Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.

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sábado, 26 de setembro de 2009

As amizades são como as primaveras

Olhou o relógio e faltavam quinze minutos para as sete da noite, os diálogos do MSN o distraiu tanto que ele esquecera da conta que devia pagar, despediu-se rapidamente de quem pode e desligou seu computador, talvez, se corresse ainda encontrasse a casa lotérica aberta. Correu o máximo que conseguiu, parece que todos na cidade esqueceram-se de pagar suas contas no horário comercial, a fila estava gigantesca. Mas, isso é Brasil! Teria como ser diferente?

Enquanto isso, ela descabelava-se sobre sua produção acadêmica, com esforço conseguiria terminar seu trabalho, mesmo que para isso levasse a noite inteira acordada, terminar aquele trabalho era uma questão de honra. O cansaço mental já dominava seu corpo e sua vontade era de jogar tudo pelos ares, resolveu tomar um banho, um banho quente a traria de volta daquele cansaço que a fazia desesperar-se.

Ele, com o intuito de enganar sua espera começou a contar quantas pessoas estavam antes de sua vez, avistou uma figura que estava quase para ser atendida que lhe pareceu familiar, observou bem e reconheceu, um velho amigo que há muito não falava. O observou ser atendido e o acompanhou com o olhar, parece que sentimos quando somos observados, e o seu amigo sentiu algo diferente, algo que pareceu lhe incomodar a ponto de fazer uma espécie rastreamento e os olhares se encontraram, um sorriso de cumplicidade surgiu, então se cumprimentaram como bons e velhos amigos fazem: “fala seu filho da puta”, “quanto tempo, porra”, “saudades de ti”. Trocaram lembranças e um e pergunta surgiu. Vais fazer o que? Só vim pagar uma conta, estou de bobeira. Espera-me então, só vou pagar essa conta aqui.

Uma boa companhia faz até o Domingão do Faustão suportável, enquanto esperavam sua vez, lembraram das promessas não cumpridas e surge o inevitável, o convite para continuar aquela agradável conversa no velho lugar de confidencias, o Café Bahia, lá poderiam aprimorar seu diálogo recheando-o com uma deliciosa porção de moela e a geladíssima Serra Malte, pagaram a conta e seguiram ao lugar que tantas vezes testemunhou suas confidencias.

Chegaram ao seu confessionário particular e não precisaram nada dizer, logo chega o garçom trazendo o de sempre e dizendo, estão sumidos. É amigo, a correria do dia-a-dia distancia até os amigos mais próximos, responderam ao garçom como que em coro de lamentação de estarem a tanto tempo sem suas confidencias.

No quarto, ela preparava-se para o banho, espreguiçou-se, retirou cada peça de roupa como quem prepara-se para um ritual sagrado, abriu o guarda roupa, retirou uma toalha e enrolou-se, preferia andar nua pela casa, mas as janelas indiscretas dos apartamentos a tiravam a liberdade. Antes de entrar no banheiro parou em frente ao espelho e admirou-se, abriu a toalha e admirou-se. Logo ao entrar no banheiro ligou a chave da água quente e em seguida a da água fria, aparou um pouco de água nas mãos em concha e molhou o rosto. Para testar se água estava na temperatura adequada colocou apenas um dos pés, esticou um pouco mais as pernas e aos pouco sentia a água descobrindo seu corpo. Ao entrar completamente debaixo daquela água quente, deixou que apenas a água caísse sobre ela, e, ergueu a cabeça como quem se entrega ao desejo de ser possuída.

Derramou o sabonete líquido nas mãos e suavemente passou sobre seu corpo, parte por parte, deslizou sobre seus seios, massageando descendo pelos quadris, as coxas, cada uma teve sua vez, abaixou e completou até os pés, voltando cada movimento até chegar ao pescoço. Suas mãos pareciam que modelavam cada parte de seu corpo, como um escultor modela a argila dando-lhe a forma desejada, seu desejo era de modelar a tranqüilidade que tanto necessitava e que aquele banho a permitia saborear: a água, o sabonete, suas mãos e seu corpo, tudo na medida certa. E, a tranqüilidade surgia.

No bar, os amigos caminhavam para pedida final, um brinde e o desfecho de mais uma confissão terminara no Café Bahia. Bom amigo, devo ir, disse ele, precisamos nos ver com mais freqüência, não podemos deixar que essa louca correria que a contemporaneidade nos impõe nos distancie mais que a própria distância geográfica já o faz. Antes que se despedisse completamente o amigo olhou para ele e disse: reparei desde que nos vimos na fila da lotérica que seu semblante está como quem acabara de ganhar o mais belo presente. Então respondeu: é que os amigos são como as primaveras, trazem alegria ao mundo. Ao encontrar-te naquele momento senti essa alegria trazida por você, pois, és uma constante primavera em minha vida.

Após tanto tempo de confidências, aquela fora a mais bela declaração ouvida por seu amigo. Um abraço apertado e então se despediram. Sabiam que talvez só o acaso pudesse trazê-los de volta ao seu confessionário particular. Afinal, quem está livre da correria imposta pela contemporaneidade?

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O cheiro da primavera

O tempo passou e ele nem percebera, nem fome sentia, já eram quase duas horas da tarde, aquele texto... Ah! aquele texto... Parecia mais um anúncio desesperado dizendo aos gritos: salvem-me! Naquele momento tudo em sua volta desaparecera, era apenas ele, o teclado e aquelas letras que aos poucos iam se organizando e formando aquelas palavras que juntas diziam aquilo que ele temia aceitar: “eu preciso de cuidado”.

Enquanto o seu texto revelava o que ele não queria saber, na faculdade ela pensava: “tenho só hoje, não vou consegui”, era o penúltimo dia para entregar o trabalho final da disciplina que ela menos gostava, era preciso correr contra o tempo. De um lado, o tempo dele parecia não correr, de outro, o dela corria na velocidade da luz. Ela aliviava-se, pois ainda teria a noite e ele desesperava-se, pois ainda teria mais uma noite.

Ele olhou em volta, a faxineira limpando o chão, seus movimentos eram tão atenciosos com cada sujeira que desarmonizava o brilho daquele piso, desejou então ser o chão, queria ter aquele tratamento de tão harmoniosa atenção e cuidado. Olhou no canto direito inferior da tela do computador e o relógio já marcava duas horas da tarde e ele ainda não tinha comido nada, era preciso comer alguma coisa. Na cantina da faculdade ela ria na companhia de seus colegas, serviu apenas verduras, disse que não podia engordar.

Ele olhou para o chefe e disse: vou comer, e foi. Procurou o restaurante mais lotado, ele queria ver gente, queria estar com gente. Não sentia fome, mas era necessário alimentar-se, nada lhe enchia os olhos nas bandejas. Uma pequena porção de arroz integral, um pouco de feijão por cima do arroz e um pedaço de frango fora a composição de seu prato. Algumas mesas vazias. Avistou o alvo, uma mesa com uma bela jovem almoçando sozinha, resolveu aproximar-se.

Com sua licença, posso assentar aqui? Fique a vontade, ela respondeu. Foram as únicas palavras. Antes tivesse escolhido uma mesa vazia, talvez o vazio fosse uma melhor companhia. Não, melhor assim, pelo menos podia contemplar em sua frente aquela silhueta angelical, por um instante sentiu-se fora de órbita. Com sua licença, ela disse, e aquela voz suave o vez voltar ao restaurante. Ela estava se despedindo, acabara de almoçar e ele não percebera. Toda, disse ele. E lá se foi, aquele anjo que por alguns instantes o levou até o céu.

Na faculdade um amigo oferecia carona para ela, muitas coisas a fazer e não podia perder tempo, aceitou. O amigo a levou até em casa, ele tentou beijá-la, mas ela não permitiu, tentou com mais firmeza e ela o empurrou. Saiu furiosa do carro. O que ele está pensando que eu sou? Uma vagabunda? Foda-se! Esse filho da puta, eu sabia que essa corona tinha outras intenções, bem feito, se fudeu. Assim, da próxima vez vai pensar antes de tentar alguma coisa.

Após sair do restaurante, ainda com aquela imagem angelical que fazia seu rosto ensaiar um sorriso, caminhou, caminhou sem destino. Olhou as lojas, as construções, os carros apressados, uma senhora atravessando a rua e ele ali, a observar todos os movimentos.

Estava na hora de voltar ao trabalho. Voltou para sua sala fria e nada aconchegante, tudo ali, naquele dia, se transformou num mausoléu depressivo. Queria sair daquele lugar o mais rápido possível, mas as horas não passavam. Tinha horário a cumprir, tinha que garantir o salário que possibilitava sua sub-vida. Voltou ao texto. Este sim o fazia viver. Mas, não durou muito tempo, logo concluiu o texto e ainda eram cinco horas da tarde. Os seus pensamentos noturnos voltaram a perturbar-lhe a mente. Lembrou de sua espera, não recebera a resposta que tanto ansiava. Olhou sua caixa de e-mail e, nenhuma resposta. O que fazer? Resolveu publicar em sua página virtual sua produção. Ainda faltava algum tempo até a hora de ir embora, então acessou o MSN, talvez encontrasse alguém que o ajudasse a se animar. Nenhuma resposta.

Enquanto ele esforçava-se para livrar-se daqueles pensamentos, ela debruçava-se sob aqueles textos de teorias complexas que de nada valem para a vida cotidiana, talvez, se ela passasse a noite acordada conseguisse terminar seu tão árduo trabalho.

Muitas janelas piscando, o que aconteceu? Todos querem falar comigo? Indagou-se. Quando abriu a primeira janela, entendeu, era o seu texto. Então sorriu. Pela primeira vez naquele dia ele sorriu. Talvez fosse a noite chegando com seus mistérios que encantam. Ou a primavera que se aproximava mais. Eram muitas janelas piscando em sua frente e, as perguntas eram diversas. Todos queriam entender o motivo daquele texto. Mas, nem ele mesmo sabia explicar. Seria mesmo fuga dos seus pensamentos insólitos? Ou seria uma necessidade gritando por sair do âmago de sua alma? Sua resposta era simples: "sentir vontade de escrever e saiu isso". Mas, acrescentando expressou: "é que já sinto o cheiro da primavera".

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Anúncio de uma primavera

O frio está indo embora, à noite, parece que se abriu a porta que vedava o tão temido inferno, suor pelo corpo escorre molhando toda a cama. Rola pela cama inquieto, não se sabe se pesadelo ou são as confluências cotidianas visitando seu sono e dizendo: acorda, volte à vida.

Enquanto dorme seu sono inquieto, ela viaja, mal sabem o que o dia seguinte prepara. Ela não consegue dormir, poltrona desconfortável, motorista que corre demais. Que perigo! As luzes dos postes são como fleches de lembranças daquilo que nunca aconteceu, a luz do dia se aproxima anunciando aquele belo horizonte.

Ele acorda e não acredita, mais uma segunda-feira, olha no relógio, está atrasado, a noite lhe pareceu tão pequena, queria dormir mais um pouco, ainda não entendia a confusão que se instalara em sua cabeça enquanto dormia. Corre para o banheiro e toma o banho mais rápido de sua vida, não podia chegar atrasado ao trabalho, não naquele dia.

Nunca uma ida para o trabalho lhe rendera tanto tempo, teria lido todos os tomos de O Capital naquele tempo, o dia tinha uma áurea diferente, seria o inverno se despedindo? Talvez fosse. Ou talvez fosse a primavera anunciando sua chegada. Está na hora de descer, desperta de seus devaneios e puxa a corda que dá o sinal de parada solicitada.

Antes que o ônibus parasse completamente ele salta e segue correndo em direção ao trabalho, em frações de segundos chega ao trabalho, ainda ofegante, lhe recepcionam com a pergunta: o que aconteceu? Está tudo bem? E ele emite uma curta e simples resposta: cheguei! Nada mais se pronunciou. Aquilo fora suficiente.

Entrou em sua sala, ligou o computador e esperou, só podia esperar. As horas passavam a passos lentos, um dever lhe martelava a cabeça, fazer o seu trabalho, nada mais. Se aqueles pensamentos noturnos o deixassem em paz, talvez conseguisse se concentrar em seu dever diário que garantia sua sub-vida.
Como fuga de seus pensamentos insólitos resolve escrever, escrever sobre a primeira coisa que lhe viesse à cabeça no lapso descuido dos pensamentos que lhe inquietavam a mente. Mal sabia ele que do outro lado da cidade alguém pensava nele. Escreveu algo como quem pede socorro. Ele sentia a necessidade de algo que não sabia explicar. Ela do outro lado o sentia, sentia a necessidade que ele sentia dela sem saber. Teria alguma ligação? Ou seria apenas o anúncio de mais uma primavera chegando? Nada é certo, apenas o incerto. Continuou a escrever. Isso o permitia viver. Viver sem aqueles pensamentos noturnos daquele fim de inverno.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Dê seu lance!

Resolvi entrar no ramo comercial, podem me chamar de louco, em plena crise econômica em que as grandes empresas se desesperam para conseguirem manter-se em atividade e sem prejuízos, eu resolvo investir no ramo. Mas é isso mesmo. Grandes nomes do comércio mundial começaram assim, investindo tudo e sem medo naquilo que ainda nenhuma pessoa se atentara para o seu poder econômico.

Para acalmar os ânimos devo informar que essa ideia não partiu de um sonho, que ao acordar eu tenha dito “eureca” e aí resolvi investir nessa ideia. Não! Essa ideia parte de uma exaustiva pesquisa de mercado e de muito interesse na atualidade.

Resolvi investir em algo que requer muito zelo e cuidado. E, considerando a fragilidade de meu produto, todos os altos métodos de tratamento e o tempo que necessita para ficar pronto para o mercado o meio para que chegue ao usuário não poderia ser a comum exposição de vitrine em loja de shopping ou pelas vendas virtuais, que ganham cada vez mais forças nesse tempo de crise econômica na atualidade. Um produto tão valioso requer uma forma especial e personalizada para sua venda. Resolvi investir no leilão.

Meus produtos são peças raras e únicas, levei anos trabalhando na melhor forma de cuidar de cada peça de acordo com sua singularidade, as mais novas, assim como são os produtos num geral me exigiram apenas um cuidado para mantê-las em seu bom estado de funcionamento, mas chegaram até mim algumas peças bem desgastadas e que me renderam muitas noites de insônia. Gosto de cuidar de cada peça pessoalmente, cada uma tem sua ficha de desenvolvimento específica que me facilita não exagerar no cuidado com uma ou falta com outra. Mesmo tendo uma ótima equipe que tem o cuidado de visitar sistematicamente o desempenho de cada peça eu faço questão de todos os dias fazer uma vistoria em cada uma delas. Isso garante a qualidade de meus produtos.

Ainda na linha das considerações, ao colocar no mercado minhas peças, o usuário que adquirir meu produto necessitará passar por um período de treinamento com minha equipe especializada para que o mesmo tenha uma vida útil duradoura. Antes de abrir meu negócio, disponibilizei algumas peças para que alguns usuários como meio de perceber elementos que poderiam ajudar na durabilidade do produto. Entre as peças disponibilizadas tivemos uma grande variação em sua durabilidade. Até o sexto mês de uso elas duram perfeitamente, depois desse tempo algumas passaram apresentar desempenho insatisfatório. E aqui está nossa grande descoberta, percebemos que esse desempenho insatisfatório era decorrente da má utilização ou da falta de cuidado com cada peça, os efeitos são quase irreversíveis, cada peça quebrada geralmente nos exige o dobro de tempo e de cuidado para que possamos devolvê-la ao mercado.

Diante dessa situação é que criamos esse tempo de treinamento para cada um de nossos usuários no qual está incluído o item: recuperação de funcionamento original de acordo com cada especificidade do problema apresentado por cada peça. E, para ajudar nessa durabilidade, também, disponibilizamos um manual no qual expomos os sinais emitidos pelo produto que indicam a falta de cuidado e possibilitarão evitar, assim, o mau desempenho e talvez até perda total do produto. Alerto que percebido os primeiros sinais de acordo com o que foi disposto no manual, as meditas de recuperação do funcionamento original deverão ser aplicadas imediatamente.

Por fim, adotando o método de venda de peças raras é que anuncio a abertura de meu negócio e informo que a aquisição definitiva desse produto dependerá de uma aprovação do comitê que avalia a capacidade de saber cuidar de tão precioso produto. Dito tudo isso e isso tudo, anuncio: leiloa-se um coração! Dê seu lance, não perca tempo!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A relação perfeita

Você já parou para imaginar como seria se as relações amorosas começassem pelo fim? Você deve estar se perguntando: como assim começar pelo fim? É isso mesmo, começar pelo fim, o início será o final e o final será o começo.
Calma! Vou explicar melhor, esse final que é começo e esse começo que é final pode confundir as coisas.

Vamos viajar. Todos preparados para embarcar? Cuidado para não tropeçarem e cair, não quero ter que pular na água para salvar algum aprendiz de pescador desastrado. Todos/as a bordo? Agora vamos navegar.

Pois bem, nos últimos anos fui muito procurado por pessoas que nunca tinha tido contato, por pessoas que conheci em minhas navegações e também por amigos e amigas de perto e de longe, todos procuravam partilhar um pouco de sua vida com esse simples pescador que ousa costurar. Ao falarem de seus projetos de vida muitas coisas bonitas eram reveladas, para mim só o ato de sonhar já traz em si uma beleza transcendental, o ato de sonhar é a capacidade de dizer à vida que sabemos por onde queremos navegar.

Tripulantes, pescadores e pescadoras, meus cúmplices, ao ouvir falarem da vida, de seus projetos, algo me chamou atenção, foi recorrente em muitas das partilhas os problemas vividos nas suas relações amorosas, como não conseguimos dar conta daquilo que envolve as coisas do coração. Conseguimos enfrentar verdadeiros maremotos em nossa vida, como se fossemos verdadeiros marujos, mas quando isso mexe com a dimensão afetiva não passamos de marinheiros de primeira viagem.

Enfim, observando os inúmeros sofrimentos causados por essa dificuldade de lidar com as coisas do coração, o não saber a hora de dizer: “eu te amo”, de não saber a hora de dizer: “basta” ou mesmo de se entender que o “acabou, não dá mais” que por ventura venhamos a receber me levou a repensar a lógica das relações amorosas que estamos habituados.

Ao repensar essa lógica fui levado a um mundo paralelo, é bom ressaltar que não precisei de nenhum auxílio alucinógeno para isso, por um instante pude contemplar o mundo da pura existência (explicar esse mundo caberá a outra costura). Nesse mundo as existências conviviam, relacionavam-se e se amavam sem restrições, parecia uma grande união amorosa, e era isso mesmo, todos eram amantes. Ali a morte não existia, a morte era nascimento e o nascimento era a morte, mais uma coisa de louco, mas lá tem suas razões de ser assim. E, entender esse mundo é fundamental para entendermos as relações amorosas em nosso mundo.

O mundo que visitei é a eternidade. Assim, como todos os seres ali eram eternos, para que experimentassem a morte era necessário nascer humano e viverem todas as dores e alegrias da mortalidade. Então nascer para um ser eterno é morrer, e morrer é nascer, nascer para eternidade. Aqui está à grande resposta que buscamos e por hora isso basta.

Vamos avançar em nossa costura.

Diante dessa nossa origem, acredito que o amor deveria acontecer às avessas, só assim não teríamos tantos casais amantes se separando e sofrendo.

Somos frutos da eternidade e para ela um dia voltaremos. Quando vivemos na eternidade vivíamos em uma grande união amorosa. Sendo assim, ao nascermos, nascemos de uma separação, separação das relações que estabelecíamos na eternidade, e por que não dizer: divórcio. Para nascer nos divorciamos de nosso amor na eternidade. Nesta lógica, todos somos divorciados, eis o início da relação amorosa em nosso mundo.

O passo seguinte se dará no reencontro, no reencontro com nosso amor o passo a ser dado é o casamento. Antes de qualquer coisa, case-se. Não precisa saber nada do ser amado. Apenas que é necessário casar.

Casados virão às crises da descoberta do outro, brigas, partilhas, sexo e cumplicidade também, até o momento em que perceberão que é necessário noivar, aí as coisas começam a ficar mais tranquilas, ambos já se conhecem, os corpos se desejam ardentemente, a vida gira em torno da realização mútua e assim planejam juntos os tempos bons que virão.

Então noivos, sentirão a necessidade de namorar, e assim, se tornam namorados, não querem mais sair um de perto do outro, os desejos pessoais se confundem com os desejos do outro, não sabemos mais nada: "qual é meu desejo?, "qual é o desejo dela?". Nós nos desejamos, o sexo fica mais gostoso, o toque acalma, o cheiro inspira, o beijo nos tira do mundo e a presença nos completa.

Após esse passo entramos na etapa da paquera, onde começamos a valorizar as coisas mais simples e talvez as mais belas, andamos rindo a toa pelas ruas, aquele olhar de longe preenche a necessidade que temos do outro, os bilhetinhos, mensagens de e-mail ou celular nos fazem voar alto, o tchau e o sorriso dado ao longe nos satisfaz e nos enche dos mais belos sonhos. Assim terminaria a relação perfeita, “sonhando a vida e vivendo os sonhos”.

Uma dica: não peça ninguém em namoro. Quando encontrar a pessoa amada, diga: case-se comigo! Quero namorar você.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Quando o mundo ficou tremulo


Ao chegar em casa, o vazio
Aos pouco tudo foi se preenchendo
Cada lembrança tua foi se materializando me minha frente
Comecei a sentir teu cheiro que me invadiu os meus pulmões
Comecei a sentir o toque suave de teus abraços que me acalmam
Comecei a sentir o gosto doce de teus beijos que faz a vida ficar muito mais bonita
Tentei te abraçar e beijar
Mas, meus gestos foram em vão
Tudo era fruto da minha imaginação
Lentamente tudo foi se derretendo
E eu ali, vendo você desaparecendo
Foi quando meus olhos começaram a ver mundo ficar trêmulo
Eram as tuas lembranças me impedindo de ver a realidade em minha frente
Até o momento em que elas começaram a cair, rolando sob mina face até encontrarem o chão
Então me percebi inundado por tuas lembranças
As lembranças que caiam me faziam soluçar como uma criança
Eu que sempre me achei forte, que um dia te disse: Vêm, eu sou seu norte!
Que sempre soube como enfrentar o mundo sem nunca me abater
A navegar os mares mais tortuosos sem me estremecer
Eu jamais poderia imaginar que as lágrimas que distorciam o mundo
Tornar-se-ia o pior rio em que um dia fui levado a navegar...

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Teu corpo quente



O frio ainda não foi embora,
E sinto mais frio do que desejei um dia,
Ele começou suave e agradável,
Mas, agora começou a congelar-me,
Não consigo movimentar-me,
Seria a saudade me dominando?
Não sei, mas estou com meu corpo se comprimindo,
Não sinto minhas articulações,
Queria abrir os braços para esperar-te,
Mas não consigo,
Eles se negam a abrir-se,
Parece que sentem que seria inútil,
Abrir os braços e esperar o quê?
Abrir os braços e esperar qual abraço?
Que venha o frio,
Que me congele por completo,
E preserve a última lembrança agradável,
Que me congele antes que os pensamentos tristes me dominem,
Não quero ser congelado em minha tristeza,
Se for para sentir frio, que seja da tua lembrança,
E assim, congelado, te terei eternamente junto a mim,
Esse seria meu lindo fim,
Fez escuro,
E minha última lembrança...
É teu corpo quente junto ao meu,
Numa linda noite...
Fria.
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