Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.

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sábado, 21 de maio de 2011

Um presente noturno


O sol já se punha e o céu já estava escuro
Tudo estava calmo, só o meu coração gritava
Gritava com toda sua força para irromper aquele silêncio
E, foi naquele silêncio que a noite me disse:
Bom dia, cheguei para te fazer companhia
Não gosto de te ver tão só, esse teu jeito me dá dó
Trago a lua e o luar para iluminar teus sonhos, teus planos
Não feche os olhos que o sol ainda vai demorar
Deixe-os bem abertos para ver
Para ver o presente que eu trouxe para você
Olhe as estrelas que insistem em aparecer
Que insistem em aparecer só para te ver
Elas brilham por você, um brilho belo, um brilho cálido
Que te aquece do frio que insiste em se instalar em teu coração
As estrelas me iluminam só para verem o teu sorriso
Sinta o meu cheiro que é o cheiro do teu amor
Um cheiro que te alivia a dor da ausência que preenche tudo
Eu te presenteio com a noite mais bela
Com aquilo que dizem ser milagre, ser miragem
O teu presente não é miragem
O teu presente é mais que milagre
Eu te presenteio com minha presença mais rara
Eu te dou uma noite com sol
E realizo o teu sonho mais intenso
De viver com a tua amada
Com tua rosa bela e rara
Com tua rosa negra.

sábado, 14 de maio de 2011

Decidir e Lutar


Ser herói e nunca ser reconhecido,

É possível ser herói escondido?

Muitos nomes surgem na luta por um mundo melhor

Mas, o que se divulga é sempre o pior:

“Os arruaceiros, os ladrões de terra,

Os desocupados, os acomodados

A luta pela terra é criminalizada”

A igualdade de direitos banalizada

Até quando vamos continuar a fechar os olhos para nossa gente?

Os heróis e heroínas deste povo sofrido um dia serão percebidos, evidenciados?

Na luta, suas vidas são ceifadas, são calados e ameaçados,

Nosso herói do campo quer ter um pedaço de terra para plantar e colher

Quando, na maioria, o muito que tem é mal uma cova onde pode morrer

Nosso povo pobre que luta por acesso a uma educação de qualidade

E rejeitar, de vez, um diploma mal qualificado para ser colocado no quadro

Reconhecer a luta de homens e mulheres pelo direito de amar livremente

E não serem apontados na rua por manifestar seu amor a uma pessoa do mesmo sexo

Gritar que não há nada de errado em amar e não existe regra para o amor

O amor se manifesta independente de sexo, etnia, credo ou cor

Lutemos com o povo negro para que reconheçam seus direitos e valor

E não serem lembrados ou beneficiados apenas por sua cor

Quando a liberdade de fato será proclamada?

Quanto preconceito e exploração ainda existente

Até quando vamos tratar outros humanos como menos gente?

Dizer: "basta!" Não é suficiente,

É preciso correr o mundo e denunciar

Dizer que ainda se mata quem tentar falar

Alguém poder dizer: “eu queria falar, mas, eu tenho medo”

O medo não existe quando não mais se vive

Quando a vida em si já é a morte

O morto tem medo do que? Medo de morrer?

A morte já não nos amedronta mais,

Lutemos para vencer o medo de viver

De viver neste mundo cheio de preconceito e violência

De viver morrendo e nunca ser lembrado

Juntemos nossos corpos falidos aos muitos ceifados

E lutemos, lutemos até a morte final do corpo que está cansado de sofrer

Lutemos para que morramos vivendo

Morramos vivendo nossa vida cheia de conquista de direitos

Não podemos esperar, é preciso decidir, ir em frente, e lutar

Lutar por terra, teto, agasalho e pão

Lutar por saúde, transporte, trabalho e educação

E conquistar voz, sorriso e brincadeiras na rua ou no quintal

Banho de cachoeira ou mergulho no mar

E felizes possamos plantar, colher, costurar e pescar.

Só assim talvez consigamos conquistar nossa vida e morrer

E ter cada herói e heroína do povo reconhecido
E, então morrer como um povo feliz.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Um mestre do riso


Hoje, perdi uma costura que trabalhei para homenagear essa grande alma. Juntamente com outra alma que passou por aqui e, também, nos deixou grande exemplo de vida, anunciou a paz e plantou, assim como Chico tem plantado, o riso na vida de muitos.

Esta semana essa alma grandiosa, Chico Anysio, completou 80 anos de idade. Nascido em Maranguape, Ceará, Brasil, aos 12 (doze) dias do mês de abril de 1931, Chico é grande exemplo de ser humano, que através do riso tem plantado a paz e alegrias neste mundo, cheio de ganância, banhado em sangue de muitos inocentes e que tem caminhado aceleradamente rumo ao caos, destruição e extinção. O Grande mestre Chico tem inspirados muitos e a mim de forma particular, pequeno diante de sua grandeza, mas grande admirador e aprendiz da arte de fazer rir, arte que esta grande alma sabe usar com maestreza.

Deixo aqui minha gratidão a esse mestre.

Segue abaixo a costura declamada por Chico no vídeo.

Mundo Moderno (Chico Anysio):

Mundo moderno, marco malévolo, mesclando mentiras, modificando maneiras, mascarando maracutaias, majestoso manicômio. Meu monólogo mostra mentiras, mazelas, misérias, massacres, miscigenação, morticínio – maior maldade mundial.
Madrugada, matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna. Monta matungo malhado munindo machado, martelo, mochila murcha, margeia mata maior. Manhãzinha, move moinho, moendo macaxeira, mandioca. Meio-dia mata marreco, manjar melhorzinho. Meia-noite, mima mulherzinha mimosa, Maria morena, momento maravilha, motivação mútua, mas monocórdia mesmice. Muitos migram, macilentos, maltrapilhos. Morarão modestamente, malocas metropolitanas, mocambos miseráveis. Menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo. Metade morre.
Mundo maligno, misturando mendigos maltratados, menores metralhados, militares mandões, meretrizes, maratonas, mocinhas, meras meninas, mariposas mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas. Mundo medíocre. Milionários montam mansões magníficas: melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, Mercedes, motorista, mãos… Magnatas manobrando milhões, mas maioria morre minguando. Moradia meia-água, menos, marquise.
Mundo maluco, máquina mortífera. Mundo moderno, melhore. Melhore mais, melhore muito, melhore mesmo. Merecemos. Maldito mundo moderno, mundinho merda.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Cante a minha canção (Costuras inacabadas do pescador)

Ando tão preocupado com o mundo e com a tristeza de quem amo que me esqueço de mim. Olho no espelho e não reconheço o que vejo. Um ser moribundo, meu reflexo não é meu, meu reflexo não sou eu. Mesmo assim, sigo adiante, como um ser forte e inabalado, enganado por aquilo que finjo ser.

Enquanto por dentro, no âmago do meu ser, eu preciso de ti cuidando de mim, sem eu fingir ser aquilo que não sou. E sendo aquilo que só você, em seu colo, ao cantar a minha canção, me faz lembrar quem realmente eu sou. E, ao me olhar com teu riso cantado, o teu riso me faz sorrir e sentir que é possível ser feliz. E o reflexo do espelho já não importa mais, pois, em teus olhos eu consigo ver, sem mancha ou enganação, meu verdadeiro ser.


quarta-feira, 16 de março de 2011

Eu te perdi para mim


Um sorriso, um encanto

Um jeito sedutor, um jogo sem regras

Encontros e despedidas; chuva, atraso e conversa

Ensaios e “sai fora’s”, não me mexe, não me trisca

Cama, aconchego, afago e abraço,

E, assumir que “é sempre tudo lindo” quando o encontro acontece

Frio, choro e desejos; beijos apaixonados, outros rejeitados

Beijos roubados, outros impensados,

Liberdade que aprisiona, ou seria que atrai?

“Até porque, ninguém está preso a nada”

“A não ser ao desejo de se permitir viver simplesmente”

Riso solto que surge a cada encontro

Viagem que tiram dúvidas, encontros que confundem

Ele diz: “casa comigo”

Ela diz: “mudou o significado”

Ele pergunta: “o que aconteceu?”

Ela responde: “foi tudo lindo, e o tempo nos tornou amigos”

Ele ficou sem compreender a impossibilidade causada pela amizade

Dizem que o amor a amizade estraga, mas a amizade pode estragar o amor?

Parece que próximo a isso, foi o que aconteceu

E, em uma mistura de tristeza e alegria ele diz: “eu te perdi pra mim”


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