Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.

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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Por isso eu te amo

Sabe por que eu te amo?
Sabe?!
Eu te amo por isso
Por você ser simplesmente você
Eu vivo declarando meu amor
Ao meu jeito, cheio de enigmas, de poesia
Metáforas bem elaboradas e fáceis de serem entendidas
E você finge que não é com você
Age como se declarações de amor fossem algo tão banal
Coisas corriqueiras da vida
Vive me tirando e eu gosto disso
Não me prometes nada e eu sem esperar espero
E quando menos espero o telefone toca
E é você falando de medo que é coisa que rodeia
Que vai, ficando e que entra sem sair
Dizendo-me para viver meu sonho e conheça meu valor
Uma taça de vinho me faz companhia e tua voz me dá vida
Eu falo de frio e você de calor
Falo do frio que te materializa aqui junto de mim
Diz-me que apesar da distante é possível sentir minha mão quente
E que mesmo assim o frio ainda te paralisa
Diz-me para sair fora e depois me diz que sonhou comigo e gostou
Eu te amo por isso
Por você ser simplesmente você

Por perguntar pelos meus planos mesmo tendo vários
Eu me entrego e você me manda embora
E quando estou fechando a porta
Você me diz sorrindo: “me faz carinho? Eu preciso!”
Não depende de mim
Mesmo assim sente falta dos meus abraços
E quando sinto frio estás sempre aqui me aquecendo
Impedindo-me de congelar-me
Fazendo-me declarar-me sem receios
Tantas vezes me diz para sair fora quando me declaro
Depois diz que minhas palavras te aproxima de mim
Palavras que por vezes fez nascer em ti
Uma vontade de sair correndo
Correndo para vir morar comigo
Então imagino você chegando antes que a vontade passe
E juntos os sorrisos, o brilho no olhar
A porta aberta e você ainda aqui
Teu corpo aquecendo o meu e o meu aquecendo o teu
Eu te amo por isso
Por você ser simplesmente você

Por não me prometer nada e eu sem esperar espero
E sempre vejo junto com seu lindo sorriso ao se despedir
Um longo beijo gelado que me aquece a alma.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Entre ecos de vazios preenchidos

Hoje, acordei antes que o sol ameaçasse despertar, a brisa fria soprava suave e denunciava o vazio em minha cama. O vazio de uma companhia amiga, que fizesse com que as noites não parecessem tão mais longas do que o habitual. A cama com aquele vazio não parecia mais tão aconchegante como sempre foi e estava maior do que nunca.
Logo eu, que sempre dormir mais que a cama, não agüentava mais estar ali, não com aquele vazio. Levantei daquela cama antes que me perdesse no vazio em que me encontrava, então me dirigir até a janela de onde é possível ver o sol nascer, a cidade ainda dormia e todo aquele vazio parecia preencher toda minha existência.
Sentir-me sufocado e a cidade ali, inerte ao que acontecia comigo. Eu e meu vazio, o mundo e sua inércia, então pela primeira vez naquela manhã que insistia em não nascer resmunguei algumas palavras e por frações de segundos o vazio que estava protegido por um silêncio incessante foi quebrado por meu sussurro.
Então não suportando mais aquele vazio, aquela inércia, aquele silêncio, como um ato desesperado de liberdade, eu gritei: queria apenas uma companhia que me desejasse! Um eco em resposta disse, “queria apenas uma companhia que me desejasse!” Surpreendido com minha disposição, apenas ri. Fiquei sem saber o que dizer.
E o eco disse: “não é para rir!” E continuou: “perceba o que está por trás dos ditos e não ditos, muitas chances são únicas, elas passam e não voltam mais, por isso, atenção, leia as entrelinhas!”. Reiterou e me disse: “ao ouvir minha resposta você podia responder que eu poderia ser essa companhia se eu quisesse!”
Mais uma vez me vi sem voz diante ao eco que insistia em questionar meu grito e gritei novamente: se me visse entenderia que tua presença é mais que desejada! E recuperando o fôlego expliquei-me: meu riso solto é quando não sei o que dizer diante daquilo que me alegra a alma, encanta os olhos e acalenta o coração!
O eco parecia estar testando minha nobre paciência, tentando me pregar uma peça ao responder meu grito em vez de apenas repeti-lo, parecia estar certificando se eu queria de fato que meu grito ecoasse por aí, e alcançasse seu destino na mesma intensidade em que ele saíra de dentro de mim.
Aquele eco tinha algo diferente, mais uma vez, não repetiu meu grito, e dessa vez não me orientou ou me ajudou a perceber o que estar por trás daquilo que eu digo, do que eu sinto e, dessa vez ao me indagar parecia querer arrancar de mim o que eu não conseguia ver e disse: "por que eu precisaria ver? Você não sabe se expressar de outro jeito?"
Aquelas palavras ecoaram em mim, invadiram meu ser, então entendi. E, não consegui prender em mim aquele entendimento, juntei todas as forças que restavam em mim e gritei silenciosamente: há beleza nos gestos simples, eles marcam muito mais as lembranças do que sempre virá à tona na memória dos nossos eternos momentos felizes.
E o eco das minhas palavras que ecoavam dentro de mim e me fez entender, levou-me a perceber que eu deveria ir ao encontro da companhia que me desejasse e, em vez de gritar, levar pessoalmente minhas palavras e sussurrar ao seu ouvido meus gritos de amor e deixar que seu eco fosse interior.
E realizado sorrir ao perceber seu lindo sorriso ao ficar sem palavras ao me ouvir sussurrar ao seu ouvido minhas juras de amor. A cidade não estava mais inerte, o silêncio já não me incomodava mais, o mundo ganhou mais cor e a vida ganhou mais sentido e meu vazio foi preenchido. E minha cama... Isso é outra história.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Uma atitude pode mudar o resultado do mal que estão tramando contra você

Muitas vezes damos tamanha importância para coisas tão pequenas, ou tão ínfimas que elas ganham proporções que não conseguimos dar conta. Então, saiba como lidar quando isso acontecer.

Antes devo informar que nem sempre isso é fácil, certos momentos estamos tão fragilizados que caímos como ratos na ratoeira ao irmos afoitos pelo exalar do cheiro do queijo. Mas, ao contrário dos ratos, somos seres pensantes, pelo menos, a priore, somos.

Somos descendentes dos homo sapiens, que tem sapiência, inteligência, sendo assim, diante daquilo que normalmente nos tiraria do sério ou interferirá diretamente em nosso estado de espírito, em nossa serenidade sagrada e pacientemente conquistada, devemos agir como seres que de fato pensam, que refletem sobre tudo que nos chega e nos cerca.

Geralmente escuto alguns cúmplices dizendo: estou chateado por isso, estou triste por aquilo, estou com raiva e, por aí segue, e tirando os fatos que transcendem nossa interferência e nossa ação sobre eles, geralmente essas mudanças de humor são causadas por interferência, ações, atitudes de outras pessoas.

O que transcende nossa ação não podemos fazer nada, a não ser nos conformar com os fatos dados e tentar seguir em frente, apesar da dor, tristeza, chateação e raiva que nos incomodarão, aqui entra em cena um exercício fundamental: a paciência. A paciência é uma virtude e como tal, necessita de treino, exercício constante para preservá-la ou mesmo adquiri-la. Uma vez conquistada essa virtude, nossos problemas já terão 50% de solução. Pois, isso nos proporcionará, dentre tantas coisas a tranqüilidade e o saber esperar. Saber esperar a hora certa de agir ou mesmo de nada fazer.

Algo a ser feito é diagnosticar os problemas de fato e os eminentes, para sabermos o que exatamente estar acontecendo, as razões e os porquês, se começou agora ou já perdura por mais tempo. Pois, se for agora, devemos ponderar se há sentido em tudo isso. Pense, você está feliz, com pessoas que te amam, seu amor, seus amigos, sua família e isso é o que importa, não deixe que outras coisas interfiram nisso, não ligue para essas coisas, não retruque, será pior.

Lembremos que a paciência é uma virtude, e mais um coisa, cuidemos daquilo que de fato importa para nós, aquilo que é raro, o amor que recebemos de quem nos quer bem e que jamais nos abandonarão.

Enfim, não vejo motivos para que deixemos a tristeza invadir nosso coração. Pelo menos, não por essas ações alheias, isso não deve ser motivo de tristeza. Não esqueçamos que nossa vida está como proporcionamos que ela estivesse, do jeito que nos realiza e nos deixa felizes, temos ao nosso lado alguém que é do jeito que sempre esperamos (pelo menos é isso que verbalizamos quando falamos da pessoa amada).

Mas, se isso não for bem assim como descrevo, lembremos do que escreveu Cecília Meireles, que a "felicidade plena não existe, o que existem são momentos felizes". Sendo assim, se de tudo você achar que sua tristeza, hoje, te incomoda tanto, viva um pouco da nostalgia das lembranças felizes, dos momentos que se eternizam em nossa memória e que podemos recorrer a qualquer instante, pois o inferno que é o outro pode nos tirar a tranqüilidade de um instante, de um dia, de uma semana, de messes ou até mesmo anos, mas nunca nos tirará os nossos momentos eternos de felicidades.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O mundo dá voltas

Você fugiu de mim
Meu olhar te amedrontou
Queria apenas me aproximar
Você não me deixou
Meu convite recusou

Tentei me aproximar
Meu olhar, você não entendeu
Você não me deu abertura
Meus gestos te confundiram a cabeça
E você fugiu de mim

Como o diabo foge da cruz
Como o vampiro do sol
Como o lobisomem da prata
Mesmo me querendo
Você fugiu de mim

Por um acaso, do destino?
Reencontramos-nos e amigos ficamos
Então veio você com sua sutileza
Fala-me de solidão e carência
Lembrou-me de como te olhei

Você me diz que sou emblemático
Que meu olhar causa impacto,
Diz-me que estás mais segura
Que pensa diferente, que muita coisa mudou
E hoje, reagiria diferente

Você vem com essa carinha de anjo
Dizendo-me que entendeu tudo errado
Que estava afim, mas teve medo
Medo de se entregar
Medo de se apaixonar

Mas, agora não sente mais medo
Apenas desejo, desejo de se entregar
Diz que a culpa é minha que te hipnotizei
E você nunca mais conseguiu dormir só pensando em mim
Perguntando como seria...
Até onde teríamos ido?

E eu digo que são apenas especulações
Como saber se não vivermos?
Quem sabe um dia possamos...
Shiiiu, não diga nada...
É, o mundo dá voltas!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Lexicapescaria

Existem dias, momentos, que a poesia aflora dentro de mim
Mas as palavras me parecem tão longínquas
Talvez seja a tristeza que as afastam
Na melancolia em que me afogo
Procuro uma saída de estado tão angustiante
Os pássaros fazem sua rítmica migração
Sei que existe, em mim, uma saída
As palavras estão em mim
Nas palavras está o caminho da alegria
Busco algo que possa me ajudar a alcançá-las
Uma inspiração, a ajuda de um irmão
Parece que quanto mais as sigo elas mais afundam
Num profundo mar
Sinto-me um navegante amador nesse vasto mar
Queria saber pescar
Assim, pescaria palavra por palavra
Mas, do que me adiantaria uma pescaria tão lexicográfica?
Ou seria literal?
Precisaria, também, saber costurar
Assim, eu costuraria cada palavra bonita
Com linhas coloridas
Cheias de alegria
Faria a colcha mais linda
Da costura das palavras pescadas
No mar da minha vida.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Uma Carta de Pa(z)coa!


Belo Horizonte, 31 de abril de 2010

Cúmplices,

Inicio esta, com um grande pesar no coração, parece-me que o tema que sonda nossos pensamentos é a violência, deve ser por estarmos vivendo esse caos mundial, esses tempos de guerra, e foi a partir daí, que me senti obrigado a escrever esta missiva a todos os que de alguma forma fazem parte de minha vida, em especial aqueles que não me conhecem, e sendo assim, não sabem o que penso referente a esse caos que assola a humanidade, não estou falando isso me referindo ao lamentável horror que vivem os povos em guerras, mas, não podemos também deixar de falar de tal situação vivida por esses povos e simultaneamente a nação mundial e é incontestável que toda guerra é absurda, mas a invasão a qualquer nações sem poderes defesas são as mais absurdas e covardes que se pode ter notícia.

A violência ocupa as principais manchetes, nas mais variadas formas de noticiários existente em nosso país, ela aparece hoje com uma força inigualável, dominante, disposta a atacar qualquer um que ouse contestá-la.

A morte está solta por aí, procurando vítimas para mostra-se poderosa, e mesmo que tentemos, nunca conseguiremos derrotá-la. Podemos dizer que essa seja uma das mais autênticas verdades, mas não é a única, existe outra que nos conforta o coração e que junto com ela trás um mundo de esperança, de novas possibilidades, a qual me dedicarei mais adiante.

Apesar de o medo estar nos dominando ultimamente, por sabermos que se está gerando no ventre do mundo, o desejo de vingança, retaliação, morte e destruição, devido ao elevado nível de conflitos armados, temos que fazer despertar em nós a consciência que devemos respeitar e valorizar a pessoa do outro, que é a aceitação da alteridade, para quebrar com o nosso etnocentrismo; seria ideal se todas as potências usassem seu poder, para erradicar a fome, o analfabetismo, e outras pragas que levam o desejo de vingança nos países famintos e oprimidos, o que tornaria sua grandeza maior ainda.

Temos o exemplo de várias personalidades, que tentaram despertar no coração da humanidade que somos capazes de romper com os sistemas dominantes, que destroem os seres deste planeta azul, para construir um sistema vivo onde reine o amor. E dentre tantos defensores e defensoras deste mundo reinado pelo amor, como: Madre Tereza, Dalai Lama, Padre Josimo, Ghandi, Zilda Harns, Buda, Chico Mendes, Dom Oscar Romero, Margarida Alves, Luther King, destacamos aquele pelo qual se realizou a salvação do mundo, Jesus Cristo, que mais do que ninguém nos deixou o exemplo da humildade, perdoando os que o condenaram, e nos deixando como tarefa o amor ao próximo, mas Cristo só conseguiu chegar tão alto, devido ao seu olhar, que como dizia o Príncipe Menino: “Só se vê bem com o coração”, e foi isso que Cristo fez e tentou nos ensinar, “olhar com o coração”, e essa lição deveria ser tomada como base fundamental de nossas ações.

Cristo experimentou a crueldade da violência, foi vítima da ganância dos homens, que por medo de perder o poder, armaram uma forma de condená-lo a morte, pois ele anunciava abertamente seu desejo de construir no mundo, a civilização do amor.

E a vontade dos poderosos foi cumprida, Cristo morre na cruz, mais uma vez a morte se faz presente com sua feroz potência, ela (morte) é a arma mais poderosa e eficaz que os sistemas dominantes possuem para calar a voz daqueles que se posicionam contra, e ameaçam o seu poder, lutando por um mundo mais igualitário. Mas Cristo não se deixa vencer por aqueles que o tentaram calar, e eis que acontece o inesperado, ele destroe, a mais eficaz e poderosa arma que usaram para eliminá-lo, e é com ele que nasce a outra verdade, a qual falei anteriormente, que conforta nossos corações, que é, a sua Ressurreição. Assim, Cristo não só vence a morte, como vence o sistema que o condenou, e incita-nos a fazer o mesmo, que não nos deixemos vencer por este sistema que está aí, que é herança daquele que o crucificou, comandado pelo olhar e desejo da ganância, do poder, do controle, e não pelo olhar do coração, que consegue ver a possibilidade de homens e mulheres, viverem em fraternidade.

E é acreditando na Ressurreição, e de que não há um sequer poder da morte, “nem mesmo um holocausto nuclear, que não tenha sido vencido” por ela (Ressurreição), que eu desejo a você e a sua família que sejamos Páscoa na Pá(z)coa!

É o desejo deste Pescador que ousa costurar palavras.
PAZ E VIDA LONGA!
Nota:
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Palavras costuradas em 15 de abril de 2003. Naquele ano os Estados Unidos invadiram o Iraque. A Invasão do Iraque iniciou-se no dia 20 de Março, a aproximadamente 25 dias depois eu costurei as linhas acima. A invasão se deu através de uma aliança conhecida como Coalizão, alinça entre os Estados Unidos da América, Reino Unido e muitas outras nações. O Kuwait foi o ponto de partida da ofensiva terrestre, realizada após uma série de ataques aéreos com mísseis e bombas a Bagdad e arredores que abriram caminho às tropas no terreno. Como as guerras e a violência parece que ainda sondam nosso cotidiano, resolvi fazer alguns remendos na costura original e postar neste espaço.
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