Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.

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sexta-feira, 22 de março de 2013

Costura em Movimento - Encantadora de Baleias (Niki Caro)


Na Semana que o Costuras e Pescarias dedica suas publicações em homenagem à Mulher, apresentamos uma nova exposição em nosso atelier, o Costuras em Movimento, que pretende a exemplo das exposições sobre Costuras Musicadas e Costuras Encadernadas (a primeira onde tecemos comentários sobre canções e seus compositores e/ou intérpretes e a segunda onde tecemos comentários sobre livros e seus autores, onde em ambas tecemos um pouco de nossa relação com as mesmas e as motivações de postá-las), ser um espaço onde teceremos comentários sobre produções cinematográficas seguindo a mesma lógica das salas que citamos anteriormente.

Mas, por quê chamar esta sala de Costuras em Movimento, se vamos falar sobre Cinema? A ideia surge da origem da palavra “CINEMA”,  que vem do grego κίνημα - kinema que quer dizer "movimento". Assim Cinema “é a técnica e arte de fixar e de reproduzir imagens que suscitam impressão de movimento”. 

Feita a apresentação desta nova sala, falemos agora sobra a Costura em Movimento de hoje, que vem dar continuidade e finalizar nossas publicações acerca da mulher nesta semana. 

Assim, escolhemos para iniciar esta nova sala de exposição a produção Encantadora de Baleias, da diretora Niki Caroque conta a história de uma antiga tribo existente na Nova Zelândia, os Maori, uma comunidade que passa por um acentuado declínio, populacional e cultural, colocando em risco a continuidade de sua tradição e costumes. 

E, se deparam com um problema que coloca a sua tradição em questão. Pois, desde a chegada do primeiro Maori em Nova Zelândia, sempre tiveram como líder um homem, que descendiam diretamente de Paikea, o maori pioneiro, o grande domador de baleia, que teria chegado naquele local (Nova Zelândia), há milhares de anos, após sua canoa ter virado em cima de uma baleia e ele teria liderado seu povo ao local em que a tribo reside atualmente, cavalgando a baleia.

Num contexto em que o descendente mais recente de Paikea é uma mulher, Pai (Keisha Castle-Hughes) a tribo, ou o patriarca Koro (Rawiri Paratene), avô de Pai, se depara com um conflito, no qual vê-se tendo que reconhecer como um novo líder, uma mulher, se negando a isso, Koro, em vão, busca encontrar entre os meninos, aquele que seria o novo líder da tribo. Possibilitando a estes todo o ensinamento para que se tornassem um bom líder, enquanto Pai, descente direta de Paikea, por ser mulher é proibida de participar destes momentos.

Através da maravilhosa atuação de Keisha Castle-Hughes, que dá vida a protagonista Pai, atuação que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz, podemos ver a abordagem de assuntos que ultrapassam o conflito sobre a continuidade da tradição, o declínio de um sistema patriarcal, vemos a dificuldade de aceitação da capacidade da mulher assumir o lugar que tradicionalmente sempre foi ocupado por um homem.

Mesmo Koro vendo as tradições e costumes de seu povo sumirem lentamente, em um processo gradual e, quase brutal, envolvido pelas alterações culturais, se recusa aceitar que sua neta (Pai) seja a nova líder da tribo.

Pai, ama seu avô e seu maior objetivo é vê-lo feliz, além de manter vivo os costumes do povo maori. Ao ver Koro procurar um novo líder dentre os primogênitos da aldeia, e ter sido proibida de participar destes momentos. A menina inicia um aprendizado sozinha, escondida, tudo o que um líder maori deve saber e dominar, como a taiaha, por exemplo, que é um bastão de guerra típico dos maori, de uso exclusivamente masculino.Pai se esforça porque sabe que precisará mostrar seu valor ao avô.

E durante essa luta de Pai para que seu avô a aceite como nova líder dos maori, podemos transitar  por dramas pessoais que se desenvolvem concomitantemente à trama principal. “São histórias de pessoas que procuram sua identidade, que vivem de restos de lembranças, que se prendem ao passado de forma dolorosa”. 

A diretora Niki Caro, nos presenteia com esta produção, ao conseguir abordar temas tão delicados sem ser apelativa ou mesmo clichê, ao mesmo tempo em que nos faz se emocionar e rir sem perder o foco da trama.  Percebemos um fluir natural, de forma tranquila e propriedade do texto, que faz seus personagens atuarem de forma muito espontânea e real, suas histórias, as situações e seus sentimentos. Não se buscar arrancar sorrisos ou lágrimas, os personagens apenas vivem seu ato, e a cena acontece. Talvez, isso de dê pela despretensão de ser uma super produção que o torne tão bom.

Em Encantadora de Baleias, para além da triste abordagem sobre a real possibilidade de extinção de um povo, ocasionados por diversos fatores - que em nossa sociedade atual, se torna tão recorrente, quando olhamos para nossos povos tradicionais-, encontramos a figura da mulher, sua invisibilidade, sua desvalorização, seu lugar sempre a margem. E, a luta de Pai, é a luta de muitas mulheres que buscam seu reconhecimento, sua valorização e seu real lugar na sociedade, mesmo que para isso seja preciso romper com tradições e costumes.

Ficamos por aqui e esperamos que possam aproveitar o final de semana para degustar desta bela Costura em Movimento, fazer a sua avaliação e postar aqui o seu comentário.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Unicamente Mulher

O que seria a minha vida sem elas?
O que seria da minha história sem elas?
Hoje não queria apenas homenagear,
Não queria apenas agradecer,
Mas, quero dizer, que de onde eu estiver,
E enquanto me restar o mínimo de força,
Colocarei meu ser em tua defesa Mulher,
Na defesa de tua luta e teus direitos,
Direito ser unicamente mulher
Nem maior, nem menor,
Apenas MULHER,
Pois, eu não cansarei em anunciar,
Que eu nada seria sem a teu ser,
Faço da tua luta, minha razão,
E em minha vida, em minha história,
Encontro a tua força e a tua beleza de ser Mulher,
São tantos exemplos e inspirações,
Minha gratidão será eterna,
Mulher! Algumas eu tive a graça de conviver,
Outras nunca saberão da minha existência,
E seja de perto ou de longe,
Eu as admiro e bendigo cada uma delas,
E eu lhes serei eternamente grato,
Mulher! Que ao seu modo me ajudou a crescer,
Crescer como homem e, me ajudou a ser forte,
Forte e sensível na luta diária que travamos para sermos HUMANOS.


One Woman "Uma Mulher"


Sobre a Costura Musicada - "Uma Mulher" (Uma Mulher): No último Dia Internacional da Mulher, dia 8 de Março, a Organização das Nações Unidas - ONU, lançou esta costura musicada, uma canção para a ONU Mulheres, que é uma celebração musical das mulheres no mundo, a canção ganha vida com a participação de mais de 20 artistas de diferentes nacionalidades. E este é o primeiro tema musical criado para uma organização das Nações Unidas. 

Pela beleza que esta costura musicada carrega e pela semana que estamos passando no Costuras e Pescarias e por considerar uma aproximação com o poema do pescador resolvemos postá-la nesta semana, mesmo não sendo hoje dia de costuras musicadas. E isso se faz também como forma de reforçar essa luta que apoiamos e defendemos e que a ONU Mulheres tem como elemento sustentador. 

terça-feira, 19 de março de 2013

Costura Encadernada - O Segundo Sexo (Simone de Beauvoir)


Na Semana da Mulher no Costuras e Pescarias, a Costura Encadernada que apresentamos hoje é O Segundo Sexo, que foi tecida por uma das mulheres que tanto admiro, Simone de Beauvoir*.  Feminista, foi uma grande costureira (escritora) e ensaísta e é considerada uma das maiores representantes do pensamento existencialista francês. Ela fez parte de um grupo de filósofos-escritores associados ao existencialismo - movimento que teria enorme influência na cultura européia de meados do século passado, com repercussões no mundo inteiro. Nasceu em Paris/França aos 9 dias de janeiro de 1908. Ainda jovem ingressou na Universidade de Sorbone, na qual cursou Letras e Filosofia. Simone de Beauvoir é considera uma das costureiras mais influentes do ocidente. Seu pensamento discorria sobre questões ligadas à independência e autonomia feminina e o papel da mulher na sociedade. Sua obra também tratava da luta feminina e as mudanças de papeis estabelecidos, bem como a participação nos movimentos sociais. E em 1949 publica “O Segundo Sexo” (Costura Encadernada de hoje), pioneiro manifesto do feminismo, no qual propõe novas bases para o relacionamento entre mulheres e homens e, das suas Costuras Encadernadas, é a que melhor condensa suas experiências.

Sobre a Costura Encadernada - O Segundo Sexo: esta costura é um estudo  sobre a mulher na sociedade, publicado numa época em que a mulher já estava começando a se libertar do jugo machista, mas que ainda encontrava diversos obstáculos. No Brasil esta costura foi publicada dividida em dois volumes: o primeiro com o sub-título: Fatos e Mitos e o segundo: A Experiência Vivida.(você poderá baixar os dois volumes clicando nos títulos) Nessa obra, nossa costureira de hoje apresenta uma análise, histórica, social, psicológica e biológica sobre o papel da mulher na sociedade, negando completamente idéias  e estudos que  tratem de uma suposta natureza feminina. 

Esta Costura é riquíssimo em informações, análises profundas e bem fundamentadas, numa tentativa exaustiva de mostrar que o "ser mulher" é algo construído histórica e socialmente, tanto quanto a submissão dela  em relação ao outro sexo. Simone de Beauvoir se propos desconstruir a tese do "instintos biológico feminino", uma vez que o pressuposto natural e imutável é questionável e para nossa costureira de hoje inaceitável e eu concordo com ela. Assim, podemos reafirmar que “não se nasce mulher: torna-se”, ou seja, uma condição culturalmente construída. 

A ideia defendida por muitos de que foi a “natureza inferior” da mulher que a teria definido como o segundo sexo é totalmente refutada por nossa costureira, e ela defende que ao invés disso foi a invisibilidade histórica da mulher que a teria colocado neste lugar, ou neste “não lugar”. E para ela (Simone de Beauvoir), a saída da mulher, desta invisibilidade histórica, das suas diversas funções exercidas socialmente que sempre se estabeleceram em relação ao lugar do homem na sociedade, só se daria através de uma formação de consciência autônoma e liberdade econômica. Assim, a mulher conseguirá ser livre e ter autonomia plena sobre seu corpo e sua vida em si.

Como não temos a pretensão de esboçar análises profundas sobre as Costura Encadernadas apresentadas aqui, e sim breves comentários gerais sobre as obras, com o intuito de despertar o interesse sobre as mesmas, paramos por aqui. Mas, fica o desejo e a esperança que tenhamos despertado o seu interesse de conhecer mais sobre esta Mulher, seu pensamento e de modo especial, sobre sua costura que hoje apresentamos, uma vez que é considerada a que melhor condensa as experiências de Simone Beauvoir. E também esperamos ver aqui os comentários acerta desta costura que foi um pioneiro manifesto feminista, ao questionar a o relacionamento entre mulheres e homens e porpor novas bases para esta relação.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Costura Musicada - Protagonismo Feminino (Graça Figueiredo)


Nesta semana o Costuras e Pescarias fará uma homenagem às mulheres, e iniciaremos a semana com a Costura Musicada Protagonismo Feminino de autoria e interpretação de uma mulher, a Instrumento Poético Maria das Graças Figueiredo da Silva Mendes*, ou unicamente Graça, para os mais chegados. Negra, surgiu para a vida nas terras quentes de Imperatriz/Maranhão aos 16 dias de fevereiro de 1981. Graça milita na defesa dos direitos da juventude e da mulher, e de maneira muito especial tem atuação junto a Pastoral da Juventude, na qual integra o grupo virtual intitulado Artistas da Caminhada que reúne artista do país inteiro comprometidos com as causas populares e de maneira especial com a juventude. Suas costuras musicadas carregam essa marca de luta e garantia dos direitos e vida digna para a juventude e para os empobrecidos/as.

Sobre a Costura Musicada – Protagonismo Feminino: quando ouvi pela primeira vez esta costura musicada algo que encantou foi o chamado feito a juventude para ver a força que cada mulher possui e que na força de ser mulher existe muito mais do que é conhecido e que é preciso reconhecer e valorizar a força que a mulher traz em seu ser, sua luta e sua história. Mas, desta vez, considerando o propósito de homenagear o ser mulher, o “Costuras e Pescarias” buscou saber da própria compositora os meandros desta costura musicada, assim nos calamos para ler o que costurou Graça sobre sua bela canção que apresentamos hoje, neste dia de costura musicada em que iniciarmos nossa semana dedicada as mulheres. 

O processo de composição da música “Protagonismo Feminino” se mistura um pouco com as motivações que existem num contexto pessoal, social, e grupal, desde a ampliação do meu lugar como mulher  no mundo, a sociedade, num contexto de eleição para presidência, e o processo de formação de animação aos grupos de jovens da Pastoral de Juventude, pela assessoria e pelas as atividades permanentes das pastorais de juventude.

O meu lugar no mundo começa com a retomada da minha história como mulher, do meu caminhar pelo mundo, do papel das mulheres na minha vida, do sinal de resistência que representam pra mim.  Depois, o processo desencadeado pelas eleições de 2010, nas quais duas mulheres eram as candidatas à presidência da república, das leituras provocadas na época e que passavam despercebidas na sociedade quando se fala das mulheres. Uma delas é a questão da moral, sempre quando se fala de mulher, a questão da moral vem em primeiro plano, seja para exaltá-la ou para rebaixá-la, questão vivida nas eleições, que me causou muita indignação e me despertou para escrever. Ver a vitória da Dilma foi inspirador, tanto que terminei a música no dia da posse dela, em Brasília.

Também sempre tive um olhar diferenciado para as mulheres da bíblia. Nunca gostei da visão na qual Maria é apenas aquela que guarda tudo no coração em silêncio, mas sim como uma Maria que Grita no Magnificat: “derrubou dos tronos os poderosos e exaltou os humildes”. (Lc. 1,52) Nessa Maria eu me inspiro, ela sempre me encantou assim como a presença de Miriam que canta: “Minha força e meu canto é o Senhor” (Javé é minha é minha força e meu canto, ele foi a minha salvação, Ex. 15, 2) sempre cantei esses cânticos com muita força. A força trazida dessas mulheres que diziam e falavam muito mais do que apenas uma voz forte, traziam a vida de um povo inteiro com elas. Essa presença de mulheres fortes, numa sociedade que não as reconhecia, me trazia à memória mulheres que esta sociedade não reconhece em situações diversas.

Mas esse olhar não veio do nada, um pouco se deve à formação humana que tive na casa das Irmãs Missionárias de Ação Paroquial,  e às leituras teológicas que já fiz, uma delas diz respeito às “sensibilidades teológicas”, que Sandro Gallazzi explicita nos seus escritos sobre estudos bíblicos, sensibilidades teológicas que Sandro se refere às mulheres, são elas que são capazes de revelar o Deus dos oprimidos porque falam da sua experiência. Sandro Gallazzi é um especialista bíblico que escreve sobre as mulheres na bíblia, ele e sua esposa Ana Maria Rizzante Gallazzi dizem muito bem dessas mulheres em vários escritos do CEBI (Centro de Estudos Bíblicos)

Como militante da PJ e assessorando muitos grupos de jovens percebia a militância dessas mulheres de luta, no dinamismo, na criatividade, nas lideranças pelo qual também muitas vezes estive junta e refletindo o tema do DNJ deste ano e imbuída da mística dessas mulheres no meu corpo, senti vontade de escrever sobre essas experiências. Por isso falo na letra não do que ainda nos falta conquistar e sim do que já temos e somos, porque reconheço um lugar na sociedade e sei desse lugar com as alegria e marcas que é ser Mulher. Por isso mesmo, até o ritmo entra nessa dinâmica para dizer de forma livre que temos um jeito de ser... que levamos a vida com garra, fé, coragem, beleza e isso é ser mulher, não precisa ser negado como “pecado”, como algo que sempre tem que ser redimido, nada disso.

Por isso, trouxe: Ester Susana e Judite, para dizer a certos grupos da sociedade, porque não dizer de certas religiões – que às vezes não dizem, mas explicitam que a mulher tem que negar a beleza para ser... sei lá o quê... –  que tudo isso é uma obra divina, dada pelo nosso criador e que não deve ser negado, pelo contrário, deve ser valorizado como graça e dom...  essa dádiva divina é força, que faz o povo se organizar com criatividade e quebrar as racionalidades de quem acredita já está no poder,  por isso, faz a transformação. São essas mulheres que quando o melhor é vender, preferem urgir, quando o certo é serem submissas subvertem o poder para a morte e preferem a vida do povo, são essas mulheres que quando se esperam delas a obediência cega, fazem da visão e da audácia uma vida livre com sentido, consciência e doação... Isso é muito inspirador e me fez escrever uma parte daquilo que acredito ser uma vida com protagonismo, com protagonismo feminino.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Na simplicidade está o segredo da felicidade


Aquela manhã o dia pareceu-lhe incomum, como se fosse possível isso acontecer, como se houvesse dias comuns. A noite o abraçou como se soubesse de algo que ele ainda estava por descobrir. O sol pareceu-lhe o mais belo de todas as suas lembranças. O vento e a brisa oscilavam entre o frescor, o frio e o calor. Sentia um perfume que pairava pelo ar que não sabia de onde vinha e o fez viajar no tempo. Reviveu muitas de suas memórias adormecidas, perfumadas por um conjunto de aromas suaves. Entre risos, sentiu sua face molhar com uma água salgada que brotava da janela de sua alma e vinha de seu mar interior.

Parecia que tudo resolveu lhe visitar naquela manhã. As árvores pintavam um verde que lhe lembrou dos olhos de alguém, que aquele momento não fez diferença, a beleza daquele verde bastava em si. Nunca tinha visto flores tão coloridas como percebera naquela manhã ao passar por elas. E ali descobriu a origem de tão variados perfumes que o fez chorar sorrindo. Questionou se aquelas flores com aquele perfume tão intenso sempre estiveram por ali, por seu caminho. Ou o que o levara a notar aqueles perfumes tão intensos e aquelas cores vibrantes das flores, que pareciam borboletas repousando de suas tarefas diárias de colorir o vento. Aproximou-se e espantou-se quando viu aquele belo panapaná, multicor, que sua presença fez sair voando do meio daquelas flores e pintaram o vento. Sentiu-se extasiado com visão tão bela e simulou ser um pintor a pintar o ar e riu. Riu de si mesmo, de sua ação delirante e insana.

Ação insana para quem passava por ele e o via a agir sem se preocupar com a censura dos olhares, escravos da padronização da sociedade. E ele, pela primeira vez, sentiu uma sensação de liberdade, mesmo sem pensar sobre o sentido dela, bastava o que seu corpo dizia sentir. Sua manifestação livre e desprendida dos padrões sociais deixava quem passava por ele deslocado a questionar o que viam. Mas, com medo do que encontrariam como resposta, preferiam chamá-lo de louco. Assim são chamados quem decide seguir as vontades do corpo e esquecer as construções racionais (regras) que nos limitam, nos escravizam ao nos impor como devemos agir. O corpo não mente, a mente pode até tentar, mas o corpo denuncia. Hoje, estamos tão acostumados aos padrões sociais que não conseguimos perceber as reações de nosso corpo quando algo nos tira a liberdade. Se soubéssemos ouvir o que o corpo nos diz, conseguiríamos perceber quando não estamos sendo verdadeiramente livres.

Aquelas pessoas não percebiam, mas seus corpos queriam juntar-se àquele corpo que simulava um pintor e que ao pintar o ar parecia mais uma coreografia, parecia dançar ao som de uma canção que só ele ouvia. Existem canções que só os corpos percebem, mas só alguns, livres e sem amarras, e só esses deixam se envolver por elas e assim entram na dança. Eis uma expressão de liberdade, dançar ao som que não se ouve. Os corpos são essencialmente livres, mas a racionalidade humana os fizeram escravos. O corpo dele, naquela manhã, quebrou os grilhões que o prendia e iniciando com o movimento coreografado de quem pintava o ar, começou a dançar.  Dançou ao som da melodia mais bela, dançou ao som da liberdade, acompanhado por aquelas flores voadoras, aquele panapaná com suas cores vibrantes e que deixavam o seu balé mais envolvente. Algo que ele não sabia explicar o envolvia e o deixara leve, a agir como se estivesse sendo levado pelo vento, a sentir-se vento.

Seu sorriso estava contagiante, quem o via desejava estar ali, junto a ele, experimentando sua felicidade insana que contagiava quem dele se aproximava, simulou um ciranda que fez alguns dos passantes juntar-se a ele e enquanto dançavam, a chuva o veio visitar como que para abençoar sua capacidade de levar o riso à vida de quem há muito não sorria. A chuva veio lavar o preconceito de quem ainda relutava entender que a liberdade não é loucura e abençoou quem se juntara àquela dança de alegria, àquela ciranda do respeito à diferença e do riso presente. Ela veio se fazer presente nesta cerimônia que ele ainda não sabia do que se tratava. E já findava o dia quando ela foi embora, veio se fazer presente  e dizer-lhe que estava junto em seu breve propósito de anunciar que o fruto da liberdade é a felicidade. “Breve propósito”! Repetiu ele ainda sem entender tudo que estava acontecendo.

Ainda dançavam quando surgiu no céu um lindo arco-íris, que com suas cores vibrantes dizia que não podia deixar de comparecer em uma despedida tão linda. Despedida? Todos se entreolharam sem entender o que aquele sinal queria dizer. “Despedida!” Repetiu ele que começava a entender tudo que acontecera em seu dia e por ter tido um dia tão magnífico. Todos ainda sentiam uma força superior que os envolviam no mesmo sentimento de amor. Então o arco-íris partiu, deixando em evidência um céu límpido e de um tom de lilás jamais visto, que lentamente foi escurecendo, e sol, lá no horizonte, enviava uma luz hipnotizante e parecia não querer ir, mas não podia ficar e, de longe, ninguém viu, mas o sol chorou por ter que partir e deixá-lo ali. A noite voltou com todo seu mistério e desta vez mais misteriosa do que nunca, mas ele já percebera o que aquele dia o reservara, sentia no profundo de sua alma o motivo de aquele dia ter sido tão diferente. Então ele, olhando cada mulher, cada homem, cada criança e cada ser que esteve com ele naquela dança, disse: “chegou a hora, já sinto a presença dela, sinto que, hoje, ela se aproxima de mim”.

Na verdade, todos os dias de sua vida tinham sido assim, ele só nunca o percebera, pois para ele sorrir e fazer o bem nunca foi  algo extraordinário, sempre fora uma prática cotidiana. E naquele dia, o cosmo apenas o fizera perceber o valor de sua vida de simplicidade, de amor e cuidado com os seres da terra. A lua começou a ocupar seu lugar na órbita terrestre e as primeiras estrelas começaram a iluminar o céu e ele a se maravilhar com o que via e disse: “cada ser tem sua estrela que brilha através dos sorrisos que damos ao outro sem que para isso precisemos perdê-lo, pois o riso não se subtrai quando o damos, o riso se multiplica e torna a vida mais bela”. Como gesto de agradecimento por ter uma presença tão sublime ali, todos o abraçaram, num abraço que transmitia bem querer, aconchego e paz. E, em meio aquele abraço, olhou o céu e rio para a lua que lhe sorria, e agradeceu os milhões de risos das estrelas que também vieram fazer presença no dia do seu encontro mais esperado.

Em meio aquele gesto de amor de cada pessoa que entrou na ciranda, em que a lua e as estrelas vieram iluminar seu encontro tão esperado, seus olhos transmitiam uma esperança penetrante, esperança na humanidade, esperança que a realização de um mundo melhor é possível.  Olhando cada rosto que estava ali a lhe abraçar, pronunciou as seguintes palavras: “Amada morte, será hoje nosso encontro mais profundo? Ou queres apenas um beijo meu?” Questionou já sabendo a resposta, e acrescentou: “Diante de ti, resta-me apenas, entregar-me”. E expressou o sorriso mais belo que um ser humano fora capaz de expressar, por saber que aquele encontro era sinal que sua missão tinha chegado ao fim, e sorrindo fechou os olhos e adormeceu, nos braços daquela ciranda de amor.

E todos que ali estavam não choraram, foram preenchidos por uma alegria nunca sentida. Todos se admiraram quando a luz do luar e das estrelas concentrou-se sobre o corpo dele que era aconchegado naquele abraço coletivo. E como mágica seu corpo converteu-se em pura luz e espalhou-se no ar, e todos se viram abraçados como se estivessem assinando uma aliança de amor.  E então souberam que aquela presença era o amor que se fez humano para nos ensinar que na valorização das coisas simples, do cuidado com o próximo e com a natureza está o segredo da felicidade. E a maré que passou o dia inteiro agitada acamou-se e recolheu suas ondas deixando que aqueles raios de luz iluminassem suas águas.


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Costura Musicada: Circo da Alegria (Atchim e Espirro)



Hoje é dia do Palhaço e para homenagear este personagem sinônimo de alegria, publicamos neste dia, que também é dia de Costura Musicada, a canção Circo da Alegria, de Atchim e Espirro, uma dupla brasileira de palhaços que emplacou diversos hits durante a década de 1980 e que se separaram em 1989. Após um hiato de 12 anos na carreira,  a dupla retomou os trabalhos em comercial viral de uma marca de remédios para gripe. Fazendo com que quem teve a alegria de dançar com os versos desta costura musicada, recordasse com saudosismo sua infância.

Sobre a Costura Musicada: Circo da Alegria - se existe uma canção que sempre me veio à tona, nas minha recordações da infância, foi Circo da Alegria. Por diversas vezes me peguei cantando esta canção em momentos mais variados e diria até impróprios, mas sempre foi motivo de risos e alegria. Talvez seja pelo amor que tenho pela arte de fazer sorrir.

E hoje, quando pensei em postar uma canção em homenagem ao dia do palhaço, a primeira canção me veio a mente, adivinha qual foi? (risos) Mais do que fazer parte do meu imaginário infantil, a escolhi para postar no dia do palhaço, por ser de autoria de uma dupla destes personagem que fazem parte do imaginário alegre de tantas pessoas, e que apesar de não apresentar no seu título o nome Palhaço, a canção Circo da Alegria ao meu ver, mais do que falar do circo, lugar que geralmente se vinculam os palhaços, ela é uma homenagem a este personagem, que apesar ser a atração indispensável no picadeiro (circo), atua também em espetáculos abertos, de rua, em teatro e até em programas de televisão, como foi o caso dos nossos palhaços costureiros de hoje. 

E para não alongar demais nossa costura de hoje, e perder a graça no dia palhaço, fico  por aqui. 

Paz e Vida Longa! 

Antes uma pergunta: Hoje tem palhaçada? E o palhaço o que é? 

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Costura Encadernada - O Menino Marrom (Ziraldo)


Neste dia dedicado a Consciência Negra, a Costura Encadernada que trazemos é O Menino Marrom do multi costureiro Ziraldo*.  Nosso costureiro de hoje é mineiro de Caratinga, nascido no dia 24 de outubro de 1932, é colunista e jornalista brasileiro e multi artista, tendo ótimas habilidades como cartunista, chargista, pintor, dramaturgo, caricaturista, escritor, cronista, desenhista e humorista. É um dos escritores infantis do Brasil mais conhecido e aclamado. É pai de um dos personagens mais famosos da literatura infantil brasileira.

Sobre a Costura Encadernada - O Menino Marrom: através da amizade entre dois meninos, são apresentadas reflexões sobre o cultivo da paz e bons sentimentos.  Com uma abordagem “simples” e divertida, pontua através da convivência aventureira entre o Menino Marrom e o Menino Cor-de-rosa temas como diferenças humanas, a separação de pais, a adoção, a deficiência física e preconceitos étnicos e raciais. A busca pelo o “por que” das coisas serem como são, torna a história destes dois amigos uma instigante costura. 

Esta é uma daquelas costuras que vai envolvendo a gente, nos deixando sem ar ao nos apresentar novas formas de ver o que estamos acostumados a ver apenas por um prisma, o prisma do preconceito, de certa forma nos faz repensar sobre o como estamos vivendo nossas vidas e sobre a importância do olhar despreconceituso - comum nos olhares infantis. Creio que essa seja a grande lição: viver o despreconceito. Por isso, escolhi esta costura para o dia da Consciência Negra, que por mais que possa não ser essa intenção inicial de Ziraldo, a costura nos ajuda a refletir sobre o respeito às diferenças humanas, e de uma forma leve, prazerosa e, sobretudo, perspicaz, aborda o preconceito étnico e racial tão recorrente em nossas relações, se tornando uma ótima ferramenta para trabalhar estas questões com os pequenos ou mesmo gente grande.

Termino por aqui, meus comentários, na esperança que mais gente grande possa contemplar esta costura que está classificada como literatura infanto-juvenil, que mesmo com essa classificação apresenta grandes lições e nos dá alguns tapas-de-luvas. Adquira a Costura e tenha uma boa aventura com a história da amizade entre o Menino Marrom e o Menino Cor-de-rosa. Paz e Vida Longa!

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Costura Musicada - Versos Simples (Tati Portella/Chimarruts)



São os ventos do sul que mais uma vez trazem nossa Costura Musicada. Com Versos Simples da banda Chimarruts, começamos nossa semana. É uma composição de Cassiane Silva e Richardson Maia, que nesta canção nos mostram suas habilidades na arte da composição musical, sem contar a poética encontrada e elemento marcante em suas composições. Quem dá vida à canção é Tatiana Portella (Tati Portella) com sua voz suave e aveludada que harmoniza e torna nossa costura musicada de hoje uma canção marcante. Chimarruts é uma banda brasileira que tem como estilo musical o reggae, surgiu, nasceu ou aconteceu nas terras do sul, no Rio Grande do Sul no ano de 2000. Com uma formação inicial só de homens, posteriormente, em 2001, Tati Portella, nossa voz de hoje, foi convidada a integrar o grupo e até hoje, através das costuras musicadas da Chimarruts nos agracia com sua doçura ao cantar.

Sobre a Costura Musicada – Versos Simples: além do estilo que faz parte dos que me fazem não ficar parado, sobretudo na dança de troca de perfumes, a costura musicada traz um gosto de saudade, pelo tempo em que pude curti mais intensamente este estilo musical, dos cúmplices que viveram isso junto comigo. E, além disso, por fazer memória da partida para o outro plano de uma das rosas negras que cultivei em meu jardim, falo do grande cúmplice Gisley, que se estivesse vivendo neste plano, no último sábado, dia 17 de novembro, completaria 35 anos de vida.  Para fazer um vídeo em sua homenagem, após sua partida foi essa canção que encontrei para dizer o que sentia, já que por não saber o que dizer ou como dizer, só me restava “meus versos simples, mas que fiz de coração. O vídeo está acessível nos seguintes links: Uma Singela Homenagem: Gisley - Uma Alma Rara no próprio Costuras e Pescarias e no canal do You Tube com o título Uma Singela Homenagem. Hoje, é impossível para mim, ouvi-la e não lembrar dessa grande alma que tive a graça de com-viver. Esse dias o frio tem sido intenso e a irmã morte me olha sorrindo.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Costura Encadernada - A verdadeira história do Pequeno Príncipe (Alain Vircondelet)


A Costura Encadernada de hoje é A verdadeira história do Pequeno Príncipe, de Alain Vircondelet. Nosso costureiro de hoje estudou literatura e filosofia e é mestre conferencista no Instituto Católico de Paris. Renomado biógrafo, entre suas obras que o consagraram estão as biografias de várias figuras importantes da literatura, das artes e da espiritualidade cristã: Blaise Pascal , Charles de Foucauld, João Paulo II, Casanova e sobre o Pai do Príncipe Menino - Saint-Exupéry. Arrisco dizer que Alain Vircondelet é o maior especialista em Exupéry. Outras costuras que envolvem Exupéry estão Saint-Exupéry: Verdade e lendas; Consuelo e Antoine de Saint-Exupéry: Uma história de amor; Foi Antoine e Consuelo de Saint-Exupéry e Saint-Exupéry: História de uma vida.
Para desenvolver a costura que apresentamos hoje, Alain Vircondelet fez um mergulho na vida de Saint-Exupéry durante seu exílio em Nova York, período em que a desesperança tomou conta de Exupéry. Vircondelet contou com ajudas singulares para sua costura, tendo apoio de pessoas que conviveram de perto com Saint-Exupéry. Destaque para aquela que fora considerada uma das protagonistas mais influentes da vida e obra dele, Nelly de Vogué. Ela "fora a sua amiga do coração, sua confidente". Além dos acessos aos arquivos da esposa de Saint-Exupéry, Consuelo de Saint-Exupéry, figura forte, delicada e talentosa, a Rosa do Pequeno Príncipe.

Sobre a Costura Encadernada: A Verdadeira história do Pequeno Príncipe – nos revela um Exupéry pouco conhecido, e até difícil de se imaginar, sobretudo para quem já se deliciou com sua costura encadernada O Pequeno Príncipe, que para muitos dispensa comentários e que neste momento não cabe fazê-los aqui. Esta costura encadernada nos revela o homem que está por trás de uma das personagens mais puras da literatura mundial. Deixando de lado alguns equívocos de tradução e até de português, é uma obra envolvente e que nos faz mergulhar nos detalhes pouco conhecido deste que é um dos meus costureiros preferidos. 
Esta costura nos permite ter acesso a informações reveladoras sobre o que cerca a costura do Príncipe Menino, dedicações, homenagens e inspirações por trás de cada retalho que compõe essa que é uma de suas maiores costuras. À medida que aprofundamos na costura podemos perceber os conflitos existenciais vivenciados por Exupéry e que o influenciaram em sua trajetória de costureiro de palavras. Vircondelet desnuda as insatisfações com a vida adulta que Exupéry sentia, o que o torna um aventureiro em busca de sentido para a sua vida, uma busca pela por sua criança perdida, que se encontrava dentro dele mesmo, em sua mente e corpo de adulto.
Tal busca, o fazia deparar-se com a depressão, melancolia e pela tristeza diante do seu ser da infância, agora perdido e ainda a finitude da vida.  A costura nos apresenta como nasceram o Príncipe Menino, a Rosa e a Raposa e como a costura que envolve essas personagens envolveram Exupéry no seu período de exílio em Nova York e o livrou da desesperança que sentia. 
Hoje, fico por aqui, espero que gostem do que vão encontrar nesta costura que apresentamos. Paz e Vida Longa!

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Costura Musicada - Cuida de Mim - (Fernando Anitelli)



A Costura Musicada de hoje é Cuida de mim de Fernando Anitelli, que dispensa apresentação por ter sido apresentado na última costura musicada postada aqui. Mas, vale destacar o projeto ao qual a canção de hoje está vinculada, que faz parte do primeiro álbum do projeto Fernando Anitelli Trio, que é o projeto solo de Fernando. Seu álbum solo tem a mesma qualidade do que conhecemos com O Teatro Mágico, o que já era de se esperar, mas nessa proposta se apresenta sem as fantasias e a maquiagem. Despido desses adereços, o músico se abre para um novo caminho. 

Após anos se apresentando com a trupe d’O Teatro Mágico, Anitelli se mostra com uma nova personalidade, mas com a mesma qualidade e mantendo a mesma mensagem poética de suas costuras musicadas. 

O trio tem como objetivo trazer à tona as músicas de autoria de Fernando perdida pela internet, letras escritas cerca de 15 anos atrás, agora gravadas com nova roupagem. Os  outros dois que completam o trio é são os músicos Fernando Rosa (baixo) e Miguel Assis (bateria), além do Anitelli (voz e violão).

Sobre a Costura Musicada: Cuida de mim – a cação de hoje estreia uma semana mais intimista, um momento de busca por paz interior que muitas vezes nos faz caminhar por entre situações nada agradáveis a procura por uma saída. E essa canção me traz exatamente esse sentimento, na verdade, ela me faz refletir sobre o meu estar no mundo e tudo o que sinto. 

Lembro que quando escutei essa canção no lançamento do álbum: As claves da gaveta, inspirado por ela e por todo o sentimento que aflorava mim, elaborei a costura: Cante a minha canção, que é uma das minhas costuras inacabadas. Bom, por hoje é isso. Paz e Vida Longa!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Costura Musicada - Realejo (O Teatro Mágico)



Para fechar o ciclo de postagens que estabelecemos para esta semana, apresentamos como Costura Musicada para hoje Realejo da trupe O Teatro Mágico, composição de Fernando Anitelli e Danilo Souza.

Idealizada por Fenando Anitelli (poeta, ator, músico e compositor) a trupe O Teatro Mágico (TM), grupo musical brasileiro nasceu no ano de 2003 na cidade de Osasco, São Paulo. O TM é um projeto de difícil conceituação, pela grandeza e harmonia de como o belo da arte é explorado pela trupe, mas para não deixar de dizer algo, usamos sue próprio próprio nome, é mágico, uma vez que a magia reúne ou sintetiza todo o  nosso fascínio por tudo que alimenta nossa fantasia, ao despertar em nós, sentimentos adormecidos ou até mesmo nunca sentido. Mas, a trupe não é apenas uma proposta que nos faz viajar pelo mundo da fantasia. 

A trupe consegue através de sua intervenção poética tratar de temas polêmicos e de suma importância nas práticas cotidianas de uma sociedade, tal elemento pode ser melhor visualizado no seu último álbum A sociedade do espetáculo, assim como no anterior Segundo Ato, nestes dois últimos “a trupe discute o seu cotidiano político/cultural, sem esquecer também o lado sentimental, como foi no primeiro CD (Entrada para Raros, 2003), álbum este que resgata um humanismo individual e coletivo, provocando uma catarse com o forte tom positivista que só sabe quem já esteve em um show d'O Teatro Mágico”. 

Em fim, um grande diferencial deste projeto de arte poética é junção, com maestria de elementos do circo, do teatro, da poesia, da música, da literatura, da política e do cancioneiro popular e diferentes segmentos artísticos numa mesma apresentação.

Sobre a Costura Musicada – Realejo: hoje mais do que a letra desta canção pode evocar, a canção em si faz parte do enredo de postagem estabelecido para esta semana, o que não a torna de menor importância uma vez que ela faz parte do meu grupo de canções que me fazem viajar. E para fechar com chave de ouro a semana, como lembrança do meu amigo Raro Romildo Ramalho, além de apresentar a costura musicada Realejo, posto aqui a costura Alegoria dos porquês de Maíra Viana, que foi inspirada por nossa costura musicada de hoje.  Eu fico por aqui, deliciem-se. Paz e Vida Longa!

Alegoria dos porquês

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Realejo


Sou um errante, passeio pelas ruas procurando uma direção. Sem ela, não há horizonte, caminhar é vão. Ouço ao longe uma linda melodia, melancólica, que me faz alegrar o coração. Das lembranças de nossa canção.
A distância protagoniza nossa história. A liberdade, nossa bandeira. Mas, é a vontade que nos move.
Eu, um ser moribundo, jogado no mundo, sigo o som e vejo um vendedor de sonhos. Triste, sem clientes, que já não encontravam sentido nas sortes dos realejos. Preferiam os infortúnios da realidade inventada aos sonhos comprados a varejo. E eu que já não tinha mais o que perder, pedi ao pássaro para a minha sorte ler. 
E um sorriso de primavera brotou das tristezas que reinava em mim. Pois minha sorte dizia que eu teria felicidade sem fim.
E o vendedor de sonhos sorriu e mais um desejo me concedeu. Meu coração quase explodiu quando a sorte a mim ofereceu, uma luz a seguir, e a sorte dizia: "dela você não deve desistir". Então, eu ganhei de volta minha vida e o vendedor de sonhos sua alegria ao ver voltar a magia sempre contida nas sortes lidas ao som dos realejos

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Costura Encadernada - Ao som do realejo (Péricles Prade)


Ao som do Realejo de Péricles Prade, é a costura encadernada de hoje. Nosso costureiro de hoje é catarinense, nascido aos 7 dias de maio de 1942, na cidade Rio dos Cedros. É advogado, jornalista e escritor brasileiro. Foi vice-prefeito de Florianópolis e é considerado um dos principais autores de literatura fantástica no Brasil, ao lado de José J. Veiga e Murilo Rubião. Sua obra diversificada inclui prosa de ficção, ensaios e poesia. Em 31 de março de 1973 foi empossado na cadeira 28 da Academia Catarinense de Letras, da qual mais tarde seria presidente. Também presidiu a União Brasileira de Escritores, de 1980 a 1982. Péricles é da escola literária contemporânea, cujas características são excessivamente expressas na costura encadernada que apresentamos hoje.

Essa semana eu estou quebrando algumas práticas que estabeleci para este espaço. Ontem postei uma costura musicada que inicialmente estava fora das motivações que sempre orientaram tais postagens, mas que ao final tais motivações estavam expostas no que foi costurado. Já a costura encadernada de hoje, creio que não conseguirá alcançar isso, uma vez que venho comentando costuras encadernadas que já tive acesso, o que não é o caso da apresentada hoje. Contudo, a motivação de apresentá-la aqui, tem a mesma motivação inicial da costura musicada de ontem, o diálogo com o Raro Romildo Ramalho. Pois, resolvi ter o realejo como a temática que perpassaria as publicações desta semana, o que me fez buscar uma costura encadernada que abordassem algo sobre o Realejo. 

Entre minhas buscas não encontrei algo tão específico, mas encontrei esta costura encadernada que tem como título nosso órgão de rolo, o realejo, instrumento de trabalho dos vendedores de sonhos. Mesmo que não trate sobre o instrumento em si, resolvi comentá-la, pois o tem como intitulador e, talvez, seu conteúdo nos remeta ao seu som de alguma forma.

Sobre a Costura Encadernada: Ao som do realejo. Como não tive acesso a obra, não tenho comentários próprios para expor aqui, mas devo destacar que aos que tive acesso, despertaram em mim o desejo conhecer melhor esta costura encadernada, daí um dos motivos de postá-la aqui. 

De acordo com comentários que tive acesso, a costura encadernada de hoje, é uma encadernação de costuras poéticas que, no entanto, não contém poesia; é uma espécie de costura que nem sempre agrada. Quando se termina de contemplar, pensa-se “nada entendi”. 

Os comentários dizem que consiste em um grupo de contos; alguns com começo, meio e fim que, não obstante, também são breves. Às vezes, alguns contos consistem em uma única frase, além de, não raro, composição simples, porém, com sentidos ocultos. São apresentados mundos distintos, usando intertextualidade liberta e inovadora (o que caracteriza a escola do costureiro desta obra). 

O costureiro de hoje, em sua obra, tenta cativar o leitor com uso inovador de linguagem, simbolizada pelo instrumento de trabalho do vendedor de sonhos, o realejo. No entanto, as histórias se mostram confusas, como se fossem, propositalmente ou não, um realejo quebrado, semelhante ao que lembra a costura musicada “Caixa de música quebrada”, de Heitor Villa-Lobos. 

Assim, por apresentar pouco sentido, fica difícil contextualizar. No entanto, o posfácio da costura, de autoria de Álvaro Cardoso Gomes, que tenta dar melhor explicação da temática, até então confusa, da maioria dos “microcontos”. O posfácio, apesar de, por parte, ajudar na contextualização, não apresenta sentido suficiente para agradar o leitor.

Por fim, foram esses comentários, que colocam a costura encadernada de hoje como algo difícil e pouco compreensível que encontramos. E, foi exatamente essa característica que despertou, em mim, maior interesse sobre ela.

E nós ficamos por aqui, até breve. Paz e Vida Longa!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Costura Musicada - Realejo (Chico Buarque)


A costura musicada de hoje, foi escolhida pelo tema que trata e não pelas lembranças ou marcas que ela proporcionou em minha vida, como as anteriores, ou talvez sim. A costura musicada de hoje é Realejo, de Chico Buarque*, que nasceu aos 19 dias de junho de 1944 na cidade o Rio de Janeiro. É músico, dramaturgo e escritor brasileiro e é considerado um dos maiores nomes da MPB. Fazemos um destaque para a sua costura musicada Construção, considerada uma das melhores músicas brasileiras já compostas. Vale dizer da grande admiração por essa figura, socialista. Por sua multi-habilidades que nos presenteou com belas canções, sua poética e dramaturgia. Além de sua postura crítica e sua capacidade de usar das artes para dizer o que pensava e da qual usou para propagar sua crítica à Ditadura Brasileira. Em fim, são numerosos os atributos a este grande nome da cultura brasileira, e que infelizmente extrapolam a proposta deste post, mas que fique a dica de uma busca mais detalhada da história deste que homem que muito bem cantou a alma feminina.

Sobre a Costura MusicadaRealejo: ontem, após retornar de São Paulo, da gravação do DVD do O teatro mágico, que também tem uma costura musicada homônima a do Chico, em conversa com o Raro Romildo Ramalho, ele me fez recordar, ao falar de um de seus desejos, deste instrumento, o Realejo, cantado por Chico Buarque e Fernando Anitelli em suas canções de nomes homônimos. Então fiquei a pensar sobre o assunto, busquei informações e pouco encontrei, sobretudo ao se refere onde adquirir tal instrumento (desejo exposto por meu Amigo Raro) foi quando me veio a inspiração e me pus a costurar, tal ato resultou uma costura homônima ao instrumento e às canções de Chico e Anitelli. Mas, como hoje é dia de costura musicada, resolvi postar a canção de Chico, que fala desse nosso abandono das coisas simples simbolizada através do ofício do vendedor de sonhos e seu realejo posto a venda por não ter mais quem o consultasse. E no próximo dia de Costura Musicada postarei a canção do Fernando Anitelli. E ainda essa semana, postarei a costura inspirada pelo ofício do vendedor de sonhos e seu realejo que inspirou minha costura e a ela o nome emprestou. Hoje, fico por aqui, até a próxima.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Costuras e Pescarias: Finalista no TOP BLOG 2012

Venho agradecer a todas e todos que ajudaram nosso projeto (Costuras e Pescarias) a estar entre os TOP 100 e ser um dos Finalistas do 2° Turno do TOP Blog Brasil 2012.
O Costuras e Pescarias, passou no primeiro turno do Top Blog 2012 e já é um Blog Top 100. Agora estamos no segundo turno e contamos com seu voto. 
A votação pode ser feita por e-mail, facebook e twitter. Cada conta vale um voto, e você pode votar com todas as sua contas virtuais, quanto mais votos, mais chance de eleger o Costuras & Pescarias o Top Blog 2012. 
Conto com você, ajude a divulgar para sua rede de contatos. É só clicar na imagem que você será encaminhado para a página de votação do Costuras e Pescarias no TOP BLOG 2012 e lá você poderá escolher a forma de votação:

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Costura Encadernada - Ei! Tem alguém aí? (Jostein Gaarder)


A Costura Encadernada de hoje é “Ei! Tem alguém aí?”, de Jostein Gaarder*, filho de um casal de professores, é escritor e intelectual norueguês. É autor de romances filosóficos, contos, e histórias.  Sua costura encadernada mais conhecida é: “O mundo de sofia”. Algo que se destaca nas costuras de Gaarder, são suas questões sobre a vida, muitas vezes, mais estigantes que o próprio enredo de suas histórias. 

Sobre a Costura Encadernada – Ei! Tem alguém aí? Esta costura narra a história de Joakim, um menino de oito anos que vai ganhar um irmãozinho ou irmãzinha. É madrugada, quando Joakim é deixado sozinho em casa. Pois, seu pai e sua mãe foram ao hospital. Enquanto espera que seu pai e sua mãe voltem do hospital com sua irmãzinha ou irmãozinho, acontece o inesperado, para não dizer estranho, já que isso é relativo: como se fosse uma estrela cadente, uma menino cai, bem no meio do jardim de seu jardim. É um meino de outro planeta e seu nome é Mika. Os dois são muito semelhantes ao mesmo tempo em que são muito diferentes. Passam juntos, 24 horas, onde conversam sobre o universo e temas diversos como a origem da vida, os princípios da evolução e a extinção dos dinossauros, conversam também, sobre Mika e sobre como ele chegou ao planeta Terra e caiu logo no meio do quintal de Joakim.

Esta costura é traçada como se fosse uma carta de Joakim, já adulto, para sua sobrinha, Gabriela. O surpreendente é a sutileza com que Gaarder, traça suas indagações filosóficas que faz desta, uma leitura prazerosa, servindo tanto ao público infantil, quanto o juvenil e o adulto, que uma característica deste costureiro, preocupar-se em costurar para um público, servindo a outros. Se ainda não presenteou seu filho/a, sobrinho/a, afilhado/a neste mês das crianças, esta é uma boa pedida. Sem contar, que é uma ótima forma de apresentar, aos pequenos, a importância da busca pelo conhecimento. Totalmente recomendado a crianças de 7-9 anos, ou de idades que vão dos 10 aos 100 anos.

sábado, 20 de outubro de 2012

Costura Musicada - A casa é sua (Arnaldo Antunes)


A Costura Musicada de hoje é: A casa é sua, de Arnaldo Antunes*, músico, poeta, compositor, VJ e artista visual brasileiro. Nasceu aos 2 dias de setembro de 1960 na cidade de São Paulo. Arnaldo Antunes é conhecido na América do Sul por ser um dos principais compositores da música pop brasileira, respirando de influências concretistas e pós-modernas. Compôs outras costuras musicadas que de grandes sucessos como "Pulso", "Alma", "Socorro", "Não Vou Me adaptar", "Beija Eu", "Infinito Particular", "Vilarejo", "Velha Infância" e "Quem Me Olha Só", e já teve suas canções interpretadas por artistas como Jorge Drexler, Marisa Monte, Nando Reis, Zélia Duncan, Cássia Eller, Frejat, Margareth Menezes, Pepeu Gomes, além, claro dos Titãs, banda da qual fez parte até 1992.

Sobre a Costura Musicada - A casa é sua: Arnaldo Antunes nos apresenta nesta costura musicada um desprendimento e abertura para um novo estilo de vida, que ganhará sentido quando a presença da pessoa amada compor o conjunto do seu lar. É a narrativa da necessidade da presença do/a amada/o compondo aquele cenário do seu cotidiano e que só espera pela aceitação do/a amada/o para estar ali completando com o seu riso, seu cheiro, enfim, com sua presença, o lugar de sua felicidade.

Por fim, esperar por alguém, pode ter entre tantos significados, um profundo e mais sincero amor. A casa é lugar de acolhida e dizer: "a casa é sua", é um ato de dizer que estamos permitindo que o outro/a faça parte de nossa vida. E assim, neste momento de minha vida, faço minhas, as palavras de Arnaldo Antunes: "A casa é sua. Por que não chega agora?".

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O protagonista

A história era a de sempre. A beleza dela, os galanteios dele e todos os outros coadjuvantes, que sempre estiveram ali, mas nunca interferiram em seu ato. Ao pisar no palco percebeu uma sensação diferente do habitual. O cenário não parecia o mesmo, talvez fosse a luz ou as cortinas que estivessem lavadas, pois até o cheiro estava diferente. O olhar e sorriso dela continuavam lindos, como todas as vezes que contracenaram e repetida vezes o encantava. Olhou a sua volta e quem estava no palco com ele. Seu corpo gelou, a vista escureceu, sentiu uma intensa disritmia e uma sensação de dor que o comprimiu o peito. Viu que sua presença ali, naquele palco, não fazia mais sentido, seu papel já era obsoleto. Outro ocupava com maestria o papel que outrora fora seu. Fazê-la rir. Seu tempo passou e ele não percebera, a não ser naquele instante em que viu outro Protagonista em seu lugar. Então resolveu sair da cena que não lhe cabia mais. Desistiu? Não, apenas retirou-se, deixou que o sábio tempo reescrevesse o final de sua história e resolveu pôr-se a escrever um novo roteiro para sua vida. Esperança? Sim, ele tinha. Sempre a cultivou em seu coração, afinal, isso o manteve vivo. E o amor? Quem passa por ele, hoje, e o vê, percebe, em seus olhos, o profundo amor que tem. E todos sabem quem é dono da história.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Ao alcance das mãos

É incrível como os seres humanos dedicam demasiado tempo em conquistar inúmeras coisas quase inalcançáveis, chegando esquecer das coisas simples que, de fato, nos realizam e que não estão fora do nosso alcance. 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Costura Musicada - Sol de Primavera (Beto Guedes)


Começa setembro e iniciamos o mês com uma Costura Musicada, e a de hoje é, Sol de Primavera, de Alberto de Castro Guedes, mais conhecido como Beto Guedes*, mineiro lá do norte de Minas, da minha querida Montes Claros. Nascido dia 13 de agosto de 1951, mesmo dia em que meu pai aniversaria, Beto Guedes é cantor, compositor e multi-instrumentista e mais um dos grandes nomes que fez parte do movimento musical Clube da Esquina ao lado de  Milton Nascimento, Lô Borges e Fernando Brant.

Sobre a Costura Musicada - Sol de Primavera: esta canção já tinha um valor especial para mim, por sua beleza e sua imensidão de simbolismos, sempre a usei em reuniões e encontros de formação pastoral por trazer inúmeros elementos que nos possibilitavam refletir sobre nossa atuação, nossa prática. E sempre que entra setembro, é inevitável lembrar-me dela, hoje, com certa tristeza que aperta o peito. Além de um choro preso na garganta pelas recordações que ela me traz de um grande cúmplice que partiu (Dom Mauro) nas vésperas da primavera que setembro sempre traz.  Hoje, a primavera sempre me traz a imagem dele, suas lembranças e as lembranças tristes do dia em que ele partiu.

Mas, o que me leva a lembrar desse grande cúmplice quando ouço essa canção? No dia de seu encantamento, fui invadido por uma tristeza profunda.  Ele vinha para Belo Horizonte participar de uma atividade pastoral, dessas que citei anteriormente, e que costumo usar canções como a costura musicada de hoje. Então fui encarregado de fazer um vídeo em sua homenagem, tarefa árdua, cada imagem que buscava para usar no vídeo trazia uma imensidão de lembranças que eu não conseguia conter as lágrimas. Com a seleção das imagens pronta e o áudio da reflexão proferido por Dom no acampamento Igreja Jovem, também selecionado, era a vez de escolher uma canção que pudesse falar do sentimento de habitava em nós, com aquela perda. E, “Sol de Primavera” caiu perfeitamente na construção daquela homenagem. Assim, essa bela canção ganhou um significado para além do que ela já representava em minha vida.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Costura Musicada - Onde Deus possa me ouvir (Luciana Mello e Vander Lee)


A costura musicada de hoje demorou a sair e vem neste final de dia como resposta a este dia que aos poucos foi ficando nublado para mim. Quem canta para nós é Vander Lee, autor e intérprete da canção, acompanhado de Luciana Mello, cantora, compositora e apresentadora, que empresta seu charme e bela voz para abrilhantar a costura musicada desta segunda-feira.
Sobre a Costura Musicada: Onde Deus possa me ouvir. Essa costura musicada, tem sido uma grande companheira, sobretudo, nos dias em que os sentimentos de tristeza tentam invadir meu coração. Aqueles dias em que precisamos apenas de um colo de mãe para nos fazer cafuné e chorar, como fazíamos quando crianças sem medo da censura de quem por ventura nos visse chorar. Sem se preocupar com essa ideia de que homem não chora. Ou o colo de um/a cúmplice que nos acolha o pranto, sem nada perguntar ou mesmo dizer, apenas nos acolher no aconchego de seu abraço.
Certos momentos em nossa vida, tudo chega de uma vez e te pressiona exigindo uma resposta ou mesmo uma atitude que parece que nem Deus nos consegue ouvir. Não conseguimos dimensionar ou mesmo ter controle sobre a confluência de sentimentos que habitam em nós e gritam por emergir, fazendo nosso mar interior transbordar e nos turvar a visão. E não há nada que se possa fazer, além de deixar que o pranto venha e amenize a dor que não conseguimos compreender, sobretudo, quando a única coisa que nos resta é nossa cama vazia da companhia do meu riso.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Costura Encadernada - O Menino Sem Imaginação (Novaes, Carlos Eduardo)


A Costura Encadernada desta terça-feira é O Menino sem imaginação, de Carlos Eduardo de Agostini Novaes*, carioca, nascido no bairro da Tijuca, formado em Direito em Salvador pela Universidade Federal da Bahia, se firmou como um de nossos mais aclamados escritores, e que teve seu início na imprensa no jornal carioca Última Hora. Possui um estilo provocativo e com um humor mordaz.

Esta costura encadernada possui uma leitura de fácil entendimento, na qual há predominância da linguagem coloquial, ela não trás novas palavras, mas trás ideias de podem ajudar quem lê a expressar melhor a fala no seu cotidiano. Esta costura é recomendada a todos os públicos, mas acredito que os diversos educadores podem usá-la fomentar o debate desta questão entre os educandos.

É um bom instrumento para iniciar o debate sobre a influência da mídia televisiva em nosso cotidiano, em que a vida real é deixada de lado, para se viver a mercê do que vê na TV. Pois, a televisão pode sufocar a imaginação das pessoas, alienando-as e impedindo o acesso ao universo cultural que é muito mais enriquecedor do que a limitada tela de TV. Ela passa tanta informação em tão pouco tempo que as pessoas apenas absorvem o que vêem sem parar para pensar sobre aquilo tudo.

Considerando que olhar à TV produz uma grande concentração, pois envolve a constante composição das linhas de imagens, argumentos e ruídos, e que pode atrofiar nossa imaginação, a leitura parece ser a melhor opção para aqueles que desejam desenvolver a criatividade, alcançar o sucesso profissional e acima de tudo espiritual. No entanto se não for revelado aos adolescentes e jovens, ou mesmo às crianças, em casa ou na escola, os encantos da leitura, esses grupos, tão importantes em nossa sociedade, vão preferir sempre assistir televisão. Usando as palavras do autor, “é muito mais fácil formar um telespectador do que um leitor” (NOVAES, 1997:149).

Sobre a Costura Encadernada: O Menino Sem Imaginação. Esta costura conta de maneira muito criativa a história de uma família que, obrigada a viver sem a telinha, se vê constrangida a mudar seu dia-a-dia. No meio de toda essa mudança está Tavinho, um garoto que não tem imaginação criativa e que só é capaz de reproduzir aquilo que já viu antes, de preferência na televisão, ou seja: imaginação reprodutiva ou memória visual. 
O menino adora ver TV, e quando crescer seu desejo é sair da escola para não precisar fazer mais deveres e poder assistir televisão de manhã, de tarde e de noite. Nas férias passa dias interirinhos na frente da telinha, só sai para ir ao banheiro. Só compra aquilo que vê nos comerciais, e adora o sistema de vendas diretas em que o locutor ordena “ligue já!”
O garoto estabelece com os três aparelhos de TV que possui em seu quarto, uma relação como se eles fossem membros da família e os chama de Babá, Plim-Plim e Fantástica. Tavinho vivia feliz com a vida que levava, até o dia em que após uma pane no sistema de telecomunicações (anomalia magnética) o Brasil inteiro fica sem televisão. 
O fenômeno vira o país de pernas pro ar, afinal, como viver sem TV? Provoca uma tragédia nacional e leva a população a manifestar atitudes de dependência da TV. Muitas delas vão ao desespero e à beira da loucura, dentre elas estão aquelas que só conseguem dormir “vendo” televisão. Outras, não suportando a ausência das imagens e a solidão, se suicidam. Surgem novas doenças relacionadas com a falta da TV, e consequentemente novos produtos e serviços para preencher o vazio deixado por ela. O movimento nas farmácias era intenso, muita gente apresentava sintomas negativos provocados pela falta de TV. A grande maioria não sabe o que fazer sem as imagens da telinha e, num ato de desespero, correm para as locadoras de vídeos (que em pouco tempo ficam vazias) na tentativa de satisfazer suas necessidades audiovisuais.
Enfim, essa situação cria um drama na família de Tavinho, que estava reunida impacientemente para assistir o jogo do Brasil justamente quando a TV escureceu. E neste enredo segue o desenrolar da Costura Encadernada de hoje: O Menino sem imaginação é uma crítica bem-humorada à nossa sociedade atual em que a TV ocupa lugar central na vida de muitos o que pode provocar a falta do poder criativo que as leituras dos livros sempre nos possibilitaram desenvolver. Fica aqui a dica desta prazerosa leitura.(Adaptação do Resumo desta Costura Encadernada que está disponível em: Yahoo respostas)
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