Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.

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segunda-feira, 18 de março de 2013

Costura Musicada - Protagonismo Feminino (Graça Figueiredo)


Nesta semana o Costuras e Pescarias fará uma homenagem às mulheres, e iniciaremos a semana com a Costura Musicada Protagonismo Feminino de autoria e interpretação de uma mulher, a Instrumento Poético Maria das Graças Figueiredo da Silva Mendes*, ou unicamente Graça, para os mais chegados. Negra, surgiu para a vida nas terras quentes de Imperatriz/Maranhão aos 16 dias de fevereiro de 1981. Graça milita na defesa dos direitos da juventude e da mulher, e de maneira muito especial tem atuação junto a Pastoral da Juventude, na qual integra o grupo virtual intitulado Artistas da Caminhada que reúne artista do país inteiro comprometidos com as causas populares e de maneira especial com a juventude. Suas costuras musicadas carregam essa marca de luta e garantia dos direitos e vida digna para a juventude e para os empobrecidos/as.

Sobre a Costura Musicada – Protagonismo Feminino: quando ouvi pela primeira vez esta costura musicada algo que encantou foi o chamado feito a juventude para ver a força que cada mulher possui e que na força de ser mulher existe muito mais do que é conhecido e que é preciso reconhecer e valorizar a força que a mulher traz em seu ser, sua luta e sua história. Mas, desta vez, considerando o propósito de homenagear o ser mulher, o “Costuras e Pescarias” buscou saber da própria compositora os meandros desta costura musicada, assim nos calamos para ler o que costurou Graça sobre sua bela canção que apresentamos hoje, neste dia de costura musicada em que iniciarmos nossa semana dedicada as mulheres. 

O processo de composição da música “Protagonismo Feminino” se mistura um pouco com as motivações que existem num contexto pessoal, social, e grupal, desde a ampliação do meu lugar como mulher  no mundo, a sociedade, num contexto de eleição para presidência, e o processo de formação de animação aos grupos de jovens da Pastoral de Juventude, pela assessoria e pelas as atividades permanentes das pastorais de juventude.

O meu lugar no mundo começa com a retomada da minha história como mulher, do meu caminhar pelo mundo, do papel das mulheres na minha vida, do sinal de resistência que representam pra mim.  Depois, o processo desencadeado pelas eleições de 2010, nas quais duas mulheres eram as candidatas à presidência da república, das leituras provocadas na época e que passavam despercebidas na sociedade quando se fala das mulheres. Uma delas é a questão da moral, sempre quando se fala de mulher, a questão da moral vem em primeiro plano, seja para exaltá-la ou para rebaixá-la, questão vivida nas eleições, que me causou muita indignação e me despertou para escrever. Ver a vitória da Dilma foi inspirador, tanto que terminei a música no dia da posse dela, em Brasília.

Também sempre tive um olhar diferenciado para as mulheres da bíblia. Nunca gostei da visão na qual Maria é apenas aquela que guarda tudo no coração em silêncio, mas sim como uma Maria que Grita no Magnificat: “derrubou dos tronos os poderosos e exaltou os humildes”. (Lc. 1,52) Nessa Maria eu me inspiro, ela sempre me encantou assim como a presença de Miriam que canta: “Minha força e meu canto é o Senhor” (Javé é minha é minha força e meu canto, ele foi a minha salvação, Ex. 15, 2) sempre cantei esses cânticos com muita força. A força trazida dessas mulheres que diziam e falavam muito mais do que apenas uma voz forte, traziam a vida de um povo inteiro com elas. Essa presença de mulheres fortes, numa sociedade que não as reconhecia, me trazia à memória mulheres que esta sociedade não reconhece em situações diversas.

Mas esse olhar não veio do nada, um pouco se deve à formação humana que tive na casa das Irmãs Missionárias de Ação Paroquial,  e às leituras teológicas que já fiz, uma delas diz respeito às “sensibilidades teológicas”, que Sandro Gallazzi explicita nos seus escritos sobre estudos bíblicos, sensibilidades teológicas que Sandro se refere às mulheres, são elas que são capazes de revelar o Deus dos oprimidos porque falam da sua experiência. Sandro Gallazzi é um especialista bíblico que escreve sobre as mulheres na bíblia, ele e sua esposa Ana Maria Rizzante Gallazzi dizem muito bem dessas mulheres em vários escritos do CEBI (Centro de Estudos Bíblicos)

Como militante da PJ e assessorando muitos grupos de jovens percebia a militância dessas mulheres de luta, no dinamismo, na criatividade, nas lideranças pelo qual também muitas vezes estive junta e refletindo o tema do DNJ deste ano e imbuída da mística dessas mulheres no meu corpo, senti vontade de escrever sobre essas experiências. Por isso falo na letra não do que ainda nos falta conquistar e sim do que já temos e somos, porque reconheço um lugar na sociedade e sei desse lugar com as alegria e marcas que é ser Mulher. Por isso mesmo, até o ritmo entra nessa dinâmica para dizer de forma livre que temos um jeito de ser... que levamos a vida com garra, fé, coragem, beleza e isso é ser mulher, não precisa ser negado como “pecado”, como algo que sempre tem que ser redimido, nada disso.

Por isso, trouxe: Ester Susana e Judite, para dizer a certos grupos da sociedade, porque não dizer de certas religiões – que às vezes não dizem, mas explicitam que a mulher tem que negar a beleza para ser... sei lá o quê... –  que tudo isso é uma obra divina, dada pelo nosso criador e que não deve ser negado, pelo contrário, deve ser valorizado como graça e dom...  essa dádiva divina é força, que faz o povo se organizar com criatividade e quebrar as racionalidades de quem acredita já está no poder,  por isso, faz a transformação. São essas mulheres que quando o melhor é vender, preferem urgir, quando o certo é serem submissas subvertem o poder para a morte e preferem a vida do povo, são essas mulheres que quando se esperam delas a obediência cega, fazem da visão e da audácia uma vida livre com sentido, consciência e doação... Isso é muito inspirador e me fez escrever uma parte daquilo que acredito ser uma vida com protagonismo, com protagonismo feminino.


*Graduada em Pedagogia pela UEG – Universidade Estadual de Goiás. Atualmente pós-graduada como Especialista em Juventude pela FAJE – Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia. Musicista - compositora pela Ordem dos Músicos de Goiás. Produtora do CD: A Juventude Quer Viver. 

Desenvolve sua atuação junto a juventude no campo da Pastoral da Juventude, Participação Cultural, e Acompanhamento. Áreas de interesse de pesquisa: Movimentos sociais, educação, acompanhamento, projeto de vida, arte e comunicação juvenil.

Ela mesma se define como: “Mulher, Jovem, Negra. Maranhense, mas também, goiana...” Tal definição de dar por ter adotado a cidade de Goiânia como o lugar em que fixou sua morada. Ela ainda se define como “parte do Encontro de tantos Outros, sou uma paz inquieta, uma causa no corpo, no olhar, na vida, e na alma, sou um sonho vislumbraste, e uma pergunta sempre crescente: O quê dá sentido à vida?”.

É um belo instrumento poético e segundo ela: “não por título, mas pela vida que me marca e conduz a minha memória a aprender das coisas difíceis da vida o belo que faz e refaz a poética do olhar”.

Em seu ser encontramos uma mulher “educadora pela vida, e para a vida” E sempre “educanda de todos os companheiros que partilham de sua vida” com ela. E para completar seu ser, ela se apresenta transparente e bela como “acompanhante, companheira, mãe, e Pedagoga da pergunta e do questionamento”.
(Adaptado do original retirado do blog: Especialistas em Juventude)

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