Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.

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terça-feira, 7 de agosto de 2012

Costura Encadernada - Sentimento do Mundo (Carlos Drummond de Andrade)


Terça-feira é dia de Costura Encadernada, e a costura encadernada de hoje é Sentimento do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade. Ganhei esta costura em 2002 de um grande cúmplice, Charles Paiva, ano em que Drummond completaria seu centenário de vida, se não tivesse falecido em 1987, dois meses antes de completar seus 85 anos, e esse mês de agosto completam-se 25 anos sem a presença de Drummond entre nós. Em 2002, em homenagem ao centenário de nascimento de Drummond, Charles e Eu montamos uma apresentação com seus poemas que teve como balizador a costura encadernada de hoje: Sentimento do Mundo, de onde tiramos as costuras que recitávamos e que me renderam muitas histórias para contar de minhas atuações nos palcos e foram os mais diversos. Foi neste ano que cheguei a Belo Horizonte e que tive maior conhecimento deste grande costureiro que foi Drummond, o mais estudado e lido poeta brasileiro e foi um dos maiores poetas brasileiros. Ele se tornou grande referência para mim, seus poemas e sua história. Por vezes me pego usando trechos de suas costuras como bordões, entre eles está, uma paráfrase: “estou quieto no meu canto, sem amar”, do original que é: “Fique quieto no seu canto. Não ame”.

Sobre a Costura Encadernada: O Sentimento do Mundo traz o frescor e o impacto do "vento revolucionário" que sopra da vasta e imprescindível obra de Carlos Drummond de Andrade. Nesta Costura Encadernada está contida os mais famosos e arrebatadores poemas: Poema de Sete Faces, No meio do caminho, Quadrilha; e poemas menos conhecidos, mas igualmente antológicos como Poema do Jornal ou Poema da Purificação; e ainda destaco outros que me rendem momentos de reflexão: Toada do Amor, Poema que Aconteceu, Poesia, Cota Zero, Não se Mate, Segredo, Congresso Internacional do Medo e Mãos Dadas, destes últimos, apenas o Congresso Internacional do medo não fez parte de nosso repertório de recitação. Esta costura encadernada (Sentimento do Mundo) foi a terceira de poemas de Carlos Drummond de Andrade a ser publicada (1940), escrito após Alguma poesia (1930) e Brejo das almas (1934). Drummond, mostra nessa costura sua faceta mais madura e atenta às fragilidades e angústias humanas.

Em Sentimento do mundo, o poeta revela sua preocupação com as transformações de um mundo ameaçado pelo Nazismo e pela Segunda Guerra Mundial e fragilizado pela ditadura varguista. Dessa observação atenta das tensões cotidianas, surge uma acidez que revela um poeta inquieto de seu tempo, mas sem perder a delicadeza com que se expressa desde seus primeiros versos, nos quais sobressai uma visão lúcida e mais subjetiva da realidade. O crítico Silviano Santiago vê em Sentimento do Mundo uma visão de mundo "sombria e pessimista (...) que se justapõe à esperança da revolução e da utopia”. Deste cruzamento entre o "eu" e o mundo, surge uma poesia mais compromissada e um poeta mais consciente diante de importantes questões humanas e das complexas relações que o homem trava com seu tempo, em uma linguagem seca e precisa. Em fim, costura encadernada mais que recomendada.


Drummond nasceu em Minas Gerais (Estado que adotei e me acolheu), em uma cidade cuja memória viria a permear parte de sua obra, Itabira. Posteriormente, foi estudar em Belo Horizonte (Cidade que sou encantado), no Colégio Arnaldo, e em Nova Friburgo com os Jesuítas no Colégio Anchieta. Formado em farmácia, com Emílio Moura e outros companheiros, fundou "A Revista", para divulgar o modernismo no Brasil. 

Em 1925, casou-se com Dolores Dutra de Morais, com quem teve sua única filha, Maria Julieta Drummond de Andrade. No mesmo ano em que publica a primeira obra poética, "Alguma poesia" (1930), o seu poema Sentimental é declamado na conferência "Poesia Moderníssima do Brasil", feita no curso de férias da Faculdade de Letras de Coimbra, pelo professor da Cadeira de Estudos Brasileiros, Dr. Manoel de Souza Pinto, no contexto da política de difusão da literatura brasileira nas Universidades Portuguesas. Durante a maior parte da vida, Drummond foi funcionário público, embora tenha começado a escrever cedo e prosseguindo até seu falecimento, que se deu em 1987, no dia 17 de agosto, no Rio de Janeiro, doze dias após a morte de sua filha. Além de poesia, produziu livros infantis, contos e crônicas.
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