Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.

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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Saúde e Integração Social de Adolescentes e Jovens na perspectiva do cuidado humano.

A realidade dos adolescentes e jovens ganha cada vez mais os interesses de diversos setores da sociedade. Contudo, mesmo com diversificado interesse e um considerado volume de estudo e pesquisas sobre este segmento, ainda há um significativo desconhecimento sobre a realidade juvenil no que tange seus interesses e integralidade.
Discorrerei aqui nesta perspectiva de ir além das questões postas, tendo como objetivo fazer uma abordagem que coloque em foco um dos diversos aspectos que constituem o mosaico das múltiplas realidades dos adolescentes e jovens.
Um desafio posto para tal reflexão é colocar os adolescentes e jovens como sujeitos de sua história, com voz e vez, que devem ser pressupostos primeiros a serem levados em consideração.
Apesar de reconhecer a necessidade de dar voz e vez a esse público, este texto ainda não consegue realizar tal feito, contudo, põe em evidência um tema/realidade que há muito tem passado despercebido dos focos das discussões teóricas sobre os adolescentes e jovens, bem como das práticas do resgate humano. Essa atenção ainda é ínfima e precisa ser ampliada, tanto na prática reflexiva como no “contato” direto com esse público, ou seja, é estar com, é estar próximo ao ponto de poder tocar, sentir, é estar ali com o tato, é deixar-se envolver diretamente.
Saúde e integração social de adolescentes e jovens é um tema polêmico e por vezes controverso, mas, que precisa ser colocado em evidência, já que é possível vermos uma movimentação a esse respeito, tanto por parte da sociedade civil organizada como pelo estado. Deste último podemos citar além dos diversos programas governamentais, o lançamento do “Marco Teórico Referencial: Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva de Adolescentes e Jovens ocorridos em 2006. E, não posso deixar de citar o” Estatuto da criança e adolescente, grande conquista na defesa dos direitos deste segmento. Pois, a promoção dos direitos e bem estar de crianças, adolescentes e jovens, o incentivo a educação, os seus envolvimentos no planejamento e implementação, bem como na avaliação de tudo aquilo que a eles se destinam são fundamentais à sua saúde e integração social.
Porém, deve-se ir adiante, isso não basta. É preciso desnudar nossos olhares, para revermos diretamente a realidade tal qual ela é, mas “para conhecer exige-se tempo, sensibilidade, alegria e envolvimento” (GADOTTI, 2005). Estas dimensões do conhecer apresentadas por Gadotti me fazem destacar um elemento de suma importância e relevância nas relações, sobretudo, as de cuidado. Antes de destacar tal elemento, vejo prudência expor o que Boff apresenta a cerca do cuidado, ele diz: “Somos cuidantes quando destinguimos o que é urgente e o que não é [...] ser cuidante é ser ético, pessoa que coloca o bem comum acima do bem particular, que se responsabiliza pela qualidade de vida social e ecológica...”
Só através desta relação de cuidado que poderemos instaurar uma nova sociedade. O cuidado contagia: eu cuido do/a outro/a para que ele/a também possa cuidar de mim e, como um contágio isso se torna um eterno ciclo de cuidado, poderia até chamar de pandemia do cuidado.
O cuidado deve ser uma das primeiras dimensões das relações humanas e destas com a natureza. Se esta dimensão não estiver intrínseca em nossas relações, nossa vida será inútil, e demasiadamente cruel. Talvez seja por isso que presenciamos e estamos inseridos nesta sociedade tão desumana e carregada de descuidado.
São inúmeras as realidades de exclusão e de excluídos. Dentre tantas e tantos ressaltamos a realidade da “rua” e dos adolescentes e jovens. Segundo Graciani: “a categoria social “meninos(nas) de rua” é o caso extremo e limite da deteriorização imposta pelo subdesenvolvimento à condição juvenil. Constitui o cenário de um processo amplo de exclusão humana, que se observa em diversos graus nessa gente estatisticamente jovem, graças ao projeto neoliberal, econômico-politico-social, que delineia a sociedade do terceiro mundo”. Reiterando dirá: “a criança, o adolescente e o jovem de e na rua em sua exclusão, antes de refletir uma atitude pessoal são membros da pobreza. Defini-los e compreendê-los mal é empobrecê-los ainda mais”. (GRACIAN, 2005, p.120) Precisamos conhecer a realidade na qual estão inseridos os meninos e as meninas em situação de rua. E, este conhecer, a partir da concepção de Gadotti. É preciso achegar-se com o sorriso no rosto, e através do envolvimento ser sensível a escuta dos anseios e necessidade destes/as cidadãos/ãs em situação de rua, esta escuta requer tempo. O tempo para que aconteça a conquista e a confiança de quem é escutado em quem escuta. E, para que isso aconteça é necessário exercitar regularmente com estes/as adolescentes e jovens o “contato”, eis o elemento de suma importância nas relações anunciado anteriormente.
O que faz o contato se tornar tão importante nas relações? O que estou entendendo como contato?
Não dá para conceber uma relação de cuidado sem o contato. Contato é o ato de maior aproximação em uma relação. Refiro-me a uma relação que pressupõe o tato, o toque. O toque que desarma!
O toque fala e é através desta fala, de maior aproximação, que acontecerá a abertura, a cumplicidade e a confiança. Toda relação de cuidado traz consigo esta dimensão da corporeidade. Tocar no outro/a é reconhecer o outro como existente, como ser. A relação cuidante que não proporciona uma relação corporal é vazia. É nesta perspectiva do “contato” que conseguiremos nos aproximar verdadeiramente de todo grupo socialmente excluído.
Assim, posso afirmar que na relação cuidante e de cuidado é imprescindível o contato, entendido aqui como aproximação através da relação corporal: o toque, pegar na mão, sorrir, olhar com proximidade e, sobretudo, o abraço. São estas questões que me fazem destacar o contato como um elemento de suma importância e relevância nas relações. Desta forma, o abraço se configura aqui, como a aproximação máxima nas relações de contato cuidante.Por fim, na relação de contato cuidante, o abraço se torna o grande ato do resgate humano.
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