe e do meu pai...


Nota:
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Após tanto tempo, hoje resolvi reativar meu blog, e quis postar uma nova apresentação no item: quem sou eu. Tentei escrever algo que possibilitasse ao leitor/a uma maior aproximação desta pessoa que vos escreve, que pudesse ter uma maior apropriação dos escritos aqui dispostos. Então, ao fazer isto fui conduzido por minha memória a umas lembranças que se materializaram neste texto que você acabou de ler.
Como o texto ultrapassou o número limite de caracteres do item: quem sou eu, resolvi postar este escrito como meu texto de estréia na reativação do meu blog, que pretende nesta nova fase da minha vida, ser um espaço onde partilharei muito deste homem que hoje me tornei, anunciado por uma Grande Profetiza, minha Mãe e um Grande Profeta, meu Pai.
Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico, mas acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos.
Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação.
Paz e Vida Longa!

Um filho...
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