Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.

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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Uma costura para Hilda Hilst: devaneios de um pretensioso aprendiz de escritor


Hoje me deparei com uma parte de mim já morta. Morta? Mas, ela está tão viva, estava ali em minha frente. Não sei exatamente o que senti, se era uma parte ou uma extensão de mim, ela seria eu vivido no passado próximo e que compartilhamos separadamente um breve presente? Éramos uma forma complementar de existência? Ou seríamos almas gêmeas desencontradas? Aquelas almas encarnadas em tempos diferentes, que se perderam no percurso da encarnação e ficaram fadadas a encontrarem-se somente nos escritos que superam o tempo, que narram suas histórias, seu amor e sua existência de entrega à solidão em busca da parte que lhe falta, nos seus escritos identificam-se,  e só nas entrelinhas de seus escritos sua comunicação torna-se possível e na vivência da vida real ao saber, somente encontrarem-se nas comunicação além tempo, além gerações, choram o desencontro e se entregam ao caminho em que a solidão torna-se a melhor companhia.
Ouvia as pessoas que comentavam sobre mim, sei que não era eu aquela pessoa comentada, mas eu me via tão presente em cada comentário, impossível existir um ser tão parecido comigo, um ser que tinha vivido minhas história, meus desejos e sonhos antes de mim. Seria eu olhando para mim vivido em outro tempo? Talvez me chamem de pretensioso, eu mesmo estou me sentindo assim, que pretensão a minha, comparar-me a ela que é tão fascinante com sua vida invejável e admirável.
Aquele fascínio pela morte e o meu também, ou seria o encontro com Deus? O tempo para si, seu refúgio interior e seu universo particular, seus amores diversos, o cuidado para com seus amigos e o humano num geral, seus desejos e frustrações, seu estilo de vida, sua dedicação à costura das palavras, sua ousadia literária e o seu amor incondicional ao mundo das artes. É, sem dúvida sou eu mulher, ou eu seria ela nascida homem? Não, o tempo não permite isso, não há possibilidade da mesma alma viver em corpos diferentes ao mesmo tempo, ou seria possível? Só se no caminho da encarnação uma parte da poeira de luz que forma nossa alma, tenha se entretido na admiração dos outros punhados de poeira de luz que seguiam para encarnar e ficou para trás. E, com isso tenha levado meio século para encarnar e o tempo o fez perder o caminho do corpo de destino e acabou por encarnar neste corpo que hora costura essas palavras. Pretensioso! Mais uma vez ouço dizerem. Desta vez ouço em gritos.
Não, definitivamente não, eu não sou ela nascida homem, seria carga demais sobre mim, sem contar a impossibilidade histórica da encarnação das almas, isto tudo que sinto é apenas uma admiração por sua vida, por sua história de vida. A crença na eternidade que branda o encontro com a morte, a enamora, mas nunca deixou de desejar a vida e a viveu intensamente, a vida que sonhou, criou e transformou. Talvez sejamos almas gêmeas desencontradas – mas só talvez, pois a certeza me traria muita responsabilidade e cobranças e, o momento em que vivo não me permite assumir tamanha carga –, perdidas na encarnação, e desta vez foram apenas alguns quilômetros que nos afastaram e alguns anos, se eu a tivesse lido antes de sua partida, antes de seu gozo máximo no encontro com a amada morte. Por que demorei tanto a encontrá-la? E quando a encontro, a encontro assim em história, em palavras, nas entrelinhas. Quem sabe da próxima vez nos encontremos para além das histórias, das costuras e das entrelinhas. Quem sabe?! 
Não a conheci e ainda não a conheço bem, mas o pouco que ouvi e li, eu me sinto tão parte de sua história, vejo-me vivendo sua vida e eu a vejo vivendo em mim com todos os seus desejos, sonhos, realizações e frustrações. Do pouco que sei sobre ela, percebo e sinto em mim o mesmo desejo de retirar-me, de isolar-me, de dançar com a solidão, que é a busca por si no isolamento do mundo enfadonho e cruel que nos deixa desconhecido até para nós mesmos, ao mesmo tempo em que grita em nós o desejo de intervir nele. Queremos alterá-lo, recriá-lo e ela o fez. O encontro consigo transborda de conhecimento sobre nós, onde a solidão não é solitária, mas companhia amada.

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