Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.

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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Gritos silenciados, mas evidentes.

Com muitos gritos chamamos porque precisamos de gente unida e comprometida.

Queremos revelar algo que se tornou segredo, que era sabido por todos, mas foi esquecido. É algo muito precioso e sabemos onde está.

Não nos envergonhamos de gritar, não nos envergonhamos de pedir ajuda, pois sabemos que só a união de forças será capaz de transformar o mundo. E que juntos podemos sempre mais. Outro mundo melhor deve ser para todos, e nosso segredo deve correr o mundo.

Venha como vier, com tuas dores, com teu desânimo, com teu peito machucado e teu cansaço de tanto tentar e nada conseguir. Venha que temos muita garra para contagiar, muita força para partilhar, ternura e esperança. Venha que saberemos despertar o que escondes no peito, a esperança de criança, pura e teimosa, simples e ousada.

Vamos precisar estar dispostos para enfrentar os perigos que se escondem nas esquinas e nos impedem de ver adiante. Vamos precisar estar atentos para ouvir o que há tempos não conseguimos mais. Vamos precisar de astúcia para distinguir os sons errantes que tentam nos enganar. Não nos dispersemos, vamos precisar estarmos juntos, com o sorriso no rosto, vamos caminhar de mãos dadas.

Não esqueçam o colorido, não esqueçam o sorriso. Busquemos nas águas das chuvas o vigor, no arco-íris a cor e no coração a vontade de fazer a diferença. Nós vamos estar com nossos variados estilos, que caracteriza nossa diversidade. Venham como vier, vamos ampliar nosso jeito de ser. Vamos ser uma corrente viva e colorida, com muitas caras e muitos jeitos e um só desejo: revelar o segredo.

Nada de pressa, vamos com calma. É certo que o segredo que queremos revelar já não pode tanto esperar. Mas, vamos com cautela, sem o risco de revelá-lo sem a forma que ele mereça. Por isso, vamos pelo caminho longo, sem enveredar pelos atalhos que muitas vezes são traiçoeiros. Sem desânimo vamos caminhando sempre em frente. No caminho vamos pensar no que já vivemos e o que queremos viver. Vamos planejando o que faremos quando chegarmos. Mas, uma coisa é certa: vamos revelar o segredo ao mundo.

Vamos revelar a todos, a todos que ficaram, a todos que não quiseram descobrir, a todos que escondem suas esperanças no baú interior, que acham que utopia de nada vale, que o sonho acabou e já não sonham mais e por isso, nem vivem. Vamos revelar a todos. Com quem prefere deixar como está. Com quem prefere ver as notícias na TV como se tudo fosse um programa de auditório e que basta desligar o botão para que tudo acabe. Quando tiverem acesso ao segredo, não vão se contentar em ficar sentados na poltrona esperando que o programa seguinte entre no ar. Irão se juntar a quem ainda tem coragem de sonhar.

Vamos revelar a todo mundo, até para quem não quis vir por medo de ouvir, pois, no fundo sabia que não resistiria. Para quem ridicularizou nossa aventura, e teve vergonha de vir conosco. Para quem nos seguiu escondido com vergonha de ter voltado atrás na sua decisão de não vir. E principalmente, para aqueles e aquelas que por medo do poder desse segredo, sempre forjou meios de nos impedir de revelá-lo. Vamos revelar até para quem não tem certeza de sua existência. Vamos gerar uma nova ordem mundial, onde os gritos silenciados chegarão ao conhecimento de todos, e ninguém deixará de escutar os desejos que há muito foi calado e esquecido. Ninguém os ouvia, mas eles sempre existiram.

E isso tudo é apenas parte do segredo. Houve um tempo, que todos sabiam disso. E o capital e sua ideologia diabólica que nos divide, inventou sons que abafaram os tantos gritos: os gritos de tantos lutadores e lutadoras do povo que se envergonham de uma história manchada por tanta indiferença, discriminação e opressão; o grito dos pobres sem chance de melhorar de vida, dos negros escravizados e discriminados; dos povos indíginas explorados e massacrados; dos retirantes sem ter onde ficar; dos sem terra para plantar; dos sem tetos para morar; das mulheres exploradas e confinadas nas prisões domésticas; das crianças que não suportando os falsos lares encontravam nas ruas o “abrigo”, dos jovens sem chances e esquecidos, sem emprego, acesso ao lazer e obrigados a freqüentar escolas pouco qualificadas. Gritos de tantos, mulheres e homens, que o sofrimento não deixava mais sorrir.

E o segredo que queremos revelar é que aprendemos. Tentaram nos impedir, mas a vida não parou e aprendemos. Aprendemos que podem abafar nossos gritos, mas não podem nos calar. Aprendemos que mais gente gritava e não era ouvida, por isso chamamos todos para unirem-se em torno da mesma luta: evidenciar nossos gritos. Mas, para isso, não vamos mais gritar, aprendemos que existe algo mais eficiente do que os gritos que podem ser silenciados. Vamos sussurrar como os assovios dos ventos nas frestas, como os segredos ditos aos ouvidos. E o segredo é esse: sussurre que não desaparecemos, que estamos vivos, que vamos continuar lutando, mesmo quando o mundo achar que não somos nada, pois, somos jovens e estamos construindo um mundo novo. Não esqueça o segredo: não grite, sussurre. Os sussurros voam como os ventos, e esses ventos levarão a esperança jovem que contagiará o mundo.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Cumplicidade: Quando nos tornamos cúmplices?


Ser cúmplice! Esta é uma questão que me acompanha constantemente. É assim que gosto de chamar quem me é raro/a. Outro dia escrevi sobre as rosas negras, sobre sua raridade e sobre sua beleza transformadora. Assim são os cúmplices, são seres raros, como as rosas negras, por isso chamo as minhas e os meus cúmplices de rosas negras, elas e eles não sabem disso, mas assim os considero. São tão raros que não é possível encontrar aos montes, e por sua raridade devem ser cuidados e preservados. Cumplicidade não se faz, se vive, assim como o amor. Só existem na vivencia humana, na relação mais profunda de intimidade. Na capacidade de colocar-se no lugar do outro para entender o que o outro sente e assim, nada precisar dizer, apenas oferecer o colo ou o ombro se tristeza, ou abraçar e festejar se alegria.

Os cúmplices se conhecem no olhar, se entendem no olhar, conseguem dizer e sentir apenas no olhar. O olhar de um cúmplice invade a alma, desnuda nosso ser e encontra o que por ventura tentamos esconder. Podemos esconder, de muitos, o que sentimos, não de um cúmplice. A cumplicidade não permite segredo, a cumplicidade nos dá a capacidade de poder partilhar e não viver sozinho seja o que for: dor ou alegria. Ser cúmplice é ser humano, é ser a mais autêntica expressão humana, é se reconhecer como um fragmento de uma complexa existência que se materializa na relação sincera que estabelecemos com o outro.

Mas, quando nos tornamos cúmplices? Não se torna cúmplice, se percebe cúmplice. Quando menos se espera, já é, nem o próprio cúmplice sabe o memento exato de ter se tornado um, apenas se percebeu sendo um. Todos são capazes de estabelecer relações de cumplicidade, se você ainda não tem, não se preocupe, chegará o momento que serás reconhecido e reconhecerá o seu ou a sua cúmplice. Não dá para precisar o momento em que se torna cúmplice. Mas, acredito que no primeiro contato entre os seres, estes já se percebem cúmplices, mesmo que não tenham dimensão disso. Às vezes, as turbulências cotidianos nos impedem de enxergar um ou uma cúmplice a nossa frente. Contudo, existem encontros tão fortes, que é possível perceber que aquele momento não é um encontro comum, é um encontro de alma. Devo informar que a cumplicidade extrapola a matéria, não são apenas corpos que se encontram e convivem, são almas que se reconhecem.

Por mais que não seja possível nos tornarmos cúmplices, por já nascermos cúmplices, existem momentos que tornam a cumplicidade cada vez mais forte. Como falei de rosa rara, de cumplicidade, será na história da cumplicidade de um príncipe menino com sua rosa, que não era negra, mas era rara, por ser a única entre tantas rosas, que busquei os exemplos dos momentos que tornam a cumplicidade mais forte. E é esse mesmo príncipe menino que nos exemplifica o momento em que se é reconhecido como cúmplice, através do seu encontro com a raposa. E foi do diálogo desses cúmplices reconhecidos que tirei três trechos que ajudarão a perceber, valorizar e preservar esse sentimento, assim como para que a cumplicidade se fortaleça. Pois, exige compromisso.

Foi o tempo que dedicastes à tua rosa que fez tua rosa tão importante. Esta fala da raposa nos faz perceber o quanto que não damos conta do que de fato torna o/a outro/a tão importante em nossa vida, e muitas vezes, o simples e necessários fato de estar junto, seja aqui tão perto ao alcance da mão, ou através apenas da voz que viaja quilômetros pelas ondas telefônicas ou virtuais, ou mesmo pelas escritas através das cartas ou das diversas redes sociais. Aqui, encontramos um pressuposto fundamental na relação entre cúmplices, perder tempo com o/a outro/a. Na verdade, quando estamos junto de nossos/as cúmplices, não perdemos, ganhamos tempo. Estar com o outro representa e possibilita descobrir e conhecer um ao outro, o que proporciona o nosso reconhecimento como verdadeiros cúmplices o qual a distância física faz brotar o sentimento de falta, vazio, e comumente conhecido como Saudade, que só existe porque o ser distante se tornou importante em nossa vida. Assim, desperta em nós o desejo do reencontro.

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Não existe relação de cumplicidade sem compromisso, sem o cuidado com o/a outro/a. Essa responsabilidade brota naturalmente em nós. E esta fala da raposa corresponde ao nosso grau de responsabilidade pelo outro, uma vez que nós só nos tornamos importante na vida de alguém, porque às cativamos, senso assim, somos responsáveis pela falta que o outro sente de nós, somos responsáveis pelos outros sentirem Saudade, portanto, devemos cuidar e saber cuidar. Esta falta que o cúmplice faz em nossa vida, nos leva e motiva criarmos diversas possibilidades de encontro, pois, sabermos que está lá, em algum lugar, já nos alegra. Mas, podermos estarmos juntos, nos realiza, nos deixa plenamente felizes. A cumplicidade invade tanto nosso ser, que não nos contentamos apenas, com os telefones, cartas ou meios virtuais. Queremos ver, tocar, sentir o coração do outro sincronizar com as batidas aceleradas do nosso, provocada pela ansiedade da espera do reencontro, num abraço de corpo inteiro.

Se tu vens às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. É quase que involuntário, mas, reencontrar um cúmplice provoca em nós quase uma revolução interior. São tantos sentimentos que envolvem uma relação entre cúmplices que um reencontro mexe profundamente com o nosso ser, são as lembranças, as confidências, as vivências ainda não contadas, os abraços não dados, os choros não chorados, os risos esperados. Tudo fará parte da projeção e preparação do encontro, que tenta materializar todo o nosso desejo de rever, e escancara nossa ansiedade e felicidade de esperar pelo outro. O encontro com um/a cúmplice expressa todo o nosso envolvimento para que tudo ocorra da melhor maneira possível, essa sempre será a motivação que um cúmplice terá no coração ao reencontrar o outro.

Bom, o tema é vasto e me é muito especial e valioso, não caberá apenas nestas linhas, mas o que segue já é um retalho do que concebo e acredito sobre a cumplicidade. Talvez tenha me perdido ao navegar esse vasto mar, mas, não dá para traduzir em palavras as entrelinhas dos sentimos de cumplicidade, por isso o que segue é apenas um alinhavado de uma costura muito mais densa e complexa. E, à medida que me aperfeiçôo no ofício da costura, trabalhos mais aprimorados e dignos de um tema tão ilustre serão postados aqui.

Paz e Vida Longa!

Um pescador que ousa costura palavras...

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Mulher Presidente

Qual será a mão que desarmará a bomba?

Temos pouco tempo, eles estão chegando e não podemos esperar,

O corpo estremece, o medo aterroriza e ainda temos esperança,

É preciso o terror para que as pessoas se reconheçam enquanto povo,

Mas é preciso a revolta para que esse povo seja reconhecido,

Onde estão os heróis e heroínas?

Dormindo ou jogando milho aos pombos?

Talvez estejam de férias no Caribe,

Dizem que exílio ainda não acabou,

Onde estão os heróis e heroínas?

Estão exilados no coração dos lutadores adormecidos

Estão despertando no coração das lutadoras sempre esquecidas e menosprezadas

Quem decidirá o destino da humanidade?

Está nas mãos de uma só pessoa, ou na união do povo?

A humanidade tem futuro? Futuro? Alguém sabe o que é?

Lutar para mudar algo que nunca chegará pode ser em vão,

E o povo ainda espera sem revolta, ainda espera para ser salvo,

Não se fala mais em luta, não se ouve mais em ir para as ruas,

Acorda Brasil, mostra a tua cara, mostra a tua garra,

Acorda Brasil, pare de viver com tuas “glórias” do passado,

E sem nada fazer, só esperando a paz no teu futuro,

Os noticiários perguntam: Quem mudará a humanidade?

O mundo perpetua o patriarcado que exalta a exploração

E o Brasil aponta um sinal, o Brasil não tem medo dizer:

Chega de homem no poder!

O Brasil acredita na força da mulher,

É povo que na rua grita: para o Brasil caminhar para frente,

Queremos uma mulher presidente!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Não é possível fugir do que nascemos para realizar...

Cúmplices,
As ações desenvolvidas por diversas pessoas e grupos que buscam a construção de um mundo melhor sempre me foram motivo de inspiração e esperança. Esperança que na resistência teimosa de acreditar na utopia somos capazes de não deixar de fazer, mesmo diante de tanta desesperança no mundo e dos ataques e perseguições aos que não desistem de sua missão.
Falando em missão, outro dia alguém me disse que tenho pouco tempo e que não podia fugir da minha missão. Foi um conversa muito louca, fiquei assustado e intrigado com aquilo, não sei o motivo, mas aquelas palavras mexeram profundamente comigo. Ao ouvir tudo aquilo eu não pude conter o choro. De alguma forma aquelas palavras tocavam algo que há muito estava escondido ou guardado, talvez algo que estivesse fugindo.
Ela dizia: “Você tem pouco tempo, Mauro! Não fuja de sua missão, Mauro! Você não tem muito tempo, Mauro! Não negue seu dom, Mauro. Você sabe do que estou falando, Mauro!” A repetição do meu nome me intrigou e me deixava claro que tudo aquilo devia ser dito exatamente a mim e não a outro. Mauro era eu. Eu que estava ali. Aquilo tudo não podia ser dito a outra pessoa, eu devia ouvir aquilo. Aquilo tudo me soou como um alerta para algo que eu estava perdendo. Algo que eu devia resgatar. Na verdade ainda estou confuso com tudo aquilo que ouvi, mas de alguma forma tudo aquilo que ouvi mexia com algo que eu havia deixado de lado ou me negava a aceitar. Ainda hoje me pego ouvindo aquelas frases: “Você tem pouco tempo, Mauro! Não fuja de sua missão, Mauro! Você não tem muito tempo, Mauro! Não negue seu dom, Mauro. Você sabe do que estou falando, Mauro!”
Não sei exatamente qual é minha missão no mundo e muito menos quão pouco é o tempo que tenho. Mas, sei que não devo deixar de tentar mudar essa realidade de desesperança. Que devo continuar fazendo o bem, mesmo que os espaços que eu sempre acreditei não me comporte mais. Afinal, a construção de um mundo melhor é tão grande que não existirá agrupamento institucional nenhum com suas defesas particulares que conseguirá comportar mentes, corações que não conseguem ter limites na construção da tão sonhada civilização do amor.
Creio que minhas costuras sejam fruto dessa missão, façam parte desse dom. Ainda busco o sentido de tudo aquilo que ouvi. E, enquanto não o encontro, eu vou vivendo minha vida, tentando fazer o bem, falando de amor, vivendo o amor. Levando o riso e sendo riso. Acreditando no ser humano e sendo humano. Espero na travessia desse belo mar que é a vida, poder encontrar o sentido do que ouvi antes que meu tempo acabe. E, espero que, mesmo sem saber, já esteja realizando minha missão. E por mais que tentemos, não é possível fugir daquilo que nascemos para realizar, não somos nós que escolhemos nossa missão ou nossos dons, são eles que nos escolhem.
Paz e Vida Longa!
Um pescador que ousa costurar palavras.

sábado, 17 de julho de 2010

O frio faz coisas como essa!

Nos últimos dias aqui na terra das alterosas, de belos horizontes, nestes tempos de dias frios, de produção acadêmica árdua, mas muito prazerosa, muitas pessoas se junta a mim em meus pensamentos, pessoas presentes e outras mais presentes ainda, entre estas últimas, estão aquelas que já se encantaram e aquelas que estão longe. E esta distância não me permite ligar e dizer: “o que você vai fazer hoje?” “Vamos sair?” “Vou passar aí pra te dar um abraço”. Ação que só é possível aos que estão mais próximos.

Contudo, perto ou longe, é muito gostoso ligar e dizer aquelas coisas que dizemos a quem não podemos mensurar valor, por serem seres tão raros e preciosos. Só lamento não poder fazer isso aos seres raros que já se encantaram, mas, que de alguma forma se tornaram mais presente do que aqueles/as que ainda gozam da arte de viver e, com isso, acredito serem capazes de sentir a falta que eles nos fazem através do aperto que esta falta provoca em nosso coração. E como seres encantados podem escutar o que nossa alma diz nos momentos em que nosso coração anuncia o frio que estes seres provocam em nós.

Nestes últimos dias em que o sol se faz presente, nesta terra de dias frios em que tenho me dedicado em costurar um pouco sobre a vida de um pedaço que compõe o grande mosaico que é a juventude brasileira, três seres encantados estiveram e estão muito presente neste processo de costura acadêmica: Vi (Mamãe), Gigi e Dom. Pessoas que muito se dedicaram, se doaram e amaram a juventude. E, essas pessoas dedicaram-se, doaram-se e a amaram a juventude até o fim. E com suas vidas doadas sempre me inspiraram e me animaram em minha dedicação e doação no serviço a juventude que tanto amo.

Foi em meio a esses exemplos de vida e que se fazem presente em minhas memórias que busquei em meus arquivos lembranças destas pessoas tão raras e que me ajudaram a ser o que sou hoje. Ao buscar essas lembranças me deparei com uma conversa que tive pelo MSN com Gis em um de seus dias de labuta, dias que apesar da correria sempre tirávamos pequenos espaços de tempo, mas valiosos, para dizer algo, um ao outro. Resolvi, conservando a essências das palavras a mim dita por Gis naquele dia, postar o diálogo que tivemos neste espaço em que divulgo minhas costuras.

Diálogo entre cúmplices!

Entre suas tarefas diárias um dos dois cúmplices resolve pausar o que fazia para fazer algo sagrado na sua relação com seus cúmplices, dialogar, mesmo que a distância. O diálogo inicia como se os dois estivessem um ao lado do outro. Sabe quando estamos juntos com alguém, conversando por bastante tempo e por algum instante ficamos sem dizer qualquer coisa e a outra pessoa (ou nós mesmos), do nada, chama atenção e diz algo e nós fixamos o olhar nela e esperamos que ela continue a dizer? Foi assim que se iniciou aquele diálogo em que parecia que ambos estavam dizendo um ao outro, olhando nos olhos.

Gisley diz:
To aqui pensando...

Juventude diz:
No que?

Gisley diz:
Se existisse rosa negra. Ela seria ainda mais provocativa que a vermelha!

Juventude diz:
Depende...

Gisley diz:
De que?

Juventude diz:
Pense comigo: as coisas que parecem ser exceções, raridades, costumam provocar mais.

Gisley diz:
É verdade. Eu sou atraído por raridades!

Juventude diz:
As rosas “Todo Ano”, por exemplo, não chamam tanta atenção, devido nascerem o ano inteiro.

Gisley diz:
Ok.

Juventude diz:
Então, as rosas negras provocariam mais se essas fossem raras. Fico imaginando o que poderia tornar a rosa negra além de mais provocativa que a vermelha, torná-la rara.

Gisley diz:
Diga! Como?

Juventude diz:
Tenho duas idéias, rsrsrs. Uma delas não me agrada muito, mas vou dizer.

Gisley diz:
É, diga, estou curioso para ouvir, ou melhor, ler, rsrssr

Juventude diz:
A primeira seria que as rosas negras só nasceriam em determinado local e não seria possível ser plantada em outro lugar, contemplar só seria possível indo até ela neste local determinado, tipo nas terras de uma ilha de difícil acesso, rsrsrs, essa idéia é que não me agrada muito, pois, só poucos teriam oportunidade de contemplar tão bela e rara obra da natureza.

Gisley diz:
Eu também não gostei dessa, algo tão belo e raro não pode ser exclusividade para poucos contemplarem, mas, se fosse assim, deveria estar entre os direitos humanos contemplar pelo menos uma vez na vida as rosas negras, rsrsrs, fico até imaginando o escrito, rsrsrs, “Todo ser humano não pode passar pela vida sem ter contemplado, pelo menos uma vez, as rosas negras”, mas, continue, quero ouvir a outra idéia.

Juventude diz:
Somos loucos, rsrsrs, e essa viagem está gostosa demais. Então vamos à outra idéia, a segunda seria assim, as rosas negras poderiam nascer em qualquer lugar, mas elas não seriam possíveis nascer em qualquer tempo do ano, mesmo que se tentasse reproduzi-las.

Gisley diz:
E...

Juventude diz:
As rosas negras seriam as flores mais efêmeras, elas só nasceriam na primavera e desabrochariam na noite de lua cheia e seu tempo de vida seria o percurso da lua na órbita celeste, começariam desabrochar às 6 horas da noite, ou seria da tarde? Sei lá, não importa!

Gisley diz:
Isso mesmo, não importa, continue... 18 horas do dia, rsrsrs

Juventude diz:
Ok, Elas começariam a desabrochar às 18 horas do dia e a meia noite elas estariam completamente desabrochada (seria o espetáculo mais lindo da natureza), e neste momento elas começariam a perder suas pétalas, com a última pétala caindo às 6 horas da manhã, ou seria madrugada, rsrsrs, brincadeira, rsrsrs. Seria isso, mas, uma coisa em relação às rosa, seja ela negra, vermelha, amarela ou outra cor, é muito interessante. Mesmo que ela não seja rosa será sempre rosa.

Gisley diz:
Que bom viajar assim... Só isso pra me livrar dessa rotina enfadonha!

Juventude diz:
Fiquei imaginando aqui o que isso provocaria na humanidade. Acho que isso dá uma costura: “A revolução da rosa negra”, rsrsrs. Mas, isso fica para outro diálogo. Até outro dia... Cuide-se e procure descansar um pouco, beber em boa companhia seria uma boa pedida, rsrsrs

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E assim, os cúmplices concluíram seu diálogo, ação indispensável na relação entre cúmplices. E para eles, sagrada.

Desde que tive esse diálogo com Gis, contemplo os jardins de forma diferente, os contemplo em busca de encontrar uma rosa negra, ainda espero um dia encontrar. E se alguém encontrar alguma por aí, não deixe de avisar, quero poder presentear a este ser que foi uma rosa negra em minha vida de tão rara pessoa que foi.

Beijos meu grande cúmplice, nossas viagens, é uma das coisas que mais sinto falta e me faz sentir esse frio em dias tão ensolarado, rsrsrs, sem contar os bares da vida...

domingo, 4 de julho de 2010

A descoberta do amor

O mar de palavras era onde costuma mergulhar diariamente, a cada mergulho, novos saberes preenchiam sua pequena fonte interior, que, dialeticamente, ajudava com cada gota lançada em direção ao mar em que costuma mergulhar, a formar o mar de seus mergulhos diários.

Após um dia intenso de mergulhos em suas leituras, escritos e refluxos mentais, o jovem escritor, parou. Parou irrompido por um pensamento intromedito, daqueles que chegam sem pedir licença, sem pedir permissão para virem à tona. Apenas chegam e se instalam.

Agora, seu mar, seus escritos, seus refluxos mentais, não tinham mais lugar em seus pensamentos, que só se ocupavam em pensar em sua amada, que contraditoriamente ou não, talvez fosse a grande inspiração e motivação para seu envolvimento tão sagrado com o mar de sua “adoração” diária.

Estava pensando nela, quando subitamente algo o irrompe o pensamento, era a voz de sua amada, que como uma espada afiada o cortou a alma, ao ouvi-la dizer: “Esta tudo acabado, não dá mais”. Mas, a chama do amor que queimava em seu peito, o tranqüilizou, e o fazia dizer a si mesmo: “Ela vai voltar atrás”.

Olhou a sua volta e tudo pareceu perder o sentido e indagava-se: “Como caminhar sem ela? Ficarei perdido! Agora, só, aqui estou, sem alguém para amar”. O jovem escritor não sabia os reais sentido de amar, não sabia que para amar, não precisava estar junto da pessoa amada, pois, o amor é gratuito, e apenas a existência dela é suficiente para que o sentimento dentro de si permaneça vivo. Seu sofrimento, o fazia fixar-se, na louca espera do telefone tocar.

O telefone tocou e o despertou de seu pensamento sufocante, o que mais desejava e temia aconteceu, o telefone tocou naquele instante. Era um toque assustador, que quebrou o silêncio e o fez voltar, acordar do pesadelo que estava vivendo, mas, aquele toque parecia ser pior que os pensamentos que o sufocavam.

Então desejou loucamente que aquele telefone não tocasse mais. Buscou no âmago de sua alma coragem e o telefone resolveu atender. Foi nítido o ar de decepção em seu semblante, não era ela. O telefone tocou novamente, mas quando atendeu, ninguém falou. Cansado de esperar, decidiu ligar.

Quando ela atendeu, seu corpo estremeceu, sua emoção foi tanta que sua voz ficou presa e nada conseguiu dizer. Mas, ela ao atendê-lo e percebê-lo mudo, não o entendeu e começou a brigar. E as palavras bonitas que ele pensou em dizer caíram ao chão e as outras que esperou ouvir foram só ilusão.

E, em meio a essa grande decepção, percebeu que não estava mais no coração de sua amada, e ao perceber isso ficou profundamente magoado, e pior que a mágoa em seu coração despedaçado e machucado, foi ter que entender que tudo tinha acabado.

Então, escreveu: “que o amor que sinto em meu ser me seja suficiente para cuidar de ti mesmo na distância que agora terei que conviver; que meu amor seja suficiente para jamais esquecer que tudo valeu a pena, mesmo depois de tamanho sofrimento que sinto agora; o amor jamais irei negar e muito menos condenar; para amar, em troca, nada preciso esperar”. Neste momento, o jovem escritor, entendeu o que era o amor, o que era amar e que seu mar de palavras jamais lhe proporcionaria tão grandioso conhecimento e só no mar da vida e da experiência sincera dos sentimentos, estaria a maior sabedoria que o ser humano seria capaz de alcançar.
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