Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.

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sábado, 15 de junho de 2013

A Semana da Saudade e a “Tenda das juventudes” na JMJ

Para fechar a semana da saudade, replicamos a notícia publicada no portal Pastoral da Juventude Nacional, que trata sobre a "Tenda das Juventude". Pois, a saudade está diretamente ligada a memória e esta tenda traz a importância de se fazer memória, e fazendo memória ao irmão latino guerreiro, Che Guevara, trazemos uma de suas célebres micro costuras: "um povo sem memória é um povo sem coluna vertebral".

Considerando a importância da memória e seu valor na luta, a PJ insere na "Tenda das Juventude" o espaço: "Santuário dos Mártires", que será um espaço para se fazer memória dos mártires da caminhada. Pois, é fundamental não esquecer, não esquecer as lutas, não esquecer o erros, não esquecer a dor, não esquecer tant@s lutador@s que doaram a sua vida para a construção de um mundo melhor.

A tenda quer reforçar a luta na defesa da vida da juventude e fazer memória ao Gisley, cúmplice de luta, de caminhada e de vida, que nesta semana esteve muito presente em meus pensamentos e no que costurei. E hoje, dia de lançamento oficial da "Tenda das Juventudes", fazemos memória do dia em que Gisley partiu para uma outra forma de existência, não física e nos deixou a dor de uma das saudades mais doída, a dor da saudade de quem partiu para não mais voltar. 


Notícia: 

Espaço reunirá diversas organizações com o desejo de fomentar a luta pela vida da juventude

Com o objetivo de mobilizar os jovens presentes na Jornada Mundial da Juventude para a conscientização e luta em defesa da vida da juventude é que diversas organizações realizarão, durante o evento no Rio de Janeiro, uma atividade como espaço de debate e reflexão da realidade juvenil e políticas públicas para a juventude.

A “Tenda das Juventudes” será espaço de acolhida, formação, celebração, partilha, diálogo e convivência das mais diversas juventudes presentes na JMJ. Deseja ser uma verdadeira tenda, onde todos poderão se aproximar, aconchegar e fazer deste espaço sua morada.

A atividade terá como tema “A juventude quer viver”. Frase que tem pautado a luta pela vida da juventude em especial no combate à violência e ao extermínio que assola a juventude brasileira. A proposta dos organizadores é que esta pauta seja fomentada para os jovens de todas as partes do mudo que estarão presentes na JMJ, mobilizando assim para o engajamento na discussão sobre a banalização da violência e na defesa da vida dos jovens.

A Tenda acontecerá dos dias 22 a 26 de julho, no Galpão do Comitê Rio Ação da Cidadania, no bairro da Saúde no Rio de Janeiro/RJ. A programação contará com mesas temáticas, celebrações e momentos orantes, exposições, apresentações culturais, entre outras atrações. Destaca-se ainda o espaço em memória dos mártires da caminhada, denominado Santuário dos Mártires. Local dentro da Tenda que deseja aprofundar e celebrar a memória da tantas vidas doadas em favor do Reino.

Dentre os assuntos a serem abordados nas mesas temáticas destacam-se a juventude quer viver; justiça e transição, memória e compromisso; desafios socioambientais da humanidade e a juventude; crise econômica, direitos sociais e juventudes; tráfico de pessoas; juventudes, cultura, comunicação e direitos humanos; civilização do amor e a evangelização da juventude na América latina; e solidariedade.

A atividade está sendo organizada pela Pastoral da Juventude, Cáritas Brasileira, Juventude Frasciscana, Comissão Brasileira de Justiça e Paz, Cajueiro - Centro de Formação, Assessoria e Pesquisa em Juventude, REJU – Rede Ecumênica da Juventude, Irmandade dos Mártires da Caminhada, Setor Pastoral da PUC/RJ. Com a parceria do PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento; da Superintendência de Juventude do Governo do RJ; da Secretaria Nacional de Juventude do Governo Federal; e da Rede Brasileira de Centros e Institutos de Juventude. Outras organizações também estão apoiando a iniciativa e que em breve serão divulgadas.

Importante também ressaltar que a iniciativa acontecerá em sintonia com a organização da JMJ, sendo uma das inúmeras atividades inscritas junto ao Comitê Organizador Local/COL e que acontecerá de maneira oficial e simultânea durante a Jornada. A Tenda está prevista no Guia do Peregrino da JMJ e respeitará a programação dos atos centrais e demais momentos significativos.


Lançamento
O lançamento da “Tenda das Juventudes” acontece no dia 15 de junho, data em que se faz memória da vida de padre Gisley Azevedo Gomes, assassinado em Brazlândia/DF, em 15 de junho de 2009.

Pe. Gisley foi assessor do Setor Juventude da CNBB e um dos principais provocadores para a criação da Campanha Nacional contra a violência e extermínio de jovens, promovida pelas Pastorais da Juventude e pautada hoje em todo o Brasil e no continente latino americano por diversas organizações e expressões juvenis.

O desejo da organização do evento é que a memória de Gisley, seu legado pela vida da juventude e no combate a toda forma de violência contra a juventude suscite o envolvimento das pessoas que irão peregrinar até a JMJ para um grande grito contra a violência e extermínio da juventude!

Serviço
Data: 22 a 26 de julho de 2013

Local: Galpão do Comitê Rio da Ação da Cidadania - Av. Barão de Tefé, 75 - Saúde - Rio de Janeiro/RJ

Contato e informações: tendadasjuventudesjmj@gmail.com
- Thiesco Crisóstomo: 94.8117.6210 – thiesco@gmail.com
- Joaquim Alberto: 61.9214.7664 – joaquimaasilva@gmail.com

Autor: Tenda das Juventudes "A juventude quer viver!"
Fonte: http://www.pj.org.br/noticias/1668

terça-feira, 11 de junho de 2013

Costura Encadernada - O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry)

Esta semana, elegemos a saudade como nosso tema, e eis que me deparei com uma indagação prática: qual será a costura encadernada desta terça-feira? Então, busquei entre minhas leituras, a costura mais apropriada para postar hoje. E qual foi a minha surpresa? Não consegui pensar em outra que não fosse a Costura Encadernada - O Pequeno Príncipe, do eterno sonhador e menino *Antoine de Saint-Exupéry, grande costureiro e entre suas habilidades está a ilustração e sua grande paixão, a de dominador dos ares, sonho de infância e que ao realizar o consagrou como ótimo piloto. Nosso costureiro de hoje, nasceu aos 29 dias de junho de 1900, na cidade de Lyon/França. E partiu para a eternidade aos 31 dias de julho de 1944 no mar mediterrâneo. Partiu realizando o que mais gostava de fazer, voar. E em sua partida está uma coincidência com o seu personagem mais famoso e, para mim, autobiográfico, o Príncipe Menino. Pois, assim como o Príncipe menino desapareceu dos olhos do piloto que se revelou seu cúmplice, Exupéry desapareceu, sobrevoando sobe o mar mediterrâneo, nosso costureiro de hoje desapareceu dos nossos olhos.

Sobre a Costura Encadernada - O Pequeno Príncipe. Na semana da saudade, o que me levou a escolher esta costura encadernada como postagem desta terça-feira, neste ateliê? Creio que a essência das palavras costuradas nesta encadernação foi a grande motivação. Pois, O Pequeno Príncipe, nos impulsiono mais que a um olhar interior, nos impulsiona a um olhar para o nosso ser da infância, este ser que muitos de nós esquecemos no tempo, no passado. Ele nos provoca a nos aventurarmos nessa viagem no tempo em busca deste ser, muitas vezes, perdido. Ele nos provoca o desejo de resgatar e nos devolve este mistério da infância.

É a busca dos sonhos esquecidos, dos planos guardados, que a adultez nos furtou. E ao navegarmos por esta costura, nos saltam estes sonhos e planos de outrora. Os detalhes das coisas simples que nos faziam sorrir e sonhar. Voltam em lembranças e reacendem nossos sonhos infantis, abrem o baú, há tempos, esquecidos e revelam as inocências acomodadas, hoje, quase transparente que já não conseguimos ver, sobretudo quando por serem ofuscadas pelos compromissos da vida adulta que nos faz viver numa intensa pressa o nosso dia-a-dia.

Nesta costura, é possível perceber o intenso frio (saudade) sentido por Exupéry, por isso fui conduzido, de alguma forma, a postá-la hoje, na semana da saudade. Percebemos a saudade que ele sentia do menino sonhador, aventureiro e puro, perdido em algum lugar no passado. Quando adentramos nesta costura, resurgem as recordações escondidas. É possível reconfortar o nosso coração ao reencontrarmos nossa meninice esquecida que nos faz inverter a lógica das coisas. E voltamos a escutar a voz dos animais e das flores, a cor de um sorriso, o perfume da lua e das estrelas, e som dos guizos das folhas embaladas pelo vento. E nada será comum, pois tudo está carregado da singularidade do que o gerou e o fez existir.

Acredito que esta costura, é capaz, de nos fazer romper com a lógica que fomos levados a viver, onde o outro é obrigado a seguir um padrão e modelo, que cria a ideia de um SER diferente e nos faz esquecer, que não existem seres iguais e muito menos seres diferentes, pois somos todos únicos, sobretudo quando nos deixamos cativar e nos percebemos cúmplices. Que nos faz chorar quando chega a hora da partida e nos restará apenas as lembranças e saudade que nos fará companhia.  

Enfim, melhor parar por aqui, esta costura me provoca tanta coisa que me empolgo ao costurar meus comentários sobre ela. E assim, deixo aqui minha recomendação de que você possa fazer sua aventura nesta Costura Encadernada. Caso não tenha o exemplar, é só clicar aqui e baixar o arquivo em PDF ou nos títulos  demarcados.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Costura Musicada - Canção da Despedida (Geraldo Azevedo e Geraldo Vandré)



Após uma semana do encontro com a Cúmplice Renata Requena e outros companheiros e companheiras, a Costura Musicada que grita em mim desde que voltei de Curitiba é Canção da Despedida, de co-autoria de Geralva Azevedo e Geraldo Vandré, que aqui será postada no timbre nordestino, do compositor, cantor, violonista e autodidata Geraldo Azevedo*. Ele nasceu aos 11 dias de janeiro de 1945 na cidade de Petrolina/Pernambuco, que margeia o velho chico (rio), fonte de inspiração. Na costura musicada O Ciúme, canta esta relação com sua terra natal e o velho chico. Tocava violão desde os 12, mas foi em Recife que iniciou sua carreira musical aos 18 anos, quando mudou-se para essa cidade com o intuito de estudar e lá juntou-se ao Grupo Folclórico Construção, onde conhceu Teca Calazans e Naná Vasconcelos.

Foi a partir deste grupo que Geraldo Azevedo ficou conhecido por Eliana Pittiman, que o levou como músico acompanhante ao Rio de Janeiro onde  se tornou conhecido  como compositor e instrumentista versátil; em seguida juntou-se a Naná Vasconcelos, Nelson  ngelo e Franklin para formar o QUARTETO LIVRE, grupo que acompanhou Geraldo Vandré em seus shows até a época em que, devido a  problemas políticos com o governo militar, Vandré teve que deixar o país e o grupo se dissolveu.

Logo em seguida, GERALDO participou  com Alceu Valença (um antigo amigo de Pernambuco) de um festival de música onde defenderam a canção  “78 ROTAÇÕES”. Era o início de uma carreira que iria dar bons frutos, e que conduziu os artistas ao Festival Internacional da Canção do Rio de Janeiro em 1972 com “PAPAGAIO DO FUTURO”. Juntamente com o lendário cantor popular Jackson do Pandeiro, eles tiveram uma notável apresentação no Festival, e foram contratados pela Gravadora Copacabana; seu disco de estréia, “ALCEU VALENÇA  &  GERALDO AZEVEDO”, foi lançado no mesmo ano.

Sobre a Costura Musicada - Canção da Despedida: esta canção já me acompanha há tempos, e sempre que vivo, penso e sinto as confluências de sentimentos que envolvem a partida, esta canção me vem a mente. Creio que seja por trazer a resposta de uma pergunta que certa vez em um momento de despedida me fizeram, “o que se diz na hora de se despedir?”, como já costurado anteriormente, se diz: “até logo”. Pois, como a própria canção nos apresenta é confortante a certeza que vamos nos reencontrar, “já vou embora, mas sei que vou voltar”, do contrário sentiremos um eterno vazio preenchido pela falta que sentimos. O frio fica menos intenso (saudade menos dolorida), quando há a esperança do reencontro. 

E sabe de uma coisa? Quando mais cumplicidade existir, nem esperança haverá, pois não há esperança quando se tem a certeza, e esta canção me faz sentir isso. 

O frio mais intenso é aquele provocado por aquilo que vivemos e não se repetirá e pela partida de quem amamos que não voltará. 

Por mais difícil que seja, precisamos compreender a hora da partida, da despedida, que por algum motivo somos levados a vivermos, precisamos compreender “que a hora é deixar”, e que este momento não será superior ao amor que sentimos, que permanece em nós, amor que nos faz bem, amor que sempre ficará.  Sempre que me despeço, canto esta canção. E sempre que a ouço, trago presente cada momento, cada ser que ficou em algum lugar no tempo e agora habita em meu coração e em minhas lembranças, e desta forma está sempre presente aqui, em mim. 

Termino por aqui minha costura de hoje , e desejo que você tenha uma boa semana e que o frio (saudade), que por ventura venha sentir, ganhe novo significado em tua vida. 

terça-feira, 21 de maio de 2013

Costura Encadernada - O Livro dos Abraços (Eduardo Galeano)


A Costura Encadernada de hoje é O Livro dos Abraços de nosso grande hermano Eduardo Galeano*,  nascido em nossa pátria irmã Uruguai. Entre tantas habilidades destaca-se seu tino jornalístico, costureiro/escritor e sonhador. Um dos seus grandes sonhos ainda o acompanha, ser jogador de futebol que nos é  apresentado em algumas de suas costuras, enquanto costureiro apresenta um estilo que transcende os gênero ortodoxos, conseguindo articular ficção, jornalismo, análise sociopolítica e histórica. Galeano estreou na vida no terceiro dia de setembro, no palco da Cidade de Montevidéu, no ano de 1940. Traz em seu ser esta identidade latino-americana, tão intensa e perceptiva em suas costuras. 

Esta marca levou Galeano a ser o primeiro cidadão da América Latina a receber o título de Cidadão Ilustre do Mercosul. Quando costura, faz a memória ganhar vida, ao considerá-las como bicho inquieto. Em suas memórias pessoais navegamos desbravando um mar de possibilidades e ganha força ao juntar suas memórias com nossa coletiva e identidade latino-americana. Em suas costuras nos apresenta a importância dos pequenos momentos ao contarmos nossa história, pois são esses momentos que remexem dentro nós e nos faz sentir a verdadeiro sentido da vida.

Sobre a Costura Encadernada - O Livro dos Abraços: Esta costura traz essa autêntica marca de seu costureiro, fruto de sua navegação neste grande mar que é a vida, e de modo especial, nas águas desta Latino-América, onde pode observar e sentir muita coisa. Pois, costureiro desta magnitude, sente e vive, e o que costura é sempre resultado de suas experiências vividas e isso podemos perceber em nossa Costura Encadernada de hoje. Nela, vamos encontrar aquilo que de mais intenso ele encontrou por sua navegação e destaca a grandiosidade dos pequenos momentos e como eles vão se entrelaçando e alinhavando a vida.

Nesta costura, Galeano nos leva sentir a sensação do abraço, aquele abraço apertado, de corpo inteiro, que nos possibilita sentir o outro por completo, sua respiração e as batidas do seu coração, embaladas pelo sentimento de bem querer. Sensação que nos retira do lugar e nos levas a viajar, por um grande mar de lembranças e sensações que só um abraço é capaz de proporcionar.  Essa defesa da memória como algo vivo, e como ele mesmo diz que “nasce a cada dia” podemos encontrar na costura encadernada de hoje.

Caro navegante, nada que possamos costurar aqui será capaz de alcançar em sua plenitude o que esta bela costura de nosso querido hermano nos proporciona ao degustar o seu conteúdo. Esta é uma costura é uma colcha de retalhos, onde cada retalho pode ser considerado uma costura completa e muito bela, uma vez que valoriza os pequenos detalhes de nossa vida que deixamos passar despercebido e não conseguimos ver quanta beleza eles contem. 

Com tudo isso, esta costura ganha uma dinâmica, permitindo que seja lida sem que nos preocupemos em seguirmos  a ordem sequencial que ela foi encadernada. Cada retalho que compõe esta colcha possui especificidades e está carregada de sentimentos únicos que saltam, como se tivesse vida própria, e nos preenchem. E preenchidos de tanta coisa bela, sentimos cada sentimento e somos impulsionados a fazer memória das coisas simples que vivemos e pouca atenção demos, e desejamos viver tudo com a mesma intensidade de valor e beleza que nosso costureiro de hoje, conseguiu alinhavar em sua costura encadernada: O Livro dos Abraços  (baixe aqui). Que você tenha uma boa contemplação desta costura e compartilhe conosco sua experiência deixando seu retalho em nosso atelier.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Costura Musicada - Abraço de pai (Walmir Alencar)


A Costura Musicada que apresentamos hoje é Abraço de pai de Walmir Alencar, que é cantor e compositor católico e é possuidor de um timbre vocal que torna suas costuras musicadas mais belas ainda. Este costureiro destaca a música e a religião como suas duas grandes paixões. Walmir nasceu aos 29 dias de julho de 1967, na baixada paulista. Foi na cidade de São José dos Campos, onde ainda reside. Fez parte da banda católica Vida Reluz, com a qual gravou dois CDs onde além de vocalista, foi o compositor da maioria das costuras musicadas cantadas pela banda. Deixou a banda para seguir carreira solo, tendo gravações em português e espanhol.

Sobre a Costura Musicada – Abraço de pai: além de trazer a temática que escolhemos para essa semana, ela me recorda do tempo em que vivi na Comunidade Imaculada Conceição, onde pude desenvolver e aprofundar meu envolvimento com o espaço religioso. Não é esta canção que marca meu envolvimento adolescente com a religião, mas ela faz parte de uma lista extensa de costuras musicadas que me fazem recordar deste momento bom, que me impulsionou ir mais longe. A costura nos faz lembrar a parábola do filho pródigo que narra o reconhecimento do amor de Deus, o filho que reconhece a grandiosidade de amor do pai e decide voltar, mesmo após ter tido uma atitude decepcionante e, para muitos, imperdoável, mas não para Deus. 

A costura não fala exatamente do filho da parábola, mas de nossa busca por Deus e tudo que estamos dispostos a fazer para encontrá-Lo e que Ele está sempre a nos esperar e o gesto com que Ele nos espera. E apesar de já termos citado, nosso foco não falar da grandiosidade do amor de Deus, e sim queremos falar do gesto com que o Pai recebe o filho, Ele o acolhe em um abraço, lugar de proteção e de carinho. Por isso o abraço é o lugar onde sempre queremos estar quando a falta nos preenche ou a tristeza tenta nos consumir. Acolher o outro em um abraço é dizer, eu estou contigo, eu sou contigo, é dizer sem palavras, eu te entendo. É um gesto de amor. Antes e depois do beijo um abraço. Melhor pararmos por aqui e deixarmos que cada um/a possa costurar as suas próprias reflexões.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Costura em Movimento - Encantadora de Baleias (Niki Caro)


Na Semana que o Costuras e Pescarias dedica suas publicações em homenagem à Mulher, apresentamos uma nova exposição em nosso atelier, o Costuras em Movimento, que pretende a exemplo das exposições sobre Costuras Musicadas e Costuras Encadernadas (a primeira onde tecemos comentários sobre canções e seus compositores e/ou intérpretes e a segunda onde tecemos comentários sobre livros e seus autores, onde em ambas tecemos um pouco de nossa relação com as mesmas e as motivações de postá-las), ser um espaço onde teceremos comentários sobre produções cinematográficas seguindo a mesma lógica das salas que citamos anteriormente.

Mas, por quê chamar esta sala de Costuras em Movimento, se vamos falar sobre Cinema? A ideia surge da origem da palavra “CINEMA”,  que vem do grego κίνημα - kinema que quer dizer "movimento". Assim Cinema “é a técnica e arte de fixar e de reproduzir imagens que suscitam impressão de movimento”. 

Feita a apresentação desta nova sala, falemos agora sobra a Costura em Movimento de hoje, que vem dar continuidade e finalizar nossas publicações acerca da mulher nesta semana. 

Assim, escolhemos para iniciar esta nova sala de exposição a produção Encantadora de Baleias, da diretora Niki Caroque conta a história de uma antiga tribo existente na Nova Zelândia, os Maori, uma comunidade que passa por um acentuado declínio, populacional e cultural, colocando em risco a continuidade de sua tradição e costumes. 

E, se deparam com um problema que coloca a sua tradição em questão. Pois, desde a chegada do primeiro Maori em Nova Zelândia, sempre tiveram como líder um homem, que descendiam diretamente de Paikea, o maori pioneiro, o grande domador de baleia, que teria chegado naquele local (Nova Zelândia), há milhares de anos, após sua canoa ter virado em cima de uma baleia e ele teria liderado seu povo ao local em que a tribo reside atualmente, cavalgando a baleia.

Num contexto em que o descendente mais recente de Paikea é uma mulher, Pai (Keisha Castle-Hughes) a tribo, ou o patriarca Koro (Rawiri Paratene), avô de Pai, se depara com um conflito, no qual vê-se tendo que reconhecer como um novo líder, uma mulher, se negando a isso, Koro, em vão, busca encontrar entre os meninos, aquele que seria o novo líder da tribo. Possibilitando a estes todo o ensinamento para que se tornassem um bom líder, enquanto Pai, descente direta de Paikea, por ser mulher é proibida de participar destes momentos.

Através da maravilhosa atuação de Keisha Castle-Hughes, que dá vida a protagonista Pai, atuação que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz, podemos ver a abordagem de assuntos que ultrapassam o conflito sobre a continuidade da tradição, o declínio de um sistema patriarcal, vemos a dificuldade de aceitação da capacidade da mulher assumir o lugar que tradicionalmente sempre foi ocupado por um homem.

Mesmo Koro vendo as tradições e costumes de seu povo sumirem lentamente, em um processo gradual e, quase brutal, envolvido pelas alterações culturais, se recusa aceitar que sua neta (Pai) seja a nova líder da tribo.

Pai, ama seu avô e seu maior objetivo é vê-lo feliz, além de manter vivo os costumes do povo maori. Ao ver Koro procurar um novo líder dentre os primogênitos da aldeia, e ter sido proibida de participar destes momentos. A menina inicia um aprendizado sozinha, escondida, tudo o que um líder maori deve saber e dominar, como a taiaha, por exemplo, que é um bastão de guerra típico dos maori, de uso exclusivamente masculino.Pai se esforça porque sabe que precisará mostrar seu valor ao avô.

E durante essa luta de Pai para que seu avô a aceite como nova líder dos maori, podemos transitar  por dramas pessoais que se desenvolvem concomitantemente à trama principal. “São histórias de pessoas que procuram sua identidade, que vivem de restos de lembranças, que se prendem ao passado de forma dolorosa”. 

A diretora Niki Caro, nos presenteia com esta produção, ao conseguir abordar temas tão delicados sem ser apelativa ou mesmo clichê, ao mesmo tempo em que nos faz se emocionar e rir sem perder o foco da trama.  Percebemos um fluir natural, de forma tranquila e propriedade do texto, que faz seus personagens atuarem de forma muito espontânea e real, suas histórias, as situações e seus sentimentos. Não se buscar arrancar sorrisos ou lágrimas, os personagens apenas vivem seu ato, e a cena acontece. Talvez, isso de dê pela despretensão de ser uma super produção que o torne tão bom.

Em Encantadora de Baleias, para além da triste abordagem sobre a real possibilidade de extinção de um povo, ocasionados por diversos fatores - que em nossa sociedade atual, se torna tão recorrente, quando olhamos para nossos povos tradicionais-, encontramos a figura da mulher, sua invisibilidade, sua desvalorização, seu lugar sempre a margem. E, a luta de Pai, é a luta de muitas mulheres que buscam seu reconhecimento, sua valorização e seu real lugar na sociedade, mesmo que para isso seja preciso romper com tradições e costumes.

Ficamos por aqui e esperamos que possam aproveitar o final de semana para degustar desta bela Costura em Movimento, fazer a sua avaliação e postar aqui o seu comentário.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Unicamente Mulher

O que seria a minha vida sem elas?
O que seria da minha história sem elas?
Hoje não queria apenas homenagear,
Não queria apenas agradecer,
Mas, quero dizer, que de onde eu estiver,
E enquanto me restar o mínimo de força,
Colocarei meu ser em tua defesa Mulher,
Na defesa de tua luta e teus direitos,
Direito ser unicamente mulher
Nem maior, nem menor,
Apenas MULHER,
Pois, eu não cansarei em anunciar,
Que eu nada seria sem a teu ser,
Faço da tua luta, minha razão,
E em minha vida, em minha história,
Encontro a tua força e a tua beleza de ser Mulher,
São tantos exemplos e inspirações,
Minha gratidão será eterna,
Mulher! Algumas eu tive a graça de conviver,
Outras nunca saberão da minha existência,
E seja de perto ou de longe,
Eu as admiro e bendigo cada uma delas,
E eu lhes serei eternamente grato,
Mulher! Que ao seu modo me ajudou a crescer,
Crescer como homem e, me ajudou a ser forte,
Forte e sensível na luta diária que travamos para sermos HUMANOS.


One Woman "Uma Mulher"


Sobre a Costura Musicada - "Uma Mulher" (Uma Mulher): No último Dia Internacional da Mulher, dia 8 de Março, a Organização das Nações Unidas - ONU, lançou esta costura musicada, uma canção para a ONU Mulheres, que é uma celebração musical das mulheres no mundo, a canção ganha vida com a participação de mais de 20 artistas de diferentes nacionalidades. E este é o primeiro tema musical criado para uma organização das Nações Unidas. 

Pela beleza que esta costura musicada carrega e pela semana que estamos passando no Costuras e Pescarias e por considerar uma aproximação com o poema do pescador resolvemos postá-la nesta semana, mesmo não sendo hoje dia de costuras musicadas. E isso se faz também como forma de reforçar essa luta que apoiamos e defendemos e que a ONU Mulheres tem como elemento sustentador. 

terça-feira, 19 de março de 2013

Costura Encadernada - O Segundo Sexo (Simone de Beauvoir)


Na Semana da Mulher no Costuras e Pescarias, a Costura Encadernada que apresentamos hoje é O Segundo Sexo, que foi tecida por uma das mulheres que tanto admiro, Simone de Beauvoir*.  Feminista, foi uma grande costureira (escritora) e ensaísta e é considerada uma das maiores representantes do pensamento existencialista francês. Ela fez parte de um grupo de filósofos-escritores associados ao existencialismo - movimento que teria enorme influência na cultura européia de meados do século passado, com repercussões no mundo inteiro. Nasceu em Paris/França aos 9 dias de janeiro de 1908. Ainda jovem ingressou na Universidade de Sorbone, na qual cursou Letras e Filosofia. Simone de Beauvoir é considera uma das costureiras mais influentes do ocidente. Seu pensamento discorria sobre questões ligadas à independência e autonomia feminina e o papel da mulher na sociedade. Sua obra também tratava da luta feminina e as mudanças de papeis estabelecidos, bem como a participação nos movimentos sociais. E em 1949 publica “O Segundo Sexo” (Costura Encadernada de hoje), pioneiro manifesto do feminismo, no qual propõe novas bases para o relacionamento entre mulheres e homens e, das suas Costuras Encadernadas, é a que melhor condensa suas experiências.

Sobre a Costura Encadernada - O Segundo Sexo: esta costura é um estudo  sobre a mulher na sociedade, publicado numa época em que a mulher já estava começando a se libertar do jugo machista, mas que ainda encontrava diversos obstáculos. No Brasil esta costura foi publicada dividida em dois volumes: o primeiro com o sub-título: Fatos e Mitos e o segundo: A Experiência Vivida.(você poderá baixar os dois volumes clicando nos títulos) Nessa obra, nossa costureira de hoje apresenta uma análise, histórica, social, psicológica e biológica sobre o papel da mulher na sociedade, negando completamente idéias  e estudos que  tratem de uma suposta natureza feminina. 

Esta Costura é riquíssimo em informações, análises profundas e bem fundamentadas, numa tentativa exaustiva de mostrar que o "ser mulher" é algo construído histórica e socialmente, tanto quanto a submissão dela  em relação ao outro sexo. Simone de Beauvoir se propos desconstruir a tese do "instintos biológico feminino", uma vez que o pressuposto natural e imutável é questionável e para nossa costureira de hoje inaceitável e eu concordo com ela. Assim, podemos reafirmar que “não se nasce mulher: torna-se”, ou seja, uma condição culturalmente construída. 

A ideia defendida por muitos de que foi a “natureza inferior” da mulher que a teria definido como o segundo sexo é totalmente refutada por nossa costureira, e ela defende que ao invés disso foi a invisibilidade histórica da mulher que a teria colocado neste lugar, ou neste “não lugar”. E para ela (Simone de Beauvoir), a saída da mulher, desta invisibilidade histórica, das suas diversas funções exercidas socialmente que sempre se estabeleceram em relação ao lugar do homem na sociedade, só se daria através de uma formação de consciência autônoma e liberdade econômica. Assim, a mulher conseguirá ser livre e ter autonomia plena sobre seu corpo e sua vida em si.

Como não temos a pretensão de esboçar análises profundas sobre as Costura Encadernadas apresentadas aqui, e sim breves comentários gerais sobre as obras, com o intuito de despertar o interesse sobre as mesmas, paramos por aqui. Mas, fica o desejo e a esperança que tenhamos despertado o seu interesse de conhecer mais sobre esta Mulher, seu pensamento e de modo especial, sobre sua costura que hoje apresentamos, uma vez que é considerada a que melhor condensa as experiências de Simone Beauvoir. E também esperamos ver aqui os comentários acerta desta costura que foi um pioneiro manifesto feminista, ao questionar a o relacionamento entre mulheres e homens e porpor novas bases para esta relação.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Costura Musicada - Protagonismo Feminino (Graça Figueiredo)


Nesta semana o Costuras e Pescarias fará uma homenagem às mulheres, e iniciaremos a semana com a Costura Musicada Protagonismo Feminino de autoria e interpretação de uma mulher, a Instrumento Poético Maria das Graças Figueiredo da Silva Mendes*, ou unicamente Graça, para os mais chegados. Negra, surgiu para a vida nas terras quentes de Imperatriz/Maranhão aos 16 dias de fevereiro de 1981. Graça milita na defesa dos direitos da juventude e da mulher, e de maneira muito especial tem atuação junto a Pastoral da Juventude, na qual integra o grupo virtual intitulado Artistas da Caminhada que reúne artista do país inteiro comprometidos com as causas populares e de maneira especial com a juventude. Suas costuras musicadas carregam essa marca de luta e garantia dos direitos e vida digna para a juventude e para os empobrecidos/as.

Sobre a Costura Musicada – Protagonismo Feminino: quando ouvi pela primeira vez esta costura musicada algo que encantou foi o chamado feito a juventude para ver a força que cada mulher possui e que na força de ser mulher existe muito mais do que é conhecido e que é preciso reconhecer e valorizar a força que a mulher traz em seu ser, sua luta e sua história. Mas, desta vez, considerando o propósito de homenagear o ser mulher, o “Costuras e Pescarias” buscou saber da própria compositora os meandros desta costura musicada, assim nos calamos para ler o que costurou Graça sobre sua bela canção que apresentamos hoje, neste dia de costura musicada em que iniciarmos nossa semana dedicada as mulheres. 

O processo de composição da música “Protagonismo Feminino” se mistura um pouco com as motivações que existem num contexto pessoal, social, e grupal, desde a ampliação do meu lugar como mulher  no mundo, a sociedade, num contexto de eleição para presidência, e o processo de formação de animação aos grupos de jovens da Pastoral de Juventude, pela assessoria e pelas as atividades permanentes das pastorais de juventude.

O meu lugar no mundo começa com a retomada da minha história como mulher, do meu caminhar pelo mundo, do papel das mulheres na minha vida, do sinal de resistência que representam pra mim.  Depois, o processo desencadeado pelas eleições de 2010, nas quais duas mulheres eram as candidatas à presidência da república, das leituras provocadas na época e que passavam despercebidas na sociedade quando se fala das mulheres. Uma delas é a questão da moral, sempre quando se fala de mulher, a questão da moral vem em primeiro plano, seja para exaltá-la ou para rebaixá-la, questão vivida nas eleições, que me causou muita indignação e me despertou para escrever. Ver a vitória da Dilma foi inspirador, tanto que terminei a música no dia da posse dela, em Brasília.

Também sempre tive um olhar diferenciado para as mulheres da bíblia. Nunca gostei da visão na qual Maria é apenas aquela que guarda tudo no coração em silêncio, mas sim como uma Maria que Grita no Magnificat: “derrubou dos tronos os poderosos e exaltou os humildes”. (Lc. 1,52) Nessa Maria eu me inspiro, ela sempre me encantou assim como a presença de Miriam que canta: “Minha força e meu canto é o Senhor” (Javé é minha é minha força e meu canto, ele foi a minha salvação, Ex. 15, 2) sempre cantei esses cânticos com muita força. A força trazida dessas mulheres que diziam e falavam muito mais do que apenas uma voz forte, traziam a vida de um povo inteiro com elas. Essa presença de mulheres fortes, numa sociedade que não as reconhecia, me trazia à memória mulheres que esta sociedade não reconhece em situações diversas.

Mas esse olhar não veio do nada, um pouco se deve à formação humana que tive na casa das Irmãs Missionárias de Ação Paroquial,  e às leituras teológicas que já fiz, uma delas diz respeito às “sensibilidades teológicas”, que Sandro Gallazzi explicita nos seus escritos sobre estudos bíblicos, sensibilidades teológicas que Sandro se refere às mulheres, são elas que são capazes de revelar o Deus dos oprimidos porque falam da sua experiência. Sandro Gallazzi é um especialista bíblico que escreve sobre as mulheres na bíblia, ele e sua esposa Ana Maria Rizzante Gallazzi dizem muito bem dessas mulheres em vários escritos do CEBI (Centro de Estudos Bíblicos)

Como militante da PJ e assessorando muitos grupos de jovens percebia a militância dessas mulheres de luta, no dinamismo, na criatividade, nas lideranças pelo qual também muitas vezes estive junta e refletindo o tema do DNJ deste ano e imbuída da mística dessas mulheres no meu corpo, senti vontade de escrever sobre essas experiências. Por isso falo na letra não do que ainda nos falta conquistar e sim do que já temos e somos, porque reconheço um lugar na sociedade e sei desse lugar com as alegria e marcas que é ser Mulher. Por isso mesmo, até o ritmo entra nessa dinâmica para dizer de forma livre que temos um jeito de ser... que levamos a vida com garra, fé, coragem, beleza e isso é ser mulher, não precisa ser negado como “pecado”, como algo que sempre tem que ser redimido, nada disso.

Por isso, trouxe: Ester Susana e Judite, para dizer a certos grupos da sociedade, porque não dizer de certas religiões – que às vezes não dizem, mas explicitam que a mulher tem que negar a beleza para ser... sei lá o quê... –  que tudo isso é uma obra divina, dada pelo nosso criador e que não deve ser negado, pelo contrário, deve ser valorizado como graça e dom...  essa dádiva divina é força, que faz o povo se organizar com criatividade e quebrar as racionalidades de quem acredita já está no poder,  por isso, faz a transformação. São essas mulheres que quando o melhor é vender, preferem urgir, quando o certo é serem submissas subvertem o poder para a morte e preferem a vida do povo, são essas mulheres que quando se esperam delas a obediência cega, fazem da visão e da audácia uma vida livre com sentido, consciência e doação... Isso é muito inspirador e me fez escrever uma parte daquilo que acredito ser uma vida com protagonismo, com protagonismo feminino.

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