Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.

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sábado, 17 de julho de 2010

O frio faz coisas como essa!

Nos últimos dias aqui na terra das alterosas, de belos horizontes, nestes tempos de dias frios, de produção acadêmica árdua, mas muito prazerosa, muitas pessoas se junta a mim em meus pensamentos, pessoas presentes e outras mais presentes ainda, entre estas últimas, estão aquelas que já se encantaram e aquelas que estão longe. E esta distância não me permite ligar e dizer: “o que você vai fazer hoje?” “Vamos sair?” “Vou passar aí pra te dar um abraço”. Ação que só é possível aos que estão mais próximos.

Contudo, perto ou longe, é muito gostoso ligar e dizer aquelas coisas que dizemos a quem não podemos mensurar valor, por serem seres tão raros e preciosos. Só lamento não poder fazer isso aos seres raros que já se encantaram, mas, que de alguma forma se tornaram mais presente do que aqueles/as que ainda gozam da arte de viver e, com isso, acredito serem capazes de sentir a falta que eles nos fazem através do aperto que esta falta provoca em nosso coração. E como seres encantados podem escutar o que nossa alma diz nos momentos em que nosso coração anuncia o frio que estes seres provocam em nós.

Nestes últimos dias em que o sol se faz presente, nesta terra de dias frios em que tenho me dedicado em costurar um pouco sobre a vida de um pedaço que compõe o grande mosaico que é a juventude brasileira, três seres encantados estiveram e estão muito presente neste processo de costura acadêmica: Vi (Mamãe), Gigi e Dom. Pessoas que muito se dedicaram, se doaram e amaram a juventude. E, essas pessoas dedicaram-se, doaram-se e a amaram a juventude até o fim. E com suas vidas doadas sempre me inspiraram e me animaram em minha dedicação e doação no serviço a juventude que tanto amo.

Foi em meio a esses exemplos de vida e que se fazem presente em minhas memórias que busquei em meus arquivos lembranças destas pessoas tão raras e que me ajudaram a ser o que sou hoje. Ao buscar essas lembranças me deparei com uma conversa que tive pelo MSN com Gis em um de seus dias de labuta, dias que apesar da correria sempre tirávamos pequenos espaços de tempo, mas valiosos, para dizer algo, um ao outro. Resolvi, conservando a essências das palavras a mim dita por Gis naquele dia, postar o diálogo que tivemos neste espaço em que divulgo minhas costuras.

Diálogo entre cúmplices!

Entre suas tarefas diárias um dos dois cúmplices resolve pausar o que fazia para fazer algo sagrado na sua relação com seus cúmplices, dialogar, mesmo que a distância. O diálogo inicia como se os dois estivessem um ao lado do outro. Sabe quando estamos juntos com alguém, conversando por bastante tempo e por algum instante ficamos sem dizer qualquer coisa e a outra pessoa (ou nós mesmos), do nada, chama atenção e diz algo e nós fixamos o olhar nela e esperamos que ela continue a dizer? Foi assim que se iniciou aquele diálogo em que parecia que ambos estavam dizendo um ao outro, olhando nos olhos.

Gisley diz:
To aqui pensando...

Juventude diz:
No que?

Gisley diz:
Se existisse rosa negra. Ela seria ainda mais provocativa que a vermelha!

Juventude diz:
Depende...

Gisley diz:
De que?

Juventude diz:
Pense comigo: as coisas que parecem ser exceções, raridades, costumam provocar mais.

Gisley diz:
É verdade. Eu sou atraído por raridades!

Juventude diz:
As rosas “Todo Ano”, por exemplo, não chamam tanta atenção, devido nascerem o ano inteiro.

Gisley diz:
Ok.

Juventude diz:
Então, as rosas negras provocariam mais se essas fossem raras. Fico imaginando o que poderia tornar a rosa negra além de mais provocativa que a vermelha, torná-la rara.

Gisley diz:
Diga! Como?

Juventude diz:
Tenho duas idéias, rsrsrs. Uma delas não me agrada muito, mas vou dizer.

Gisley diz:
É, diga, estou curioso para ouvir, ou melhor, ler, rsrssr

Juventude diz:
A primeira seria que as rosas negras só nasceriam em determinado local e não seria possível ser plantada em outro lugar, contemplar só seria possível indo até ela neste local determinado, tipo nas terras de uma ilha de difícil acesso, rsrsrs, essa idéia é que não me agrada muito, pois, só poucos teriam oportunidade de contemplar tão bela e rara obra da natureza.

Gisley diz:
Eu também não gostei dessa, algo tão belo e raro não pode ser exclusividade para poucos contemplarem, mas, se fosse assim, deveria estar entre os direitos humanos contemplar pelo menos uma vez na vida as rosas negras, rsrsrs, fico até imaginando o escrito, rsrsrs, “Todo ser humano não pode passar pela vida sem ter contemplado, pelo menos uma vez, as rosas negras”, mas, continue, quero ouvir a outra idéia.

Juventude diz:
Somos loucos, rsrsrs, e essa viagem está gostosa demais. Então vamos à outra idéia, a segunda seria assim, as rosas negras poderiam nascer em qualquer lugar, mas elas não seriam possíveis nascer em qualquer tempo do ano, mesmo que se tentasse reproduzi-las.

Gisley diz:
E...

Juventude diz:
As rosas negras seriam as flores mais efêmeras, elas só nasceriam na primavera e desabrochariam na noite de lua cheia e seu tempo de vida seria o percurso da lua na órbita celeste, começariam desabrochar às 6 horas da noite, ou seria da tarde? Sei lá, não importa!

Gisley diz:
Isso mesmo, não importa, continue... 18 horas do dia, rsrsrs

Juventude diz:
Ok, Elas começariam a desabrochar às 18 horas do dia e a meia noite elas estariam completamente desabrochada (seria o espetáculo mais lindo da natureza), e neste momento elas começariam a perder suas pétalas, com a última pétala caindo às 6 horas da manhã, ou seria madrugada, rsrsrs, brincadeira, rsrsrs. Seria isso, mas, uma coisa em relação às rosa, seja ela negra, vermelha, amarela ou outra cor, é muito interessante. Mesmo que ela não seja rosa será sempre rosa.

Gisley diz:
Que bom viajar assim... Só isso pra me livrar dessa rotina enfadonha!

Juventude diz:
Fiquei imaginando aqui o que isso provocaria na humanidade. Acho que isso dá uma costura: “A revolução da rosa negra”, rsrsrs. Mas, isso fica para outro diálogo. Até outro dia... Cuide-se e procure descansar um pouco, beber em boa companhia seria uma boa pedida, rsrsrs

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E assim, os cúmplices concluíram seu diálogo, ação indispensável na relação entre cúmplices. E para eles, sagrada.

Desde que tive esse diálogo com Gis, contemplo os jardins de forma diferente, os contemplo em busca de encontrar uma rosa negra, ainda espero um dia encontrar. E se alguém encontrar alguma por aí, não deixe de avisar, quero poder presentear a este ser que foi uma rosa negra em minha vida de tão rara pessoa que foi.

Beijos meu grande cúmplice, nossas viagens, é uma das coisas que mais sinto falta e me faz sentir esse frio em dias tão ensolarado, rsrsrs, sem contar os bares da vida...

domingo, 4 de julho de 2010

A descoberta do amor

O mar de palavras era onde costuma mergulhar diariamente, a cada mergulho, novos saberes preenchiam sua pequena fonte interior, que, dialeticamente, ajudava com cada gota lançada em direção ao mar em que costuma mergulhar, a formar o mar de seus mergulhos diários.

Após um dia intenso de mergulhos em suas leituras, escritos e refluxos mentais, o jovem escritor, parou. Parou irrompido por um pensamento intromedito, daqueles que chegam sem pedir licença, sem pedir permissão para virem à tona. Apenas chegam e se instalam.

Agora, seu mar, seus escritos, seus refluxos mentais, não tinham mais lugar em seus pensamentos, que só se ocupavam em pensar em sua amada, que contraditoriamente ou não, talvez fosse a grande inspiração e motivação para seu envolvimento tão sagrado com o mar de sua “adoração” diária.

Estava pensando nela, quando subitamente algo o irrompe o pensamento, era a voz de sua amada, que como uma espada afiada o cortou a alma, ao ouvi-la dizer: “Esta tudo acabado, não dá mais”. Mas, a chama do amor que queimava em seu peito, o tranqüilizou, e o fazia dizer a si mesmo: “Ela vai voltar atrás”.

Olhou a sua volta e tudo pareceu perder o sentido e indagava-se: “Como caminhar sem ela? Ficarei perdido! Agora, só, aqui estou, sem alguém para amar”. O jovem escritor não sabia os reais sentido de amar, não sabia que para amar, não precisava estar junto da pessoa amada, pois, o amor é gratuito, e apenas a existência dela é suficiente para que o sentimento dentro de si permaneça vivo. Seu sofrimento, o fazia fixar-se, na louca espera do telefone tocar.

O telefone tocou e o despertou de seu pensamento sufocante, o que mais desejava e temia aconteceu, o telefone tocou naquele instante. Era um toque assustador, que quebrou o silêncio e o fez voltar, acordar do pesadelo que estava vivendo, mas, aquele toque parecia ser pior que os pensamentos que o sufocavam.

Então desejou loucamente que aquele telefone não tocasse mais. Buscou no âmago de sua alma coragem e o telefone resolveu atender. Foi nítido o ar de decepção em seu semblante, não era ela. O telefone tocou novamente, mas quando atendeu, ninguém falou. Cansado de esperar, decidiu ligar.

Quando ela atendeu, seu corpo estremeceu, sua emoção foi tanta que sua voz ficou presa e nada conseguiu dizer. Mas, ela ao atendê-lo e percebê-lo mudo, não o entendeu e começou a brigar. E as palavras bonitas que ele pensou em dizer caíram ao chão e as outras que esperou ouvir foram só ilusão.

E, em meio a essa grande decepção, percebeu que não estava mais no coração de sua amada, e ao perceber isso ficou profundamente magoado, e pior que a mágoa em seu coração despedaçado e machucado, foi ter que entender que tudo tinha acabado.

Então, escreveu: “que o amor que sinto em meu ser me seja suficiente para cuidar de ti mesmo na distância que agora terei que conviver; que meu amor seja suficiente para jamais esquecer que tudo valeu a pena, mesmo depois de tamanho sofrimento que sinto agora; o amor jamais irei negar e muito menos condenar; para amar, em troca, nada preciso esperar”. Neste momento, o jovem escritor, entendeu o que era o amor, o que era amar e que seu mar de palavras jamais lhe proporcionaria tão grandioso conhecimento e só no mar da vida e da experiência sincera dos sentimentos, estaria a maior sabedoria que o ser humano seria capaz de alcançar.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Um dia especial

Ontem iniciei minha noite de descanso com um clima seco e abafado, pela manhã, de hoje, o dia parecia não querer amanhecer, um dia levemente “fresco” (no sentido originário da palavra) rsrsrs, seria um convite a ficar mais na cama? Ou um “sinal” de que deveria descansar destes dias, meses, ano tão corrido que tenho vivido? Não sei! A vontade de ficar mais um pouco na cama foi imensa, mas, hoje, é um dia como os outros de uma semana, é um dia de trabalho, estudo, reuniões, etc. É mais um dia de correria! A diferença deste dia dos outros dias do ano é básica e revolucionária. (Explicarei adiante)

Ao chegar a meu trabalho, e ao acessar minha caixa de correio eletrônico, vi uma mensagem com título: “Feliz aniversário”. Abri a mensagem e ela iniciava exatamente com a seguinte frase: “Hoje é um dia especial”. Essa frase, talvez mais veloz que a luz, fez um passeio em minha mente, passeio que teve como resultado a seguinte indagação: Hoje é um dia especial? O que é um dia especial? Para quem é especial?

Olhei para os meus dias passados, para os meus anos vividos e vi que todos os meus dias foram especiais. Não preciso que chegue o dia em que completo mais um ciclo de vida para dizer: hoje é um dia especial. Mas, a diferença básica e revolucionária que traz o dia do aniversário, pode explicar o motivo pelo qual esse dia é intitulado de especial.

Ao pensar sobre a especialidade do dia de nosso aniversário, fiz, de fato, uma viagem mental. O dia do aniversário é especial a primeira vista por ser o dia em que se completa mais um ciclo na vida de alguém, contudo, não são todos os ciclos de vida que são especiais, existem “vidas” que não gozam de elementos em seu dia-a-dia que tornaria o dia do aniversário especial. Mas, mesmo o dia de aniversário não especial para o aniversariante, será especial para aqueles que se relacionam com quem está aniversariando, os amigos.

Isso me leva a crer que seja esse o maior motivo pelo qual se intitula o dia de aniversário como especial, ter a presença de quem aniversaria junto de nós. A presença aqui toma o sentido de existência. O simples e notável fato de existir – seja aqui tão próximo que possamos tocar o outro ou distante ao ponto de só podermos manter contato pelas ferramentas que aproximam vidas, os meios virtuais, cartas, telefone ou mesmo a ciência de que outro esteja lá – já nos faz declarar o dia do aniversário como especial.

Outra dimensão que faz ver o dia de aniversário como especial está vinculada a revisão que devemos fazer a cada ano completado, seja de estudos, relacionamentos afetivos, dentre tantos outros. Mas, sobretudo, de nosso projeto pessoal de vida, bem como, as projeções que faremos para o ano que chega. Esta dimensão me levou a pensar ao que chamaria de o grande aniversário, que todos nós comemoramos: a festa de ano novo.

A “festa de ano novo” é um dia especial, é o dia em comemoramos o fechamento de um ciclo e início de outro na história da humanidade. Essa é a diferença básica e revolucionaria do dia do aniversário dos demais dias do ano, neste dia nós celebramos um ano que se passa e um novo ano que se inicia. Esta é a nossa festa de ano novo!

Celebrar a chegada de um novo ano nos possibilita olhar para o ano passado, ver tudo o que passamos: tristezas e alegrias, derrotas e vitórias, “sanidades e loucuras”, conquistas, choros e risadas, amigos reconhecidos e amigos que se vão, um amor intenso, um sofrimento louco e satisfações infindáveis, um amor pela vida inesgotável e dizer mais um ano se passou, mais um ano vivido e/ou menos um ano para se viver. E, com esse olhar, poderemos projetar um ano novo cheio de boas realizações. A possibilidade de um próximo ano melhor torna o dia do aniversário especial até para quem não gozou de um bom ano. O dia de nossa festa de ano novo, o nosso aniversário é, assim, um dia de esperança, um dia especial!

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Estas palavras foram costuradas por ocasião do meu 27º aniversário, um ano recheado de dias especiais, e esse dia então...

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Jogando com frases prontas e respostas inesperadas


Costumo escrever frases que acredito que chamarão atenção de quem se deparar com elas. São resumos de muitas emoções, experiências, acúmulos dos nossos encontros e desencontros, sonhos, projetos, desejos. Carregam muitas vidas em si, por isso prendem ou chamam atenção. E, isso, também, me faz tomar o cuidado que tenho com cada frase criada. Esses pequenos resumos de experiências de vidas são frágeis e eu temo perde-los nos acúmulos de meus complexos refluxos mentais. Por isso, eu anoto cada frase em meu pequeno caderno de anotações ou em algum lugar possível de escrever, caso esteja desprovido de material de anotação adequado. Minha carteira de trabalho já escapou algumas vezes de se tornar mais um instrumento de escrita de minhas frases, meus versos simples, mas vindo do âmago das experiências da alma.

As frases surgem e devem ser cuidadosamente guardadas, registradas, para que depois ganhem um lugar de destaque, elas não pertencem a mim, sou apenas instrumento que as possibilitam chegarem ao conhecimento de muitos, por isso, as coloco na chamada do MSN, Orkut, Twitter. Talvez se tornem, após uma cuidadosa costura, textos mais amplos, complexos, como: artigos, poemas, crônicas, romances que possam ser expostas em sites, blogs ou em um belo livro, de capa dura, com o título escritos em letras douradas ou, caso continuem frases, ganhem destaque em cartões ou mesmo um pára-choque de caminhão.

Os fins das frases podem ser os mais diversos. Eu costumo recorrer a elas nas costuras de meus textos, mas, dia ou outro, costumo postar algumas em meu Twitter, MSN, Orkut e agora, mas recentemente no FECEBOOK. Gosto de perceber a reação dos meus amigos virtuais ao se depararem com minhas frases. As reações são as mais diversas e isso é gostoso de viver. Mas, às vezes, sou pego por uma charada utilizando frases que eu mesmo criei. Gosto de trocadilhos, de jogos de palavras, de metáforas, mas, tenho sido vítima de minhas frases. Como costumo postar minhas frases em meus espaços de comunicação virtual, meus contatos as tem utilizados para manterem contatos comigo e darem início aos diálogos que costumamos desenvolver nestes espaços.

Talvez minha distração tenha possibilitado cair nas armadilhas que eu mesmo tenho ajudado a construir, mas como eu sou um de seus criadores tenho me saído bem delas. Afinal, se as frases são minhas, devo eu ter desenvolvimento/saída para as charadas criadas com elas. Mas, ando tão distraído que já não atendo quando ouço chamar meu nome. Outro dia mesmo acordei de um sonho sem mesmo ter dormido. Talvez, estar em órbita tenha me colocado nesta situação tão desprivilegiada para mim, ao me deixar desarmado diante das piadas que sempre antecipei as respostas a elas, o que geralmente surpreende quem se aproxima de mim.

Imagine que outro dia eu estava conversando com uma amiga pelo MSN e sem que eu percebesse entramos em um jogo de palavras, uma espécie de jogo de conquista. Ela se aproveitou do momento em que escrevi para ela uma sincera frase em que expressei sua singularidade em minha vida, creio que tenha dito algo do tipo que sua presença em minha vida era como o sentido da luz do luar nas noites dos amantes. Ela de imediato disse: “frase pronta” e me devolveu o diálogo com uma frase que estava na chamada do meu MSN, “queria apenas uma companhia que me desejasse!” Não percebei que neste memento o jogo tinha começado, então apenas respondi com um sorriso (rsrsrs), foi quando percebi que tinha perdido o jogo, eu não dei seqüência ao jogo de palavras, neste caso de frases. Então ela disse: “perdeu” e completou ao dizer o que poderia ser minha resposta, tentei recuperar o jogo ao dizer uma frase justificando meu riso, mas, não se recupera a quebra do jogo de frases prontas. Mesmo sabendo que não se recupere um jogo com frases prontas, quando se cala na sua vez de falar, minha reposta foi tão inesperada que ela se rendeu a minha virada de jogo.

Você deve pensar que sou louco em participar de coisas desse tipo. Ou, dizer que isso pode ser coisa de quem não tenha algo importante para fazer na vida. Tenho muitas coisas e creio que a mais importante é fazer aqueles que se aproximam de mim, felizes. E são essas pessoas e o contato/relação com elas que eu enveredo na criação de inúmeras frases, cada uma com sua beleza singular. Elas carregam em si, os resumos das inúmeras relações que estabeleço. Enfim, tenho inúmeras frases prontas e gosto muito de elaborá-las, ainda mais quando estou diante de fatos e pessoas que me inspiram. Acredito até que poderia ganhar um trocado criando frases para pára-choque de caminhão. Descobri uma coisa, neste meu processo criativo de frases: “Pior do que escrever a alguém e não receber resposta é esperar resposta do que nunca se pronunciou”.

PS.: Ao costurar sobre frases prontas, não poderia terminar a costura de forma diferente, se não, com uma das minhas inúmeras frases que guardo com tanto zelo.

sábado, 29 de maio de 2010

Dona Mundica

Ao iniciar este mês, me propus escrever no dia das mães uma mensagem para a minha mãe e postar neste espaço. Os dias foram passando, o segundo domingo do mês se aproximando e nada de belo o suficiente vinha em minha mente para definir ou expressar a admiração e amor que tenho por ela. O dia das mães chegou e eu não tinha um texto rebuscado, pronto, para postar aqui, apenas uma pequena frase, achei que minha mãe merecia mais. Recusei-me a postar uma pequena frase para dizer o que sinto por esta mulher tão maravilhosa que é minha mãe.

Por achar insuficiente a frase, ou diminuta demais, meu blog, no dia das mães, ficou sem a costura que eu desejava postar em homenagem a minha. Devem existir outras formas de dizer o quanto amamos alguém, o quanto sua existência é importante em nossa vida, o quanto o simples fato de ela existir em algum lugar no mundo já nos torna pessoas melhores e mais felizes. Talvez seja um grande erro, e digo talvez, por, de fato, não ter a menor certeza, tentarmos expor em palavras ou mesmo gestos a grandeza dos nossos sentimentos. E mais um incerteza de erro é quando exigimos que o outro/a demonstre o quanto nos ama ou o quanto somos importantes para ele/a.

Ao não conseguir dar forma verbal, gestual, escrita ou qualquer forma visual a tudo que minha mãe representa em minha vida, percebi que não é por não dar forma aos nossos sentimos que não os temos e ousaria até dizer, que esses sentimentos que não conseguimos materializar em gestos, sejam os mais belos. Enfim, no dia das mães eu liguei para falar com minha mãe, desejei para ela o que geralmente desejamos nessas datas, mas não disse tudo. Acredito que as mães são capazes de perceber essas coisas, creio que as mães são capazes de ler a alma dos filhos, por isso fiquei tranqüilo, de alguma forma ela sabia o quanto eu a amo, o quanto ela é importante para mim, sem que eu possa pronunciar qualquer palavra.

Mas, o que me levou a escrever, hoje, quase no final do mês, para contar que não escrevi no dia das mães o que desejava escrever? Além da frase que insistia em permanecer em minha mente, algo que me aconteceu na última quarta-feira tornou a minha mãe mais presente em meus pensamentos diários. Fui acometido por uma gripe na última quarta-feira e lembrei-me das vezes em que podia ser cuidado por minha mãe. Das várias noites em que deixou de dormir, para velar minhas noites de agonias durante as inúmeras crises asmáticas que tive durante minha infância e adolescência.

Nestes últimos dias do mês de maio, mês em que lembramos a importância de nossas mães e que eu esperava costurar um belo texto em homenagem a Dona Mundica, Dona Raimunda ou mesmo Dona Hermenegilda, ou melhor, a dona da minha vida, que me entregou ao mundo, minha mãe, uma gripe me fez reviver a presença dessa mulher tão especial em minha vida.

Algumas lembranças me foram recorrentes e, para evitar tornar esta costura longa demais, direi apenas alguns de seus gestos durante o tempo em que vivi com ela: lembrei dos seus cuidados quando eu adoecia; os chás – eu adorava o chá de erva cidreira, creio que era na casa da minha Vó que ela buscava; as misturas medicinais – pílula do mato amassada com mel; limão com mel – hoje acrescento uma cachaça e a coisa fica ótima; as batidas de ervas amargas que me obrigava tomar para sarar logo; as massagens em meu peito quando eu não conseguia respirar; lembrei das madrugadas em passava na máquina de costura fazendo os últimos ajustes na roupa que usaríamos na manhã seguinte; as noites em que juntava eu e meus irmãos para rezarmos o terço antes de dormir; sua cara censurando nossos risos ao não acertarmos a ave-maria, e depois seu riso ao perceber que a reza já tinha virado piada; lembrei dela me ensinando a pedir a “bença” ao papai e mamãe do céu; a me ensinar a rezar pedindo a proteção do anjo da guarda e não dormir sem camisa, se não, Nossa Senhora passava e não olhava; lembrei das tantas manhãs em que ela acordava mais cedo e esquentava um pouco de água para deixar a água da bacia morna e eu não ter que tomar um banho gelado tão cedo da manhã; lembrei das manhãs em que preparava um mingau de aveia, ou mesmo de farinha com leite, antes de eu ir para escola; lembrei do seu abraço apertado, não querendo me largar e seu choro que me apertou o peito ao se despedir de mim quando eu fui embora.

Enfim, lembrei de tantas coisas e é melhor parar de expor essas lembranças, são tantas, elas me enchem os olhos de lágrimas e de alegria na alma, por ter nascido desta mulher que tanto amo e admiro. Mas, vale dizer que desejei muito, esses dias, ser ainda aquele menino, desejei ter todos aqueles cuidados novamente. Desejei ter minha mãe aqui, queria deitar em seu colo, como fiz uma vez quando já não era mais criança e chorei. Ela não disse nada, apenas fez cafuné, como só a mãe da gente sabe fazer, e mais uma vez velou meu sofrimento e seu carinho naquele momento era a única coisa que podia me acalentar.

É... Mãe, eu nunca soube como dizer tudo o que sinto por você e a única frase que consegui construir no dia das mães expressa a minha limitação em dizer o que és para mim. A frase que me acompanhou durante todo esse mês foi essa: "há tanta beleza em teu ser, que nenhum poeta no mundo seria capaz de descrevê-las". Sei que nem os poetas, os artistas conseguiriam descrevê-la, mas, quem sabe, um dia, com os avanços das ciências, a humanidade conseguirá ter acessos ao que verdadeiramente sinto por você, ao conseguir mapear os sentimentos mais puros existentes no coração deste teu filho. Será consentido aos seres da terra, abarcarem a dimensão do amor de um filho? Como conhecer o que representa a tua presença em minha vida se tua beleza só poderá ser descrita através das almas humanas na leitura do coração? Creio que se um dia alguém for capaz de conseguir decifrar os corações humanos, ao se depararem com o meu, encontrariam todo o teu ensinamento. Teu olhar e cuidado que forjou minha alma construindo o meu eu. Tua garra destemida que me ajudou a seguir em frente e a acreditar nos meus sonhos que me fizeram partir. Fazendo-me aprender a viver sem tua presença, sem teu carinho diário e talvez o que mais sinta falta, sem o teu colo de mãe.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Cantando a memória de uma identidade ameríndia.

Conviver é uma necessidade humana e para a juventude o desejo de estar em grupo se tornou uma necessidade fundamental. Na vida grupal, cada pessoa, sobretudo, jovem, descobre-se e descobre o outro. É nesta convivência que aprendemos a nos aceitar e a aceitar o outro. No grupo, experimenta-se o estar junto com outros iguais a mim, nele sou aceito e esta aceitação me satisfaz. É isso que te satisfaz?
No convívio com o outro vou me constituindo como ser, construo minha personalidade, solidifico minha identidade. Neste lugar me realizo, posso partilhar sobre mim, partilho meus sentimentos e ideais, partilho meus valores e descubro outros, às vezes, bem maiores que o meus. Descubro com quem posso verdadeiramente contar. Na minha vida em grupo/comunidade, reconheço que existe muita coisa antes mim e para além de mim. E esse convívio me ajuda a perceber o quanto é importante não esquecer. Não esquecer nossa história, não esquecer o que veio antes da gente e nos ajuda a sermos o que somos hoje e que é preciso cuidar desse lugar. Você cuida desse lugar?

Precisamos resgatar a valorização de nossas raízes, nossas culturas tradicionais, pois conhecer a cultura de nossa gente nos ajuda a entender e fortalecer o significado de nossos valores. Não deixar no esquecimento nossas culturas tradicionais é fundamental, precisamos resgatar nossa cultura, nosso folclore, nossas raízes, isso nos garantirá que não percamos nossa identidade como povo brasileiro. Qual é a tua identidade? Você tem identidade?

Não somos jovens sem passado, temos em nós a memória de nossa gente. Na nossa convivência descobrimos quem somos e de onde viemos, na diversidade do aconchego que forma nossa vida em grupo redescobrimos nossos costumes, tradições até a própria língua por muitos esquecidos. Em nossos abraços sentimos pulsar em nós, a mistura do sangue, índio, negro, europeu, asiático, que nos forma como povo latino americano, ameríndios.

Somos chamados a rever nossas atitudes diante de nossa memória, não podemos medir esforços no resgate de nossos valores e identidade cultural. Viemos dessa mistura étnica com mitos, música, dança, costumes e linguagens diversas que cada vez mais, entra no baú do esquecimento. Quem é você? De onde você veio?

Quem canta não esquece, assim cantemos nossa capacidade de fazer memória. Cantemos juntos sem distinção. Cantemos a consciência ecológica por muitos esquecida. Cantemos nossas matas, nossos quilombos. Cantemos o campo e a cidade. Cantemos as terras de muitos cantos sedenta por água. Cantemos as águas que são estradas de nossas comunidades ribeirinhas. Cantemos a chuva que mata a sede e nos diz que está na hora de rever nossa atitude em relação ao plenata. Vamos soltar a voz e cantar nossa história, nossos povos, nossos valores, nossos costumes. Vamos cantar a beleza se sermos latino-americanos, de sermos ameríndios.

domingo, 16 de maio de 2010

História de pescador?

A leve brisa que sopra a fresta do quarto da casa de madeira anuncia que está na hora de levantar-se. Ele olha ao seu lado e vê a silhueta de sua esposa dormindo um sono invejável e delicadamente movimenta-se para não acordá-la, não queria importuná-la, não aquela madrugada com tem sido a rotina de seus 35 anos de casados, deseja que pelo menos naquela madrugada sua esposa tivesse uma completa noite de sono. Usou de toda sua calma, paciência e silêncio tão precioso e necessário em seu ofício para dosar seus movimentos ao sair da cama. Após minuciosos e cuidadosos movimentos consegue levantar-se sem interromper aquele belo e calmo sono que fazia sua esposa sorrir enquanto dormia. Caminha pela casa tendo apenas seus pensamentos e o vento que assobiava pelas frestas da casa, pensava em seu ofício diário, sua cama, sua esposa e seu sorriso adormecida, o tempo que perdia longe dela ao tentar garantir seu sustento de sua vida e se indagava, estaria garantindo sua vida ou perdendo-a? Pensou em todas as vezes em que mesmo querendo ficar ali e aproveitar o aconchego da cama, o calor daquele corpo que o fazia companhia e tornara sua vida tão feliz, teve que levantar e seguir para seu ofício.

Mas, aquele era a sua rotina, todo dia a mesma coisa, antes do sol despontar, e antes da lua beijar o mar, ele levanta-se e seguia para sua lida. Todo dia contemplava aquele rosto, aquele sorriso, aquele corpo que sentia-se obrigado a deixar ali, mesmo querendo ficar, para cumprir sua rotina. Que árdua rotina, deixar o aconchego daquele riso, aquele abraço que fica mais gostoso na madrugada e que nos chama a ficar sempre ali, aproveitando até o último momento.

Pela casa o vazio daquela vida que no quarto dormia, em cada canto a lembrança fria de cada momento vivido, as brigas e beijos, os choros e os risos, o gol e o último capítulo da novela, a mesa pronta servida com sua comida favorita, as danças ao som da rádio da cidade, o enterro do cachorro, o banho frio para superar o calor dos dias quentes, ouve ao longe o som das lembranças: amor o chuveiro queimou! Vem logo pra cama! O jantar estar pronto! Vamos ao cinema? Tem um circo na cidade! Chegou visita! Vou preparar o café!

Café? O café, perdido em seus pensamentos e em todas as lembranças que o resolveram visitar naquela madrugada, esqueceu do café, afinal e era ela que sempre com ele levanta-se e ia lhe preparar o café que o servia o dia inteiro em sua lida. O café que o fazia sentir-se sempre ali, ao lado dela, venerando o seu amor. Distante, sentia-se em casa e aquilo lhe confortava, era sua força para superar a distância que diariamente o acompanhava.

Caminhou em silêncio até a cozinha, pegou a panela, mediu a água e pós no fogo, em alguns minutos estaria pronto, não seria como o dela, mas era preciso ser assim, pelo menos naquela madrugada queria que sua esposa dormisse seu sono merecido. Enquanto esperava o aquecimento da água, preparou a mesa, tudo em seu devido lugar, faltava o pão, o pão! Estava na hora do padeiro passar, para garantir o sono de sua amada, abriu a porta da cozinha que dava para o quintal, deu a volta na casa e cuidadosamente abriu o portão, ao longe avistou uma bicicleta com um cesto em sua garupa. Era o padeiro, acenou e esperou, fez sinal para o padeiro mantivesse o silêncio. Dois pães, por favor! Com os pães em mãos agradeceu, despediu-se e entrou. Pôs os pães sobre a mesa.

A água no fogo fervia, pegou o saco de pano, colocou sobre o bule, colocou os grãos no moedor que renderem uma porção de aproximadamente duas colheres de sopa cheia de pó de café, açúcar suficiente para deixar o café levemente amargo e despejou a água. A água quente, ao encontrar aquele pó, penetrou-o e o fez exalar seu cheiro pelo ar, o cheiro inundou a casa, passando pelo corredor chegando até o quarto.

Sua esposa que no quarto gozava de um belo e calmo sono que a fazia sorrir enquanto dormia, sentiu aquele cheiro, abriu levemente os olhos e ameaçou levantar, precisava tanto daquele sono que não percebeu que estava só na cama, pensou que fosse um sonho, fechou os olhos e voltou a dormir, mas agora seu sonho tinha um cheiro de café da manhã, então sonhou, sonhou que naquele dia seu marido resolveu lhe fazer uma surpresa, primeiro, tinha decido não ir trabalhar, mas levantou como sempre no mesmo horário e sem que ela percebesse, saiu da cama, preparou o café, colocou a mesa, ornou com o vaso de tulipas que ela com tanto zelo cuidava, e voltou para cama para curtir sua companhia até que o sol anunciasse um novo dia. E, assim que os raios de sol invadiram todas as frestas da casa de madeira, das telhas expostas sem o forro, ela a abraçava como no seu primeiro encontro, e beijando-a dizia: amorzinho, está na hora de levantar, o café está pronto, só falta você e seu sorriso para completar a beleza deste dia.

Enquanto ela sonhava, ele verificava se tudo estava ali, seus materiais, a mesa pronta e a garrafa térmica de café, que naquele dia teria outro sabor, um sabor de cuidado, de recompensa, cuidado diária que sua esposa tinha ao levantar-se junto com ele para ajudá-lo a preparar os seus dias de ofício, mas, naquele, após 35 anos de cumplicidade, foi sua vez de cuidar e ajudar sua esposa a preparar seu dia, mesmo que foi com um pequeno gesto simples de preparar o seu café e deixá-la gozar de uma noite inteira de sono. Ouviu o canto dos maçariquinhos, foi até a janela da cozinha, da qual é possível ver o rio, e viu que o rio já havia baixado, anunciando a vazante da maré, era preciso ir, estava na hora. Mas, antes era preciso fazer uma coisa.

Foi até o quarto, olhou para sua esposa que ainda estava sonhando com a bela surpresa que tinha recebido, lamentando ter que deixá-la ali, aproximou-se, sentou-se na beirada da cama, mexeu nos cabelos de sua amada e que cobria o seu rosto e escondia aquele sorriso resultante do belo sonho em que ela se encontrava. A aproximação dele misturou-se ao sonho dela. Ela sentia o beijo que ele lhe dera como despedida ou até logo, em função de se encontrar em saída para sua rotina de trabalho. Após beijá-la, ele diz baixinho para não acordá-la: “Amorzinho, está na hora de eu ir, deixo seu café pronto, só vai faltar você e seu sorriso para completar a beleza deste dia quando eu estiver no mar”. Puxou a manta e a cobriu a fim deixá-la mais confortável e impedir que a brisa que invadia o quarto pelas frestas da parede de madeira a incomodasse. Levantou-se, mais uma vez com todo cuidado possível, foi até a porta, virou-se para trás e olhou mais uma vez sua esposa que ainda dormia e sorria. Ela como que sentido o vazio no qual o quarto ameaçava entrar, e em atenção as palavras que seu marido em sonho lhe dizia para levantar, abriu levemente os olhos e achou que o viu saindo. Ela pressiona as mãos fechadas sobre os olhos para melhor ver e se percebe só e o café.

O café? Percebeu que havia passado da hora, aquele sonho pareceu tão real, não entendo o que havia acontecido resolveu levantar-se e verificar o que estava acontecendo, foi então até a porta do quarto de onde era possível ver o acesso a cozinha e a saída para o quintal, avistou ele que pegava sua tarrafa, colocou-a no paneiro, onde estava a garrafa de café, junto com os outros materiais necessário para mais um longo dia de pesca, colocou o paneiro no cabo do remo, saiu pela porta da cozinha e caminhou em direção a sua canoa que o esperava quase em seco, pois o rio havia baixado depressa demais. Ela, enrolada na manta, corre até a porta da cozinha e grita suave ao seu amado com um riso triste em sua face: “amor! Não demora! Volta logo!”. Ele olha para trás e vê aquela linda mulher enrolada em uma manta que há alguns minutos tinha deixado na cama, pensou em tudo que passou por sua cabeça desde que levantou-se da cama.

Deixou seus materiais caírem no chão e foi ao encontro dela com aquele sorriso triste ao se despedir e que lhe pedia que ficasse, antes que ela se desse conta, ele a abraça, como se aquele fosse seu último abraço. Ela abre a boca para dizer-lhe algo e ele a impede com um demorado beijo, um beijo como eles nunca haviam experimentado, era uma mistura de amor, cumplicidade, desejo e realização. Ela tenta dizer alguma coisa e ele mais uma vez a impede de pronunciar qualquer coisa que seja além dos gemidos provenientes da satisfação daquele beijo que lhe tirava o fôlego. Após, uma luta que não queria travar contra aquele beijo ela consegue chamar atenção de seu amado e, sem parar o beijo, ela aponta em direção ao rio, que àquela altura, já estava seco e junto o casco, e diz ao seu marido: “Amor, você vai ter um trabalhão para empurrar o casco até alcançar a água”. Ele, sorrindo lhe diz, “Não terei não”. Ela: “Como não?”. Ele a abraça aconchegantemente por trás e lhe diz em seu ouvido como em uma jura de amor: “Ficarei aqui, juntinho de você, meu amor”.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Homem não chora?

(Pensei muito qual título daria para essa costura, foram muitas as possibilidades, entre elas estavam ''um manifesto masculino", "homens também amam", "somos homens não somos monstros", "o sexo frágil", "homens também choram" e achei que esse me agradou mais, pois lembrei de uma fala de uma amiga, essa semana, quando eu lhe disse que estava chorando, ela disse: "deixa eu adivinhar, é mulher, só pode ser, você é todo assim com essas coisas do coração!". Enfim, devo alertar que a costura é um pouco longa, mas é sincera.)

Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor? Essa pergunta já assombra a mente humana de homens e mulheres, não por se achar que uma coisa seja melhor que a outra. Ou que uma seja mais importante que a outra. Pelo menos não é assim que eu vejo. Sei que tal pergunta já mereceu até um livro, que até hoje, não li, mas conheço muitas pessoas que já leram e dizem que é muito bom, engraçado, que diz muita coisa que acontece mesmo e tal. Mas, me pergunto, quando é que essa pergunta de fato importa? Pois, se chegamos, em nossa relação, ao ponto a abrir a boca para nos perguntarmos isso ou, para piorar, fazermos tal pergunta para nossos cúmplices, acredito que estamos prestes a ver o começo do fim do que um dia fora um sonho e que mesmo diante das mais variadas respostas, nenhuma delas restaurará uma relação que com toda certeza já está mais que fragilizada e que já não nos deixa felizes.

Quantas vezes já escutamos: todos os homens não prestam; as mulheres só pensam em dinheiro; os homens só pensam em sexo; as mulheres são histéricas; os homens são insensíveis; os homens são grossos; as mulheres são ciumentas demais. Mas, quando é que vemos uma mulher ou um homem falando mal um do outro? Estamos cansados de saber que homens e mulheres são diferentes e é apenas isso, nada de um ser melhor que o outro, ambos dispõe de habilidades, dons, especificidades, defeitos e qualidades que podem ou não agradar seus parceiros e parceiras, e que só saberemos se agradarão somente após convivermos.

Se você já se pegou fazendo isso ou presenciou alguém deve saber que algo aconteceu. E a melhor coisa a se fazer é pensar bem sobre o que dizer, se é que devemos dizer alguma coisa. Só acredito que não podemos colocar todo mundo no mesmo saco, não podemos generalizar. Afinal, aquela pessoa já foi para nós a melhor pessoa do mundo e até seus “defeitos” já nos fizeram rir um dia, mas, hoje, pela rotina, conhecimento e outros elementos únicos daquela relação única, pois, só somos o que somos na relação que estabelecemos, não suportamos mais. Mas, não é por isso que devemos sair por aí gritando aos quatro ventos que os homens ou mulheres não prestam e muito menos dizer que nunca mais vamos nos envolver em outro relacionamento ou dizer que amor não existe.

Somos contraditórios e em nossas relações isso não será diferente. Imagine! Se de fato nos incomodam essas coisas tidas como típicas do homem ou da mulher, o que explica as piadas que costumamos ouvir quando um homem é sensível demais ou uma mulher é durona? O que explica fazemos piadas com aquilo que sempre desejamos que nosso parceiro/a tenha e que por não ter nos leva a rever nossa relação ou nos faz não vê-lo/a mais como o homem ou a mulher de nossa vida.

Talvez seja nossa busca por nós mesmos e quando nos deparamos conosco não damos conta do que vemos e depositamos no outro tudo aquilo que não suportamos em nós, é muito mais fácil isso do que admitirmos que nós não somos como achamos que somos. A convivência com o outro desperta em nós o nosso verdadeiro eu e o outro que é causa da evidência do que somos, se torna, nesse momento, algo repulsivo e que é melhor ver longe. Mas, essa busca incessante por nós mesmos e que não queremos encontrar é conversa para outra costura, vamos continuar nos problemas que envolvem nossas relações afetivas.

Não venham com essa história de que homens só querem ou só pensam em sexo, que superioridade é essa? Que posse é essa das mulheres sobre o amor? Os homens também amam. E sabe essa história de que homens fazem sexo e mulheres fazem amor? Sem essa, todos fazemos sexo, homens e mulheres fazem sexo, e não adianta dizermos que fazemos amor quando na verdade nós fazemos sexo, nós trepamos, temos relações sexuais, pois, amor não se faz, amor se vive. Então não tememos em dizer que fazemos sexo e que isso nos dá prazer, que isso nos faz bem.

Outra coisa que precisa ser dito é que homens também vão para a cama porque gostam da mulher com quem estão, ir para a cama não é apenas sinônimo de alívio de tensão, mas é desejo por quem está conosco, nos faz bem e amamos. Mais uma coisa, é bom fazer sexo e depois dormir, tanto para o homem, quanto para a mulher, temos tanto tempo para conversarmos, então vamos aproveitar o momento e dormirmos bem juntinhos aproveitando este belo momento de entrega. E as preliminares? É algo maravilhoso. Mas, fazer o quê? Se existe quem não goste! No mínimo devemos procurar mais um pouco, pois, tenho absoluta certeza que vamos encontrar.

Não são todos os homens que buscam várias mulheres, existem homens que amarão uma única mulher, para quem farão eternas juras de amor, poemas e desejarão que ela nunca o deixe. É, nós assumimos que somos deixados, que choramos quando terminamos. Isso mesmo, os homens também choram, ficamos mal e sem essa de que somos o sexo forte, também somos frágeis, e, se ser sensível é “coisa de mulher”, existem mais homens femininos do que você pode imaginar, .

Isso tudo não é para me retratar ou é um pedido de desculpas, por algo que eu tenha cometido, mas estou cansado de ser jogado no mesmo balaio de todos os homens, cada ser é único e não podemos dizer que todo homem é igual, pois eu não sou, nem por isso sou melhor. Fui muitas vezes machucado nos relacionamentos que me envolvi, e diga-se que entro de corpo e alma em cada relação, e não foi por isso que julguei ou desistir de viver ao lado de um novo amor. Não deixemos que uma desilusão amorosa tire nosso belo olhar para a vida ou percamos as esperanças de vivermos felizes ao lado de outro alguém que nos tire o fôlego.

Sempre é possível sonharmos com tudo isso e acreditar no amor, independente da dor ou decepção que tenhamos sofrido. É certo que muitas vezes os homens não têm coragem de dizer o que sentem, mas muitas vezes dizemos, talvez, ainda temos dificuldades em saber como lidar com esses sentimentos, mas, dizemos muito, ao nosso jeito, sem domínio, sem saber como dizer que amamos ou como demonstrar o que sentimos, afinal, são séculos de dureza, de uma vida na qual “homem não chora”, “homem é sexo forte e não é sensível”, contudo, não podemos usar isso para permanecer na mesma: sem amor, sentimentos, sem sensibilidade. Sempre fomos tidos como os mais fortes, corajosos, mas não somos, temos medo, somos bem frágeis e quando ninguém está vendo, também choramos.

E se me permitem, quero pedir que nunca mais digam que os homens só pensam em sexo, pois, pode ser que tenha mesmo quem só veja isso, mas, já temos muitos que vêem além disso. Nós, também, acreditamos no amor e amamos com muita intensidade.

Acho que fui prolixo, mas, eu precisava dizer essas coisas, só espero não ter agredido ninguém ou não ter sido explícito no que eu quis dizer.

terça-feira, 4 de maio de 2010

O canto do uirapuru

Minhas noites claras e meus dias escuros
Olhos abertos esperando tua luz radiante
Meus olhos fecham para ver que não estás aqui
Noites eternas e dias que não chegam
Insônia que incomoda e sono que não vem
Onde está Morfeu? Talvez abraçando meu amor
Pensamentos estranhos que me levam para onde não quero ir
Luto inultilmente contra esses pensamentos complexos
Queria ficar aqui e te esperar de braços abertos
Com meu riso solto cuidar de você e você sorrir
Basta desejar e seguir teu sonho feliz como um horizonte
E eu estarei a te esperar, mas volte antes que clereie o dia
E minhas lutas vencerão a complexidade que se instalou em minha mente
Um pássaro na janela anuncia que a vida pode ser mais bela
Eu, alto, grito: quero, quero ficar contigo
Olho e vejo o azulão do céu como num final de tarde
Bem te vi chegando e abrindo a porta
Sorrindo beija a flor que eu te dei
Abre teus braços de anjo e vejo tua asa branca
E perto de ti serei coruja e velarei teu sono
E de dono da noite me chamará
E você será minha estrela do norte
Serás para mim a mãe da lua e pai da lua eu serei para ti
Como um flautista da mata eu cantarei que o fogo pegou
E gente de fora vem para ver o nosso amor
E em coro dirão que esse amor não pode parar
Só nós seremos o oleiro de nosso amor
Você será minha rolinha e eu o teu rouxinou
E juntos cantaremos um canto silencioso
Dizendo tem, tem amor aqui
Ao som desta melodia adormeceremos e sonharemos
Sonharemos com nossa vida feliz
Felizes desejaremos nunca mais acordar
A madrugada se despede e o sol anuncia uma nova manhã
E antes que a brisa da manhã nos acorde
Ouviremos o canto do uirapuru abençoando nossa vida e nosso amor
E abençoados acordaremos para vivermos nossa vida feliz.

domingo, 2 de maio de 2010

Uma perseguição que me fez abrir o coração

Costura em fase de decisão de postagem. Como esta costura me expõe e expõe outras pessoas estou ainda meditando sobre a possibilidade de postá-la aqui. Mas, mesmo que eu não poste essa costura na íntegra, ela será exposta aqui, pois, já chegou o momento de falar abertamente sobre mim neste espaço que é, também, de partilha de vida...

Atenciosamente, um pescador que ousa costurar palavras...

Paz e Vida Longa!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Por isso eu te amo

Sabe por que eu te amo?
Sabe?!
Eu te amo por isso
Por você ser simplesmente você
Eu vivo declarando meu amor
Ao meu jeito, cheio de enigmas, de poesia
Metáforas bem elaboradas e fáceis de serem entendidas
E você finge que não é com você
Age como se declarações de amor fossem algo tão banal
Coisas corriqueiras da vida
Vive me tirando e eu gosto disso
Não me prometes nada e eu sem esperar espero
E quando menos espero o telefone toca
E é você falando de medo que é coisa que rodeia
Que vai, ficando e que entra sem sair
Dizendo-me para viver meu sonho e conheça meu valor
Uma taça de vinho me faz companhia e tua voz me dá vida
Eu falo de frio e você de calor
Falo do frio que te materializa aqui junto de mim
Diz-me que apesar da distante é possível sentir minha mão quente
E que mesmo assim o frio ainda te paralisa
Diz-me para sair fora e depois me diz que sonhou comigo e gostou
Eu te amo por isso
Por você ser simplesmente você

Por perguntar pelos meus planos mesmo tendo vários
Eu me entrego e você me manda embora
E quando estou fechando a porta
Você me diz sorrindo: “me faz carinho? Eu preciso!”
Não depende de mim
Mesmo assim sente falta dos meus abraços
E quando sinto frio estás sempre aqui me aquecendo
Impedindo-me de congelar-me
Fazendo-me declarar-me sem receios
Tantas vezes me diz para sair fora quando me declaro
Depois diz que minhas palavras te aproxima de mim
Palavras que por vezes fez nascer em ti
Uma vontade de sair correndo
Correndo para vir morar comigo
Então imagino você chegando antes que a vontade passe
E juntos os sorrisos, o brilho no olhar
A porta aberta e você ainda aqui
Teu corpo aquecendo o meu e o meu aquecendo o teu
Eu te amo por isso
Por você ser simplesmente você

Por não me prometer nada e eu sem esperar espero
E sempre vejo junto com seu lindo sorriso ao se despedir
Um longo beijo gelado que me aquece a alma.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Entre ecos de vazios preenchidos

Hoje, acordei antes que o sol ameaçasse despertar, a brisa fria soprava suave e denunciava o vazio em minha cama. O vazio de uma companhia amiga, que fizesse com que as noites não parecessem tão mais longas do que o habitual. A cama com aquele vazio não parecia mais tão aconchegante como sempre foi e estava maior do que nunca.
Logo eu, que sempre dormir mais que a cama, não agüentava mais estar ali, não com aquele vazio. Levantei daquela cama antes que me perdesse no vazio em que me encontrava, então me dirigir até a janela de onde é possível ver o sol nascer, a cidade ainda dormia e todo aquele vazio parecia preencher toda minha existência.
Sentir-me sufocado e a cidade ali, inerte ao que acontecia comigo. Eu e meu vazio, o mundo e sua inércia, então pela primeira vez naquela manhã que insistia em não nascer resmunguei algumas palavras e por frações de segundos o vazio que estava protegido por um silêncio incessante foi quebrado por meu sussurro.
Então não suportando mais aquele vazio, aquela inércia, aquele silêncio, como um ato desesperado de liberdade, eu gritei: queria apenas uma companhia que me desejasse! Um eco em resposta disse, “queria apenas uma companhia que me desejasse!” Surpreendido com minha disposição, apenas ri. Fiquei sem saber o que dizer.
E o eco disse: “não é para rir!” E continuou: “perceba o que está por trás dos ditos e não ditos, muitas chances são únicas, elas passam e não voltam mais, por isso, atenção, leia as entrelinhas!”. Reiterou e me disse: “ao ouvir minha resposta você podia responder que eu poderia ser essa companhia se eu quisesse!”
Mais uma vez me vi sem voz diante ao eco que insistia em questionar meu grito e gritei novamente: se me visse entenderia que tua presença é mais que desejada! E recuperando o fôlego expliquei-me: meu riso solto é quando não sei o que dizer diante daquilo que me alegra a alma, encanta os olhos e acalenta o coração!
O eco parecia estar testando minha nobre paciência, tentando me pregar uma peça ao responder meu grito em vez de apenas repeti-lo, parecia estar certificando se eu queria de fato que meu grito ecoasse por aí, e alcançasse seu destino na mesma intensidade em que ele saíra de dentro de mim.
Aquele eco tinha algo diferente, mais uma vez, não repetiu meu grito, e dessa vez não me orientou ou me ajudou a perceber o que estar por trás daquilo que eu digo, do que eu sinto e, dessa vez ao me indagar parecia querer arrancar de mim o que eu não conseguia ver e disse: "por que eu precisaria ver? Você não sabe se expressar de outro jeito?"
Aquelas palavras ecoaram em mim, invadiram meu ser, então entendi. E, não consegui prender em mim aquele entendimento, juntei todas as forças que restavam em mim e gritei silenciosamente: há beleza nos gestos simples, eles marcam muito mais as lembranças do que sempre virá à tona na memória dos nossos eternos momentos felizes.
E o eco das minhas palavras que ecoavam dentro de mim e me fez entender, levou-me a perceber que eu deveria ir ao encontro da companhia que me desejasse e, em vez de gritar, levar pessoalmente minhas palavras e sussurrar ao seu ouvido meus gritos de amor e deixar que seu eco fosse interior.
E realizado sorrir ao perceber seu lindo sorriso ao ficar sem palavras ao me ouvir sussurrar ao seu ouvido minhas juras de amor. A cidade não estava mais inerte, o silêncio já não me incomodava mais, o mundo ganhou mais cor e a vida ganhou mais sentido e meu vazio foi preenchido. E minha cama... Isso é outra história.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Uma atitude pode mudar o resultado do mal que estão tramando contra você

Muitas vezes damos tamanha importância para coisas tão pequenas, ou tão ínfimas que elas ganham proporções que não conseguimos dar conta. Então, saiba como lidar quando isso acontecer.

Antes devo informar que nem sempre isso é fácil, certos momentos estamos tão fragilizados que caímos como ratos na ratoeira ao irmos afoitos pelo exalar do cheiro do queijo. Mas, ao contrário dos ratos, somos seres pensantes, pelo menos, a priore, somos.

Somos descendentes dos homo sapiens, que tem sapiência, inteligência, sendo assim, diante daquilo que normalmente nos tiraria do sério ou interferirá diretamente em nosso estado de espírito, em nossa serenidade sagrada e pacientemente conquistada, devemos agir como seres que de fato pensam, que refletem sobre tudo que nos chega e nos cerca.

Geralmente escuto alguns cúmplices dizendo: estou chateado por isso, estou triste por aquilo, estou com raiva e, por aí segue, e tirando os fatos que transcendem nossa interferência e nossa ação sobre eles, geralmente essas mudanças de humor são causadas por interferência, ações, atitudes de outras pessoas.

O que transcende nossa ação não podemos fazer nada, a não ser nos conformar com os fatos dados e tentar seguir em frente, apesar da dor, tristeza, chateação e raiva que nos incomodarão, aqui entra em cena um exercício fundamental: a paciência. A paciência é uma virtude e como tal, necessita de treino, exercício constante para preservá-la ou mesmo adquiri-la. Uma vez conquistada essa virtude, nossos problemas já terão 50% de solução. Pois, isso nos proporcionará, dentre tantas coisas a tranqüilidade e o saber esperar. Saber esperar a hora certa de agir ou mesmo de nada fazer.

Algo a ser feito é diagnosticar os problemas de fato e os eminentes, para sabermos o que exatamente estar acontecendo, as razões e os porquês, se começou agora ou já perdura por mais tempo. Pois, se for agora, devemos ponderar se há sentido em tudo isso. Pense, você está feliz, com pessoas que te amam, seu amor, seus amigos, sua família e isso é o que importa, não deixe que outras coisas interfiram nisso, não ligue para essas coisas, não retruque, será pior.

Lembremos que a paciência é uma virtude, e mais um coisa, cuidemos daquilo que de fato importa para nós, aquilo que é raro, o amor que recebemos de quem nos quer bem e que jamais nos abandonarão.

Enfim, não vejo motivos para que deixemos a tristeza invadir nosso coração. Pelo menos, não por essas ações alheias, isso não deve ser motivo de tristeza. Não esqueçamos que nossa vida está como proporcionamos que ela estivesse, do jeito que nos realiza e nos deixa felizes, temos ao nosso lado alguém que é do jeito que sempre esperamos (pelo menos é isso que verbalizamos quando falamos da pessoa amada).

Mas, se isso não for bem assim como descrevo, lembremos do que escreveu Cecília Meireles, que a "felicidade plena não existe, o que existem são momentos felizes". Sendo assim, se de tudo você achar que sua tristeza, hoje, te incomoda tanto, viva um pouco da nostalgia das lembranças felizes, dos momentos que se eternizam em nossa memória e que podemos recorrer a qualquer instante, pois o inferno que é o outro pode nos tirar a tranqüilidade de um instante, de um dia, de uma semana, de messes ou até mesmo anos, mas nunca nos tirará os nossos momentos eternos de felicidades.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O mundo dá voltas

Você fugiu de mim
Meu olhar te amedrontou
Queria apenas me aproximar
Você não me deixou
Meu convite recusou

Tentei me aproximar
Meu olhar, você não entendeu
Você não me deu abertura
Meus gestos te confundiram a cabeça
E você fugiu de mim

Como o diabo foge da cruz
Como o vampiro do sol
Como o lobisomem da prata
Mesmo me querendo
Você fugiu de mim

Por um acaso, do destino?
Reencontramos-nos e amigos ficamos
Então veio você com sua sutileza
Fala-me de solidão e carência
Lembrou-me de como te olhei

Você me diz que sou emblemático
Que meu olhar causa impacto,
Diz-me que estás mais segura
Que pensa diferente, que muita coisa mudou
E hoje, reagiria diferente

Você vem com essa carinha de anjo
Dizendo-me que entendeu tudo errado
Que estava afim, mas teve medo
Medo de se entregar
Medo de se apaixonar

Mas, agora não sente mais medo
Apenas desejo, desejo de se entregar
Diz que a culpa é minha que te hipnotizei
E você nunca mais conseguiu dormir só pensando em mim
Perguntando como seria...
Até onde teríamos ido?

E eu digo que são apenas especulações
Como saber se não vivermos?
Quem sabe um dia possamos...
Shiiiu, não diga nada...
É, o mundo dá voltas!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Lexicapescaria

Existem dias, momentos, que a poesia aflora dentro de mim
Mas as palavras me parecem tão longínquas
Talvez seja a tristeza que as afastam
Na melancolia em que me afogo
Procuro uma saída de estado tão angustiante
Os pássaros fazem sua rítmica migração
Sei que existe, em mim, uma saída
As palavras estão em mim
Nas palavras está o caminho da alegria
Busco algo que possa me ajudar a alcançá-las
Uma inspiração, a ajuda de um irmão
Parece que quanto mais as sigo elas mais afundam
Num profundo mar
Sinto-me um navegante amador nesse vasto mar
Queria saber pescar
Assim, pescaria palavra por palavra
Mas, do que me adiantaria uma pescaria tão lexicográfica?
Ou seria literal?
Precisaria, também, saber costurar
Assim, eu costuraria cada palavra bonita
Com linhas coloridas
Cheias de alegria
Faria a colcha mais linda
Da costura das palavras pescadas
No mar da minha vida.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Uma Carta de Pa(z)coa!


Belo Horizonte, 31 de abril de 2010

Cúmplices,

Inicio esta, com um grande pesar no coração, parece-me que o tema que sonda nossos pensamentos é a violência, deve ser por estarmos vivendo esse caos mundial, esses tempos de guerra, e foi a partir daí, que me senti obrigado a escrever esta missiva a todos os que de alguma forma fazem parte de minha vida, em especial aqueles que não me conhecem, e sendo assim, não sabem o que penso referente a esse caos que assola a humanidade, não estou falando isso me referindo ao lamentável horror que vivem os povos em guerras, mas, não podemos também deixar de falar de tal situação vivida por esses povos e simultaneamente a nação mundial e é incontestável que toda guerra é absurda, mas a invasão a qualquer nações sem poderes defesas são as mais absurdas e covardes que se pode ter notícia.

A violência ocupa as principais manchetes, nas mais variadas formas de noticiários existente em nosso país, ela aparece hoje com uma força inigualável, dominante, disposta a atacar qualquer um que ouse contestá-la.

A morte está solta por aí, procurando vítimas para mostra-se poderosa, e mesmo que tentemos, nunca conseguiremos derrotá-la. Podemos dizer que essa seja uma das mais autênticas verdades, mas não é a única, existe outra que nos conforta o coração e que junto com ela trás um mundo de esperança, de novas possibilidades, a qual me dedicarei mais adiante.

Apesar de o medo estar nos dominando ultimamente, por sabermos que se está gerando no ventre do mundo, o desejo de vingança, retaliação, morte e destruição, devido ao elevado nível de conflitos armados, temos que fazer despertar em nós a consciência que devemos respeitar e valorizar a pessoa do outro, que é a aceitação da alteridade, para quebrar com o nosso etnocentrismo; seria ideal se todas as potências usassem seu poder, para erradicar a fome, o analfabetismo, e outras pragas que levam o desejo de vingança nos países famintos e oprimidos, o que tornaria sua grandeza maior ainda.

Temos o exemplo de várias personalidades, que tentaram despertar no coração da humanidade que somos capazes de romper com os sistemas dominantes, que destroem os seres deste planeta azul, para construir um sistema vivo onde reine o amor. E dentre tantos defensores e defensoras deste mundo reinado pelo amor, como: Madre Tereza, Dalai Lama, Padre Josimo, Ghandi, Zilda Harns, Buda, Chico Mendes, Dom Oscar Romero, Margarida Alves, Luther King, destacamos aquele pelo qual se realizou a salvação do mundo, Jesus Cristo, que mais do que ninguém nos deixou o exemplo da humildade, perdoando os que o condenaram, e nos deixando como tarefa o amor ao próximo, mas Cristo só conseguiu chegar tão alto, devido ao seu olhar, que como dizia o Príncipe Menino: “Só se vê bem com o coração”, e foi isso que Cristo fez e tentou nos ensinar, “olhar com o coração”, e essa lição deveria ser tomada como base fundamental de nossas ações.

Cristo experimentou a crueldade da violência, foi vítima da ganância dos homens, que por medo de perder o poder, armaram uma forma de condená-lo a morte, pois ele anunciava abertamente seu desejo de construir no mundo, a civilização do amor.

E a vontade dos poderosos foi cumprida, Cristo morre na cruz, mais uma vez a morte se faz presente com sua feroz potência, ela (morte) é a arma mais poderosa e eficaz que os sistemas dominantes possuem para calar a voz daqueles que se posicionam contra, e ameaçam o seu poder, lutando por um mundo mais igualitário. Mas Cristo não se deixa vencer por aqueles que o tentaram calar, e eis que acontece o inesperado, ele destroe, a mais eficaz e poderosa arma que usaram para eliminá-lo, e é com ele que nasce a outra verdade, a qual falei anteriormente, que conforta nossos corações, que é, a sua Ressurreição. Assim, Cristo não só vence a morte, como vence o sistema que o condenou, e incita-nos a fazer o mesmo, que não nos deixemos vencer por este sistema que está aí, que é herança daquele que o crucificou, comandado pelo olhar e desejo da ganância, do poder, do controle, e não pelo olhar do coração, que consegue ver a possibilidade de homens e mulheres, viverem em fraternidade.

E é acreditando na Ressurreição, e de que não há um sequer poder da morte, “nem mesmo um holocausto nuclear, que não tenha sido vencido” por ela (Ressurreição), que eu desejo a você e a sua família que sejamos Páscoa na Pá(z)coa!

É o desejo deste Pescador que ousa costurar palavras.
PAZ E VIDA LONGA!
Nota:
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Palavras costuradas em 15 de abril de 2003. Naquele ano os Estados Unidos invadiram o Iraque. A Invasão do Iraque iniciou-se no dia 20 de Março, a aproximadamente 25 dias depois eu costurei as linhas acima. A invasão se deu através de uma aliança conhecida como Coalizão, alinça entre os Estados Unidos da América, Reino Unido e muitas outras nações. O Kuwait foi o ponto de partida da ofensiva terrestre, realizada após uma série de ataques aéreos com mísseis e bombas a Bagdad e arredores que abriram caminho às tropas no terreno. Como as guerras e a violência parece que ainda sondam nosso cotidiano, resolvi fazer alguns remendos na costura original e postar neste espaço.

terça-feira, 30 de março de 2010

O que dizer?


O que dizer quando a beleza que encanta os olhos nos deixa mudo?

Como não sei,

Darei um sorriso

Um olhar sincero

Espero que isso traduza o que sinto aqui dentro.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Sí! ¿Como no?


¿Como no ser? ¿Si así soy?
Si delante de ti me veo a mi
Me veo más claro que el agua más clara
No veo la materia
Veo el alma, veo la luz
Veo el pasado,
Veo las sombras del futuro
¿El presente? Un milagro
Tú eres yo
Y Yo? ¿Quién soy?
¿Nadie? Quizás
Quizás, pero sólo quizás yo sea tú

Así mirame
Mirame como yo te miro
Mirame y no me veas
Mirame y vete a ti
Ve a tu alma en mí
Así, seremos uno
Uno en el otro
Seremos nosotros
Nosotros en el otro
Un nosotros sin lo otro
Un nosotros que es uno
Un uno que no es ninguno
Tampoco otro

Así, seremos apenas el amor

¿Amor?

Sí! ¿Como no?

sábado, 20 de março de 2010

A dança da igualdade

Venham cúmplices
Venham festejar
Festejemos com dança e muita alegria
Juntemos-nos aos mártires da caminhada
Juntemos-nos a quem lutou antes de nós
A quem gerou essa raiz
De gente forte e de garra
Que não precisa de mãos armadas

Vamos fazer a nossa luta a tanto sonhada
Vamos gritar o grito sagrado
Gritemos em coro, o grito de liberdade
Vamos por os pés na estrada e caminhemos rumo ao mundo novo
Pés que dançarão a dança igualdade
Juntemos nossas mãos calejadas
Mãos que batucarão o batuque da mãe Gaia
Ensinado por nossos antepassados, indígenas e afros

Na dança da igualdade ensaiaremos um passo novo
O passo da dignidade, numa dança em que todos são chamados
Com o passo ensaiado venceremos os erros passados
Edifiquemos uma terra sem exploradores ou explorados
O amor é a nossa bandeira, a fraternidade, nossa moeda
Sem fronteiras, seremos uma só nação e nunca mais falarão em [guerra
De cúmplices seremos chamados e não ouviremos sobre discriminação
De credo, etnia, gênero ou cor
Na tão sonhada: Civilização do Amor.

quinta-feira, 18 de março de 2010

É meu!


Estava eu sentado na beira de uma calçada
Olhando o nada, se é que no nada exista algo a olhar
Mas, entre o nada olhar e o tudo que não se vê
Continuei a olhar
Alguém, que para mim, sem importância
Parou, e a cena em que me enquadrava, estranhou
Talvez se indagando o que eu estava a olhar
Se ele soubesse,
A cena, a mesma, eu a olhar e ele a me olhar
Ele sem importância para mim
E eu já não era sem importância para ele
Ele, então, sentou-se ao meu lado
Juntos olhávamos
Os carros passavam e as pessoas nos observavam estranhamente
Carros de todos os modelos e marcas e...
De repente surge um Fusca vermelho
E num relâmpago de consciência, um grito
É meeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeu! Porra!
E uma gargalhada soou mais alto
Então gritei euforicamente: Perdeu otário...
Não consegui parar de rir
E ele disse: não vale, eu estava distraído
Então, ele que não tinha importância para mim teve sentido.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Presa em liberdade

Longe, mas nunca solta
Presa, mas nunca acorrentada
Prendo-te em liberdade
Livre, mas sempre perto
Acorrentada, mas nunca triste
Ficas por vontade
O amor não entristece
O amor alegra
Livre para amar
Solta para voar
Voar em busca de um coração também livre
De um coração porto
Que não seja de chegada e nem de partida
Seja um porto de companhia
Companhia amiga
Companhia sorridente
Companhia que dê as mãos
Mãos dadas que buscarão o infinito
O infinito céu...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Cumplicidade, afeto e decisão

Após receber uma carta de uma bela cúmplice escrevi o que segue, para orientar minha resposta tomei como referência dois fragmentos de tudo que ela me escreveu e considerei que poderia dizer, ou escrever algo. Hoje, ao reler tal texto, percebi que ele caberia a situações diversas por isso resolvi postá-lo aqui. Espero que a falta do conteúdo integral de sua carta não dificulte o entendimento de tudo que escervi, um bom exercício seria imaginar o que disso tudo serviria para mim? Enfim, tenha uma boa navegação.

“Não dei conta”

Esse início me fez pensar: o que virá por aqui? O que me espera nessas letras aqui organizadas? Resolvi, motivado pela curiosidade ir até o final na decodificação daqueles símbolos alfabéticos.
Deparei-me com coisas tão bonitas e tão corajosas, cheias de persistência, de garra, de determinação, de coragem, sim coragem, e, sobretudo, de sonho.
Sonho cultivado há tempos, sonho que vai além do visível, sonho que toca o essencial, que como diz o nosso Príncipe Menino só é possível ver com o coração.
Certa vez, um pescador escreveu: “O que dizer? Se as pessoas conseguissem escutar o que fala o coração, nada precisaria ser dito...”. Confesso que tenho feito esse exercício, mas não é nada fácil, e muito menos compreendido. Não dizer nada pode, muitas vezes, parecer descaso, mas acredito que muitas vezes o silêncio de um amigo, ou de um cúmplice, como prefiro chamar aqueles/as que me são raros, é a mais pura tentativa de escuta daquilo que está em nosso coração, então o silencio de um cúmplice é seu coração ouvindo e falando ao outro coração.
Então, o que dizer para além do coração? Afinal, somos seres em ascensão e ainda precisamos do som da voz de um cúmplice nos dizendo ao ouvido o que pensam sobre aquilo que inquieta a nossa alma, sobre aquilo que vem do coração, sobre nossos sonhos, sobre nossos projetos. Ainda mais, quando esses sonhos e esses projetos são elementos alicerçantes em nossa vida, pois, falamos de sonhos para a vida, falamos de projetos de vida. E, quantas coisas fazem parte disso!
A carta falou de muita coisa, de coisas grandes, de coisas profundas, daquilo que vem do coração, isso não é nada fácil, mas, você conseguiu e com muita beleza. Sendo assim, não diga, eu não consegui, pois, tenho visto que conseguiu muitas coisas e chegar até aqui, com tudo isso alcançado e com sonhos tão grandes projetados já é uma grande conquista. Deste conta e sem querer ou por querer, prestastes conta de tudo que foi feito e, com grande estilo até aqui. Você deu conta!

“Pensar nisto tudo isso, me leva a um choro tão profundo...”
Só choram os corações puros, os corações sonhadores. Muitos são os motivos que podem nos levar ao choro e talvez esse saber nos leve a chorar mais ainda, mas a certeza de que ele será acalentado faz radiar o sorriso encantador em nossa face. O choro traz consigo a materialização dos nossos sentimentos que entristecem ou alegram o coração, ora choramos de tristeza, ora choramos de alegria, quem olha e nos vê, pode não entender, contudo, nada precisa ser entendido, nessas horas precisamos apenas ser acolhidos, acolhidos no afago dos abraços amigos. A materialização trazida pelo choro são as nossas lágrimas e, o pescador certa vez disse: “Ela parece um nada; Tememos encontrá-la; Mas, ela chega e não pede passagem; Ela chega e invade; Não queremos que alguém a perceba; Isso parecerá fraqueza; E por mais que não se queira; Será melhor que ela apareça; Para que do fundo liberte; E nosso peito não mais aperte.
Creio nisso, será melhor deixar rolar as lágrimas, isso nos faz aliviar. O choro lava a alma e com uma alma lavada teremos mais forças para levar a vida, sonhar alto e projetar na concretude do dia-a-dia nossos sonhos. Você está sabendo como um bom pescador o melhor lugar no rio por onde deve enveredar com sua simples canoa.
Pensei em terminar por aqui, e deixar que o silêncio em mim, dissesse o que teu coração precisa ouvir, mas continuarei, continuarei usando as palavras do pescador, e com elas tentarei expor a voz do meu coração.
O pescador certa vez também disse: “a força de vontade já é um grande passo na superação dos obstáculos que surgem no meio do caminho”. Antes de tudo é isso que vejo em você, uma enorme força de vontade, vejo também ações concretas que vão em direção à realização de teus sonhos, de teu projeto de vida.
Você poderia me perguntar: mas o que você diz disso tudo? Eu responderia: o que eu posso dizer? Dizer que te quero perto, que fique? Não, não posso, isso é injusto, isso não seria amor, isso é posse, isso é egoísmo, não quero que deixe de mergulhar em águas mais profundas.
Sabe o pescador? Ele fez isso, saiu para além mar, e ficou encantado com tudo aquilo que viu e não quis mais voltar. Mas, ir além mar, o fez conhecer muitas coisas, dos mais simples ao mais nobre sentimentos, ele descobriu o que é o amor e a saudade, então percebeu que amava o seu rio e, pensar no rio que deixou para trás o trazia saudade, a saudade era tanta que chegava a sentir frio, foi quando percebeu que por mais longe que fosse do rio e de tudo aquilo que amava e que deixou para trás, estaria com. Pois, “a saudade é a manifestação da presença de quem amamos em nós”.
Contudo, apesar de estar com tudo aquilo presente dentro de si, viu que era necessário voltar de vez em quando para estar ali, junto de tudo aquilo que ele tanto amava, mesmo que fosse por uma rápida visitinha. Por isso, digo que vá, pois sei, que um dia, quando a saudade apertar e sentires frio, meu coração ouvirá o seu dizendo, vem aqui me aquecer, eu vim aqui te fazer uma visitinha.
Digo vá e que não se esqueça de tudo aquilo que o pescador um dia falou. Vá, siga seus sonhos e saiba que estarei aqui, sonhando contigo para que cada um de teus sonhos se torne realidade. Vá! Que estarei daqui falando ao teu coração, estarei daqui aquecendo o teu coração do frio que um dia por ventura venha a sentir.
E lembre-se, se for para parar, que seja para ouvir o que diz teu coração.
Um último retalho: sinto-me muito feliz em fazer parte de sua história e de estar incluído nesta nova etapa que se inicia. Rezo, torço, vivo e sinto as vibrações positivas que estão na essência de teus sonhos e de teu tão lindo projeto de vida.
Paz e Vida Longa!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O agir ético diante das novas descobertas (Uma breve reflexão filosófica?)

A grande questão posta diante das novas descobertas é se é possível agir de um modo ético diante delas. Se essa pergunta fosse feita a mim, não teria dúvida em dizer que sim, por mais esforço que isso possa exigir de alguém.

Antes de justificar minha resposta positiva, destaco que evitarei discorrer aqui com os aprofundamentos filosóficos que este tema merece e exige, pois, para tanto, necessitaríamos de algumas páginas para costurar as mínimas noções da ética, assim como da estética, conceituação importantes a ser considerada. Evitarei o aprofundamento filosófico, se é que isso seja possível, por considerar que muitos elementos acerca desta reflexão já estejam à disposição em diversos espaços virtuais como o é este blog. Outro elemento que me leva evitar tal façanha é a perfeitamente possível perca de direção, de caminho que um aprofundamento filosófico pode causar.

Basta-nos saber, por que, um sim, seria minha resposta. Responderia sim porque a ética não é estética, uma vez que creio na afirmação em que a ética esteja em constante movimento, pois, com esse movimento ela acompanha as novas descobertas e os novos tempos de acordo com as mudanças ocorridas. Sendo assim, é possível agir de um modo ético, mas, para isso, vejo como necessário que os sujeitos internalizem a teleologia da ética: agir visando o bem comum, e a partir de uma ética em vigor, utilizá-la para conciliar com as novas descobertas para, assim, iniciar uma nova ética, que por sua vez será base para outra.

Uma indagação me surge nesse momento: inserido nessa realidade de um veloz avanço da ciência e das tecnologias, qual é o grande desafio para se viver eticamente hoje? Não sendo simplista e muito menos ignorando a complexidade de tal indagação, vejo que o grande desafio está na administração e uso responsável, das novas tecnologias, técnicas e descobertas feitas pela ciência a favor do ser humano, e não para que sejam causa de sua destruição e extinção.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A terra da cumplicidade

O primeiro passo já foi dado
Agora mirarei o horizonte
Tentarei alcançá-lo
Olhar para trás
Não me negarei
Desistir? Jamais!
O horizonte, minha meta
A vida: o mar
Determinação, meu barco
Que usarei para navegar
Tempestade, medo e cansaço
Sede, insegurança e frio
Vozes e alucinações
E o horizonte ainda lá
Rezas de descrentes
Choro sem lágrima
E o horizonte?
Alegria sem riso
O fim é o mesmo
Ainda lá?
A morte o começo
E o horizonte, lá
Tropeço sem pedra
Vitória sem perdedores
E o horizonte ainda lá
De onde vieram tantos navegadores?
Da mística, alguém grita lá, do fundo
Já não estava mais só
Eram muitos
A gente formava o mar
O mar era a gente
O mar, gente!
O mar gente
O mar da gente
O horizonte o sonho
Sonho de vida nova
E o deserto não é mais o caminho
As águas nosso chão
Navegamos rumo ao sonho
De uma "terra" da irmandade
Sonho é movimento
O horizonte instrumento de navegação
Nada precisa ser dito
Nenhum sentimento permanecerá escondido
Na "terra" da cumplicidade
Tudo será percebido
Por nosso CORAÇÃO.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O Sal da lágrima

Dentro de cada pessoa, bem lá nas profundezas da alma existe um mar,
Esse mar é resultado dos rios da vida, de cada experiência que passamos
As experiências são memórias, lembranças
Enquanto navegam através dos córregos da alma
Essas memórias são como o aqui e agora
A cada descuido e elas brotam
Alguns chamarão esse brotar de lembranças que ocorre em nós de [nostalgia, outros dirão que é saudade
À medida que essas memórias vão se aproximando do mar
Elas vão escapando de nossa capacidade de trazê-las à tona
Alguns recorrerão a relicários,
À elementos palpáveis que possam trazer de volta aquele momento
Há quem tenha até baú de recordações, essas pessoas tem medo de [afogar-se nesse mar
Por isso, tentam guardar tudo fora de si
Mas, memórias, lembranças são vivas, é vida.
Não podemos segurá-la, não existirá relicário ou baú que as [conseguirão comportá-las
Chegará o dia em que essas memórias não serão tão presentes
Será quando elas se juntarem às milhões de memórias que formam o [nosso grande mar interior
O mar das memórias, um profundo mar de lembranças
Elas nunca se perdem, elas nunca desaparecem
Elas ficam lá mergulhadas naquele mar
E como são vivas, vez ou outra elas resolvem aparecer
Sem que menos esperemos, elas aparecem
E nos tiram o chão, nos fazem viajar, viajar no tempo
Sem que para isso necessitemos de grandes recursos tecnológicos
E nesse momento, sem que percebamos, as janelas dá alma se abrem
E derramam fragmentos de lembranças, de memórias
Uma gota de uma água salgada, uma gota de nosso profundo mar [interior
O nosso mar de memórias, de lembranças
É, a lágrima vem desse profundo mar, por isso ela é salgada.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Uma carta de Abelardo

Paris, 20 de novembro de 2003.
Heloísa, amor meu,
Sei que não estou proporcionando a você o que realmente você merece, em vez de dar-te alegrias percebo que cada vez e com mais freqüência fico te enchendo com intensas doses de tristeza. Não pense que isto não me afeta, pois sinto um peso enorme em saber que o maior causador de tudo isso sou eu, é por isso que muitas vezes tento fazer-te perceber que você também erra, não para acusar-te levianamente, mas para aliviar um pouco deste peso que eu mesmo criei.
Sei que errei e que o meu erro causou no nosso relacionamento, que já não era o melhor do mundo, um terremoto, terremoto este que abalou as estruturas naquilo que nós construímos, e no que eu tinha de mais precioso que “era” ou é o sentimento que você têm por mim. Se, já existia uma distância entre nós pela posição que hoje eu ocupo, após você saber desta imperdoável falha, que você, por amor, perdoou, apareceu a pior de todas as distâncias, a distância do teu sentimento por mim, distância que eu deveria mais do nunca tentar amenizar com freqüentes doses de carinho.
Não é fácil levar uma vida aparentemente normal, quanto não a temos e quando não estamos de “bem” com a pessoa que amamos, você fala que fico feliz quando saio com alguém, contudo você não leva em consideração o fato de eu estar apenas tentando amenizar uma dor que só você pode fazer parar.
Eu sou ou estou muito frio com relação aos meus sentimentos, um mal que não desejaria a ninguém, isso machuca muito por dentro pelo fato de tal atitude prejudicar nossa relação, pois o que menos quero é ser causador de mais sofrimento para você. Você deve saber como é. Esta é a maneira que venho usando para impedir que meu sofrimento de não poder assumir este relacionamento e dizer a todos que eu te amo, possa transparecer e eu venha a ter que dar explicações sobre o que estou sentindo. As pessoas aqui percebem isso e é a partir daí que me tacham de misterioso. Pois sabem que tenho algo que não é normal, mas, que não expresso.
O pensamento sobre o futuro é o que mais sonda sobre minha cabeça, sonda com tanta intensidade que acabo deixando de viver o presente, o que me faz viver num mundo de sonhos, utópico, mas quando penso em você como uma das poucas partes deste presente que eu desejo que esteja no meu futuro é que eu penso que o meu sonho já está a caminho de uma plena realização. É por isso que talvez pouco cobro de você. Sinto medo que você como parte concreta e real do meu sonho e parte presente do meu futuro possa se cansar de mim e me abandonar, o que me faria pensar que sonhos são: nada mais, nada menos do que apenas sonhos.
É doloroso saber que minhas atitudes tenham provocado em você este sentimento de repulsa a mim, meu desejo de te possuir é intenso, pena que não dispomos de lugares e tempo para que eu possa te sentir, te amar, transferir para você este desejo que pulsa dentro de mim, e assim fazer você voltar a acreditar que o que eu fiz foi um erro e hoje o que mais quero é ter de volta a tua confiança e assim vivermos nossa felicidade, sem pensar nas complicações, que muito nos impedem de viver os nossos momentos como se fossem os últimos de nossas vidas.
Do sempre teu... Amor...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Uma carta para Heloísa

Belo Horizonte, 07 de novembro de 2003.
Heloísa,
Fiquei preocupado com você depois daquele telefonema, sei o quanto deve estar sendo difícil para você estar perto da pessoa que você ama e não poder tê-la a ao seu lado. Contudo, isso não pode dominar o seu ser, pois você, eu e outras pessoas que estão ao seu lado, que convivem com você e te conhece, sabemos o quanto és capaz de dar a volta por cima e continuar a viver lindamente sua vida, e desta vez ao lado daqueles que sempre te quiseram bem. Uma vez escrevi algo que dizia assim: "Covarde é aquele que cai e não se levanta, por causa do seu medo, mas isso só acontece por esquecemos que Deus nos dá a força necessária para continuar a viver a vida como ela deve ser vivida".
Sei de sua capacidade de levantar, sei de sua coragem, não se deixe dominar por isso que você está sentindo, saiba que esse Deus que você tanto acredita e confia te ajudará a enfrentar esse momento de turbulência, e saber decidir o que realmente será melhor para você. Mas, para dar uma força nessa sua decisão colocarei aqui uma outra mensagem que faz um comentário a respeito das vezes em que nós aceitamos “cegamente”, o outro por medo de enfrentar esses momentos difíceis que você está enfrentando agora: “...Quando a nossa relação enfrenta aquelas turbulências em que parece que nada restará senão as lembranças e saudades de um tempo que passou e marcou em nossa vida, é que entendemos, ou melhor, aceitamos o que mais nos incomoda no outro, e sabemos que esta aceitação é apenas um meio de nos vermos fora destes momentos turbulentos que são nada agradáveis, e ao contrario de estarmos solucionando-os estamos apenas construindo uma bomba tão poderosa capaz de destruir um mundo, o mundo dos nossos sentimentos...”.
Não estou escrevendo isso para que você desista do seu amor, muito menos para te consolar através de palavras bonitas e falando de uma vida futura livre de dificuldades, não é isso, e sim para te ajudar a encarar esse momento de uma forma mais realista, racional, não que você deva esquecer dos seus sentimentos, mas que você saiba encarar esse momento de uma forma equilibrada sem deixar que o coração domine a razão e a razão o coração, mas Pascal dizia que: “O coração tem razão que a própria razão desconhece”, e talvez esse momento o seu coração tenha uma razão que nós desconhecemos, e eu escrevi “talvez” para dizer que isso é apenas uma possibilidade. E se você puder, evite construir essa bomba, e isso só será possível uma vez que você e, a meu ver, muito mais ele, saibam realmente o que é valorizar, respeitar, amar o outro, e assim um poder dizer paro outro o seguinte: “...Vamos impedir que se acrescentem mais elementos nesta bomba tão perigosa. Vamos tentar desconstruí-la, pois esta me parece está chegando ao ápice de sua construção. Já tivemos alguns alarmes de perigo e só os estamos camuflando, é preciso encontrar este fio de ligação, este botão que pode acionar esta bomba e devastar este mundo tão maravilhoso...”
Essa é a parte seguinte da mensagem que escrevi anteriormente, e nessa parte para você eu mudaria algumas palavras e acrescentaria outras e que ficaria assim: Vamos impedir que se acrescentem mais elementos nesta bomba tão perigosa. Vamos desconstruí-la, pois esta me parece que chegou ao ápice de sua construção. Já tivemos todos os alarmes de perigo e não iremos camuflá-los, já encontramos o fio de ligação, o botão que pode acionar esta bomba e devastar este mundo tão maravilhoso.
Agora é preciso recomeçar e de uma forma mais madura, e com cuidado para que não se repita esse episódio, e que vocês estejam realmente dispostos a desconstruir o que fez destruir. Mas, caso sua decisão seja outra, esteja preparada para encarar a saudade, e para ilustrar isso recomendaria a leitura do poema de Miguel Falabela que fala sobre a saudade. E em seguida um escrito de Charlie Chaplin, que fala da necessidade de se ter alguém ao lado, e que eu acredito que você já tenha. E se for para sentir medo que seja de sentir medo.
A distância serve para aproximar mais os amigos.
De seu eterno Cúmplice o Pescador que ousa costurar palavras.
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