Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.

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Eu sempre estive perto de você

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Entre ecos de vazios preenchidos

Hoje, acordei antes que o sol ameaçasse despertar, a brisa fria soprava suave e denunciava o vazio em minha cama. O vazio de uma companhia amiga, que fizesse com que as noites não parecessem tão mais longas do que o habitual. A cama com aquele vazio não parecia mais tão aconchegante como sempre foi e estava maior do que nunca.
Logo eu, que sempre dormir mais que a cama, não agüentava mais estar ali, não com aquele vazio. Levantei daquela cama antes que me perdesse no vazio em que me encontrava, então me dirigir até a janela de onde é possível ver o sol nascer, a cidade ainda dormia e todo aquele vazio parecia preencher toda minha existência.
Sentir-me sufocado e a cidade ali, inerte ao que acontecia comigo. Eu e meu vazio, o mundo e sua inércia, então pela primeira vez naquela manhã que insistia em não nascer resmunguei algumas palavras e por frações de segundos o vazio que estava protegido por um silêncio incessante foi quebrado por meu sussurro.
Então não suportando mais aquele vazio, aquela inércia, aquele silêncio, como um ato desesperado de liberdade, eu gritei: queria apenas uma companhia que me desejasse! Um eco em resposta disse, “queria apenas uma companhia que me desejasse!” Surpreendido com minha disposição, apenas ri. Fiquei sem saber o que dizer.
E o eco disse: “não é para rir!” E continuou: “perceba o que está por trás dos ditos e não ditos, muitas chances são únicas, elas passam e não voltam mais, por isso, atenção, leia as entrelinhas!”. Reiterou e me disse: “ao ouvir minha resposta você podia responder que eu poderia ser essa companhia se eu quisesse!”
Mais uma vez me vi sem voz diante ao eco que insistia em questionar meu grito e gritei novamente: se me visse entenderia que tua presença é mais que desejada! E recuperando o fôlego expliquei-me: meu riso solto é quando não sei o que dizer diante daquilo que me alegra a alma, encanta os olhos e acalenta o coração!
O eco parecia estar testando minha nobre paciência, tentando me pregar uma peça ao responder meu grito em vez de apenas repeti-lo, parecia estar certificando se eu queria de fato que meu grito ecoasse por aí, e alcançasse seu destino na mesma intensidade em que ele saíra de dentro de mim.
Aquele eco tinha algo diferente, mais uma vez, não repetiu meu grito, e dessa vez não me orientou ou me ajudou a perceber o que estar por trás daquilo que eu digo, do que eu sinto e, dessa vez ao me indagar parecia querer arrancar de mim o que eu não conseguia ver e disse: "por que eu precisaria ver? Você não sabe se expressar de outro jeito?"
Aquelas palavras ecoaram em mim, invadiram meu ser, então entendi. E, não consegui prender em mim aquele entendimento, juntei todas as forças que restavam em mim e gritei silenciosamente: há beleza nos gestos simples, eles marcam muito mais as lembranças do que sempre virá à tona na memória dos nossos eternos momentos felizes.
E o eco das minhas palavras que ecoavam dentro de mim e me fez entender, levou-me a perceber que eu deveria ir ao encontro da companhia que me desejasse e, em vez de gritar, levar pessoalmente minhas palavras e sussurrar ao seu ouvido meus gritos de amor e deixar que seu eco fosse interior.
E realizado sorrir ao perceber seu lindo sorriso ao ficar sem palavras ao me ouvir sussurrar ao seu ouvido minhas juras de amor. A cidade não estava mais inerte, o silêncio já não me incomodava mais, o mundo ganhou mais cor e a vida ganhou mais sentido e meu vazio foi preenchido. E minha cama... Isso é outra história.
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