Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.

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Eu sempre estive perto de você

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Tudo dá certo no final


Certas noites, a presença de quem amamos dentro da gente é tão forte que não cabe em nós. Então choramos e, por vezes, desejamos gritar pro mundo todo ouvir o sentimento que nos comprime o peito como um ato de libertação, como um meio de alívio desta dor que não é física, mas que o corpo também sente. Não é o amor que nos causa dor, mas o desejo de termos quem amamos ao nosso lado. É a saudade dos belos momentos vividos e que desejamos tê-los naquele instante. É a incerteza se vamos viver o que sonhamos e projetamos juntos, ao lado de quem amamos. E dói mais ainda saber que tudo acabou.
Então o amor não é uma dor? Não, o amor não é uma dor. E ele causa dor? Sim, ele causa dor e nos faz sofrer. Mas, não é essa dor que costumamos ouvir ou ler nos poemas muitas vezes apaixonados motivados pelas paixões cotidianas ou pelas separações repentinas, que apenas nos afastam fisicamente de quem amamos. 
Por mais contraditório que isso possa parecer. O amor só causa dor motivado pelo bem querer. Quando amamos alguém, a queremos tão bem que o não saber como ela está nos causa dor. Queremos cuidar e o não poder cuidar nos causa dor. Quem nunca sentiu dor ao se despedir de quem ama por não saber quando voltariam a se encontrar? Ou por não saber como o ser amado passará os dias longe do aconchego do seu abraço? O não saber se sentirá frio, se estará comendo, se estará se cuidando. Esse amor nos causa dor.
Dor de amor é a dor das famílias que se despediam dos soldados convocados para a guerra, pois na partida estava a incerteza da volta. É a dor da esposa que se despede do marido pescador que sai para buscar o sustento de sua família em alto mar, sem saber se voltará. É assim que o amor causa dor, quando sentimos que quem amamos não está bem, quando sentimos que sua vida está correndo risco. 
Dor de amor é uma dor de morte, é como a dor de uma mãe que coloca no colo o filho que morreu. Neste instante morremos também, pois arrancam de nós parte do que é essencial à vida: o amor. Retirar de nós a presença de quem amamos, sem que tenha sido por vontade da pessoa amada, é uma das maiores dores que o ser humano pode experimentar.
Amar é ficar feliz com a felicidade e realização de quem amamos. Mesmo que não seja ao nosso lado. E isso não deve nos causar dor, pois amar nos faz bem. Se sentirmos dor ao saber que quem amamos está em outro abraço e está bem, essa dor não é de amor, isso é egoísmo, é posse, e quem ama não prende, quem ama valoriza a liberdade e a tem como um elemento básico para que o amor aconteça.  
Mas, naquela noite o jovem escritor não queria se entregar àquele sentimento, isso o fazia sentir-se impotente, fraco talvez. Já estava machucado demais pelas decisões que tivera que tomar. Decisões que lhe valeram dias de reclusão de si mesmo, que até o espelho não refletia mais sua imagem, mas a imagem de um ser moribundo e fétido. Lembrou das tantas noites em que somente a noite, a lua e as estrelas foram suas companhias quando a brisa soprava o perfume de sua rosa negra que acalentava o seu coração tristonho. Já não tinha mais forças para suportar a saudade que o atormentava, sentimento que o acompanhava em sua decisão de esperar por seu amor, no exercício diário e paciente de saber esperar a hora que nunca teve a certeza se um dia chegaria e, mesmo assim, continuar amando e esperando.
A noite estava mais fria que o habitual. A noite queria lhe dizer algo que ele não conseguia decifrar. Teve medo de ser dominado pela tristeza e estirou seu corpo sobre a cama, testemunha de tantas confidências, virou-se para um lado e para o outro e não conseguia encontrar a posição adequada, seu corpo não conseguia se acostumar com os muitos pensamentos que o incomodavam. Pôs-se a pensar sobre tudo que vivera até ali: “O que teria acontecido se eu tivesse insistido mais? Como estaria a minha vida se eu não tivesse me negado aquele beijo? Eu estaria só se eu tivesse declarado o meu amor?” 
Mergulhado naquele mar de possibilidades do que poderia ser sua vida, caso ele não tivesse se negado a viver tantas experiências e atitudes começou a inventar a sua realidade, o seu mundo, o seu universo paralelo. Livre da dor e das amarguras da vida, das decepções, dos tropeços tão necessários para aprendermos a encontramos o melhor caminho a seguir.
A noite avançava e ele fechou os olhos, e de olhos fechados ele sorria ao ver realidade tão bela, tudo de acordo com o que ele sempre sonhou e desejou, seria tudo se não fosse por um enorme detalhe, um detalhe que deixava tudo sem sentido se não estivesse presente ali para completar a harmonia de seu mundo. Ele ainda encontrava-se só, faltava-lhe uma companhia, tinha tudo que de nada valia sem a presença da tão esperada companhia, a presença de seu amor, de sua amada. Foi quando ouviu seu telefone chamar, não lembrava onde o tinha colocado, olhou ao seu redor tentando descobrir de onde vinha o som, então o procurou no lugar mais óbvio, em meio aos travesseiros sempre usados para disfarçar a cama vazia. Encontrou-o e surpreso sorriu ao ler a mensagem que dizia: “Oi meu anjo, abre a porta pra mim”.
Não conseguia acreditar, era tarde demais, mas preferiu não se prender sobre o fato da hora tão avançada, jogou o fino lençol que o cobria da cintura para baixo e levantou-se tão apressadamente que se esqueceu de vestir-se e foi abrir a porta. Estava escuro e, completamente nu, tateou a parede para encontrar a saída de seu quarto que parecia gigante quando era apenas o seu corpo a ocupar o lugar. Esbarrou na escrivaninha, aproveitou para acender o pequeno abajur que estava sobre ela e que deixava seu quarto a meia luz e tantas vezes o serviu, sobretudo nas noites em que acordava em meio a escuridão para traduzir em palavras os seus sentimentos e precisava apenas de uma luz que não o ofuscasse a visão e o roubasse os seus lampejos poéticos.
Ao abrir a porta, seu corpo gelou e seu coração disparou ao deparar-se com a manifestação poética mais bela, um sorriso que iluminou a escuridão em que se encontrava. Era sua amada, sua rosa negra, que estranhamente ouviu e atendeu o chamado das batidas de seu coração, que chegou para completar sua felicidade, para tornar seu mundo o mundo perfeito. 
Eis o mundo perfeito, eis o lugar da felicidade: ao lado da pessoa amada. Sem nada dizer um ao outro, apenas sorriram e se abraçaram, um abraço que parecia não ter fim, eternizavam a estadia no melhor lugar do mundo para se repousar: o abraço de quem amamos. Aquele abraço os faziam sentir o coração um do outro que, aceleradamente, sincronizavam-se em suas batidas desesperadas de saudade. Então, olhando-se nos olhos e ainda sem nada dizer, beijaram-se um beijo enlouquecido de amor, de desejo.
De repente estavam sobre a cama. Ele que nada vestia, rasgou o que restava de roupa recobrindo o corpo dela. O pouco que restava do que foi retirado no trajeto da porta até sua cama. Entre juras de amor, desejo enlouquecido, entrega, gritos e gemidos os dois se amaram. Ele sussurrava em seus ouvidos as mais belas juras de amor que a fazia sentir um arrepio que subia do cóquis até a nuca. Ele deitou-se, deixando exposto o tesão que sentia naquele momento, ela posicionou-se por cima dele e encaixaram-se perfeitamente, como se seus corpos tivessem sido feitos um para o outro. Pediram então aos céus que aquele momento se congelasse. 
Após as loucuras na cama, ela, saciada, repousou a cabeça sobre o peito dele. Ele olhou de cima o lindo rosto de sua amada, que irradiava de alegria, e lembrou-se de todas as dificuldades vividas até ali, na espera por este momento, e refletiu: “Dizem que tudo dá certo no final. Agora me surgiu uma dúvida existencial: Eu morri?”.
Ela, sua amada, sua Rosa Negra, sorrindo, respondeu: “não, isso é...” O telefone tocou a interrompendo. Ele tentou desligá-lo mas o telefone insistia em tocar e, cada vez, o toque ficava mais alto, incomodando aquele momento tão sublime de realização. O jovem escritor dizia: “para, para, desliga, desliga” e sem mais paciência gritou: “páaaaaara!” O grito o fez acordar assustado e desligar o despertador de seu celular que anunciava um novo dia de labuta. Então percebeu que tudo não passou de um sonho. 
Talvez tudo fora motivado pelo sentimento que habita em seu peito, pelo desejo de ter seu amor vivendo ao seu lado, saindo todo dia do seu quarto usando apenas uma blusa sua após uma noite de amor, sorrindo encantada ao ver a mesa de café da manhã preparada especialmente para ela. Ou poder contemplá-la após o banho com seus cabelos molhados, o corpo úmido e mordendo os lábios como quem deseja ardentemente alguém. E ouvir o sussurro mais doce: “amor, deixe esse papel e caneta aí e vem fazer poesia de amor comigo”.
Ele olhou sua cama e apenas os travesseiros a preenchiam, e com um sorriso de satisfação, passando a mão afagando lentamente cada detalhe de sua cama vazia, exclamou: “ao menos em sonho você se faz presente aqui para me fazer feliz e, estejas onde estiver, quero que saiba que eu poderia ir ao teu encontro. Mas respeito o teu tempo, a tua liberdade e o teu momento. Por isso, te espero. Minha vida será isso: te esperar.”
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