Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.

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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Um dia como outro qualquer

Hoje
O dia amanheceu como todos os outros dias têm amanhecido
Nada de especial
Um dia comum
Teria ficado tudo como sempre
Se não fosse por uma pergunta que me incomodou a alma
A tenho escutado frequentemente
Mas, hoje, ela alterou meu dia
Quando a escutei
Olhei para mim e fingir não ser comigo
Continuei a conversa como se a pergunta não tivesse existido
Esforço inútil
A pergunta ressoou em ecos dentro de mim
Ansiando por uma resposta
Resposta que só eu seria capaz de dar
Tentei esconder
A angústia que aquela pergunta provocara em meu ser
Neste dia comum
Comum como os outros dias
Se não fosse por aquela pergunta.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Encaixe

Eles se atraem
Eles se estremecem
No toque se entregam
Em cada toque um êxtase
O tempo não existe mais
Cada momento é eterno
E no infinito nos perdemos
Quando retornamos da transcendência
Recuperamos a consciência
E nos percebemos quase em falência
E a vontade é gritar ao mundo inteiro
Nosso encaixe é perfeito!

sábado, 24 de outubro de 2009

Amar-te é inevitável

Todos se acalmam com teu sorriso
Aguardam ansiosos por teu abraço
Beijar-te seria sublime
Amar-te é inevitável
Tudo se torna mais belo com tua presença
Antes de ti, tudo era confuso
Mas, você me mostra outras possibilidades
Ir por caminhos novos
Nunca será difícil com você ao meu lado
Hoje, mais que ontem tenho certeza do caminho a seguir
Amar incondicionalmente
Antes de tudo
Maior que tudo
Amar incondicionalmente
Difícil não amar após um encontro contigo
Antes, a dúvida, agora o amor
Minha vida se encheu de brilho
E o mundo se encheu de colorido
Um colorido que reaviva a alma
Amar-te até a eternidade
Meu destino feliz
Ostentado pelo sorriso sempre solto
Regado por teu carinho e cuidado, capaz de acalmar o mais feroz
[dos animais selvagens.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Gozo

Antes que tua boca possa pronunciar
Sinto teu corpo desejando o meu
Quando chego estás a me esperar
Vejo o teu olhar e isso basta
Nada precisamos dizer
E sem perceber já estamos lá
A nos banhar do suco do desejo
Que de nossos corpos brotam
E não conseguimos deter

Que ele venha e nos embreague
Que este momento nunca acabe
Te sinto quente e úmida
Isso me leva ao céu
Me perco dentro de ti e não quero me encontrar
Que este momento eterno se congele
E marque para sempre nossa história

Para que um dia o revivamos com nossa memória
Essa entrega de nossos corpos
Esse momento tão grandioso
Em que sempre terminamos
Num sublime gozo

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Voltei por você

Vai minha amada
Vai encontrar os teus caminhos
Vai viver a tua vida e teus sonhos
Que teus projetos sejam vividos intensamente
Vai e cuida deste coração tão amável e delicado
Vá, mas volte para continuar a me ensinar a ser homem
Volte para que eu possa ser o teu homem
E sendo teu homem te ame como os pássaros que se amam na liberdade de poder voar
Te ame com amor dos poetas que se deleitam na beleza causada pela saudade
Saudade que me faz te sentir aqui ao meu lado
Vivendo das doces lembranças de tua presença junto a mim
Saudade que será minha companheira
Até que meus olhos voltem a te contemplar
Até que minhas mãos voltem a sentir a maciez de tua pele
Até que meus pulmões voltem a ficar cheios de teu cheiro
Até que meus braços voltem a sentir o teu abraço
Até que meus lábios voltem a sorrir ao ver o teu sorriso
Até que meu coração volte a sentir as batidas do teu
Até que minha boca volte a dizer silenciosamente em teu ouvido:
Eu te amo... Fica comigo?
E você,
Com teus olhos brilhantes e tua pele radiante
Com teu cheiro raro e teu abraço envolvente
Com teu sorriso encantador e teu coração acelerado
Com tua boca linda, decida dizer:
Meu amor, eu voltei por você...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A quem me ajudou ler o mundo...

Neste dia não quero parabenizar, mas agradecer por este 15 de outubro, por esse reconhecimento que só é possível pela existência de vocação tão nobre: o magistério. Estamos em plena primavera que nos apresenta novos cenários a serem vislumbrados e não poderia ser outro período tão propício para homenagear aquelas e aqueles que fazem florescer em nós novas formas de lermos o mundo.

Lembro de minhas professoras e professores que muito me impressionavam por sua dedicação a tão belo ofício, alguns, lembro com maior freqüência: Dionéia, Joana Barros, Rosa Tereza, Xuxa, Maciel, Ávaro, Nazaré Sá, Leão, Linda, Filó, Haroldo, Vanilza, Virgínia, João Carlos, Amauri, Andrelino, Nilma, Juarez, Ana, Marco...

Por tudo que representaram em minha é que agradeço pelo seu dia, que assim como tive a oportunidade de COM-Viver com pessoas que sentiam prazer em exercer a arte do ensino aprendizagem, espero que mais vocações despertem nos corações de muitos, para que as novas gerações possam desfrutar de verdadeiros educadores como eu desfrutei.

E, para isso, desejo que consigamos, neste mundo com tanta desesperança, insistir teimosamente em ensinar e aprender a magnífica arte do diálogo e assim nos tornarmos mais que boas lembranças na cabeça das meninas e meninos que por nós passaram, bem como, referência de amor e dedicação a educação.

Para tanto, reforço que Sonhar é imprescindível na arte de educar, pois, sem o sonho a educarão se tornaria vazia e sem sentido, e assim, seria impossível uma verdadeira prática educativa, sobretudo, uma educação que se efetiva pela construção de outra sociedade possível, com vida digna e abundante para todas as pessoas.

Com isso tudo não quero isentar ou maquiar as dificuldades existentes nas práticas educativas, mas não podemos deixar de fazer aquilo que nos é possível diante da imensidão de nossos sonhos. Paulo Freire disse certa vez que “em história se faz o que se pode e não o que se gostaria de fazer. E uma das grandes tarefas políticas a ser cumprida se acha na perseguição constante de tornar possível amanhã o impossível de hoje somente quando, às vezes, se faz possível viabilizar alguns impossíveis de agora”.

Apresento minha gratidão a cada verdadeira/o educador/a que por mim passou, pois foram elas e eles que me fizeram perceber que “não pode haver caminho mais ético, mais verdadeiramente democrático do que testemunhar aos educandos como pensamos as razões por que pensamos desta ou daquela forma, os nossos sonhos, os sonhos por que brigamos, mas, ao mesmo tempo, dando-lhes provas concretas, irrefutáveis, de que respeitamos suas opções em oposição às nossas” (FREIRE).

Quero que você professora e você professor recebam minha eterna gratidão por existirem em minha vida.

sábado, 26 de setembro de 2009

As amizades são como as primaveras

Olhou o relógio e faltavam quinze minutos para as sete da noite, os diálogos do MSN o distraiu tanto que ele esquecera da conta que devia pagar, despediu-se rapidamente de quem pode e desligou seu computador, talvez, se corresse ainda encontrasse a casa lotérica aberta. Correu o máximo que conseguiu, parece que todos na cidade esqueceram-se de pagar suas contas no horário comercial, a fila estava gigantesca. Mas, isso é Brasil! Teria como ser diferente?

Enquanto isso, ela descabelava-se sobre sua produção acadêmica, com esforço conseguiria terminar seu trabalho, mesmo que para isso levasse a noite inteira acordada, terminar aquele trabalho era uma questão de honra. O cansaço mental já dominava seu corpo e sua vontade era de jogar tudo pelos ares, resolveu tomar um banho, um banho quente a traria de volta daquele cansaço que a fazia desesperar-se.

Ele, com o intuito de enganar sua espera começou a contar quantas pessoas estavam antes de sua vez, avistou uma figura que estava quase para ser atendida que lhe pareceu familiar, observou bem e reconheceu, um velho amigo que há muito não falava. O observou ser atendido e o acompanhou com o olhar, parece que sentimos quando somos observados, e o seu amigo sentiu algo diferente, algo que pareceu lhe incomodar a ponto de fazer uma espécie rastreamento e os olhares se encontraram, um sorriso de cumplicidade surgiu, então se cumprimentaram como bons e velhos amigos fazem: “fala seu filho da puta”, “quanto tempo, porra”, “saudades de ti”. Trocaram lembranças e um e pergunta surgiu. Vais fazer o que? Só vim pagar uma conta, estou de bobeira. Espera-me então, só vou pagar essa conta aqui.

Uma boa companhia faz até o Domingão do Faustão suportável, enquanto esperavam sua vez, lembraram das promessas não cumpridas e surge o inevitável, o convite para continuar aquela agradável conversa no velho lugar de confidencias, o Café Bahia, lá poderiam aprimorar seu diálogo recheando-o com uma deliciosa porção de moela e a geladíssima Serra Malte, pagaram a conta e seguiram ao lugar que tantas vezes testemunhou suas confidencias.

Chegaram ao seu confessionário particular e não precisaram nada dizer, logo chega o garçom trazendo o de sempre e dizendo, estão sumidos. É amigo, a correria do dia-a-dia distancia até os amigos mais próximos, responderam ao garçom como que em coro de lamentação de estarem a tanto tempo sem suas confidencias.

No quarto, ela preparava-se para o banho, espreguiçou-se, retirou cada peça de roupa como quem prepara-se para um ritual sagrado, abriu o guarda roupa, retirou uma toalha e enrolou-se, preferia andar nua pela casa, mas as janelas indiscretas dos apartamentos a tiravam a liberdade. Antes de entrar no banheiro parou em frente ao espelho e admirou-se, abriu a toalha e admirou-se. Logo ao entrar no banheiro ligou a chave da água quente e em seguida a da água fria, aparou um pouco de água nas mãos em concha e molhou o rosto. Para testar se água estava na temperatura adequada colocou apenas um dos pés, esticou um pouco mais as pernas e aos pouco sentia a água descobrindo seu corpo. Ao entrar completamente debaixo daquela água quente, deixou que apenas a água caísse sobre ela, e, ergueu a cabeça como quem se entrega ao desejo de ser possuída.

Derramou o sabonete líquido nas mãos e suavemente passou sobre seu corpo, parte por parte, deslizou sobre seus seios, massageando descendo pelos quadris, as coxas, cada uma teve sua vez, abaixou e completou até os pés, voltando cada movimento até chegar ao pescoço. Suas mãos pareciam que modelavam cada parte de seu corpo, como um escultor modela a argila dando-lhe a forma desejada, seu desejo era de modelar a tranqüilidade que tanto necessitava e que aquele banho a permitia saborear: a água, o sabonete, suas mãos e seu corpo, tudo na medida certa. E, a tranqüilidade surgia.

No bar, os amigos caminhavam para pedida final, um brinde e o desfecho de mais uma confissão terminara no Café Bahia. Bom amigo, devo ir, disse ele, precisamos nos ver com mais freqüência, não podemos deixar que essa louca correria que a contemporaneidade nos impõe nos distancie mais que a própria distância geográfica já o faz. Antes que se despedisse completamente o amigo olhou para ele e disse: reparei desde que nos vimos na fila da lotérica que seu semblante está como quem acabara de ganhar o mais belo presente. Então respondeu: é que os amigos são como as primaveras, trazem alegria ao mundo. Ao encontrar-te naquele momento senti essa alegria trazida por você, pois, és uma constante primavera em minha vida.

Após tanto tempo de confidências, aquela fora a mais bela declaração ouvida por seu amigo. Um abraço apertado e então se despediram. Sabiam que talvez só o acaso pudesse trazê-los de volta ao seu confessionário particular. Afinal, quem está livre da correria imposta pela contemporaneidade?
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