Contatos do Pescador
Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.
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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Na simplicidade está o segredo da felicidade
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
O protagonista

sábado, 21 de maio de 2011
Um presente noturno
domingo, 12 de setembro de 2010
Uma visita inesperada
A noite estava fria e o vento fazia o corpo estremecer. O jovem escritor sentado ali, sem um agasalho, no meio fio daquela rua morta, de vida, apenas algumas árvores que resistentemente sobreviveram o avanço do progresso que tiraria o país da miséria, e o vento as fazia movimentar. Um cachorro, em busca de companhia deita-se ao seu lado esperando um afago e ele é quem se sente afagado por aquela nobre companhia naquela noite fria e sem vida.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Agosto a gosto de quem?
domingo, 16 de maio de 2010
História de pescador?
A leve brisa que sopra a fresta do quarto da casa de madeira anuncia que está na hora de levantar-se. Ele olha ao seu lado e vê a silhueta de sua esposa dormindo um sono invejável e delicadamente movimenta-se para não acordá-la, não queria importuná-la, não aquela madrugada com tem sido a rotina de seus 35 anos de casados, deseja que pelo menos naquela madrugada sua esposa tivesse uma completa noite de sono. Usou de toda sua calma, paciência e silêncio tão precioso e necessário em seu ofício para dosar seus movimentos ao sair da cama. Após minuciosos e cuidadosos movimentos consegue levantar-se sem interromper aquele belo e calmo sono que fazia sua esposa sorrir enquanto dormia. Caminha pela casa tendo apenas seus pensamentos e o vento que assobiava pelas frestas da casa, pensava em seu ofício diário, sua cama, sua esposa e seu sorriso adormecida, o tempo que perdia longe dela ao tentar garantir seu sustento de sua vida e se indagava, estaria garantindo sua vida ou perdendo-a? Pensou em todas as vezes em que mesmo querendo ficar ali e aproveitar o aconchego da cama, o calor daquele corpo que o fazia companhia e tornara sua vida tão feliz, teve que levantar e seguir para seu ofício.
Mas, aquele era a sua rotina, todo dia a mesma coisa, antes do sol despontar, e antes da lua beijar o mar, ele levanta-se e seguia para sua lida. Todo dia contemplava aquele rosto, aquele sorriso, aquele corpo que sentia-se obrigado a deixar ali, mesmo querendo ficar, para cumprir sua rotina. Que árdua rotina, deixar o aconchego daquele riso, aquele abraço que fica mais gostoso na madrugada e que nos chama a ficar sempre ali, aproveitando até o último momento.
Pela casa o vazio daquela vida que no quarto dormia, em cada canto a lembrança fria de cada momento vivido, as brigas e beijos, os choros e os risos, o gol e o último capítulo da novela, a mesa pronta servida com sua comida favorita, as danças ao som da rádio da cidade, o enterro do cachorro, o banho frio para superar o calor dos dias quentes, ouve ao longe o som das lembranças: amor o chuveiro queimou! Vem logo pra cama! O jantar estar pronto! Vamos ao cinema? Tem um circo na cidade! Chegou visita! Vou preparar o café!
Café? O café, perdido em seus pensamentos e em todas as lembranças que o resolveram visitar naquela madrugada, esqueceu do café, afinal e era ela que sempre com ele levanta-se e ia lhe preparar o café que o servia o dia inteiro em sua lida. O café que o fazia sentir-se sempre ali, ao lado dela, venerando o seu amor. Distante, sentia-se em casa e aquilo lhe confortava, era sua força para superar a distância que diariamente o acompanhava.
Caminhou em silêncio até a cozinha, pegou a panela, mediu a água e pós no fogo, em alguns minutos estaria pronto, não seria como o dela, mas era preciso ser assim, pelo menos naquela madrugada queria que sua esposa dormisse seu sono merecido. Enquanto esperava o aquecimento da água, preparou a mesa, tudo em seu devido lugar, faltava o pão, o pão! Estava na hora do padeiro passar, para garantir o sono de sua amada, abriu a porta da cozinha que dava para o quintal, deu a volta na casa e cuidadosamente abriu o portão, ao longe avistou uma bicicleta com um cesto em sua garupa. Era o padeiro, acenou e esperou, fez sinal para o padeiro mantivesse o silêncio. Dois pães, por favor! Com os pães em mãos agradeceu, despediu-se e entrou. Pôs os pães sobre a mesa.
A água no fogo fervia, pegou o saco de pano, colocou sobre o bule, colocou os grãos no moedor que renderem uma porção de aproximadamente duas colheres de sopa cheia de pó de café, açúcar suficiente para deixar o café levemente amargo e despejou a água. A água quente, ao encontrar aquele pó, penetrou-o e o fez exalar seu cheiro pelo ar, o cheiro inundou a casa, passando pelo corredor chegando até o quarto.
Sua esposa que no quarto gozava de um belo e calmo sono que a fazia sorrir enquanto dormia, sentiu aquele cheiro, abriu levemente os olhos e ameaçou levantar, precisava tanto daquele sono que não percebeu que estava só na cama, pensou que fosse um sonho, fechou os olhos e voltou a dormir, mas agora seu sonho tinha um cheiro de café da manhã, então sonhou, sonhou que naquele dia seu marido resolveu lhe fazer uma surpresa, primeiro, tinha decido não ir trabalhar, mas levantou como sempre no mesmo horário e sem que ela percebesse, saiu da cama, preparou o café, colocou a mesa, ornou com o vaso de tulipas que ela com tanto zelo cuidava, e voltou para cama para curtir sua companhia até que o sol anunciasse um novo dia. E, assim que os raios de sol invadiram todas as frestas da casa de madeira, das telhas expostas sem o forro, ela a abraçava como no seu primeiro encontro, e beijando-a dizia: amorzinho, está na hora de levantar, o café está pronto, só falta você e seu sorriso para completar a beleza deste dia.
Enquanto ela sonhava, ele verificava se tudo estava ali, seus materiais, a mesa pronta e a garrafa térmica de café, que naquele dia teria outro sabor, um sabor de cuidado, de recompensa, cuidado diária que sua esposa tinha ao levantar-se junto com ele para ajudá-lo a preparar os seus dias de ofício, mas, naquele, após 35 anos de cumplicidade, foi sua vez de cuidar e ajudar sua esposa a preparar seu dia, mesmo que foi com um pequeno gesto simples de preparar o seu café e deixá-la gozar de uma noite inteira de sono. Ouviu o canto dos maçariquinhos, foi até a janela da cozinha, da qual é possível ver o rio, e viu que o rio já havia baixado, anunciando a vazante da maré, era preciso ir, estava na hora. Mas, antes era preciso fazer uma coisa.
Foi até o quarto, olhou para sua esposa que ainda estava sonhando com a bela surpresa que tinha recebido, lamentando ter que deixá-la ali, aproximou-se, sentou-se na beirada da cama, mexeu nos cabelos de sua amada e que cobria o seu rosto e escondia aquele sorriso resultante do belo sonho em que ela se encontrava. A aproximação dele misturou-se ao sonho dela. Ela sentia o beijo que ele lhe dera como despedida ou até logo, em função de se encontrar em saída para sua rotina de trabalho. Após beijá-la, ele diz baixinho para não acordá-la: “Amorzinho, está na hora de eu ir, deixo seu café pronto, só vai faltar você e seu sorriso para completar a beleza deste dia quando eu estiver no mar”. Puxou a manta e a cobriu a fim deixá-la mais confortável e impedir que a brisa que invadia o quarto pelas frestas da parede de madeira a incomodasse. Levantou-se, mais uma vez com todo cuidado possível, foi até a porta, virou-se para trás e olhou mais uma vez sua esposa que ainda dormia e sorria. Ela como que sentido o vazio no qual o quarto ameaçava entrar, e em atenção as palavras que seu marido em sonho lhe dizia para levantar, abriu levemente os olhos e achou que o viu saindo. Ela pressiona as mãos fechadas sobre os olhos para melhor ver e se percebe só e o café.
O café? Percebeu que havia passado da hora, aquele sonho pareceu tão real, não entendo o que havia acontecido resolveu levantar-se e verificar o que estava acontecendo, foi então até a porta do quarto de onde era possível ver o acesso a cozinha e a saída para o quintal, avistou ele que pegava sua tarrafa, colocou-a no paneiro, onde estava a garrafa de café, junto com os outros materiais necessário para mais um longo dia de pesca, colocou o paneiro no cabo do remo, saiu pela porta da cozinha e caminhou em direção a sua canoa que o esperava quase em seco, pois o rio havia baixado depressa demais. Ela, enrolada na manta, corre até a porta da cozinha e grita suave ao seu amado com um riso triste em sua face: “amor! Não demora! Volta logo!”. Ele olha para trás e vê aquela linda mulher enrolada em uma manta que há alguns minutos tinha deixado na cama, pensou em tudo que passou por sua cabeça desde que levantou-se da cama.
Deixou seus materiais caírem no chão e foi ao encontro dela com aquele sorriso triste ao se despedir e que lhe pedia que ficasse, antes que ela se desse conta, ele a abraça, como se aquele fosse seu último abraço. Ela abre a boca para dizer-lhe algo e ele a impede com um demorado beijo, um beijo como eles nunca haviam experimentado, era uma mistura de amor, cumplicidade, desejo e realização. Ela tenta dizer alguma coisa e ele mais uma vez a impede de pronunciar qualquer coisa que seja além dos gemidos provenientes da satisfação daquele beijo que lhe tirava o fôlego. Após, uma luta que não queria travar contra aquele beijo ela consegue chamar atenção de seu amado e, sem parar o beijo, ela aponta em direção ao rio, que àquela altura, já estava seco e junto o casco, e diz ao seu marido: “Amor, você vai ter um trabalhão para empurrar o casco até alcançar a água”. Ele, sorrindo lhe diz, “Não terei não”. Ela: “Como não?”. Ele a abraça aconchegantemente por trás e lhe diz em seu ouvido como em uma jura de amor: “Ficarei aqui, juntinho de você, meu amor”.
quinta-feira, 18 de março de 2010
É meu!

Estava eu sentado na beira de uma calçada
Olhando o nada, se é que no nada exista algo a olhar
Mas, entre o nada olhar e o tudo que não se vê
Continuei a olhar
Alguém, que para mim, sem importância
Parou, e a cena em que me enquadrava, estranhou
Talvez se indagando o que eu estava a olhar
Se ele soubesse,
A cena, a mesma, eu a olhar e ele a me olhar
Ele sem importância para mim
E eu já não era sem importância para ele
Ele, então, sentou-se ao meu lado
Juntos olhávamos
Os carros passavam e as pessoas nos observavam estranhamente
Carros de todos os modelos e marcas e...
De repente surge um Fusca vermelho
E num relâmpago de consciência, um grito
É meeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeu! Porra!
E uma gargalhada soou mais alto
Então gritei euforicamente: Perdeu otário...
Não consegui parar de rir
E ele disse: não vale, eu estava distraído
Então, ele que não tinha importância para mim teve sentido.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
O Sal da lágrima
Esse mar é resultado dos rios da vida, de cada experiência que passamos
As experiências são memórias, lembranças
Enquanto navegam através dos córregos da alma
Essas memórias são como o aqui e agora
A cada descuido e elas brotam
Alguns chamarão esse brotar de lembranças que ocorre em nós de [nostalgia, outros dirão que é saudade
À medida que essas memórias vão se aproximando do mar
Elas vão escapando de nossa capacidade de trazê-las à tona
Alguns recorrerão a relicários,
À elementos palpáveis que possam trazer de volta aquele momento
Há quem tenha até baú de recordações, essas pessoas tem medo de [afogar-se nesse mar
Por isso, tentam guardar tudo fora de si
Mas, memórias, lembranças são vivas, é vida.
Não podemos segurá-la, não existirá relicário ou baú que as [conseguirão comportá-las
Chegará o dia em que essas memórias não serão tão presentes
Será quando elas se juntarem às milhões de memórias que formam o [nosso grande mar interior
O mar das memórias, um profundo mar de lembranças
Elas nunca se perdem, elas nunca desaparecem
Elas ficam lá mergulhadas naquele mar
E como são vivas, vez ou outra elas resolvem aparecer
Sem que menos esperemos, elas aparecem
E nos tiram o chão, nos fazem viajar, viajar no tempo
Sem que para isso necessitemos de grandes recursos tecnológicos
E nesse momento, sem que percebamos, as janelas dá alma se abrem
E derramam fragmentos de lembranças, de memórias
Uma gota de uma água salgada, uma gota de nosso profundo mar [interior
O nosso mar de memórias, de lembranças
É, a lágrima vem desse profundo mar, por isso ela é salgada.
sábado, 26 de setembro de 2009
As amizades são como as primaveras
Enquanto isso, ela descabelava-se sobre sua produção acadêmica, com esforço conseguiria terminar seu trabalho, mesmo que para isso levasse a noite inteira acordada, terminar aquele trabalho era uma questão de honra. O cansaço mental já dominava seu corpo e sua vontade era de jogar tudo pelos ares, resolveu tomar um banho, um banho quente a traria de volta daquele cansaço que a fazia desesperar-se.
Ele, com o intuito de enganar sua espera começou a contar quantas pessoas estavam antes de sua vez, avistou uma figura que estava quase para ser atendida que lhe pareceu familiar, observou bem e reconheceu, um velho amigo que há muito não falava. O observou ser atendido e o acompanhou com o olhar, parece que sentimos quando somos observados, e o seu amigo sentiu algo diferente, algo que pareceu lhe incomodar a ponto de fazer uma espécie rastreamento e os olhares se encontraram, um sorriso de cumplicidade surgiu, então se cumprimentaram como bons e velhos amigos fazem: “fala seu filho da puta”, “quanto tempo, porra”, “saudades de ti”. Trocaram lembranças e um e pergunta surgiu. Vais fazer o que? Só vim pagar uma conta, estou de bobeira. Espera-me então, só vou pagar essa conta aqui.
Uma boa companhia faz até o Domingão do Faustão suportável, enquanto esperavam sua vez, lembraram das promessas não cumpridas e surge o inevitável, o convite para continuar aquela agradável conversa no velho lugar de confidencias, o Café Bahia, lá poderiam aprimorar seu diálogo recheando-o com uma deliciosa porção de moela e a geladíssima Serra Malte, pagaram a conta e seguiram ao lugar que tantas vezes testemunhou suas confidencias.
Chegaram ao seu confessionário particular e não precisaram nada dizer, logo chega o garçom trazendo o de sempre e dizendo, estão sumidos. É amigo, a correria do dia-a-dia distancia até os amigos mais próximos, responderam ao garçom como que em coro de lamentação de estarem a tanto tempo sem suas confidencias.
No quarto, ela preparava-se para o banho, espreguiçou-se, retirou cada peça de roupa como quem prepara-se para um ritual sagrado, abriu o guarda roupa, retirou uma toalha e enrolou-se, preferia andar nua pela casa, mas as janelas indiscretas dos apartamentos a tiravam a liberdade. Antes de entrar no banheiro parou em frente ao espelho e admirou-se, abriu a toalha e admirou-se. Logo ao entrar no banheiro ligou a chave da água quente e em seguida a da água fria, aparou um pouco de água nas mãos em concha e molhou o rosto. Para testar se água estava na temperatura adequada colocou apenas um dos pés, esticou um pouco mais as pernas e aos pouco sentia a água descobrindo seu corpo. Ao entrar completamente debaixo daquela água quente, deixou que apenas a água caísse sobre ela, e, ergueu a cabeça como quem se entrega ao desejo de ser possuída.
Derramou o sabonete líquido nas mãos e suavemente passou sobre seu corpo, parte por parte, deslizou sobre seus seios, massageando descendo pelos quadris, as coxas, cada uma teve sua vez, abaixou e completou até os pés, voltando cada movimento até chegar ao pescoço. Suas mãos pareciam que modelavam cada parte de seu corpo, como um escultor modela a argila dando-lhe a forma desejada, seu desejo era de modelar a tranqüilidade que tanto necessitava e que aquele banho a permitia saborear: a água, o sabonete, suas mãos e seu corpo, tudo na medida certa. E, a tranqüilidade surgia.
No bar, os amigos caminhavam para pedida final, um brinde e o desfecho de mais uma confissão terminara no Café Bahia. Bom amigo, devo ir, disse ele, precisamos nos ver com mais freqüência, não podemos deixar que essa louca correria que a contemporaneidade nos impõe nos distancie mais que a própria distância geográfica já o faz. Antes que se despedisse completamente o amigo olhou para ele e disse: reparei desde que nos vimos na fila da lotérica que seu semblante está como quem acabara de ganhar o mais belo presente. Então respondeu: é que os amigos são como as primaveras, trazem alegria ao mundo. Ao encontrar-te naquele momento senti essa alegria trazida por você, pois, és uma constante primavera em minha vida.
Após tanto tempo de confidências, aquela fora a mais bela declaração ouvida por seu amigo. Um abraço apertado e então se despediram. Sabiam que talvez só o acaso pudesse trazê-los de volta ao seu confessionário particular. Afinal, quem está livre da correria imposta pela contemporaneidade?
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
O cheiro da primavera
Enquanto o seu texto revelava o que ele não queria saber, na faculdade ela pensava: “tenho só hoje, não vou consegui”, era o penúltimo dia para entregar o trabalho final da disciplina que ela menos gostava, era preciso correr contra o tempo. De um lado, o tempo dele parecia não correr, de outro, o dela corria na velocidade da luz. Ela aliviava-se, pois ainda teria a noite e ele desesperava-se, pois ainda teria mais uma noite.
Ele olhou em volta, a faxineira limpando o chão, seus movimentos eram tão atenciosos com cada sujeira que desarmonizava o brilho daquele piso, desejou então ser o chão, queria ter aquele tratamento de tão harmoniosa atenção e cuidado. Olhou no canto direito inferior da tela do computador e o relógio já marcava duas horas da tarde e ele ainda não tinha comido nada, era preciso comer alguma coisa. Na cantina da faculdade ela ria na companhia de seus colegas, serviu apenas verduras, disse que não podia engordar.
Ele olhou para o chefe e disse: vou comer, e foi. Procurou o restaurante mais lotado, ele queria ver gente, queria estar com gente. Não sentia fome, mas era necessário alimentar-se, nada lhe enchia os olhos nas bandejas. Uma pequena porção de arroz integral, um pouco de feijão por cima do arroz e um pedaço de frango fora a composição de seu prato. Algumas mesas vazias. Avistou o alvo, uma mesa com uma bela jovem almoçando sozinha, resolveu aproximar-se.
Com sua licença, posso assentar aqui? Fique a vontade, ela respondeu. Foram as únicas palavras. Antes tivesse escolhido uma mesa vazia, talvez o vazio fosse uma melhor companhia. Não, melhor assim, pelo menos podia contemplar em sua frente aquela silhueta angelical, por um instante sentiu-se fora de órbita. Com sua licença, ela disse, e aquela voz suave o vez voltar ao restaurante. Ela estava se despedindo, acabara de almoçar e ele não percebera. Toda, disse ele. E lá se foi, aquele anjo que por alguns instantes o levou até o céu.
Na faculdade um amigo oferecia carona para ela, muitas coisas a fazer e não podia perder tempo, aceitou. O amigo a levou até em casa, ele tentou beijá-la, mas ela não permitiu, tentou com mais firmeza e ela o empurrou. Saiu furiosa do carro. O que ele está pensando que eu sou? Uma vagabunda? Foda-se! Esse filho da puta, eu sabia que essa corona tinha outras intenções, bem feito, se fudeu. Assim, da próxima vez vai pensar antes de tentar alguma coisa.
Após sair do restaurante, ainda com aquela imagem angelical que fazia seu rosto ensaiar um sorriso, caminhou, caminhou sem destino. Olhou as lojas, as construções, os carros apressados, uma senhora atravessando a rua e ele ali, a observar todos os movimentos.
Estava na hora de voltar ao trabalho. Voltou para sua sala fria e nada aconchegante, tudo ali, naquele dia, se transformou num mausoléu depressivo. Queria sair daquele lugar o mais rápido possível, mas as horas não passavam. Tinha horário a cumprir, tinha que garantir o salário que possibilitava sua sub-vida. Voltou ao texto. Este sim o fazia viver. Mas, não durou muito tempo, logo concluiu o texto e ainda eram cinco horas da tarde. Os seus pensamentos noturnos voltaram a perturbar-lhe a mente. Lembrou de sua espera, não recebera a resposta que tanto ansiava. Olhou sua caixa de e-mail e, nenhuma resposta. O que fazer? Resolveu publicar em sua página virtual sua produção. Ainda faltava algum tempo até a hora de ir embora, então acessou o MSN, talvez encontrasse alguém que o ajudasse a se animar. Nenhuma resposta.
Enquanto ele esforçava-se para livrar-se daqueles pensamentos, ela debruçava-se sob aqueles textos de teorias complexas que de nada valem para a vida cotidiana, talvez, se ela passasse a noite acordada conseguisse terminar seu tão árduo trabalho.
Muitas janelas piscando, o que aconteceu? Todos querem falar comigo? Indagou-se. Quando abriu a primeira janela, entendeu, era o seu texto. Então sorriu. Pela primeira vez naquele dia ele sorriu. Talvez fosse a noite chegando com seus mistérios que encantam. Ou a primavera que se aproximava mais. Eram muitas janelas piscando em sua frente e, as perguntas eram diversas. Todos queriam entender o motivo daquele texto. Mas, nem ele mesmo sabia explicar. Seria mesmo fuga dos seus pensamentos insólitos? Ou seria uma necessidade gritando por sair do âmago de sua alma? Sua resposta era simples: "sentir vontade de escrever e saiu isso". Mas, acrescentando expressou: "é que já sinto o cheiro da primavera".
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Anúncio de uma primavera
Enquanto dorme seu sono inquieto, ela viaja, mal sabem o que o dia seguinte prepara. Ela não consegue dormir, poltrona desconfortável, motorista que corre demais. Que perigo! As luzes dos postes são como fleches de lembranças daquilo que nunca aconteceu, a luz do dia se aproxima anunciando aquele belo horizonte.
Ele acorda e não acredita, mais uma segunda-feira, olha no relógio, está atrasado, a noite lhe pareceu tão pequena, queria dormir mais um pouco, ainda não entendia a confusão que se instalara em sua cabeça enquanto dormia. Corre para o banheiro e toma o banho mais rápido de sua vida, não podia chegar atrasado ao trabalho, não naquele dia.
Nunca uma ida para o trabalho lhe rendera tanto tempo, teria lido todos os tomos de O Capital naquele tempo, o dia tinha uma áurea diferente, seria o inverno se despedindo? Talvez fosse. Ou talvez fosse a primavera anunciando sua chegada. Está na hora de descer, desperta de seus devaneios e puxa a corda que dá o sinal de parada solicitada.
Antes que o ônibus parasse completamente ele salta e segue correndo em direção ao trabalho, em frações de segundos chega ao trabalho, ainda ofegante, lhe recepcionam com a pergunta: o que aconteceu? Está tudo bem? E ele emite uma curta e simples resposta: cheguei! Nada mais se pronunciou. Aquilo fora suficiente.
Entrou em sua sala, ligou o computador e esperou, só podia esperar. As horas passavam a passos lentos, um dever lhe martelava a cabeça, fazer o seu trabalho, nada mais. Se aqueles pensamentos noturnos o deixassem em paz, talvez conseguisse se concentrar em seu dever diário que garantia sua sub-vida.
Costura Explicativa 8 - Sábado e Domingo e o ócio produtivo
O sábado e domingo é um tempo de ócio , tempo de esperar ser visitado por uma nova inspiração para as postagens da semana seguinte, entre ...
