Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.

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sábado, 11 de junho de 2011

Dia dos namorados ou mais um dia do consumo/capitalismo?


O dia dos namorados.
Este dia só cabe para as pessoas que se enquadram nessa situação, que tem ou são namorados. Não podemos de forma alguma nos sentir menor, inferiores, por não estarmos namorando. Hoje, li em uma atualização de uma amiga no Facebook, que me fez pensar e costurar sobre o assunto, e, para melhor entendermos o que segue descreverei aqui o seu post: Eu não passo o dia do índio com um índio, da árvore com uma árvore nem Tiradentes com o Joaquim José da Silva Xavier então porque tenho que passar o dia dos namorados com um namorado? Mas, ainda assim, se alguém insistir mais de uma vez em me dar presente eu aceito”.

Inicialmente, essa manifestação parece mais um ato de quem lamenta o fato de todos terem com quem passar esse dia e a pessoa não. Mas, devo dizer que é isso que o sistema em que estamos inseridos quer que sintamos. Sei que isso não é o caso da minha amiga, pois a conheço bem e sua frase final, Mas, ainda assim, se alguém insistir mais de uma vez em me dar presente eu aceito”, mostra o real motivo de seu post, que é fazer piada e, diria mais, apresenta um sutil sarcasmo sobre este dia e reforça o que seguirá. E foi a íntegra de sua mensagem que me motivou a desenvolver essa costura e por isso vou usá-la para tecer as palavras que seguem.

O dia do índio, da árvore e até de Tiradentes, são datas criadas para valorização do que: o índio, a árvore e o Tiradentes representam.

Índio: o respeito, a valorização e o reconhecimento das comunidades indígenas, dizimadas por ocasião da invasão de suas terras, ao que chamam de "descobrimento do Brasil".

Árvore: faz-nos lembrar, já que temos a memória curta, de que os recursos naturais são finitos e é preciso cuidar da vida no planeta e lutar contra a exploração e desmatamento indiscriminados em prol do capital.

O mesmo segue para o Sr. Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, esse dia deve-se ao reconhecimento de sua luta em prol da libertação, por mais contestável que seja, de um povo, das amarras dos mesmos "descobridores do Brasil”, os mesmos responsáveis pelo desaparecimento de tantas comunidades indígenas.

O dia dos namorados, esse sim, merece seu questionamento, sua indignação, não por não poder ou dever passar esse dia com um namorado, mas por esse dia ser mais um dia do capital, o mesmo capital que outrora incentivou a invasão das terras do sul da América Latina e hoje, faz com que nossa fauna e flora sejam extintas.

O dia dos namorados é mais um dia para se comprar presente e fazer lucrar o sistemas capetalista e fazer com que quem não tenha namorado ou namorada, sinta-se menor, diferente, fora do sistema, fora de órbita e acabe por usar argumentos nem sempre adequados, como o uso de datas de valorização de povos e lutas merecidamente reconhecidas como igual as datas unicamente frutos do e para o capetalismo.

Ou seja, só passa o dia dos namorados com um namorado quem o tem, ou até quem o pode passar, no sentido corporal, uma vez que o mesmo sistema que nos incita estar com o namorado, comprar presente e por aí segue, é o mesmo sistema que nos obriga a trabalhar para ser alguém em sua lógica, ou seja, ter dinheiro. Passar o dia dos namorados com um/a namorado/a é uma situação conseqüente de se ter namorado, o dia não pode ser superior ao relacionamento, o dia está para o relacionamento e não o contrário, como nos quer fazer sentir o sistema capetalista.

Assim, essa data deveria ser, em vez de um lamento por quem não tem namorado/a, mais um dia para lutar pelos direitos de vida e liberdade que as referidas datas anteriormente citada representam, o dia do índio, da árvore e de Tiradentes.  E, a lógica da mensagem que motivou esta costura, se enquadraria muito bem, a outras datas, se não criada pelo capitalismo para incentivo do consumo e gerar dependência dele, como o natal e o papai noel, e o nascimento de Jesus substituído pelos presentes, a páscoa e o coelhinho, e a ressurreição trocada pelo chocolate, e até o dia das mães, data dedicada a tantas lutadoras que diariamente labutam para educar seus filhos em um mundo que incita ao individualismo e ao consumo inconseqüente. 
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