Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.

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sexta-feira, 22 de março de 2013

Costura em Movimento - Encantadora de Baleias (Niki Caro)


Na Semana que o Costuras e Pescarias dedica suas publicações em homenagem à Mulher, apresentamos uma nova exposição em nosso atelier, o Costuras em Movimento, que pretende a exemplo das exposições sobre Costuras Musicadas e Costuras Encadernadas (a primeira onde tecemos comentários sobre canções e seus compositores e/ou intérpretes e a segunda onde tecemos comentários sobre livros e seus autores, onde em ambas tecemos um pouco de nossa relação com as mesmas e as motivações de postá-las), ser um espaço onde teceremos comentários sobre produções cinematográficas seguindo a mesma lógica das salas que citamos anteriormente.

Mas, por quê chamar esta sala de Costuras em Movimento, se vamos falar sobre Cinema? A ideia surge da origem da palavra “CINEMA”,  que vem do grego κίνημα - kinema que quer dizer "movimento". Assim Cinema “é a técnica e arte de fixar e de reproduzir imagens que suscitam impressão de movimento”. 

Feita a apresentação desta nova sala, falemos agora sobra a Costura em Movimento de hoje, que vem dar continuidade e finalizar nossas publicações acerca da mulher nesta semana. 

Assim, escolhemos para iniciar esta nova sala de exposição a produção Encantadora de Baleias, da diretora Niki Caroque conta a história de uma antiga tribo existente na Nova Zelândia, os Maori, uma comunidade que passa por um acentuado declínio, populacional e cultural, colocando em risco a continuidade de sua tradição e costumes. 

E, se deparam com um problema que coloca a sua tradição em questão. Pois, desde a chegada do primeiro Maori em Nova Zelândia, sempre tiveram como líder um homem, que descendiam diretamente de Paikea, o maori pioneiro, o grande domador de baleia, que teria chegado naquele local (Nova Zelândia), há milhares de anos, após sua canoa ter virado em cima de uma baleia e ele teria liderado seu povo ao local em que a tribo reside atualmente, cavalgando a baleia.

Num contexto em que o descendente mais recente de Paikea é uma mulher, Pai (Keisha Castle-Hughes) a tribo, ou o patriarca Koro (Rawiri Paratene), avô de Pai, se depara com um conflito, no qual vê-se tendo que reconhecer como um novo líder, uma mulher, se negando a isso, Koro, em vão, busca encontrar entre os meninos, aquele que seria o novo líder da tribo. Possibilitando a estes todo o ensinamento para que se tornassem um bom líder, enquanto Pai, descente direta de Paikea, por ser mulher é proibida de participar destes momentos.

Através da maravilhosa atuação de Keisha Castle-Hughes, que dá vida a protagonista Pai, atuação que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz, podemos ver a abordagem de assuntos que ultrapassam o conflito sobre a continuidade da tradição, o declínio de um sistema patriarcal, vemos a dificuldade de aceitação da capacidade da mulher assumir o lugar que tradicionalmente sempre foi ocupado por um homem.

Mesmo Koro vendo as tradições e costumes de seu povo sumirem lentamente, em um processo gradual e, quase brutal, envolvido pelas alterações culturais, se recusa aceitar que sua neta (Pai) seja a nova líder da tribo.

Pai, ama seu avô e seu maior objetivo é vê-lo feliz, além de manter vivo os costumes do povo maori. Ao ver Koro procurar um novo líder dentre os primogênitos da aldeia, e ter sido proibida de participar destes momentos. A menina inicia um aprendizado sozinha, escondida, tudo o que um líder maori deve saber e dominar, como a taiaha, por exemplo, que é um bastão de guerra típico dos maori, de uso exclusivamente masculino.Pai se esforça porque sabe que precisará mostrar seu valor ao avô.

E durante essa luta de Pai para que seu avô a aceite como nova líder dos maori, podemos transitar  por dramas pessoais que se desenvolvem concomitantemente à trama principal. “São histórias de pessoas que procuram sua identidade, que vivem de restos de lembranças, que se prendem ao passado de forma dolorosa”. 

A diretora Niki Caro, nos presenteia com esta produção, ao conseguir abordar temas tão delicados sem ser apelativa ou mesmo clichê, ao mesmo tempo em que nos faz se emocionar e rir sem perder o foco da trama.  Percebemos um fluir natural, de forma tranquila e propriedade do texto, que faz seus personagens atuarem de forma muito espontânea e real, suas histórias, as situações e seus sentimentos. Não se buscar arrancar sorrisos ou lágrimas, os personagens apenas vivem seu ato, e a cena acontece. Talvez, isso de dê pela despretensão de ser uma super produção que o torne tão bom.

Em Encantadora de Baleias, para além da triste abordagem sobre a real possibilidade de extinção de um povo, ocasionados por diversos fatores - que em nossa sociedade atual, se torna tão recorrente, quando olhamos para nossos povos tradicionais-, encontramos a figura da mulher, sua invisibilidade, sua desvalorização, seu lugar sempre a margem. E, a luta de Pai, é a luta de muitas mulheres que buscam seu reconhecimento, sua valorização e seu real lugar na sociedade, mesmo que para isso seja preciso romper com tradições e costumes.

Ficamos por aqui e esperamos que possam aproveitar o final de semana para degustar desta bela Costura em Movimento, fazer a sua avaliação e postar aqui o seu comentário.

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