Contatos do Pescador
Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.
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quarta-feira, 2 de junho de 2010
Jogando com frases prontas e respostas inesperadas
sábado, 29 de maio de 2010
Dona Mundica
Por achar insuficiente a frase, ou diminuta demais, meu blog, no dia das mães, ficou sem a costura que eu desejava postar em homenagem a minha. Devem existir outras formas de dizer o quanto amamos alguém, o quanto sua existência é importante em nossa vida, o quanto o simples fato de ela existir em algum lugar no mundo já nos torna pessoas melhores e mais felizes. Talvez seja um grande erro, e digo talvez, por, de fato, não ter a menor certeza, tentarmos expor em palavras ou mesmo gestos a grandeza dos nossos sentimentos. E mais um incerteza de erro é quando exigimos que o outro/a demonstre o quanto nos ama ou o quanto somos importantes para ele/a.
Ao não conseguir dar forma verbal, gestual, escrita ou qualquer forma visual a tudo que minha mãe representa em minha vida, percebi que não é por não dar forma aos nossos sentimos que não os temos e ousaria até dizer, que esses sentimentos que não conseguimos materializar em gestos, sejam os mais belos. Enfim, no dia das mães eu liguei para falar com minha mãe, desejei para ela o que geralmente desejamos nessas datas, mas não disse tudo. Acredito que as mães são capazes de perceber essas coisas, creio que as mães são capazes de ler a alma dos filhos, por isso fiquei tranqüilo, de alguma forma ela sabia o quanto eu a amo, o quanto ela é importante para mim, sem que eu possa pronunciar qualquer palavra.
Mas, o que me levou a escrever, hoje, quase no final do mês, para contar que não escrevi no dia das mães o que desejava escrever? Além da frase que insistia em permanecer em minha mente, algo que me aconteceu na última quarta-feira tornou a minha mãe mais presente em meus pensamentos diários. Fui acometido por uma gripe na última quarta-feira e lembrei-me das vezes em que podia ser cuidado por minha mãe. Das várias noites em que deixou de dormir, para velar minhas noites de agonias durante as inúmeras crises asmáticas que tive durante minha infância e adolescência.
Nestes últimos dias do mês de maio, mês em que lembramos a importância de nossas mães e que eu esperava costurar um belo texto em homenagem a Dona Mundica, Dona Raimunda ou mesmo Dona Hermenegilda, ou melhor, a dona da minha vida, que me entregou ao mundo, minha mãe, uma gripe me fez reviver a presença dessa mulher tão especial em minha vida.
Algumas lembranças me foram recorrentes e, para evitar tornar esta costura longa demais, direi apenas alguns de seus gestos durante o tempo em que vivi com ela: lembrei dos seus cuidados quando eu adoecia; os chás – eu adorava o chá de erva cidreira, creio que era na casa da minha Vó que ela buscava; as misturas medicinais – pílula do mato amassada com mel; limão com mel – hoje acrescento uma cachaça e a coisa fica ótima; as batidas de ervas amargas que me obrigava tomar para sarar logo; as massagens em meu peito quando eu não conseguia respirar; lembrei das madrugadas em passava na máquina de costura fazendo os últimos ajustes na roupa que usaríamos na manhã seguinte; as noites em que juntava eu e meus irmãos para rezarmos o terço antes de dormir; sua cara censurando nossos risos ao não acertarmos a ave-maria, e depois seu riso ao perceber que a reza já tinha virado piada; lembrei dela me ensinando a pedir a “bença” ao papai e mamãe do céu; a me ensinar a rezar pedindo a proteção do anjo da guarda e não dormir sem camisa, se não, Nossa Senhora passava e não olhava; lembrei das tantas manhãs em que ela acordava mais cedo e esquentava um pouco de água para deixar a água da bacia morna e eu não ter que tomar um banho gelado tão cedo da manhã; lembrei das manhãs em que preparava um mingau de aveia, ou mesmo de farinha com leite, antes de eu ir para escola; lembrei do seu abraço apertado, não querendo me largar e seu choro que me apertou o peito ao se despedir de mim quando eu fui embora.
Enfim, lembrei de tantas coisas e é melhor parar de expor essas lembranças, são tantas, elas me enchem os olhos de lágrimas e de alegria na alma, por ter nascido desta mulher que tanto amo e admiro. Mas, vale dizer que desejei muito, esses dias, ser ainda aquele menino, desejei ter todos aqueles cuidados novamente. Desejei ter minha mãe aqui, queria deitar em seu colo, como fiz uma vez quando já não era mais criança e chorei. Ela não disse nada, apenas fez cafuné, como só a mãe da gente sabe fazer, e mais uma vez velou meu sofrimento e seu carinho naquele momento era a única coisa que podia me acalentar.
É... Mãe, eu nunca soube como dizer tudo o que sinto por você e a única frase que consegui construir no dia das mães expressa a minha limitação em dizer o que és para mim. A frase que me acompanhou durante todo esse mês foi essa: "há tanta beleza em teu ser, que nenhum poeta no mundo seria capaz de descrevê-las". Sei que nem os poetas, os artistas conseguiriam descrevê-la, mas, quem sabe, um dia, com os avanços das ciências, a humanidade conseguirá ter acessos ao que verdadeiramente sinto por você, ao conseguir mapear os sentimentos mais puros existentes no coração deste teu filho. Será consentido aos seres da terra, abarcarem a dimensão do amor de um filho? Como conhecer o que representa a tua presença em minha vida se tua beleza só poderá ser descrita através das almas humanas na leitura do coração? Creio que se um dia alguém for capaz de conseguir decifrar os corações humanos, ao se depararem com o meu, encontrariam todo o teu ensinamento. Teu olhar e cuidado que forjou minha alma construindo o meu eu. Tua garra destemida que me ajudou a seguir em frente e a acreditar nos meus sonhos que me fizeram partir. Fazendo-me aprender a viver sem tua presença, sem teu carinho diário e talvez o que mais sinta falta, sem o teu colo de mãe.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Cantando a memória de uma identidade ameríndia.
sábado, 22 de maio de 2010
Belo Horizonte
domingo, 16 de maio de 2010
História de pescador?
A leve brisa que sopra a fresta do quarto da casa de madeira anuncia que está na hora de levantar-se. Ele olha ao seu lado e vê a silhueta de sua esposa dormindo um sono invejável e delicadamente movimenta-se para não acordá-la, não queria importuná-la, não aquela madrugada com tem sido a rotina de seus 35 anos de casados, deseja que pelo menos naquela madrugada sua esposa tivesse uma completa noite de sono. Usou de toda sua calma, paciência e silêncio tão precioso e necessário em seu ofício para dosar seus movimentos ao sair da cama. Após minuciosos e cuidadosos movimentos consegue levantar-se sem interromper aquele belo e calmo sono que fazia sua esposa sorrir enquanto dormia. Caminha pela casa tendo apenas seus pensamentos e o vento que assobiava pelas frestas da casa, pensava em seu ofício diário, sua cama, sua esposa e seu sorriso adormecida, o tempo que perdia longe dela ao tentar garantir seu sustento de sua vida e se indagava, estaria garantindo sua vida ou perdendo-a? Pensou em todas as vezes em que mesmo querendo ficar ali e aproveitar o aconchego da cama, o calor daquele corpo que o fazia companhia e tornara sua vida tão feliz, teve que levantar e seguir para seu ofício.
Mas, aquele era a sua rotina, todo dia a mesma coisa, antes do sol despontar, e antes da lua beijar o mar, ele levanta-se e seguia para sua lida. Todo dia contemplava aquele rosto, aquele sorriso, aquele corpo que sentia-se obrigado a deixar ali, mesmo querendo ficar, para cumprir sua rotina. Que árdua rotina, deixar o aconchego daquele riso, aquele abraço que fica mais gostoso na madrugada e que nos chama a ficar sempre ali, aproveitando até o último momento.
Pela casa o vazio daquela vida que no quarto dormia, em cada canto a lembrança fria de cada momento vivido, as brigas e beijos, os choros e os risos, o gol e o último capítulo da novela, a mesa pronta servida com sua comida favorita, as danças ao som da rádio da cidade, o enterro do cachorro, o banho frio para superar o calor dos dias quentes, ouve ao longe o som das lembranças: amor o chuveiro queimou! Vem logo pra cama! O jantar estar pronto! Vamos ao cinema? Tem um circo na cidade! Chegou visita! Vou preparar o café!
Café? O café, perdido em seus pensamentos e em todas as lembranças que o resolveram visitar naquela madrugada, esqueceu do café, afinal e era ela que sempre com ele levanta-se e ia lhe preparar o café que o servia o dia inteiro em sua lida. O café que o fazia sentir-se sempre ali, ao lado dela, venerando o seu amor. Distante, sentia-se em casa e aquilo lhe confortava, era sua força para superar a distância que diariamente o acompanhava.
Caminhou em silêncio até a cozinha, pegou a panela, mediu a água e pós no fogo, em alguns minutos estaria pronto, não seria como o dela, mas era preciso ser assim, pelo menos naquela madrugada queria que sua esposa dormisse seu sono merecido. Enquanto esperava o aquecimento da água, preparou a mesa, tudo em seu devido lugar, faltava o pão, o pão! Estava na hora do padeiro passar, para garantir o sono de sua amada, abriu a porta da cozinha que dava para o quintal, deu a volta na casa e cuidadosamente abriu o portão, ao longe avistou uma bicicleta com um cesto em sua garupa. Era o padeiro, acenou e esperou, fez sinal para o padeiro mantivesse o silêncio. Dois pães, por favor! Com os pães em mãos agradeceu, despediu-se e entrou. Pôs os pães sobre a mesa.
A água no fogo fervia, pegou o saco de pano, colocou sobre o bule, colocou os grãos no moedor que renderem uma porção de aproximadamente duas colheres de sopa cheia de pó de café, açúcar suficiente para deixar o café levemente amargo e despejou a água. A água quente, ao encontrar aquele pó, penetrou-o e o fez exalar seu cheiro pelo ar, o cheiro inundou a casa, passando pelo corredor chegando até o quarto.
Sua esposa que no quarto gozava de um belo e calmo sono que a fazia sorrir enquanto dormia, sentiu aquele cheiro, abriu levemente os olhos e ameaçou levantar, precisava tanto daquele sono que não percebeu que estava só na cama, pensou que fosse um sonho, fechou os olhos e voltou a dormir, mas agora seu sonho tinha um cheiro de café da manhã, então sonhou, sonhou que naquele dia seu marido resolveu lhe fazer uma surpresa, primeiro, tinha decido não ir trabalhar, mas levantou como sempre no mesmo horário e sem que ela percebesse, saiu da cama, preparou o café, colocou a mesa, ornou com o vaso de tulipas que ela com tanto zelo cuidava, e voltou para cama para curtir sua companhia até que o sol anunciasse um novo dia. E, assim que os raios de sol invadiram todas as frestas da casa de madeira, das telhas expostas sem o forro, ela a abraçava como no seu primeiro encontro, e beijando-a dizia: amorzinho, está na hora de levantar, o café está pronto, só falta você e seu sorriso para completar a beleza deste dia.
Enquanto ela sonhava, ele verificava se tudo estava ali, seus materiais, a mesa pronta e a garrafa térmica de café, que naquele dia teria outro sabor, um sabor de cuidado, de recompensa, cuidado diária que sua esposa tinha ao levantar-se junto com ele para ajudá-lo a preparar os seus dias de ofício, mas, naquele, após 35 anos de cumplicidade, foi sua vez de cuidar e ajudar sua esposa a preparar seu dia, mesmo que foi com um pequeno gesto simples de preparar o seu café e deixá-la gozar de uma noite inteira de sono. Ouviu o canto dos maçariquinhos, foi até a janela da cozinha, da qual é possível ver o rio, e viu que o rio já havia baixado, anunciando a vazante da maré, era preciso ir, estava na hora. Mas, antes era preciso fazer uma coisa.
Foi até o quarto, olhou para sua esposa que ainda estava sonhando com a bela surpresa que tinha recebido, lamentando ter que deixá-la ali, aproximou-se, sentou-se na beirada da cama, mexeu nos cabelos de sua amada e que cobria o seu rosto e escondia aquele sorriso resultante do belo sonho em que ela se encontrava. A aproximação dele misturou-se ao sonho dela. Ela sentia o beijo que ele lhe dera como despedida ou até logo, em função de se encontrar em saída para sua rotina de trabalho. Após beijá-la, ele diz baixinho para não acordá-la: “Amorzinho, está na hora de eu ir, deixo seu café pronto, só vai faltar você e seu sorriso para completar a beleza deste dia quando eu estiver no mar”. Puxou a manta e a cobriu a fim deixá-la mais confortável e impedir que a brisa que invadia o quarto pelas frestas da parede de madeira a incomodasse. Levantou-se, mais uma vez com todo cuidado possível, foi até a porta, virou-se para trás e olhou mais uma vez sua esposa que ainda dormia e sorria. Ela como que sentido o vazio no qual o quarto ameaçava entrar, e em atenção as palavras que seu marido em sonho lhe dizia para levantar, abriu levemente os olhos e achou que o viu saindo. Ela pressiona as mãos fechadas sobre os olhos para melhor ver e se percebe só e o café.
O café? Percebeu que havia passado da hora, aquele sonho pareceu tão real, não entendo o que havia acontecido resolveu levantar-se e verificar o que estava acontecendo, foi então até a porta do quarto de onde era possível ver o acesso a cozinha e a saída para o quintal, avistou ele que pegava sua tarrafa, colocou-a no paneiro, onde estava a garrafa de café, junto com os outros materiais necessário para mais um longo dia de pesca, colocou o paneiro no cabo do remo, saiu pela porta da cozinha e caminhou em direção a sua canoa que o esperava quase em seco, pois o rio havia baixado depressa demais. Ela, enrolada na manta, corre até a porta da cozinha e grita suave ao seu amado com um riso triste em sua face: “amor! Não demora! Volta logo!”. Ele olha para trás e vê aquela linda mulher enrolada em uma manta que há alguns minutos tinha deixado na cama, pensou em tudo que passou por sua cabeça desde que levantou-se da cama.
Deixou seus materiais caírem no chão e foi ao encontro dela com aquele sorriso triste ao se despedir e que lhe pedia que ficasse, antes que ela se desse conta, ele a abraça, como se aquele fosse seu último abraço. Ela abre a boca para dizer-lhe algo e ele a impede com um demorado beijo, um beijo como eles nunca haviam experimentado, era uma mistura de amor, cumplicidade, desejo e realização. Ela tenta dizer alguma coisa e ele mais uma vez a impede de pronunciar qualquer coisa que seja além dos gemidos provenientes da satisfação daquele beijo que lhe tirava o fôlego. Após, uma luta que não queria travar contra aquele beijo ela consegue chamar atenção de seu amado e, sem parar o beijo, ela aponta em direção ao rio, que àquela altura, já estava seco e junto o casco, e diz ao seu marido: “Amor, você vai ter um trabalhão para empurrar o casco até alcançar a água”. Ele, sorrindo lhe diz, “Não terei não”. Ela: “Como não?”. Ele a abraça aconchegantemente por trás e lhe diz em seu ouvido como em uma jura de amor: “Ficarei aqui, juntinho de você, meu amor”.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Homem não chora?
terça-feira, 4 de maio de 2010
O canto do uirapuru
Olhos abertos esperando tua luz radiante
Meus olhos fecham para ver que não estás aqui
Noites eternas e dias que não chegam
Insônia que incomoda e sono que não vem
Onde está Morfeu? Talvez abraçando meu amor
Pensamentos estranhos que me levam para onde não quero ir
Luto inultilmente contra esses pensamentos complexos
Queria ficar aqui e te esperar de braços abertos
Com meu riso solto cuidar de você e você sorrir
Basta desejar e seguir teu sonho feliz como um horizonte
E eu estarei a te esperar, mas volte antes que clereie o dia
E minhas lutas vencerão a complexidade que se instalou em minha mente
Um pássaro na janela anuncia que a vida pode ser mais bela
Eu, alto, grito: quero, quero ficar contigo
Olho e vejo o azulão do céu como num final de tarde
Bem te vi chegando e abrindo a porta
Sorrindo beija a flor que eu te dei
Abre teus braços de anjo e vejo tua asa branca
E perto de ti serei coruja e velarei teu sono
E de dono da noite me chamará
E você será minha estrela do norte
Serás para mim a mãe da lua e pai da lua eu serei para ti
Como um flautista da mata eu cantarei que o fogo pegou
E gente de fora vem para ver o nosso amor
E em coro dirão que esse amor não pode parar
Só nós seremos o oleiro de nosso amor
Você será minha rolinha e eu o teu rouxinou
E juntos cantaremos um canto silencioso
Dizendo tem, tem amor aqui
Ao som desta melodia adormeceremos e sonharemos
Sonharemos com nossa vida feliz
Felizes desejaremos nunca mais acordar
A madrugada se despede e o sol anuncia uma nova manhã
E antes que a brisa da manhã nos acorde
Ouviremos o canto do uirapuru abençoando nossa vida e nosso amor
E abençoados acordaremos para vivermos nossa vida feliz.
Costura Explicativa 8 - Sábado e Domingo e o ócio produtivo
O sábado e domingo é um tempo de ócio , tempo de esperar ser visitado por uma nova inspiração para as postagens da semana seguinte, entre ...
