Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.

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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Costura Musicada - Realejo (O Teatro Mágico)



Para fechar o ciclo de postagens que estabelecemos para esta semana, apresentamos como Costura Musicada para hoje Realejo da trupe O Teatro Mágico, composição de Fernando Anitelli e Danilo Souza.

Idealizada por Fenando Anitelli (poeta, ator, músico e compositor) a trupe O Teatro Mágico (TM), grupo musical brasileiro nasceu no ano de 2003 na cidade de Osasco, São Paulo. O TM é um projeto de difícil conceituação, pela grandeza e harmonia de como o belo da arte é explorado pela trupe, mas para não deixar de dizer algo, usamos sue próprio próprio nome, é mágico, uma vez que a magia reúne ou sintetiza todo o  nosso fascínio por tudo que alimenta nossa fantasia, ao despertar em nós, sentimentos adormecidos ou até mesmo nunca sentido. Mas, a trupe não é apenas uma proposta que nos faz viajar pelo mundo da fantasia. 

A trupe consegue através de sua intervenção poética tratar de temas polêmicos e de suma importância nas práticas cotidianas de uma sociedade, tal elemento pode ser melhor visualizado no seu último álbum A sociedade do espetáculo, assim como no anterior Segundo Ato, nestes dois últimos “a trupe discute o seu cotidiano político/cultural, sem esquecer também o lado sentimental, como foi no primeiro CD (Entrada para Raros, 2003), álbum este que resgata um humanismo individual e coletivo, provocando uma catarse com o forte tom positivista que só sabe quem já esteve em um show d'O Teatro Mágico”. 

Em fim, um grande diferencial deste projeto de arte poética é junção, com maestria de elementos do circo, do teatro, da poesia, da música, da literatura, da política e do cancioneiro popular e diferentes segmentos artísticos numa mesma apresentação.

Sobre a Costura Musicada – Realejo: hoje mais do que a letra desta canção pode evocar, a canção em si faz parte do enredo de postagem estabelecido para esta semana, o que não a torna de menor importância uma vez que ela faz parte do meu grupo de canções que me fazem viajar. E para fechar com chave de ouro a semana, como lembrança do meu amigo Raro Romildo Ramalho, além de apresentar a costura musicada Realejo, posto aqui a costura Alegoria dos porquês de Maíra Viana, que foi inspirada por nossa costura musicada de hoje.  Eu fico por aqui, deliciem-se. Paz e Vida Longa!

Alegoria dos porquês

O tempo batia as asas. No mundo dela era sempre noite. Mesmo de manhã, o céu permanecia no mais completo breu. Cansada daquela mesmice, passou a questionar os porquês de sua existência e da origem do mundo no qual vivia. Procurava a lógica dos fatos e se perdia em suas próprias explicações. Uma idéia fixa martelava a sua cabeça: precisava sair dali e descobrir se tudo era sempre daquele jeito ou se lá longe, bem distante, haveria uma outra realidade.
E pôs-se a caminhar. Todo o chão era pouco perto do desejo que a movia. E então chegou em uma das pontas do mundo: tudo continuava a ser sempre daquele jeito, e lá longe, bem distante, não havia nenhuma outra realidade.
Deu a volta e seguiu obstinada. Quanto mais andava mais sentia o tamanho do mundo. De seus pés brotavam calos. O corpo padecia, descascava, transmutava. E os porquês se tornavam cada vez mais audíveis reverberando nos quartos de seu coração.
E no que cruzou o sul, o norte, o leste e o oeste do mundo, tudo continuava a ser sempre daquele jeito e lá longe, bem distante não havia nenhuma outra realidade. Quanto mais andava mais sentia o tamanhinho do mundo. Não havia mais pra onde ir e seu corpo também não suportava mais acompanhar o ritmo frenético dos porquês de sua cabeça.
A massa corpórea dela padecia, pipocava, inchava. Achou que fosse morrer naquele instante e quando olhou de volta para si foi que percebeu a transformação. O corpo dela havia crescido tanto que já não cabia em seu mundo. Com toda aquela pressão, o céu foi se rasgando vagarosamente até revelar a luz.
Em seu novo mundo era sempre dia. Mesmo de noite, as estrelas garantiam uma luminosidade que ela jamais poderia prever enquanto lagarta andando dentro da caixa de sapato. Agora era diferente. Ela batia as asas.

Escrito por Maíra Viana
No livro: O Teatro Mágico em Palavras
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