Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.

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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Não é possível fugir do que nascemos para realizar...

Cúmplices,
As ações desenvolvidas por diversas pessoas e grupos que buscam a construção de um mundo melhor sempre me foram motivo de inspiração e esperança. Esperança que na resistência teimosa de acreditar na utopia somos capazes de não deixar de fazer, mesmo diante de tanta desesperança no mundo e dos ataques e perseguições aos que não desistem de sua missão.
Falando em missão, outro dia alguém me disse que tenho pouco tempo e que não podia fugir da minha missão. Foi um conversa muito louca, fiquei assustado e intrigado com aquilo, não sei o motivo, mas aquelas palavras mexeram profundamente comigo. Ao ouvir tudo aquilo eu não pude conter o choro. De alguma forma aquelas palavras tocavam algo que há muito estava escondido ou guardado, talvez algo que estivesse fugindo.
Ela dizia: “Você tem pouco tempo, Mauro! Não fuja de sua missão, Mauro! Você não tem muito tempo, Mauro! Não negue seu dom, Mauro. Você sabe do que estou falando, Mauro!” A repetição do meu nome me intrigou e me deixava claro que tudo aquilo devia ser dito exatamente a mim e não a outro. Mauro era eu. Eu que estava ali. Aquilo tudo não podia ser dito a outra pessoa, eu devia ouvir aquilo. Aquilo tudo me soou como um alerta para algo que eu estava perdendo. Algo que eu devia resgatar. Na verdade ainda estou confuso com tudo aquilo que ouvi, mas de alguma forma tudo aquilo que ouvi mexia com algo que eu havia deixado de lado ou me negava a aceitar. Ainda hoje me pego ouvindo aquelas frases: “Você tem pouco tempo, Mauro! Não fuja de sua missão, Mauro! Você não tem muito tempo, Mauro! Não negue seu dom, Mauro. Você sabe do que estou falando, Mauro!”
Não sei exatamente qual é minha missão no mundo e muito menos quão pouco é o tempo que tenho. Mas, sei que não devo deixar de tentar mudar essa realidade de desesperança. Que devo continuar fazendo o bem, mesmo que os espaços que eu sempre acreditei não me comporte mais. Afinal, a construção de um mundo melhor é tão grande que não existirá agrupamento institucional nenhum com suas defesas particulares que conseguirá comportar mentes, corações que não conseguem ter limites na construção da tão sonhada civilização do amor.
Creio que minhas costuras sejam fruto dessa missão, façam parte desse dom. Ainda busco o sentido de tudo aquilo que ouvi. E, enquanto não o encontro, eu vou vivendo minha vida, tentando fazer o bem, falando de amor, vivendo o amor. Levando o riso e sendo riso. Acreditando no ser humano e sendo humano. Espero na travessia desse belo mar que é a vida, poder encontrar o sentido do que ouvi antes que meu tempo acabe. E, espero que, mesmo sem saber, já esteja realizando minha missão. E por mais que tentemos, não é possível fugir daquilo que nascemos para realizar, não somos nós que escolhemos nossa missão ou nossos dons, são eles que nos escolhem.
Paz e Vida Longa!
Um pescador que ousa costurar palavras.

sábado, 17 de julho de 2010

O frio faz coisas como essa!

Nos últimos dias aqui na terra das alterosas, de belos horizontes, nestes tempos de dias frios, de produção acadêmica árdua, mas muito prazerosa, muitas pessoas se junta a mim em meus pensamentos, pessoas presentes e outras mais presentes ainda, entre estas últimas, estão aquelas que já se encantaram e aquelas que estão longe. E esta distância não me permite ligar e dizer: “o que você vai fazer hoje?” “Vamos sair?” “Vou passar aí pra te dar um abraço”. Ação que só é possível aos que estão mais próximos.

Contudo, perto ou longe, é muito gostoso ligar e dizer aquelas coisas que dizemos a quem não podemos mensurar valor, por serem seres tão raros e preciosos. Só lamento não poder fazer isso aos seres raros que já se encantaram, mas, que de alguma forma se tornaram mais presente do que aqueles/as que ainda gozam da arte de viver e, com isso, acredito serem capazes de sentir a falta que eles nos fazem através do aperto que esta falta provoca em nosso coração. E como seres encantados podem escutar o que nossa alma diz nos momentos em que nosso coração anuncia o frio que estes seres provocam em nós.

Nestes últimos dias em que o sol se faz presente, nesta terra de dias frios em que tenho me dedicado em costurar um pouco sobre a vida de um pedaço que compõe o grande mosaico que é a juventude brasileira, três seres encantados estiveram e estão muito presente neste processo de costura acadêmica: Vi (Mamãe), Gigi e Dom. Pessoas que muito se dedicaram, se doaram e amaram a juventude. E, essas pessoas dedicaram-se, doaram-se e a amaram a juventude até o fim. E com suas vidas doadas sempre me inspiraram e me animaram em minha dedicação e doação no serviço a juventude que tanto amo.

Foi em meio a esses exemplos de vida e que se fazem presente em minhas memórias que busquei em meus arquivos lembranças destas pessoas tão raras e que me ajudaram a ser o que sou hoje. Ao buscar essas lembranças me deparei com uma conversa que tive pelo MSN com Gis em um de seus dias de labuta, dias que apesar da correria sempre tirávamos pequenos espaços de tempo, mas valiosos, para dizer algo, um ao outro. Resolvi, conservando a essências das palavras a mim dita por Gis naquele dia, postar o diálogo que tivemos neste espaço em que divulgo minhas costuras.

Diálogo entre cúmplices!

Entre suas tarefas diárias um dos dois cúmplices resolve pausar o que fazia para fazer algo sagrado na sua relação com seus cúmplices, dialogar, mesmo que a distância. O diálogo inicia como se os dois estivessem um ao lado do outro. Sabe quando estamos juntos com alguém, conversando por bastante tempo e por algum instante ficamos sem dizer qualquer coisa e a outra pessoa (ou nós mesmos), do nada, chama atenção e diz algo e nós fixamos o olhar nela e esperamos que ela continue a dizer? Foi assim que se iniciou aquele diálogo em que parecia que ambos estavam dizendo um ao outro, olhando nos olhos.

Gisley diz:
To aqui pensando...

Juventude diz:
No que?

Gisley diz:
Se existisse rosa negra. Ela seria ainda mais provocativa que a vermelha!

Juventude diz:
Depende...

Gisley diz:
De que?

Juventude diz:
Pense comigo: as coisas que parecem ser exceções, raridades, costumam provocar mais.

Gisley diz:
É verdade. Eu sou atraído por raridades!

Juventude diz:
As rosas “Todo Ano”, por exemplo, não chamam tanta atenção, devido nascerem o ano inteiro.

Gisley diz:
Ok.

Juventude diz:
Então, as rosas negras provocariam mais se essas fossem raras. Fico imaginando o que poderia tornar a rosa negra além de mais provocativa que a vermelha, torná-la rara.

Gisley diz:
Diga! Como?

Juventude diz:
Tenho duas idéias, rsrsrs. Uma delas não me agrada muito, mas vou dizer.

Gisley diz:
É, diga, estou curioso para ouvir, ou melhor, ler, rsrssr

Juventude diz:
A primeira seria que as rosas negras só nasceriam em determinado local e não seria possível ser plantada em outro lugar, contemplar só seria possível indo até ela neste local determinado, tipo nas terras de uma ilha de difícil acesso, rsrsrs, essa idéia é que não me agrada muito, pois, só poucos teriam oportunidade de contemplar tão bela e rara obra da natureza.

Gisley diz:
Eu também não gostei dessa, algo tão belo e raro não pode ser exclusividade para poucos contemplarem, mas, se fosse assim, deveria estar entre os direitos humanos contemplar pelo menos uma vez na vida as rosas negras, rsrsrs, fico até imaginando o escrito, rsrsrs, “Todo ser humano não pode passar pela vida sem ter contemplado, pelo menos uma vez, as rosas negras”, mas, continue, quero ouvir a outra idéia.

Juventude diz:
Somos loucos, rsrsrs, e essa viagem está gostosa demais. Então vamos à outra idéia, a segunda seria assim, as rosas negras poderiam nascer em qualquer lugar, mas elas não seriam possíveis nascer em qualquer tempo do ano, mesmo que se tentasse reproduzi-las.

Gisley diz:
E...

Juventude diz:
As rosas negras seriam as flores mais efêmeras, elas só nasceriam na primavera e desabrochariam na noite de lua cheia e seu tempo de vida seria o percurso da lua na órbita celeste, começariam desabrochar às 6 horas da noite, ou seria da tarde? Sei lá, não importa!

Gisley diz:
Isso mesmo, não importa, continue... 18 horas do dia, rsrsrs

Juventude diz:
Ok, Elas começariam a desabrochar às 18 horas do dia e a meia noite elas estariam completamente desabrochada (seria o espetáculo mais lindo da natureza), e neste momento elas começariam a perder suas pétalas, com a última pétala caindo às 6 horas da manhã, ou seria madrugada, rsrsrs, brincadeira, rsrsrs. Seria isso, mas, uma coisa em relação às rosa, seja ela negra, vermelha, amarela ou outra cor, é muito interessante. Mesmo que ela não seja rosa será sempre rosa.

Gisley diz:
Que bom viajar assim... Só isso pra me livrar dessa rotina enfadonha!

Juventude diz:
Fiquei imaginando aqui o que isso provocaria na humanidade. Acho que isso dá uma costura: “A revolução da rosa negra”, rsrsrs. Mas, isso fica para outro diálogo. Até outro dia... Cuide-se e procure descansar um pouco, beber em boa companhia seria uma boa pedida, rsrsrs

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E assim, os cúmplices concluíram seu diálogo, ação indispensável na relação entre cúmplices. E para eles, sagrada.

Desde que tive esse diálogo com Gis, contemplo os jardins de forma diferente, os contemplo em busca de encontrar uma rosa negra, ainda espero um dia encontrar. E se alguém encontrar alguma por aí, não deixe de avisar, quero poder presentear a este ser que foi uma rosa negra em minha vida de tão rara pessoa que foi.

Beijos meu grande cúmplice, nossas viagens, é uma das coisas que mais sinto falta e me faz sentir esse frio em dias tão ensolarado, rsrsrs, sem contar os bares da vida...

domingo, 4 de julho de 2010

A descoberta do amor

O mar de palavras era onde costuma mergulhar diariamente, a cada mergulho, novos saberes preenchiam sua pequena fonte interior, que, dialeticamente, ajudava com cada gota lançada em direção ao mar em que costuma mergulhar, a formar o mar de seus mergulhos diários.

Após um dia intenso de mergulhos em suas leituras, escritos e refluxos mentais, o jovem escritor, parou. Parou irrompido por um pensamento intromedito, daqueles que chegam sem pedir licença, sem pedir permissão para virem à tona. Apenas chegam e se instalam.

Agora, seu mar, seus escritos, seus refluxos mentais, não tinham mais lugar em seus pensamentos, que só se ocupavam em pensar em sua amada, que contraditoriamente ou não, talvez fosse a grande inspiração e motivação para seu envolvimento tão sagrado com o mar de sua “adoração” diária.

Estava pensando nela, quando subitamente algo o irrompe o pensamento, era a voz de sua amada, que como uma espada afiada o cortou a alma, ao ouvi-la dizer: “Esta tudo acabado, não dá mais”. Mas, a chama do amor que queimava em seu peito, o tranqüilizou, e o fazia dizer a si mesmo: “Ela vai voltar atrás”.

Olhou a sua volta e tudo pareceu perder o sentido e indagava-se: “Como caminhar sem ela? Ficarei perdido! Agora, só, aqui estou, sem alguém para amar”. O jovem escritor não sabia os reais sentido de amar, não sabia que para amar, não precisava estar junto da pessoa amada, pois, o amor é gratuito, e apenas a existência dela é suficiente para que o sentimento dentro de si permaneça vivo. Seu sofrimento, o fazia fixar-se, na louca espera do telefone tocar.

O telefone tocou e o despertou de seu pensamento sufocante, o que mais desejava e temia aconteceu, o telefone tocou naquele instante. Era um toque assustador, que quebrou o silêncio e o fez voltar, acordar do pesadelo que estava vivendo, mas, aquele toque parecia ser pior que os pensamentos que o sufocavam.

Então desejou loucamente que aquele telefone não tocasse mais. Buscou no âmago de sua alma coragem e o telefone resolveu atender. Foi nítido o ar de decepção em seu semblante, não era ela. O telefone tocou novamente, mas quando atendeu, ninguém falou. Cansado de esperar, decidiu ligar.

Quando ela atendeu, seu corpo estremeceu, sua emoção foi tanta que sua voz ficou presa e nada conseguiu dizer. Mas, ela ao atendê-lo e percebê-lo mudo, não o entendeu e começou a brigar. E as palavras bonitas que ele pensou em dizer caíram ao chão e as outras que esperou ouvir foram só ilusão.

E, em meio a essa grande decepção, percebeu que não estava mais no coração de sua amada, e ao perceber isso ficou profundamente magoado, e pior que a mágoa em seu coração despedaçado e machucado, foi ter que entender que tudo tinha acabado.

Então, escreveu: “que o amor que sinto em meu ser me seja suficiente para cuidar de ti mesmo na distância que agora terei que conviver; que meu amor seja suficiente para jamais esquecer que tudo valeu a pena, mesmo depois de tamanho sofrimento que sinto agora; o amor jamais irei negar e muito menos condenar; para amar, em troca, nada preciso esperar”. Neste momento, o jovem escritor, entendeu o que era o amor, o que era amar e que seu mar de palavras jamais lhe proporcionaria tão grandioso conhecimento e só no mar da vida e da experiência sincera dos sentimentos, estaria a maior sabedoria que o ser humano seria capaz de alcançar.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Um dia especial

Ontem iniciei minha noite de descanso com um clima seco e abafado, pela manhã, de hoje, o dia parecia não querer amanhecer, um dia levemente “fresco” (no sentido originário da palavra) rsrsrs, seria um convite a ficar mais na cama? Ou um “sinal” de que deveria descansar destes dias, meses, ano tão corrido que tenho vivido? Não sei! A vontade de ficar mais um pouco na cama foi imensa, mas, hoje, é um dia como os outros de uma semana, é um dia de trabalho, estudo, reuniões, etc. É mais um dia de correria! A diferença deste dia dos outros dias do ano é básica e revolucionária. (Explicarei adiante)

Ao chegar a meu trabalho, e ao acessar minha caixa de correio eletrônico, vi uma mensagem com título: “Feliz aniversário”. Abri a mensagem e ela iniciava exatamente com a seguinte frase: “Hoje é um dia especial”. Essa frase, talvez mais veloz que a luz, fez um passeio em minha mente, passeio que teve como resultado a seguinte indagação: Hoje é um dia especial? O que é um dia especial? Para quem é especial?

Olhei para os meus dias passados, para os meus anos vividos e vi que todos os meus dias foram especiais. Não preciso que chegue o dia em que completo mais um ciclo de vida para dizer: hoje é um dia especial. Mas, a diferença básica e revolucionária que traz o dia do aniversário, pode explicar o motivo pelo qual esse dia é intitulado de especial.

Ao pensar sobre a especialidade do dia de nosso aniversário, fiz, de fato, uma viagem mental. O dia do aniversário é especial a primeira vista por ser o dia em que se completa mais um ciclo na vida de alguém, contudo, não são todos os ciclos de vida que são especiais, existem “vidas” que não gozam de elementos em seu dia-a-dia que tornaria o dia do aniversário especial. Mas, mesmo o dia de aniversário não especial para o aniversariante, será especial para aqueles que se relacionam com quem está aniversariando, os amigos.

Isso me leva a crer que seja esse o maior motivo pelo qual se intitula o dia de aniversário como especial, ter a presença de quem aniversaria junto de nós. A presença aqui toma o sentido de existência. O simples e notável fato de existir – seja aqui tão próximo que possamos tocar o outro ou distante ao ponto de só podermos manter contato pelas ferramentas que aproximam vidas, os meios virtuais, cartas, telefone ou mesmo a ciência de que outro esteja lá – já nos faz declarar o dia do aniversário como especial.

Outra dimensão que faz ver o dia de aniversário como especial está vinculada a revisão que devemos fazer a cada ano completado, seja de estudos, relacionamentos afetivos, dentre tantos outros. Mas, sobretudo, de nosso projeto pessoal de vida, bem como, as projeções que faremos para o ano que chega. Esta dimensão me levou a pensar ao que chamaria de o grande aniversário, que todos nós comemoramos: a festa de ano novo.

A “festa de ano novo” é um dia especial, é o dia em comemoramos o fechamento de um ciclo e início de outro na história da humanidade. Essa é a diferença básica e revolucionaria do dia do aniversário dos demais dias do ano, neste dia nós celebramos um ano que se passa e um novo ano que se inicia. Esta é a nossa festa de ano novo!

Celebrar a chegada de um novo ano nos possibilita olhar para o ano passado, ver tudo o que passamos: tristezas e alegrias, derrotas e vitórias, “sanidades e loucuras”, conquistas, choros e risadas, amigos reconhecidos e amigos que se vão, um amor intenso, um sofrimento louco e satisfações infindáveis, um amor pela vida inesgotável e dizer mais um ano se passou, mais um ano vivido e/ou menos um ano para se viver. E, com esse olhar, poderemos projetar um ano novo cheio de boas realizações. A possibilidade de um próximo ano melhor torna o dia do aniversário especial até para quem não gozou de um bom ano. O dia de nossa festa de ano novo, o nosso aniversário é, assim, um dia de esperança, um dia especial!

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Estas palavras foram costuradas por ocasião do meu 27º aniversário, um ano recheado de dias especiais, e esse dia então...

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Jogando com frases prontas e respostas inesperadas


Costumo escrever frases que acredito que chamarão atenção de quem se deparar com elas. São resumos de muitas emoções, experiências, acúmulos dos nossos encontros e desencontros, sonhos, projetos, desejos. Carregam muitas vidas em si, por isso prendem ou chamam atenção. E, isso, também, me faz tomar o cuidado que tenho com cada frase criada. Esses pequenos resumos de experiências de vidas são frágeis e eu temo perde-los nos acúmulos de meus complexos refluxos mentais. Por isso, eu anoto cada frase em meu pequeno caderno de anotações ou em algum lugar possível de escrever, caso esteja desprovido de material de anotação adequado. Minha carteira de trabalho já escapou algumas vezes de se tornar mais um instrumento de escrita de minhas frases, meus versos simples, mas vindo do âmago das experiências da alma.

As frases surgem e devem ser cuidadosamente guardadas, registradas, para que depois ganhem um lugar de destaque, elas não pertencem a mim, sou apenas instrumento que as possibilitam chegarem ao conhecimento de muitos, por isso, as coloco na chamada do MSN, Orkut, Twitter. Talvez se tornem, após uma cuidadosa costura, textos mais amplos, complexos, como: artigos, poemas, crônicas, romances que possam ser expostas em sites, blogs ou em um belo livro, de capa dura, com o título escritos em letras douradas ou, caso continuem frases, ganhem destaque em cartões ou mesmo um pára-choque de caminhão.

Os fins das frases podem ser os mais diversos. Eu costumo recorrer a elas nas costuras de meus textos, mas, dia ou outro, costumo postar algumas em meu Twitter, MSN, Orkut e agora, mas recentemente no FECEBOOK. Gosto de perceber a reação dos meus amigos virtuais ao se depararem com minhas frases. As reações são as mais diversas e isso é gostoso de viver. Mas, às vezes, sou pego por uma charada utilizando frases que eu mesmo criei. Gosto de trocadilhos, de jogos de palavras, de metáforas, mas, tenho sido vítima de minhas frases. Como costumo postar minhas frases em meus espaços de comunicação virtual, meus contatos as tem utilizados para manterem contatos comigo e darem início aos diálogos que costumamos desenvolver nestes espaços.

Talvez minha distração tenha possibilitado cair nas armadilhas que eu mesmo tenho ajudado a construir, mas como eu sou um de seus criadores tenho me saído bem delas. Afinal, se as frases são minhas, devo eu ter desenvolvimento/saída para as charadas criadas com elas. Mas, ando tão distraído que já não atendo quando ouço chamar meu nome. Outro dia mesmo acordei de um sonho sem mesmo ter dormido. Talvez, estar em órbita tenha me colocado nesta situação tão desprivilegiada para mim, ao me deixar desarmado diante das piadas que sempre antecipei as respostas a elas, o que geralmente surpreende quem se aproxima de mim.

Imagine que outro dia eu estava conversando com uma amiga pelo MSN e sem que eu percebesse entramos em um jogo de palavras, uma espécie de jogo de conquista. Ela se aproveitou do momento em que escrevi para ela uma sincera frase em que expressei sua singularidade em minha vida, creio que tenha dito algo do tipo que sua presença em minha vida era como o sentido da luz do luar nas noites dos amantes. Ela de imediato disse: “frase pronta” e me devolveu o diálogo com uma frase que estava na chamada do meu MSN, “queria apenas uma companhia que me desejasse!” Não percebei que neste memento o jogo tinha começado, então apenas respondi com um sorriso (rsrsrs), foi quando percebi que tinha perdido o jogo, eu não dei seqüência ao jogo de palavras, neste caso de frases. Então ela disse: “perdeu” e completou ao dizer o que poderia ser minha resposta, tentei recuperar o jogo ao dizer uma frase justificando meu riso, mas, não se recupera a quebra do jogo de frases prontas. Mesmo sabendo que não se recupere um jogo com frases prontas, quando se cala na sua vez de falar, minha reposta foi tão inesperada que ela se rendeu a minha virada de jogo.

Você deve pensar que sou louco em participar de coisas desse tipo. Ou, dizer que isso pode ser coisa de quem não tenha algo importante para fazer na vida. Tenho muitas coisas e creio que a mais importante é fazer aqueles que se aproximam de mim, felizes. E são essas pessoas e o contato/relação com elas que eu enveredo na criação de inúmeras frases, cada uma com sua beleza singular. Elas carregam em si, os resumos das inúmeras relações que estabeleço. Enfim, tenho inúmeras frases prontas e gosto muito de elaborá-las, ainda mais quando estou diante de fatos e pessoas que me inspiram. Acredito até que poderia ganhar um trocado criando frases para pára-choque de caminhão. Descobri uma coisa, neste meu processo criativo de frases: “Pior do que escrever a alguém e não receber resposta é esperar resposta do que nunca se pronunciou”.

PS.: Ao costurar sobre frases prontas, não poderia terminar a costura de forma diferente, se não, com uma das minhas inúmeras frases que guardo com tanto zelo.

sábado, 29 de maio de 2010

Dona Mundica

Ao iniciar este mês, me propus escrever no dia das mães uma mensagem para a minha mãe e postar neste espaço. Os dias foram passando, o segundo domingo do mês se aproximando e nada de belo o suficiente vinha em minha mente para definir ou expressar a admiração e amor que tenho por ela. O dia das mães chegou e eu não tinha um texto rebuscado, pronto, para postar aqui, apenas uma pequena frase, achei que minha mãe merecia mais. Recusei-me a postar uma pequena frase para dizer o que sinto por esta mulher tão maravilhosa que é minha mãe.

Por achar insuficiente a frase, ou diminuta demais, meu blog, no dia das mães, ficou sem a costura que eu desejava postar em homenagem a minha. Devem existir outras formas de dizer o quanto amamos alguém, o quanto sua existência é importante em nossa vida, o quanto o simples fato de ela existir em algum lugar no mundo já nos torna pessoas melhores e mais felizes. Talvez seja um grande erro, e digo talvez, por, de fato, não ter a menor certeza, tentarmos expor em palavras ou mesmo gestos a grandeza dos nossos sentimentos. E mais um incerteza de erro é quando exigimos que o outro/a demonstre o quanto nos ama ou o quanto somos importantes para ele/a.

Ao não conseguir dar forma verbal, gestual, escrita ou qualquer forma visual a tudo que minha mãe representa em minha vida, percebi que não é por não dar forma aos nossos sentimos que não os temos e ousaria até dizer, que esses sentimentos que não conseguimos materializar em gestos, sejam os mais belos. Enfim, no dia das mães eu liguei para falar com minha mãe, desejei para ela o que geralmente desejamos nessas datas, mas não disse tudo. Acredito que as mães são capazes de perceber essas coisas, creio que as mães são capazes de ler a alma dos filhos, por isso fiquei tranqüilo, de alguma forma ela sabia o quanto eu a amo, o quanto ela é importante para mim, sem que eu possa pronunciar qualquer palavra.

Mas, o que me levou a escrever, hoje, quase no final do mês, para contar que não escrevi no dia das mães o que desejava escrever? Além da frase que insistia em permanecer em minha mente, algo que me aconteceu na última quarta-feira tornou a minha mãe mais presente em meus pensamentos diários. Fui acometido por uma gripe na última quarta-feira e lembrei-me das vezes em que podia ser cuidado por minha mãe. Das várias noites em que deixou de dormir, para velar minhas noites de agonias durante as inúmeras crises asmáticas que tive durante minha infância e adolescência.

Nestes últimos dias do mês de maio, mês em que lembramos a importância de nossas mães e que eu esperava costurar um belo texto em homenagem a Dona Mundica, Dona Raimunda ou mesmo Dona Hermenegilda, ou melhor, a dona da minha vida, que me entregou ao mundo, minha mãe, uma gripe me fez reviver a presença dessa mulher tão especial em minha vida.

Algumas lembranças me foram recorrentes e, para evitar tornar esta costura longa demais, direi apenas alguns de seus gestos durante o tempo em que vivi com ela: lembrei dos seus cuidados quando eu adoecia; os chás – eu adorava o chá de erva cidreira, creio que era na casa da minha Vó que ela buscava; as misturas medicinais – pílula do mato amassada com mel; limão com mel – hoje acrescento uma cachaça e a coisa fica ótima; as batidas de ervas amargas que me obrigava tomar para sarar logo; as massagens em meu peito quando eu não conseguia respirar; lembrei das madrugadas em passava na máquina de costura fazendo os últimos ajustes na roupa que usaríamos na manhã seguinte; as noites em que juntava eu e meus irmãos para rezarmos o terço antes de dormir; sua cara censurando nossos risos ao não acertarmos a ave-maria, e depois seu riso ao perceber que a reza já tinha virado piada; lembrei dela me ensinando a pedir a “bença” ao papai e mamãe do céu; a me ensinar a rezar pedindo a proteção do anjo da guarda e não dormir sem camisa, se não, Nossa Senhora passava e não olhava; lembrei das tantas manhãs em que ela acordava mais cedo e esquentava um pouco de água para deixar a água da bacia morna e eu não ter que tomar um banho gelado tão cedo da manhã; lembrei das manhãs em que preparava um mingau de aveia, ou mesmo de farinha com leite, antes de eu ir para escola; lembrei do seu abraço apertado, não querendo me largar e seu choro que me apertou o peito ao se despedir de mim quando eu fui embora.

Enfim, lembrei de tantas coisas e é melhor parar de expor essas lembranças, são tantas, elas me enchem os olhos de lágrimas e de alegria na alma, por ter nascido desta mulher que tanto amo e admiro. Mas, vale dizer que desejei muito, esses dias, ser ainda aquele menino, desejei ter todos aqueles cuidados novamente. Desejei ter minha mãe aqui, queria deitar em seu colo, como fiz uma vez quando já não era mais criança e chorei. Ela não disse nada, apenas fez cafuné, como só a mãe da gente sabe fazer, e mais uma vez velou meu sofrimento e seu carinho naquele momento era a única coisa que podia me acalentar.

É... Mãe, eu nunca soube como dizer tudo o que sinto por você e a única frase que consegui construir no dia das mães expressa a minha limitação em dizer o que és para mim. A frase que me acompanhou durante todo esse mês foi essa: "há tanta beleza em teu ser, que nenhum poeta no mundo seria capaz de descrevê-las". Sei que nem os poetas, os artistas conseguiriam descrevê-la, mas, quem sabe, um dia, com os avanços das ciências, a humanidade conseguirá ter acessos ao que verdadeiramente sinto por você, ao conseguir mapear os sentimentos mais puros existentes no coração deste teu filho. Será consentido aos seres da terra, abarcarem a dimensão do amor de um filho? Como conhecer o que representa a tua presença em minha vida se tua beleza só poderá ser descrita através das almas humanas na leitura do coração? Creio que se um dia alguém for capaz de conseguir decifrar os corações humanos, ao se depararem com o meu, encontrariam todo o teu ensinamento. Teu olhar e cuidado que forjou minha alma construindo o meu eu. Tua garra destemida que me ajudou a seguir em frente e a acreditar nos meus sonhos que me fizeram partir. Fazendo-me aprender a viver sem tua presença, sem teu carinho diário e talvez o que mais sinta falta, sem o teu colo de mãe.
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