Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.

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domingo, 5 de dezembro de 2010

Luz Infinita

Olho e não te vejo
Te procuro e não te encontro
Onde estás?
Tudo é tão vazio sem tua presença
O riso fica sem alegria
O dia sem luz
A noite sem luar
O arco íris sem cor
O frio ameaça congelar-me
E o sol não aquece meu corpo que treme
Te chamo e não me ouves
Grito por teu nome e não me respondes
Onde estás?
Descobri que necessito de ti
Essa descoberta me inquieta
Quando estás aqui meu dia se ilumina
As noites são mais belas
A vida se enche de colorido
E meu corpo se enche de alegria
Deixa eu te amar sem limites
Vem preencher meu coração.

sábado, 30 de outubro de 2010

Uma pergunta, uma resposta


Nestes últimos dias tenho intensificado meu envolvimento com a capanha eleitoral 2010, sobretudo,  neste segundo turno para eleição presidencial. Creio o que está se desenvolvendo na atual conjutura eleitoral nos trará um novo envolvimento dos cidadãos e cidadãs no cenário político. Diante do tipo de capanha desenvolvida neste ano e uso de elementos, antes, para muitos, distintos, como a religião, pois ainda há quem diga que religião e política não se misturam podemos esperar uma nova figura surgir neste cenário. Há verdade nisso, mas, em vez de reproduzir essa idéia, devemos pensar na complementariedade das coisas. Agumenta-se que Fé e Política não se misturam por serem coisas distintas, mas, na prática cotidiana elas se complementam. É São Tiago que nos alerta sobre isso. (2, 14-25).

Devemos nos preparar para reaparecimentos de atores sociais que há muito estavam adormecidos e também, de novos atores, antes nunca imaginados se envolvendo em campanha política. O envolvimento cego de inúmeras pessoas ligadas aos mais diversos seguimentos religiosos, do fiel aos pastores em seus diversos cargos hierarquicos, evidenciou um novo sujeito polítco, ou seria outro sujeito religioso? Se for religioso seria: o fundamentalista religioso político. Se for político seria: o militante político religioso fundamentalista. É possível ver diferença nisso? Ao final foi sempre o fundamentalismo que pautou e pautará as possíveis ações destes sujeitos. Aqui não está em jogo se deve ou não relacionar fé e política, pois, eu tenho convicção da necessária articulação entre elas. O que trago é o fato do mau uso da dimensão religiosa e até a fé ou crença das pessoas em determinada religião como ferramenta eleitoreita, pois, quem entende a complementariedade entre estas dimensões humanas, não as usam equivocadamente. Então, não esperem que um ser religioso que entende o real sentido da relação entre fé e política tenha sua ação impulsinada por uma fé cega. Mas, dos fundamentalistas  religiosos sim, como pode ser visto nesta eleição de 2010.

O aparecimento em massa do milititante político religioso fundamentalista nesta campanha eleitoral, que transformou a fé e a crença em arma eleitoreira, desqualificando a seriadade da relação entre fé e política fez reaparer inúmeros sujeitos religiosos de grande referências e que possuem muita propriedade ao que se trata da relação entre fé e política, além de inúmeras novas figuras religiosas que também defendem o desenvolvimento de um processo eleitoral que seja, no minimo, respeitoso e uso correto, não da religião, mas da fé com a política, como visto em São Tiago.

Aguardemos! Os próximos anos prometem que isso seja intensificado, e com isso reacende e desperta mais pessoas a se envolverem ou relacionarem fé e política da forma como de ser feita que é entendendo a vivência da fé como a prática do bem comum, ou seja, através da política que é o exercício pleno da cidadania de um indivíduo, através da relação respeitosa entre os indivíduos tendo como propósito a harmonia entre seus direitos e deveres, e acima de qualquer coisa, agir motivado pelo desenvolvimento do bem comum.

Uma pergunta, uma resposta

Após enviar o post anterior (No dia 02 de Janeiro de 2011 - Melhor não arriscar...) para meus contatos de e-mail recebi a seguinte mensagem como resposta: Meu querido, que pena, você tão inteligente e religioso... Prefere O Dilmo??? Ah ah ah...

A pergunta foi: Prefere O Dilmo?

A minha reposta foi:
Eu fico grato por sua consideração. E sim, hoje estou com Dilma, exatamente por valorizar meu envolvimento religioso e reconhecer que não devemos fazer mau uso das questões religiosas e das crenças como vejo ser feito nesta eleição.

Creio, também, que minha mínima inteligência leva-me a perceber que esta mulher, Dilma, apresenta o que considero ser o melhor para país, sobretudo, no tange as lutas que desenvolvo. Não acredito que votar neste ou naquela seja uma questão de menor ou maior inteligência ou ser mais ou menos religioso, contudo não descarto que estes elementos influenciem sobre nossas decisões, porém cada pessoa o usa como acha ser melhor conveniente ou adequado.

Eu não vejo, por exemplo, ser adequado usar, hoje, a questão religiosa para dizer que este é melhor que aquela, que neste caso, para mim, seu uso é uma questão de conveniência de certos candidatos que acabam convencendo por esse viés muitos eleitores, vejo que as eleições e a decisão de nosso voto deva passar por análise sociopolítica que cada pessoas possui ou é capaz de fazer e não religiosa como se tornou as eleições presidenciais neste ano. Eu fiz minha anáilise sociopolítica que me ajudou a decidir em quem votar neste segundo turno que é: Votar em uma Mulher para ser presidente do Brasil.

Minha decisão, assim como de muitos, não está insenta dos meus preceitos religiosos ou desprovida de inteligência, tomo esta decisão consciente do quero para mim e acredito ser o melhor para o meu país que tanto amo.

Minha decisão não condiz com a decisão de voto de muitas pessoas queridas e que tanto prezo, que possuem inteligência igual, inferior ou superior a minha e apesar de divergente da minha decisão, não as menosprezo ou desvalorizo sua decisão, pois acredito, que assim como fiz, estas pessoas decidiram seu voto a partir de uma análise crítica do cenário sociopolítico que vivemos e lamentaria apenas em um caso, se essas decisões fossem tomadas motivadas pelas ondas de boatos e ataques inconseqüentes que a campanha eleitoral de 2010 agregou em seu desenvolvimento, sem levar em consideração fatores importantes para o bom desenvolvimento e gestão do país.

Por fim, muitos amigos e amigas não votam comigo, cada um de nós temos nossas motivações e princípios que nos levam a decidir por este ou aquele candidato. Eu tenho muitas e muitos que me fazem optar por Dilma na Presidência.

Beijos, saudades

Mais uma vez obrigado pelo tão inteligente, rsrsrs

Ah! Dessa vez não dá para trocar os votos, neste caso, eu não conseguiria cumprir o acordo, rsrsrs

Paz e Vida Longa!

Mauro Juventude - um pescador que ousa costurar palavras

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Conto com seu voto para juntos e juntas elegermos a Primeira Mulher Presidente do Brasil. Dia 31 de Outubro eu Voto Dilma 13 para Presidente.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

No dia 02 de Janeiro de 2011 - Melhor não arriscar, rsrsrs

No dia 02 de Janeiro de 2011, um senhor idoso se aproxima do Palácio da Alvorada e, depois de atravessar a Praça dos Três Poderes, falou com o

Dragão da Independência" que montava guarda:

-"Por favor, eu gostaria de entrar e me entrevistar com o Presidente Serra.

O soldado olhou para o homem e disse:

-"Senhor, o Sr. Serra não é presidente e não mora aqui ."

O homem disse:

-"Está bem", e se foi.

No dia seguinte, o mesmo homem idoso se aproximou do Palácio da Alvorada

e falou com o mesmo "Dragão":

- "Por favor, eu gostaria de entrar e me entrevistar com o Presidente Serra."

O soldado novamente disse:

-"Senhor, como lhe falei ontem, o Sr. Serra não é presidente e nem mora aqui ."

O homem agradeceu e novamente se foi.

Dia 04 de janeiro ele volta e se aproxima do Palácio Alvorada e falou com o mesmo guarda:

-"Por favor, eu gostaria de entrar e me entrevistar com o Presidente Serra"

O soldado, compreensivelmente irritado, olhou para o homem e disse:

-"Senhor, este é o terceiro dia seguido que o Senhor vem aqui e pede para falar com o Sr. Serra. Eu já lhe disse que ele não é presidente, nem mora aqui. O Senhor não entendeu?"

O homem olha para o soldado e diz:

-"Sim, eu compreendi perfeitamente, mas eu ADORO ouvir isso!"

O soldado, em posição de sentido, prestou uma vigorosa continência e disse:

-"Até amanhã, Senhor!!!"

Essa e uma corrente que nao pode ser quebrada.....por isso manda pelo menos para 20 amigos....senão...vc recebera uma praga e ficara com Serra e seu bando por 4 anos......não arrisque....

Por via das dúvidas, achei melhor não arriscar e postar aqui neste espaço, assim eu garanto que a corrente fique mais forte.


Paz e Vida Longa!

Mauro Juventude - Um Pescador ousa costurar palavrar.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Zé de Abreu disseca José Serra: não cumpriu mandato nem de Pres. da UNE!...

O deputado eleito Gabriel Chalita fala sobre a onda de boatos e mentiras...

VotoSerrapq #2

Eleição, aborto e a infantilização da religião

Por Jung Mo Sung *

Por que bispos, padres e grupo religiosos que sempre defenderam a separação radical entre a religião e política, que sempre criticaram a discussão política no âmbito da Igreja ou até mesmo a relação “fé e política”, estão fazendo, até mesmo nas missas, campanha aberta contra Dilma?

Uma primeira resposta poderia ser: hipocrisia. Respostas moralistas podem satisfazer o “juiz moralista” que todos nós carregamos no mais profundo do nosso ser, mas não são boas para nos ajudar a entender o que está acontecendo.

Esta campanha contra a candidatura da Dilma, e com isso o apoio explícito ou implícito à candidatura do Serra, está sendo feita de várias formas, mas com um elemento comum: os católicos e os “crentes” não devem votar nela porque ela seria a favor do aborto e, por isso, contra a vida. Alguns agregam também a acusação de que, se ela for eleita, as TVs católicas e evangélicas seriam proibidas de veicular os programas religiosos ou obrigadas a diminuir o seu tempo de duração. É a velha acusação de que “comunistas” são contra a religião.

Essas duas acusações são expressas e justificadas através de lógicas religiosas, e não a partir da “racionalidade leiga” que deve caracterizar a discussão sobre a política hoje. Esses grupos não admitem a distinção entre a religião e a política, ou melhor, não admitem a “autonomia relativa” do campo político e de outros campos -como o econômico- que se emanciparam da esfera religiosa no mundo moderno. Por isso, eram e são contra “fé e política” ou o debate sobre a política no campo religioso, pois esses debates são feitos normalmente a partir do princípio da autonomia relativa da política. Isto é, a discussão sobre questões políticas são feitas com argumentos de racionalidade sócio-política e não submetidos ao discurso meramente religioso.

Para esses grupos (é preciso reconhecer que ocorre também em outros grupos político-religiosos), os valores religiosos (do seu grupo) devem ser aplicados diretamente a todos os campos da vida pessoal e social. E, em casos graves como aborto, ser impostos sobre toda a sociedade através das leis do Estado. Nesses casos, não seria misturar a religião com a política, mas seria a “defesa” dos mandamentos e valores religiosos; ou colocar a política a serviço dos valores religiosos (nessa discussão apresentados como “a serviço da vida”). Pois, nada estaria acima dos “mandamentos de Deus”. Desta forma não se reconhece a autonomia relativa do campo político, a dificuldade de se passar do princípio ético abstrato (do tipo “defenda a vida”) para as políticas sociais concretas, e muito menos se aceita a pluralidade de religiões com valores diversos e propostas de ação divergentes e conflitantes.

Esta é a razão pela qual esses grupos não entendem e nem aceitam a resposta dada por Dilma de que ela, pessoalmente, é contra o aborto, mas que ela vai tratar esse tema como um problema de saúde pública. Para ouvidos daqueles que crêem que não há ou não deve haver separação entre a saúde pública (o campo da política social) e a opção religiosa pessoal do governante, a resposta da Dilma soa como eu não sou contra o aborto, que logo é traduzido na sua mente como “eu sou a favor do aborto”.

E se ela é a favor do aborto, ela é contra a vida e, portanto, ela é do “mal”. Enquanto que, por oposição, o outro candidato seria do “bem”.

Reduzir toda a complexidade da “defesa da vida” -a que um/a presidente deve estar comprometido/a- à manutenção da criminalização do aborto (que é o que está discutido de fato neste debate sobre ser a favor ou contra o aborto) é uma simplificação mais do que exagerada. Simplificação que deixa fora do debate, por ex., toda a discussão sobre políticas econômicas e sociais que afetam a vida e a morte de milhões de pessoas. Mas é compreensível quando os cristãos têm muita dificuldade em perceber quais são os caminhos concretos e possíveis para viver a sua fé na sociedade, perceber em que a sua fé pode fazer diferença na vida social. Diante de tanta complexidade, a tentação mais fácil é simplificar o máximo para separar “os do bem” de “os do mal”.

Essa simplificação me lembra a pergunta que os meus filhos, quando muito pequenos, me faziam ao assistir um filme: “pai, ele é do bem?” Se sim, eles torciam por aquele que “é do bem” contra o “do mal”. Essa necessidade de separar os do bem e os do mal faz parte da condição mais primária do ser humano. O problema é que reduzir toda a complexidade da luta em favor da vida ao tema de ser favor ou contra a manutenção da criminalização do aborto é infantilizar a discussão política e, o que é pior, é infantilizar a própria religião que professa.

* Coord. Pós-Graduação em Ciências da Religião, Universidade Metodista de São Paulo [Autor, em co-autoria com Hugo Assmann, de "Deus em nós: o reinado que acontece na luta em favor dos pobres"].

Abortando a eleição

Por Padre Otto Dana, via Blog do Luís Nassif

Brasileiros e brasileiras! O capeta está solto! Empunhemos nossos terços e Bíblias e até Alcorões, se os houver! Herodes brande a espada afiada contra as criancinhas do Brasil! Ergamos a fogueira! Queimemos os hereges! O aborto e os gays estão espreitando pela janela!

Gente do céu! Que tiririquice! Que babaquice mais que medieval. Que onda inquisitorial graçando em pleno século XXI. A caça às bruxas. O extermínio dos veados. Cruz, credo! Xô Satanás! Estamos apenas tentando eleger um Presidente para o Brasil. Estamos discutindo propostas e projetos para uma boa administração do Brasil. Aborto, gueisismo, pílula, camisinha não é prioridade do momento.

O processo eleitoral corria tranquilo, dentro dos princípios democráticos: discute-aqui- denucia-ali, promete-isso, condena-aquilo, tudo numa boa. De repente a serenidade é detonada por uma horda de aiatolás, talibãs, mulás, numa gritaria ensurdecedora contra os que ameaçam o poder do Altíssimo.

Alguns vestidos de batina (ainda!), outros de mitra e báculo, outros de terno e gravata ostentando Bíblias, todos ecumenicamente de dedo em riste acusador: "ela é a favor do aborto, ele apóia o casamento homem-com-homem, mulher-com-mulher, os dois defendem a distribuição de camisinhas até para as crianças da escola.

Deus do céu! Que atraso! Que tiririquice! Pra começar, arbitrar sobre aborto e formas de casamento é da competência do Congresso Nacional e não do Presidente da República, que apenas sanciona ou veta a disposição do Congresso. Além do mais, aborto e casamento gay nem estão em pauta de discussão, hoje.

Mais importante e pertinente agora é ouvir dos candidatos suas propostas e projetos concretos quanto à saúde, educação de qualidade, distribuição de renda, segurança da população, criação de empregos, formas de apropriação ou não do Estado, relações diplomáticas e econômicas com outros países, transporte, saneamento básico, liberdade de imprensa, desenvolvimento do país, programas sociais, etc., etc.

E mais: estamos num país democrático, regido por uma Constituição Civil e não pelas tábuas da lei de Moisés. É um país democrático e laico e não teocrático, apesar de supostamente religioso. Sua capital é Brasília e não o Vaticano, nem a Canção Nova, nem a sede da Assembléia de Deus, nem a CNBB.

Tentar manipular a consciência do eleitor, ameaçando-o com a ira de Deus é injuriar o próprio Deus que nos criou livres. O dia em que o povo tiver que consultar um aiatolá de plantão tipo Pastor Silas Malafaia, ou um Padre José Augusto (Canção Nova) para votar, é melhor rasgar o título de eleitor e o estatuto da maioridade civil. O que vem se praticando em meios religiosos no momento, é o aborto da eleição, da democracia, da Constituição e do bom senso. Xô Satanás!

* Padre Otto Dana é Pároco da Igreja Sant´Ana em Rio Claro - São Paulo (Diocese de Piracicaba - SP). Seu e-mail é http://mail.uol.com.br/compose?to=otto.dana@gmail.com

** A imagem do Padre Otto utilizada nesta costura foi retirada do site: http://www.catedraldepiracicaba.org.br/,

domingo, 24 de outubro de 2010

Se nos calarmos, até as pedras gritarão

Manifesto de Cristãos e cristãs evangélicos/as e católicos/as em favor da vida e da Vida em Abundância!

Somos homens e mulheres, ministros, ministras, agentes de pastoral, teólogos/as, padres, pastores e pastoras, intelectuais e militantes sociais, membros de diferentes Igrejas cristãs, movidos/as pela fidelidade à verdade, vimos a público declarar:

1. Nestes dias, circulam pela internet, pela imprensa e dentro de algumas de nossas igrejas, manifestações de líderes cristãos que, em nome da fé, pedem ao povo que não vote em Dilma Rousseff sob o pretexto de que ela seria favorável ao aborto, ao casamento gay e a outras medidas tidas como “contrárias à moral”.

A própria candidata negou a veracidade destas afirmações e, ao contrário, se reuniu com lideranças das Igrejas em um diálogo positivo e aberto. Apesar disso, estes boatos e mentiras continuam sendo espalhados. Diante destas posturas autoritárias e mentirosas, disfarçadas sob o uso da boa moral e da fé, nos sentimos obrigados a atualizar a palavra de Jesus, afirmando, agora, diante de todo o Brasil: “se nos calarmos, até as pedras gritarão!” (Lc 19, 40).

2. Não aceitamos que se use da fé para condenar alguma candidatura. Por isso, fazemos esta declaração como cristãos, ligando nossa fé à vida concreta, a partir de uma análise social e política da realidade e não apenas por motivos religiosos ou doutrinais. Em nome do nosso compromisso com o povo brasileiro, declaramos publicamente o nosso voto em Dilma Rousseff e as razões que nos levam a tomar esta atitude:

3. Consideramos que, para o projeto de um Brasil justo e igualitário, a eleição de Dilma para presidente da República representará um passo maior do que a eventualidade de uma vitória do Serra, que, segundo nossa análise, nos levaria a recuar em várias conquistas populares e efetivos ganhos sócio-culturais e econômicos que se destacam na melhoria de vida da população brasileira.

4. Consideramos que o direito à Vida seja a mais profunda e bela das manifestações das pessoas que acreditam em Deus, pois somos à sua Imagem e Semelhança. Portanto, defender a vida é oferecer condições de saúde, educação, moradia, terra, trabalho, lazer, cultura e dignidade para todas as pessoas, particularmente as que mais precisam. Por isso, um governo justo oferece sua opção preferencial às pessoas empobrecidas, injustiçadas, perseguidas e caluniadas, conforme a proclamação de Jesus na montanha (Cf. Mt 5, 1- 12).

5. Acreditamos que o projeto divino para este mundo foi anunciado através das palavras e ações de Jesus Cristo. Este projeto não se esgota em nenhum regime de governo e não se reduz apenas a uma melhor organização social e política da sociedade. Entretanto, quando oramos “venha o teu reino”, cremos que ele virá, não apenas de forma espiritualista e restrito aos corações, mas, principalmente na transformação das estruturas sociais e políticas deste mundo.

6. Sabemos que as grandes transformações da sociedade se darão principalmente através das conquistas sociais, políticas e ecológicas, feitas pelo povo organizado e não apenas pelo beneplácito de um governante mais aberto/a ou mais sensível ao povo. Temos críticas a alguns aspectos e algumas políticas do governo atual que Dilma promete continuar. Motivo do voto alternativo de muitos companheiros e companheiras Entretanto, por experiência, constatamos: não é a mesma coisa ter no governo uma pessoa que respeite os movimentos populares e dialogue com os segmentos mais pobres da sociedade, ou ter alguém que, diante de uma manifestação popular, mande a polícia reprimir. Neste sentido, tanto no governo federal, como nos estados, as gestões tucanas têm se caracterizado sempre pela arrogância do seu apego às políticas neoliberais e pela insensibilidade para com as grandes questões sociais do povo mais empobrecido.

7. Sabemos de pessoas que se dizem religiosas, e que cometem atrocidades contra crianças, por isso, ter um candidato religioso não é necessariamente parâmetro para se ter um governante justo, por isso, não nos interessa se tal candidato/a é religioso ou não. Como Jesus, cremos que o importante não é tanto dizer “Senhor, Senhor”, mas realizar a vontade de Deus, ou seja, o projeto divino. Esperamos que Dilma continue a feliz política externa do presidente Lula, principalmente no projeto da nossa fundamental integração com os países irmãos da América Latina e na solidariedade aos países africanos, com os quais o Brasil tem uma grande dívida moral e uma longa história em comum. A integração com os movimentos populares emergentes em vários países do continente nos levará a caminharmos para novos e decisivos passos de justiça, igualdade social e cuidado com a natureza, em todas as suas dimensões. Entendemos que um país com sustentabilidade e desenvolvimento humano – como Marina Silva defende – só pode ser construído resgatando já a enorme dívida social com o seu povo mais empobrecido. No momento atual, Dilma Rousseff representa este projeto que, mesmo com obstáculos, foi iniciado nos oito anos de mandato do presidente Lula. É isto que está em jogo neste segundo turno das eleições de 2010.

Com esta esperança e a decisão de lutarmos por isso, nos subscrevemos:

Dom Thomas Balduino, bispo emérito de Goiás velho, e presidente honorário da CPT nacional
Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia de São Felix do Araguaia-MT
Dom Demetrio Valentini, bispo de Jales-SP e presidente da Cáritas nacional
Dom Luiz Eccel – Bispo de Caçador-SC
Dom Antonio Possamai, bispo emérito da Rondônia
Dom Sebastião Lima Duarte, bispo de Viana- Maranhão
Dom Xavier Gilles, bispo emérito de Vina- Maranhão
Padre Paulo Gabriel, agente de pastoral da Prelazia de São Felix do Araguaia /MT
Jether Ramalho, Rio de Janeiro
Marcelo Barros, monge beneditino, teólogo
Professor Candido Mendes, cientista político e reitor
Luiz Alberto Gómez de Souza, cientista político, professor
Zé Vicente, cantador popular, Ceará
Chico César, Cantador popular, Paraíba/São Paulo
Revdo Roberto Zwetch, igreja IELCB e professor de teologia em São Leopoldo
Pastora Nancy Cardoso, metodista, Vassouras / RJ
Antonio Marcos Santos, Igreja Evangélica Assembléia de Deus – Juazeiro – Bahia
Maria Victoria Benevides, professora, da USP
Monge Joshin, Comunidade Zen Budista do Brasil, São Paulo
Antonio Cecchin, irmão marista, Porto Alegre
Ivone Gebara, religiosa católica, teóloga e assessora de movimentos populares.
Fr. Luiz Carlos Susin – Secretário Geral do Fórum Mundial de Teologia e Libertação
Frei Betto, escritor, dominicano

(O Manifesto conta com muito mais assinaturas de Cristãos que acreditam que é possível desenvolver uma campanha eleitoral limpa)

Dilma Rousseff recebe Manifesto da Juventude Católica


Para uma platéia de prefeitos e vice-prefeitos de 432 cidades mineiras, movimentos sociais e comunidade, a candidata Dilma Rousseff se comprometeu na tarde desta sexta-feira, dia 22, em Belo Horizonte, fazer um governo municipalista se for eleita presidente da República. Segundo ela, a política de parceria que vem sendo adotada no governo Lula será aprofundada e os setores da sociedade civil serão ouvidos e respeitados em sua gestão.

Durante o ato, Dilma recebeu manifestos de apoio da Associação dos Portadores de Hanseníase, de professores da Universidade Federal de Minas Gerais, do Sindicato dos Professores, dos reitores de Institutos Federais de Educação, de juristas, religiosos, artistas, policiais e da Juventude Católica que desde o dia 18 coletaram mais de 430 assinaturas de jovens e adultos ligados à evangelização da juventude nas mais variadas organizações. Com adesão de lideranças de 23 estados da federação o Manifesto não é uma posição oficial das entidades, mas, um movimento independente, composto por militantes e assessores das Pastorais da Juventude, religiosos, leigos e artistas populares que se posicionaram contrários ao projeto neoliberal.

Durante o ato estiveram no palco com a candidata petista os jovens Felipe Freitas, coordenador da Campanha Nacional contra a Violência e Extermínio de Jovens; Edgar Mansur, ex-secretário regional das PJ's do Leste II e Eric Moura, membro da Equipe Nacional da Pastoral da Juventude do Meio Popular, que entregaram o Manifesto a Dilma e declararam seu apoio e empenho no fim da campanha eleitoral. Segundo Mauro Rodrigues, um dos jovens católicos presentes ao Ato,

"o Manifesto é uma tomada de posição de católicos comprometidos com a justiça, a soberania e a cidadania no Brasil compondo um importante movimento contra a volta do projeto neoliberal e em defesa da continuidade das mudanças representadas pelo Governo Lula".



Veja esta e outras costuras em: http://fsfreitas13.blogspot.com/

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Por uma Campanha Eleitoral Limpa - 4 (O Nosso Brasil Merece Dilma Rousseff, é o povo quem diz!)

É o povo quem diz. Deixo que Amir Paulo, poeta popular, com versos e melodia, seja a voz do povo. Nas andaças pelas terras das Geraes me deparei com essa figura encantadora, grande poeta popular, que com seus versos simples deixa fluir do coração os sentimentos que se traduzem em palavras e melodia. Em ritimo altenticamente brasileiro Amir nos encanta com sua canção que segue neste vídeo.
Por você Amir, e tantos outros brasileiros, simples e honestos como você, que desenvolvo esta campanha em meu blog no desejo de mostrar que é possível realizar uma Campanha Eleitoral Limpa, sem baixaria, acusações infundadas e uso indevido da dimensão religiosa. 


Veja este vídeo direto no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=cFNYEN-rslg

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Por uma Campanha Eleitoral Limpa - 3 (EM DEFESA DA JUVENTUDE)


Jovens Católicos sobre o Processo Eleitoral

O processo eleitoral nos desafia a refletir sobre que tipo de projeto de desenvolvimento se coloca para a sociedade brasileira, em especial para a juventude. A despeito dos largos passos dados nos últimos anos na construção da pluralidade religiosa e no combate a intolerância, temos assistido no Brasil um processo fundamentalista de criminalização da atividade política de quem, a partir da fé e do envolvimento comunitário, quer transformar a realidade. Ao mesmo tempo, este processo cria uma indevida utilização dos preceitos religiosos para o benefício de uma candidatura escondendo, por trás do discurso da moral, a posição política daqueles que querem de volta o conservadorismo e a lógica neoliberal para o centro do comando do executivo federal do país.

Assim como dezenas de intelectuais, agentes de pastoral, bispos, padres, religiosos e religiosas nós, jovens católicos abaixo-assinados, posicionamo-nos em defesa de um Brasil justo, livre e igualitário e combatemos o retrocesso conservador representado pela candidatura do tucano José Serra (PSDB). Sabemos a partir do que fez à frente do poder público como Prefeito de São Paulo, Governador e Ministro do governo FHC que, apesar da pele de cordeiro, o candidato tucano representa o retorno ao receituário neoliberal, ao achatamento do salário mínimo, às privatizações, ao tratamento truculento aos movimentos sociais e às grandes taxas e impostos, além de tratar a juventude e os demais temas sociais que nos atingem direta ou indiretamente como casos de polícia, e não como base para políticas públicas específicas. Em outras palavras, o desrespeito à vida, à dignidade humana e a paz!

Recordamo-nos das grandes lutas travadas pelos movimentos populares contra os desmandos da Era FHC e, por isso, temos clareza de que um eventual Governo José Serra significaria grandes prejuízos às políticas de juventude, com fechamento dos espaços de diálogo com as organizações juvenis, redução dos recursos para os programas sociais e fortalecimento das políticas repressivas, com a caracterização de políticas de extermínio da juventude, notadamente a juventude negra. Além disso, a proposta de redução da maioridade penal, criminalizadora da juventude, que ataca os efeitos e não as causas, ainda hoje vigente no Senado, amplamente combatida pelos movimentos de juventude, pelas igrejas, pela CNBB e pela própria Conferência Nacional de Juventude, parte dos aliados conservadores do PFL/DEM que estão como vice na chapa de Serra.

Ao contrário do que vivemos no governo FHC assistimos no governo Lula a uma série de avanços no conjunto das políticas sociais e no diálogo com as organizações populares. Com forte colaboração da ministra Dilma Roussef a juventude brasileira participou de um importante processo de consolidação das políticas de juventude com a criação da Secretaria e do Conselho Nacional da Juventude, a realização da I Conferência Nacional de Políticas Juventude e recente aprovação da PEC da Juventude que assegura no texto da Constituição os/as jovens como sujeitos de direitos. Os próximos passos, que não podem ser ameaçados por um retrocesso, são a consolidação do Estatuto Nacional de Juventude e do Plano Nacional de Juventude.

A juventude católica abaixo-assinada saúda a candidata Dilma Roussef pela sua posição clara em defesa da dignidade humana, em defesa da juventude e compreende que em seu governo assistirá a continuidade de políticas como o PROJOVEM, PROUNI e Praças da Juventude, ao contrário das práticas dos governos de Serra (como prefeito e governador de São Paulo), marcados pelo autoritarismo e pela repressão ao movimento social.

Não podemos nos calar diante da leviana utilização do discurso religioso como forma de ofender a candidata Dilma Roussef. É evidente o respeito de Dilma aos valores cristãos, à unidade na diversidade, a dignidade da pessoa humana e a defesa da juventude. Acreditamos que a sua história se confunde com a luta pela democracia, pela liberdade religiosa e pela liberdade de imprensa. Não podemos acreditar na enxurrada de mentiras divulgadas diariamente com interesse de difamar a candidata.

Precisamos assumir com ousadia o nosso desafio militante e lançarmo-nos numa grande rede contra a mentira e defesa da juventude. Dilma concretiza, na presidência, a opção preferencial que vivemos enquanto comunidade católica na América Latina: a opção por todos e todas, especialmente por aqueles/as que mais precisam, os/as pobres e os/as jovens. Converse com seus colegas, amigos/as, vizinhos/as, colegas de trabalho e comunidade. Acesse o site www.dilma13.com.br e veja a versão verdadeira das muitas mentiras divulgadas pela internet, enfim, vamos as urnas eleger Dilma 13 e continuar nas ruas em trincheira por um Brasil livre, soberano e democrático.

Sou católico, Sou Jovem, Sou Dilma! No dia 31 de outubro vote 13!

(Manifesto publicado no 17 de outubro de 2010, domingo, no blog do companheiro Felipe de Freitas (http://fsfreitas13.blogspot.com/) no qual constam a lista de quem assina o mesmo. Para assinar também, entre em contato com Felipe pelo e-mail: fsfreitas_13@yahoo.com.br ou pelo telefone: 75 8811-786.

Por uma Campanha Eleitoral Limpa - 2 (Carta da UFMG sobre as eleições)

(Costura recebida, hoje, por e-mail. Encaminhada por Hércules P. Santos - Mestre em Educação - CEMEF EEFFTO-UFMG / Núcleo PR@XIS FaE-UFMG)


"É preciso evitar o retrocesso e garantir que a universidade pública continue a ser valorizada como Política de Estado".

Carta da UFMG sobre as eleições

Quanto mais bem informado um voto, melhor para o país. É com esse objetivo que nós, participantes da gestão da Universidade em anos recentes, nos dirigimos à Comunidade. O momento é de comparação de dois projetos para o Brasil. De um lado Dilma Rousseff, representando a continuidade do projeto desenvolvido nos últimos anos e do outro, José Serra, a oposição a este projeto.

O sistema universitário público federal viveu anos difíceis no Governo FHC. No segundo semestre de 2003, com o último orçamento da era FHC, a UFMG, pela primeira vez, viu-se obrigada a suspender o pagamento de suas contas de água e energia elétrica. Graças à compreensão do Governador do Estado, tais contas puderam ser saldadas em 2004, sem ter havido cortes no fornecimento. A partir de 2004, em contraste, o Brasil tem vivido a maior expansão de seu sistema federal de educação superior. Novas universidades, novos campi de universidades já existentes, a Universidade Aberta do Brasil levando cursos de graduação a distância a centenas de cidades do interior do país.

O Ministro Fernando Haddad, inspirador e artífice das políticas do Governo Lula para a educação, recusa o conceito de Paulo Renato, Ministro de FHC e Secretário de Educação do Governo de São Paulo, conceito este já anunciado nas propagandas de José Serra, de que ao Governo cabe preocupar-se apenas com o ensino básico e tecnológico, deixando o ensino universitário submetido às forças do mercado. O Governo Lula colocou a educação em todos os níveis como prioridade absoluta. Prioridade no setor público se mede pela destinação de recursos orçamentários. É aí, na questão orçamentária, que a comparação pode ser feita com a maior clareza. Em valores corrigidos, o orçamento de custeio da UFMG aumentou 86% comparando-se o ano de 2010 com o ano 2004.

A UFMG realiza, a partir de 2004, a maior expansão de sua história. Concluímos o Projeto Campus 2000 com a construção da FACE e da Engenharia. O Projeto REUNI, ora em execução, viabiliza 2100 novas vagas (aumento de 45%) no Vestibular, 406 novos professores com equivalência D.E., 623 novos funcionários, construção de 4 novos prédios e reformas em vários outros, laboratórios, bibliotecas, novos cursos de graduação, expansão de cursos noturnos e apoio orçamentário à Assistência Estudantil, antes inexistente.

É preciso evitar o retrocesso e garantir que a universidade pública continue a ser valorizada como Política de Estado.

(Orçamento de custeio da UFMG corrigido para janeiro 2010).

Ronaldo Tadêu Pena (Reitor: 2006-2010)

Heloisa Murgel Starling (Vice Reitora: 2006-2010)

Marcos Borato Viana (Vice Reitor: 2002-2006)

Um Grande Abraço,

Hercules P. Santos

Mestre em Educação - CEMEF EEFFTO-UFMG / Núcleo PR@XIS FaE-UFMG

Projeto Pensar a Educação Pensar o Brasil - www.fae.ufmg.br/pensareducacao

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Por uma campanha eleitoral limpa - 1

Navegantes, Costureiros e Costureiras, eleitoras e eleitores

Peço licença para o que vou postar aqui neste espaço, pois, desde quando a interatividade que se estabeleceu neste blog o que se constrói aqui não pertence apenas a mim o que torna este espaço não somente meu.

Peço licença, também, para postar uma costura que não é minha, mas que vejo necessária sua divulgação, assim como, postar neste dias que seguirão costuras e retalhos voltados para o contexto eleitoral que estamos vivendo.

Qual minha motivação para isso? Como sabem, sempre utilizei este espaço para difundir, minhas crônicas, poesias e tudo que levasse a quem se deparasse com minhas costuras a pensar na vida, e de alguma forma tornar nossa lida diária, mais saborosa, mais colorida, mais gostosa de se viver. Mas, diante do meu envolvimento político e por discordar com essa campanha suja que se estabeleceu, nos próximos dias postarei textos ligados ao contexto eleitoral, sejam de minha autoria ou não.

As conversas que ouço, nos pontos de ônibus, dentro dos ônibus, na rua, os e-mails que tenho recebido tem me deixado preocupado com o rumo que a campanha eleitoral tomou. São falas e escritos agressivos, distantes de uma reflexão consistente e o que é mais lamentável, sem nenhuma avaliação crítica e política.

Hoje mesmo, estava eu esperando o ônibus para vir trabalhar quando ouço duas senhoras conversando em tons carregados de ódio, e o que é pior, fazendo mau uso, ou melhor, distorcendo fatos que ganharam a mídia e o povo sem saber da raiz do problema, difunde da pior forma possível. Mas, elas tinham tanta segurança do que estavam falando que eu preferi só ouvir e não interferir naquele diálogo, queria ver até que ponto chegariam.

Entre os assuntos tratados sugiram os seguintes: legalização do aborto, casamento gay, distribuição de dinheiro para os pobres, os bispos da igreja católica estão contra a Dilma porque ela é a favor do aborto, entre tantos outros que não dei conta de ouvir, por perceber tamanha falta de informação. Os temas que cito são de acordo com o que eu ouvi e comentarei o que elas falavam, minimamente, sobre cada um deles.

Legalização do aborto e bispos contra Dilma por ela ser a favor do aborto, elas comentavam que é um absurdo alguém ser a favor de matar criancinha. Uma delas dizia: “isso eu não concordo”, ao ouvir isso eu me perguntava, quem em sã consciência concorda com isso? Creio que nenhuma mãe que por algum motivo na vida foi levada a cometer um ato deste, foi rindo e cantando abortar o seu filho. Assusta-me como que um assunto tão sério foi trazido para o campo da disputa eleitoral e banalizado, retirando de tal tema o verdadeiro sentido de sua discussão. Elas em momento algum comentaram que isso é uma questão de saúde pública, em momento alguma citaram as políticas de saúde no Brasil, os inúmeros abortos clandestinos que são realizados em nosso país, levando a morte inúmeras mulheres que se tivessem uma assistência medica estariam livre de perder sua vida. Ao findar esse assunto uma delas disse: “Você viu menina que os Bispos da Igreja Católica mandaram fazer uma carta divulgando que são contra Dilma por ela ser a favor do aborto?” Neste momento, eu virei para elas e ia dizer algo, quando algo me dizia, não vale a pena entrar nesta discussão. Pensei em dizer quem de fato está por trás destes textos e que não são os bispos, mas alguns bispos. Por um instante me senti envergonhado de ser católico, quase acreditei no que elas diziam, elas falavam com tanta convicção que quase esqueci que sou católico e sei muito mais do que se divulga por aí. Segui meu bom senso e fiquei quieto.

Casamento gay, quando iniciou esse tema elas concordavam que isso é coisa da igreja e que a política não deve se meter. Eis que surgiu o comentário: “se pastor ou padre quiser casar gays o problema é dele, ninguém tem que se meter nisso, isso depende do que cada igreja quiser fazer, eles tem a Igreja deles lá na Savasse, que vão para lá casar”, nesse momento, quase interferi, mas, esperei mais, e, fiquei mais uma vez pensando, será que elas sabem que a discussão em torno desse tema não trata de casamento religioso e sim civil? Pelos comentários, creio que não. Sem contar o tom preconceituoso e homofóbico que saía do diálogo.

Distribuição de dinheiro para os pobres, esse foi o pior de todos, pois me fez perceber o quanto não sabemos do que acontece no país e abrir a boca e dizer: “as indústrias estão sem mão de obra porque o governo fica distribuindo dinheiro aos pobres e eles deixam de trabalhar”. Parece que as pessoas passaram os últimos 8 anos assistindo os inúmeros Reality Shows e não viram os grandes avanços do país, e se a industria está com falta de mão de obra é porque o país avançou e muito nos diversos setores, avançou tanto, que as pessoas podem decidir se querem trabalhar nesse ou naquele setor, em 2009 geração de emprego no país chegou a 15.023.633; sem contar o investimento na educação superior que qualifica o profissional e também o faz não se contentar com qualquer coisa, foram criadas nos últimos 8 anos 14 universidades distribuídas em todas as regiões do país; por fim, não dá para desqualificar e não ver os avanços que tivemos, não podemos difundir um discurso que nada contribui para o bom cidadão.

Sem dar conta do que ouvia e antes de pegar meu ônibus escuto elas dizerem: “eu não sei debater, sabe? Eu não estou envolvida muito nesse negócio de política.” E outra responde: “eu também não, eu não a fundo essa coisas, tem gente que sabe, né?” Eu, naquele momento, pensei que elas estavam pedindo uma ajuda, se não estavam, precisavam, pois, estavam apenas reproduzindo o que ouviam sem nenhuma reflexão crítica sobre os fato. Virei para elas com o intuito de poder esclarecer algumas coisas, quando uma disse a outra: “Já está vindo, o meu é aquele ali, tchau!” e a outra: “O meu é aquele de traz, até!” E eu fiquei inquieto por não ter ajudado as duas senhoras que por sua ingenuidade, deixam-se levar pelas mensagens distorcidas imbuídas dos interesses mais mesquinhos que o ser humano é capaz de produzir.

Com o desejo de contribuir com um saudável processo eleitoral, com uma discussão respeitosa e sem agressividade, sabendo que chagamos a um estado de gestão de nossa sociedade que nenhum candidato é ingênuo de concorrer a um cargo político, sobretudo, presidencial, sem ter bons propósitos para sua gestão, e que devemos entender que não será possível agradar a todos que eu copreendo que o posicionamento das senhoras que conversavam ao meu lado era fruto desta campanha mesquinha e suja que estamos presenciando, que eu me contive e não interferir naquele diálogo. O lamentável é saber que pessoas de boa fé estão sendo levadas a dar continuidade a essa campanha baixa pautada por informações na maioria das vezes sem fundamentos ou distorcidas da realidade como o citado pelas senhoras ao dizerem que os bispos católicos são contra Dilma por esse ou aquele motivo, o que não é verdade, o que existem são cidadãos e cidadãs que são simpatizantes, ou não, deste ou daquele candidato, e que é totalmente legal.
Sou Dilma, porque dos projetos de governos que ainda estão na disputa eleitoral o dela é qiue acredito ser o melhor para o país. E, não será por isso que eu vou condenar o seu adversário. Neste sentido, os próximos textos serão voltados para este processo e, como anunciado postarei costuras de quem acredito e respeito e que possa ajudar as pessoas a construírem suas próprias conclusões, sem agredir ou difamar ninguém.

Iria postar outro texto, mas fui levado pelo o que vivi hoje e pelo tenho presenciado estes dias em que fui acusado de ser um militante religioso ditador por ter expressado minha opinião em uma das páginas de relacionamento após um comentário que uma jovem fez uma das minhas postagens. Em fim, saiu isso e dá próxima vez, divulgo outros. (As acusasões foram mais baixas e agressivas, mas, por achar que este espaço deva manter sua coerência de propósito inicial não os mensionarei)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O pescador e o retorno de saturno


Após uma ansiosa espera o dia chegou e a tão esperada idade também. Sem saber como explicar, esse aniversário foi, se não o mais, um dos mais esperados. A loucura da campanha política e meu envolvimento com ela, não me permitiu preparar como desejei este dia, no qual resolvi fazer algo somente nos quarenta e cinco minutos do sesundo tempo. Não teria uma festa organizada com antecedência e muito menos bem preparada.

Mas, teria a companhia de bons amigos que é o que vale a pena e o que mais importa. Bons amigos, papo agradável e samba de raiz. Uma mistura que me rendeu muitos risos e uma bela comemoração do tão esperado dia 2 de outubro. Como já anunciei não tenho uma explicação lógica por tal ansiedade em comemorar tal idade. Talvez seja a tal volta de saturno influenciando meu momento astral e no qual alcanço meu último ano de juventude segundo a fixação estabelecida pela a Organização Iberoamericana de Juventude (OIJ).

Esperava ter uma festa em um sítio com a FACTOTUM tocando o número que virou canção para Renato Russo e que eu tanto esperei chegar em idade. Não foi assim, mas, assim como em outros anos a festa ainda não acabou. Ainda mais que neste ano minha festa começou na véspera do dia 2 na qual a madrugada me trouxe um presente inesperado sob a noite de um belo horizonte.

Opa! Que desajeitado eu sou, falando de aniversário, de idade que esperava completar e ainda não mensionei abertamente a idade que completei no dia dois deste mês. Na verdade já o fiz com a utilização de códigos ou elementos que podem conduzir ao entendimento da minha idade atual. Vamos brincar um pouco com minha idade, já que ela nos possibilita isso.

Minha idade atual é um número real e um dos números naturais que só é divisível por um e por ele mesmo o que torna minha idade um número primo. Segundo Sophie Germain é o sexto número primo, mas, para quem não conhece tão brilhante mulher e suas teorias numéricas veja qual é o décimo número primo e terás a minha idade. Para a Organização Iberoamericana de Juventude (OIJ) é o último ano que se pode considerar jovem. Para os que gostam de química, veja qual é o número atômico do cobre e minha idade saberás. Para os músicos ou poetas é só lembrar o número que Renato Russo transformou em canção. Para os historiadores ou quem gosta de história é o número que lembra a Grande Depressão iniciada no Estados Unidos, conhecida também de Crise de (minha atual idade) e o mês do seu ápice é o mês que nasci. Para os matemáticos digo apenas que a soma dos seus divisores tem como resultado trinta, para facilitar, não esqueçam que é o decimo número primo. Para os numerólogistas seu resultado final é o dia em que nasci. Para os religiosos, descubram o ano que Jesus foi batizado por Jão Batista e minha idade encontrarás. Para os astrólogos é o ano que corresponde ao primeiro retorno de Saturno. E para facilitar e esse jogo acabar um mês eu vou usar. Sem o costume perder e minha idade dizer sem sair do contexto, é só contar o número de dias do mês de fevereiro em anos bissextos. Para você que chegou até aqui e não desistiu de ler e minha idade ainda quer saber, pois, ainda não foi possível descobrir, a quantidade de aniversário que já festejei em ordinal eu vou dizer e depois espero seu cometário: “no dia 2 de outubro foi meu vigésimo nono aniversário que em algarismos romano é XXIX e se fosse em televisão não estranhe se ouvir falar em polegada.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

No voto a possibilidade de um Brasil melhor.


Nessa reta final do processo eleitoral muitas pessoas tem me procurado para saber em quem vou votar ou o que eu penso a respeito da política ou mesmo do cenário da disputa eleitoral, entre uma resposta e outra não tenho com fugir de algumas convicções, valores ou mesmo sonhos. Sonhos de um mundo melhor, que respeite os seres da terra em todas as suas dimensões e por isso sempre reafirmo em cada resposta tudo aquilo que acredito que contribuirá para a construção de um mundo verdadeiramente igualitário.

Minha esperança é que nesta eleição caminhemos com segurança e firmeza para votar com consciência, sem a dúvida que tentam incutir em nossa mente, falando de voto útil que tem por trás o voto em quem irá “ganhar”. Usemos nossa capacidade avaliativa de olhar para os candidatos e decidir em quem votar, a partir de seus projetos eleitorais e administrativos.

Nós devemos, também, estar atentos a história de luta e de vida dos/as candidatos/as, seu envolvimento com as causas sociais, causas do povo trabalhador, do educador que tanto contribuiu para o desenvolvimento de nosso país e que pouco se vê valorizado; do gari que torna nossas cidades mais atrativas e belas e que é sempre subalternizado; do profissional da saúde doente por falta de investimentos; dos profissionais artesanais que ajudam a movimentar a economia onde os governos e candidatos só lembram nos períodos eleitorais.

Avaliemos severamente o envolvimento dos candidatos com o povo brasileiro, criança, negro, mulher, jovem, idoso, indígena e tantas comunidades tradicionais sempre esquecidas. Avaliemos seu compromisso com a luta pela conquista da terra, teto, saúde e educação “pública” e de qualidade – afinal, gratuita não é, já que somos nós quem contribui para que os investimentos nesses setores se efetivem com os diversos impostos que pagamos – e respeito a tantos grupos que sofreram e ainda sofrem com os mais diversos tipos de preconceitos e discriminação.

Precisamos efetivar nossa capacidade de dar a devida importância e valor ao nosso voto e não cairmos na idéia de que política não presta, que não adianta votar, idéia que só ajuda a deixar tudo como está. Está passando da hora de darmos um basta ás enganações eleitorais, promessas vazias, o voto não é uma mercadoria que pode ser comprada a qualquer preço, o voto deve ser conquistado e somos nós que vamos decidir quem será merecedor dele.

Quem compra o voto não tem nenhum compromisso sério com a política, e quem vende não tem consciência do verdadeiro valor de seu voto. A união de um povo já transformou muitas coisas, e a união de um povo através de seus votos poderá mudar a atual conjuntura política deste país. Unir-se em torno do bem comum é prática de cidadania. É preciso lutar pelo resgate de nossa sociedade sem a idéia de que tudo está perdido.

Uma sociedade justa e igualitária, com saúde, educação e pão é possível. Mas, para isso é necessário que o povo não seja instrumento de corrupção. É preciso verdadeiro projetos comprometidos com gente, com a nossa gente, que nenhuma família, da roça ou da cidade, seja esquecida. Que os grandes projetos de desenvolvimentos econômicos não separem o rio do pescador e a terra do agricultor.

Não dá para nos conformarmos com a situação que aí está. Olhar para cima e não ver mais o céu. Os peixes correm o risco de serem vistos apenas nos aquários, e nós não poderemos nos banhar em nossos rios. Mas vejo, não distante, um projeto popular chegando, fruto dos grupos esquecidos se organizando, com um jeito ousado de trabalhar, que vê na conscientização de todos a solução, e através da participação unida acredita na transformação social. E assim poderemos sonhar com uma sociedade onde olharemos rio, céu, terra e floresta sem poluição ou destruição e sentiremos a felicidade em cada coração.

P.S. Avalie e vote conscientemente. Espero se não ajudei, não ter piorado na sua relação com o processo eleitoral ou mesmo com a política.

domingo, 12 de setembro de 2010

Uma visita inesperada


A noite estava fria e o vento fazia o corpo estremecer. O jovem escritor sentado ali, sem um agasalho, no meio fio daquela rua morta, de vida, apenas algumas árvores que resistentemente sobreviveram o avanço do progresso que tiraria o país da miséria, e o vento as fazia movimentar. Um cachorro, em busca de companhia deita-se ao seu lado esperando um afago e ele é quem se sente afagado por aquela nobre companhia naquela noite fria e sem vida.

Cabisbaixo, fitando o novo amigo perdeu-se em seus pensamentos, nas lembranças dos momentos que sempre desejou que acontecesse. Imaginou-se brincando com seu novo amigo, e as risadas contagiantes, fruto dos momentos felizes que um proporcionara ao outro. Sem perceber se pegou ensaiando um sorriso ao imaginar os momentos com o seu novo amigo. Enquanto viajava em sua imaginação ouviu uma voz suave, levantou sua cabeça e viu uma bela jovem em sua frente. Estranhou. “De onde teria surgido tão bela jovem?” Indagou-se em seu pensamento.

Estaria ainda imaginado? Seria aquele ser fruto de sua imaginação? Ainda submerso em seus pensamentos, das lembranças do que não aconteceu e dos risos permitidos na companhia de seu novo amigo resolveu entregar-se ao que via em sua frente. Como que compreendendo o desejo do jovem escritor de sair daquele estado melancólico a bela jovem lhe diz:

- Vamos passear?

- Onde? Ele questiona.

- Onde você quiser, um lugar bonito, sem barulho, calmo e tranqüilo. Ela responde e acrescenta:

- Bom! Hoje, qualquer lugar estaria bom, qualquer lugar será melhor que este túmulo que você está.

- Que tal uma praça? Ele sugere.

- Pode ser, acompanhado da lua e das estrelas. Diz a bela jovem com um ar de riso de quem esconde algo a mais e complementa:

- Quem sabe você possa me explicar as coisas da vida.

Ela estendeu a mão e o ajudou a levantar-se. Ele passou a mão sobre seu amigo e o fez levantar também. E juntos caminharam rumo à praça que seria palco das explicações das coisas da vida que a jovem ansiava por escutar, calar e aprender. Enquanto caminhavam, ele explicava o que pensava da vida, seus significados, valores e sentidos. Explicava cada coisa como quem contasse uma história. A bela jovem parecia saborear cada frase dita como quem necessitasse alimentar-se do que o jovem escritor dizia para livrar-se de algo que nem ela sabia ao certo o que seria. Ele contando e ela escutando cada palavra, mergulhados naquele mar de histórias nem perceberam que eles já estavam caminhando pela Praça das Bandeiras. Então ela diz:

- Esperar o desfecho de suas explicações me deixa ansiosa, você têm uma paciência...

- Vou te dar mais uma ansiedade. Ele diz.

- Ahhhh, não acredito! O que é? Tem mais alguma coisa? Ela exclama perguntando. O jovem escritor então disse:

- Desde que você veio até mim, você trouxe uma pergunta que ainda não me fez e que se intensificou à medida que ouvia as minhas histórias, mas eu a vou responder com mais histórias.

A bela jovem olhou-o assustada com os olhos quase saltando da face. E esperou o que ele teria a lhe contar. Ele teria mesmo sentido o que ela trazia em seu coração? Só lhe restava esperar e ficou mais atenta do que em todo o caminho até a praça.

O jovem escritor começou a lhe contar a história das rosas negras, da importância delas no mundo e na vida das pessoas, falou-lhe que as rosas negras são raras e devem ser cuidadas e que quando encontradas elas tornam nossa vida mais bela e mais preciosa, pois elas são raras e tornam nossa vida com elas rara também.

Ela com um ar de surpresa e uma mistura de sorriso e emoção disse: - Espero que seu jardim esteja repleto dessas raridades, as rosas negras são muito significativas na sua vida. Ouvi-lo me causou um gelo na barriga. Espero ter tempo para viver esse tipo de relação. Como que a testando ele perguntou:

- Mas, quando é que encontramos essas rosas negras? Ela respondeu:

- Quando estabelecemos uma relação sincera. Quando sem mesmo escutarmos, só olharmos, percebermos o que a pessoa pensa e sente. Quando essa pessoa é um ser único e especial em nossa vida capaz de despertar os melhor de nós e nos levar a fazer coisas que nunca tínhamos feito. Ele ponderou:

- Devemos cuidar para não deixar que essas raridades passem por nós sem termos apreciado sua beleza única. Antes que ele concluísse ela interou:

- Possíveis de passar despercebidas? Mas, quando se encontra é impossível deixar de saber quem é uma raridade em nossa vida. Por isso eu valorizo cada ser em minha vida, mesmo aqueles que passam por pouco tempo. Ele sorriu ao perceber que ela trazia em si a resposta que tanto ansiava e com o intuito de despertar mais o que ela trazia no coração disse:

- O encontro com um ser raro é mágico, acontece no momento em que se canta a pausa da canção do encontro das almas puras. E ela exclamou:

- Claro! Vai além dos sentidos. É coisa que só vemos com o coração. É uma experiência única, inexplicável através de palavras. Ele diz mais:

- Por isso é tão difícil narrar. É preciso ler o coração, é preciso tirar dele a compreensão. E ela diz:

- Nada melhor do que a experiência par ajudar. Ele sorriu. E ela continuou:

- Você traduz bem os sentimentos e fala deles com muito jeito. Mais um sorriso ele emitiu, como quem não soubesse o que dizer, e antes que ele arriscasse pronunciar qualquer palavra e tentando justificar a solidão em que encontrou o jovem escritor ela continuou:

_ Talvez seja por isso que seu coração não é de uma pessoa só. Seria egoísmo se assim fosse. Nada melhor que a convivência par nos ensinar, mesmo que seja assim, num encontro inesperado, numa noite fria e solitária, na Praça das Bandeiras.

Suas histórias, quem as escuta fica pensando do que de fato se trata, o que quer dizer...

O jovem escritor mais uma vez sorriu e perguntou:

- Você poderia me explicar melhor o que acabou de dizer?

- Quando te ouvimos, ficamos inquietas para saber mais sobre tudo o que diz, acompanhar seu raciocínio. E ele disse:

- É? Mas, de fato, sempre quer dizer mais e sempre se têm mais a dizer. Elas traduzem apenas um fragmento de coisas muito mais complexas. E a bela jovem acrescenta:

- É bem isso, seu sinônimo é complexidade, não sabe ser simples nas palavras mesmo sendo tão simples no seu agir. E, agradeço o privilégio da partilha de diálogo nesta madrugada fria, de insônia e solidão, na sua companhia e de seu companheiro cão. Ele abaixou-se para afagar o cachorro, que os acompanhou durante todo aquele diálogo, e sentiu-se feliz pelo acontecido e quando levantou o olhar para agradecer, também, à bela jovem pela companhia, só viu o rastro do luar, o sol despontando no horizonte e o canto de um galo anunciando um novo dia. Então pensou: teria sido a lua a sua companhia naquela madrugada fria? Sem compreender muito bem o que tinha acontecido, mais uma vez, apenas sorriu.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Agosto a gosto de quem?

O dia foi tão corrido que ele não percebera que agosto passou. Já estava na primeira madrugada de setembro. Relembrou o dia anterior, o último dia de agosto, cheio de coisas a fazer e as fez. Viveu todo aquele mês na espera daquele último dia de agosto que chegou e ele nem percebera que tinha passado, não viveu o mês inteiro como gostaria de viver, mas gostou do que viveu, sobretudo, aquele último dia de agosto.

A noite que antecedeu aquele dia, o último de agosto, já anunciava que o dia seguinte, a seu gosto ou a seu contra gosto, passou e restava apenas viver o seu último dia. E aquele fim de agosto teria um gosto diferente, um gosto especial.

Ainda restavam alguns ajustes a fazer antes que o galo anunciasse um novo dia. Sentado em frente ao seu computador, o jovem escritor, nada conseguia fazer, seus pensamentos estavam presos no dia que ainda estava por vir. Embriagago por seus pensamentos que o levavam para além dali, de seu quarto, tantas vezes frio com sua cama vazia, virou-se com um ar de satisfação e um suave sorriso, olhou para a sua cama que já não estava vazia como de costume e viu aquele corpo que cansado repousava ali e chamava por sua companhia.

O mar de palavras de seus mergulhos diários ganhava outros significados, com novas denotações e conotações, tão únicas que o seu maior esforço seria inútil para tentar verbalizar tudo o que aquele momento preenchia em seu interior. Um anjo resolveu lhe visitar e lembrar-lhe a beleza que há em ser divino na humanidade. O vazio que outrora tanto lhe incomodara já não tinha poder sobre ele. Sua divindade era o que mais humano possuía e foi preciso a presença daquele anjo para recorda-lhe do sentido da vida.

O eco do seu grito interior trouxe até ele aquela presença que o fazia sorrir. Deixou seus ajustes de lado. Nada mais importava. Somente a contemplação de sua amada que se encontrava ao alcance de seus abraços, beijos e carinhos, merecia sua atenção. E, ao ouvido daquele ser angelical que repousava em sua cama, sussurrou: impossível não te amar, és tão radiante que o arco-íris nasce em ti e por isso tua presença colore o mundo.

Sem a ansiedade da espera pela chegada do último dia de agosto, deitou-se, abraçou sua amada e continuou suas juras de amor e adormeceu sentindo a brisa que invadia seu quarto e fazia aquela junção de corpos ganhar mais sentido. Foi assim, que aquele mês de agosto e, sobretudo, seu último dia, não ficou ao gosto do jovem escritor, mas ficou a gosto do amor, que sempre foi sua maior reverência, a causa de seus escritos e seus melhores refluxos mentais.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Gritos silenciados, mas evidentes.

Com muitos gritos chamamos porque precisamos de gente unida e comprometida.

Queremos revelar algo que se tornou segredo, que era sabido por todos, mas foi esquecido. É algo muito precioso e sabemos onde está.

Não nos envergonhamos de gritar, não nos envergonhamos de pedir ajuda, pois sabemos que só a união de forças será capaz de transformar o mundo. E que juntos podemos sempre mais. Outro mundo melhor deve ser para todos, e nosso segredo deve correr o mundo.

Venha como vier, com tuas dores, com teu desânimo, com teu peito machucado e teu cansaço de tanto tentar e nada conseguir. Venha que temos muita garra para contagiar, muita força para partilhar, ternura e esperança. Venha que saberemos despertar o que escondes no peito, a esperança de criança, pura e teimosa, simples e ousada.

Vamos precisar estar dispostos para enfrentar os perigos que se escondem nas esquinas e nos impedem de ver adiante. Vamos precisar estar atentos para ouvir o que há tempos não conseguimos mais. Vamos precisar de astúcia para distinguir os sons errantes que tentam nos enganar. Não nos dispersemos, vamos precisar estarmos juntos, com o sorriso no rosto, vamos caminhar de mãos dadas.

Não esqueçam o colorido, não esqueçam o sorriso. Busquemos nas águas das chuvas o vigor, no arco-íris a cor e no coração a vontade de fazer a diferença. Nós vamos estar com nossos variados estilos, que caracteriza nossa diversidade. Venham como vier, vamos ampliar nosso jeito de ser. Vamos ser uma corrente viva e colorida, com muitas caras e muitos jeitos e um só desejo: revelar o segredo.

Nada de pressa, vamos com calma. É certo que o segredo que queremos revelar já não pode tanto esperar. Mas, vamos com cautela, sem o risco de revelá-lo sem a forma que ele mereça. Por isso, vamos pelo caminho longo, sem enveredar pelos atalhos que muitas vezes são traiçoeiros. Sem desânimo vamos caminhando sempre em frente. No caminho vamos pensar no que já vivemos e o que queremos viver. Vamos planejando o que faremos quando chegarmos. Mas, uma coisa é certa: vamos revelar o segredo ao mundo.

Vamos revelar a todos, a todos que ficaram, a todos que não quiseram descobrir, a todos que escondem suas esperanças no baú interior, que acham que utopia de nada vale, que o sonho acabou e já não sonham mais e por isso, nem vivem. Vamos revelar a todos. Com quem prefere deixar como está. Com quem prefere ver as notícias na TV como se tudo fosse um programa de auditório e que basta desligar o botão para que tudo acabe. Quando tiverem acesso ao segredo, não vão se contentar em ficar sentados na poltrona esperando que o programa seguinte entre no ar. Irão se juntar a quem ainda tem coragem de sonhar.

Vamos revelar a todo mundo, até para quem não quis vir por medo de ouvir, pois, no fundo sabia que não resistiria. Para quem ridicularizou nossa aventura, e teve vergonha de vir conosco. Para quem nos seguiu escondido com vergonha de ter voltado atrás na sua decisão de não vir. E principalmente, para aqueles e aquelas que por medo do poder desse segredo, sempre forjou meios de nos impedir de revelá-lo. Vamos revelar até para quem não tem certeza de sua existência. Vamos gerar uma nova ordem mundial, onde os gritos silenciados chegarão ao conhecimento de todos, e ninguém deixará de escutar os desejos que há muito foi calado e esquecido. Ninguém os ouvia, mas eles sempre existiram.

E isso tudo é apenas parte do segredo. Houve um tempo, que todos sabiam disso. E o capital e sua ideologia diabólica que nos divide, inventou sons que abafaram os tantos gritos: os gritos de tantos lutadores e lutadoras do povo que se envergonham de uma história manchada por tanta indiferença, discriminação e opressão; o grito dos pobres sem chance de melhorar de vida, dos negros escravizados e discriminados; dos povos indíginas explorados e massacrados; dos retirantes sem ter onde ficar; dos sem terra para plantar; dos sem tetos para morar; das mulheres exploradas e confinadas nas prisões domésticas; das crianças que não suportando os falsos lares encontravam nas ruas o “abrigo”, dos jovens sem chances e esquecidos, sem emprego, acesso ao lazer e obrigados a freqüentar escolas pouco qualificadas. Gritos de tantos, mulheres e homens, que o sofrimento não deixava mais sorrir.

E o segredo que queremos revelar é que aprendemos. Tentaram nos impedir, mas a vida não parou e aprendemos. Aprendemos que podem abafar nossos gritos, mas não podem nos calar. Aprendemos que mais gente gritava e não era ouvida, por isso chamamos todos para unirem-se em torno da mesma luta: evidenciar nossos gritos. Mas, para isso, não vamos mais gritar, aprendemos que existe algo mais eficiente do que os gritos que podem ser silenciados. Vamos sussurrar como os assovios dos ventos nas frestas, como os segredos ditos aos ouvidos. E o segredo é esse: sussurre que não desaparecemos, que estamos vivos, que vamos continuar lutando, mesmo quando o mundo achar que não somos nada, pois, somos jovens e estamos construindo um mundo novo. Não esqueça o segredo: não grite, sussurre. Os sussurros voam como os ventos, e esses ventos levarão a esperança jovem que contagiará o mundo.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Cumplicidade: Quando nos tornamos cúmplices?


Ser cúmplice! Esta é uma questão que me acompanha constantemente. É assim que gosto de chamar quem me é raro/a. Outro dia escrevi sobre as rosas negras, sobre sua raridade e sobre sua beleza transformadora. Assim são os cúmplices, são seres raros, como as rosas negras, por isso chamo as minhas e os meus cúmplices de rosas negras, elas e eles não sabem disso, mas assim os considero. São tão raros que não é possível encontrar aos montes, e por sua raridade devem ser cuidados e preservados. Cumplicidade não se faz, se vive, assim como o amor. Só existem na vivencia humana, na relação mais profunda de intimidade. Na capacidade de colocar-se no lugar do outro para entender o que o outro sente e assim, nada precisar dizer, apenas oferecer o colo ou o ombro se tristeza, ou abraçar e festejar se alegria.

Os cúmplices se conhecem no olhar, se entendem no olhar, conseguem dizer e sentir apenas no olhar. O olhar de um cúmplice invade a alma, desnuda nosso ser e encontra o que por ventura tentamos esconder. Podemos esconder, de muitos, o que sentimos, não de um cúmplice. A cumplicidade não permite segredo, a cumplicidade nos dá a capacidade de poder partilhar e não viver sozinho seja o que for: dor ou alegria. Ser cúmplice é ser humano, é ser a mais autêntica expressão humana, é se reconhecer como um fragmento de uma complexa existência que se materializa na relação sincera que estabelecemos com o outro.

Mas, quando nos tornamos cúmplices? Não se torna cúmplice, se percebe cúmplice. Quando menos se espera, já é, nem o próprio cúmplice sabe o memento exato de ter se tornado um, apenas se percebeu sendo um. Todos são capazes de estabelecer relações de cumplicidade, se você ainda não tem, não se preocupe, chegará o momento que serás reconhecido e reconhecerá o seu ou a sua cúmplice. Não dá para precisar o momento em que se torna cúmplice. Mas, acredito que no primeiro contato entre os seres, estes já se percebem cúmplices, mesmo que não tenham dimensão disso. Às vezes, as turbulências cotidianos nos impedem de enxergar um ou uma cúmplice a nossa frente. Contudo, existem encontros tão fortes, que é possível perceber que aquele momento não é um encontro comum, é um encontro de alma. Devo informar que a cumplicidade extrapola a matéria, não são apenas corpos que se encontram e convivem, são almas que se reconhecem.

Por mais que não seja possível nos tornarmos cúmplices, por já nascermos cúmplices, existem momentos que tornam a cumplicidade cada vez mais forte. Como falei de rosa rara, de cumplicidade, será na história da cumplicidade de um príncipe menino com sua rosa, que não era negra, mas era rara, por ser a única entre tantas rosas, que busquei os exemplos dos momentos que tornam a cumplicidade mais forte. E é esse mesmo príncipe menino que nos exemplifica o momento em que se é reconhecido como cúmplice, através do seu encontro com a raposa. E foi do diálogo desses cúmplices reconhecidos que tirei três trechos que ajudarão a perceber, valorizar e preservar esse sentimento, assim como para que a cumplicidade se fortaleça. Pois, exige compromisso.

Foi o tempo que dedicastes à tua rosa que fez tua rosa tão importante. Esta fala da raposa nos faz perceber o quanto que não damos conta do que de fato torna o/a outro/a tão importante em nossa vida, e muitas vezes, o simples e necessários fato de estar junto, seja aqui tão perto ao alcance da mão, ou através apenas da voz que viaja quilômetros pelas ondas telefônicas ou virtuais, ou mesmo pelas escritas através das cartas ou das diversas redes sociais. Aqui, encontramos um pressuposto fundamental na relação entre cúmplices, perder tempo com o/a outro/a. Na verdade, quando estamos junto de nossos/as cúmplices, não perdemos, ganhamos tempo. Estar com o outro representa e possibilita descobrir e conhecer um ao outro, o que proporciona o nosso reconhecimento como verdadeiros cúmplices o qual a distância física faz brotar o sentimento de falta, vazio, e comumente conhecido como Saudade, que só existe porque o ser distante se tornou importante em nossa vida. Assim, desperta em nós o desejo do reencontro.

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Não existe relação de cumplicidade sem compromisso, sem o cuidado com o/a outro/a. Essa responsabilidade brota naturalmente em nós. E esta fala da raposa corresponde ao nosso grau de responsabilidade pelo outro, uma vez que nós só nos tornamos importante na vida de alguém, porque às cativamos, senso assim, somos responsáveis pela falta que o outro sente de nós, somos responsáveis pelos outros sentirem Saudade, portanto, devemos cuidar e saber cuidar. Esta falta que o cúmplice faz em nossa vida, nos leva e motiva criarmos diversas possibilidades de encontro, pois, sabermos que está lá, em algum lugar, já nos alegra. Mas, podermos estarmos juntos, nos realiza, nos deixa plenamente felizes. A cumplicidade invade tanto nosso ser, que não nos contentamos apenas, com os telefones, cartas ou meios virtuais. Queremos ver, tocar, sentir o coração do outro sincronizar com as batidas aceleradas do nosso, provocada pela ansiedade da espera do reencontro, num abraço de corpo inteiro.

Se tu vens às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. É quase que involuntário, mas, reencontrar um cúmplice provoca em nós quase uma revolução interior. São tantos sentimentos que envolvem uma relação entre cúmplices que um reencontro mexe profundamente com o nosso ser, são as lembranças, as confidências, as vivências ainda não contadas, os abraços não dados, os choros não chorados, os risos esperados. Tudo fará parte da projeção e preparação do encontro, que tenta materializar todo o nosso desejo de rever, e escancara nossa ansiedade e felicidade de esperar pelo outro. O encontro com um/a cúmplice expressa todo o nosso envolvimento para que tudo ocorra da melhor maneira possível, essa sempre será a motivação que um cúmplice terá no coração ao reencontrar o outro.

Bom, o tema é vasto e me é muito especial e valioso, não caberá apenas nestas linhas, mas o que segue já é um retalho do que concebo e acredito sobre a cumplicidade. Talvez tenha me perdido ao navegar esse vasto mar, mas, não dá para traduzir em palavras as entrelinhas dos sentimos de cumplicidade, por isso o que segue é apenas um alinhavado de uma costura muito mais densa e complexa. E, à medida que me aperfeiçôo no ofício da costura, trabalhos mais aprimorados e dignos de um tema tão ilustre serão postados aqui.

Paz e Vida Longa!

Um pescador que ousa costura palavras...
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