Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.

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sexta-feira, 15 de abril de 2011

Um mestre do riso


Hoje, perdi uma costura que trabalhei para homenagear essa grande alma. Juntamente com outra alma que passou por aqui e, também, nos deixou grande exemplo de vida, anunciou a paz e plantou, assim como Chico tem plantado, o riso na vida de muitos.

Esta semana essa alma grandiosa, Chico Anysio, completou 80 anos de idade. Nascido em Maranguape, Ceará, Brasil, aos 12 (doze) dias do mês de abril de 1931, Chico é grande exemplo de ser humano, que através do riso tem plantado a paz e alegrias neste mundo, cheio de ganância, banhado em sangue de muitos inocentes e que tem caminhado aceleradamente rumo ao caos, destruição e extinção. O Grande mestre Chico tem inspirados muitos e a mim de forma particular, pequeno diante de sua grandeza, mas grande admirador e aprendiz da arte de fazer rir, arte que esta grande alma sabe usar com maestreza.

Deixo aqui minha gratidão a esse mestre.

Segue abaixo a costura declamada por Chico no vídeo.

Mundo Moderno (Chico Anysio):

Mundo moderno, marco malévolo, mesclando mentiras, modificando maneiras, mascarando maracutaias, majestoso manicômio. Meu monólogo mostra mentiras, mazelas, misérias, massacres, miscigenação, morticínio – maior maldade mundial.
Madrugada, matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna. Monta matungo malhado munindo machado, martelo, mochila murcha, margeia mata maior. Manhãzinha, move moinho, moendo macaxeira, mandioca. Meio-dia mata marreco, manjar melhorzinho. Meia-noite, mima mulherzinha mimosa, Maria morena, momento maravilha, motivação mútua, mas monocórdia mesmice. Muitos migram, macilentos, maltrapilhos. Morarão modestamente, malocas metropolitanas, mocambos miseráveis. Menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo. Metade morre.
Mundo maligno, misturando mendigos maltratados, menores metralhados, militares mandões, meretrizes, maratonas, mocinhas, meras meninas, mariposas mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas. Mundo medíocre. Milionários montam mansões magníficas: melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, Mercedes, motorista, mãos… Magnatas manobrando milhões, mas maioria morre minguando. Moradia meia-água, menos, marquise.
Mundo maluco, máquina mortífera. Mundo moderno, melhore. Melhore mais, melhore muito, melhore mesmo. Merecemos. Maldito mundo moderno, mundinho merda.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Cante a minha canção (Costuras inacabadas do pescador)

Ando tão preocupado com o mundo e com a tristeza de quem amo que me esqueço de mim. Olho no espelho e não reconheço o que vejo. Um ser moribundo, meu reflexo não é meu, meu reflexo não sou eu. Mesmo assim, sigo adiante, como um ser forte e inabalado, enganado por aquilo que finjo ser.

Enquanto por dentro, no âmago do meu ser, eu preciso de ti cuidando de mim, sem eu fingir ser aquilo que não sou. E sendo aquilo que só você, em seu colo, ao cantar a minha canção, me faz lembrar quem realmente eu sou. E, ao me olhar com teu riso cantado, o teu riso me faz sorrir e sentir que é possível ser feliz. E o reflexo do espelho já não importa mais, pois, em teus olhos eu consigo ver, sem mancha ou enganação, meu verdadeiro ser.


quarta-feira, 16 de março de 2011

Eu te perdi para mim


Um sorriso, um encanto

Um jeito sedutor, um jogo sem regras

Encontros e despedidas; chuva, atraso e conversa

Ensaios e “sai fora’s”, não me mexe, não me trisca

Cama, aconchego, afago e abraço,

E, assumir que “é sempre tudo lindo” quando o encontro acontece

Frio, choro e desejos; beijos apaixonados, outros rejeitados

Beijos roubados, outros impensados,

Liberdade que aprisiona, ou seria que atrai?

“Até porque, ninguém está preso a nada”

“A não ser ao desejo de se permitir viver simplesmente”

Riso solto que surge a cada encontro

Viagem que tiram dúvidas, encontros que confundem

Ele diz: “casa comigo”

Ela diz: “mudou o significado”

Ele pergunta: “o que aconteceu?”

Ela responde: “foi tudo lindo, e o tempo nos tornou amigos”

Ele ficou sem compreender a impossibilidade causada pela amizade

Dizem que o amor a amizade estraga, mas a amizade pode estragar o amor?

Parece que próximo a isso, foi o que aconteceu

E, em uma mistura de tristeza e alegria ele diz: “eu te perdi pra mim”


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Atitudes como está é lamentável...

(O fato acorreu durante a visita de Amazonino Mendes, prefeito de Manaus, a uma área de risco na qual uma mulher duas crianças morreram soterradas no último final de semana)

É lamentável que coisas como essa aconteçam em um país tão rico. Sou paraense e tenho uma estima muito grande por Manaus. Tenho muitos amigos deste Estado irmão, além de inúmeros amigos paraenses que moram por lá. Estes últimos trabalham e contribuem com a economia e desenvolvimento local colocando sua competência a serviço.

A reivindicação da moradora é legítima e a atitude de Amazonino é desrespeitosa e sua declaração após o ocorrido é maior ainda. O prefeito é um servidor público, e deve estar a serviço do povo que o elege e é quem o sustenta, e sem dúvida merece respeito.

Um administrador público que não sabe ouvir o povo, não é digno de representar o povo. Com certeza no período eleitoral, candidatos políticos como Amazonino se lembram desses moradores, dessas áreas de riscos, mas, logo assumam o poder, esquecem do povo que os elegeu. E na hora que são cobrados de suas promessas agem com arrogância e desrespeito para com seu eleitorado.

A moradora é a voz de muitos que sofrem pelo descaso público, é a voz de muitos que por medo calam-se. Cansados das promessas eleitoreiras, se conformam a viver em situações indignas e se esquecem de seus direitos. Ela é a pedra que grita ao calar da boca daqueles que denunciam esse sistema excludente.

Independente da origem. Seja de Roraima, do Pará, do Maranhão (como menciona Amazonino em sua declaração após o ocorrido), entre outras origens, todos são merecedores de atendimento público adequado e com dignidade. E nunca uma reivindicação, cobrança do povo por vida digna, respeito e conquista de seus direitos devem ser tratados da forma que Amazonino agiu em relação a moradora/eleitora.

Ir a público, depois, tentando explicar sua reação minimiza, mas não justifica, minimiza pela condição humana que estamos passivos de cometer equívocos, erros, mas, antes de qualquer coisa, nosso olhar deve ser o de olhar, a partir, da capacidade humana de viver a dor do outro, compreender as situações, muitas vezes desconfortantes.

Sendo assim, Amazonino deixou de agir tanto como um servidor do povo, pois foi eleito e é mantido por este e deixou de agir como cidadão que busca o bem comum. Aqui não está uma análise de sua atitude preconceituosa em relação aos paraenses que moram em Manaus, mas, sua incapacidade de ouvir e acolher, enquanto servidor do povo, as reivindicações de vida digna para este mesmo povo que o elegeu e o sustenta.

Dispenso e ignoro qualquer manifestação contrária a esta minha manifestação que tenha como motivação, a defesa partidária ou mesmo rixas regionais. Pois, meu olhar ateve-se na avaliação do exercício correto do poder público e no exercício e prática de atitudes que visem o bem comum, o exercício da cidadania.

Evitei no texto, por minha origem, fixar-me em um discurso religioso, mas em síntese, a lamentável cena que motivou esta costura, só foi possível pela incapacidade que muitas vezes temos de desenvolver um olhar cristão, um olhar de cuidado humano, um olhar com-Paixão. Enquanto não contagiarmos a quem temos contato com a pandemia do resgate humano, do cuidado, ainda vamos ter muitas atitudes como esta, preconceitos e desigualdade.

Entre na campanha: Não grito com ódio no olhar, dou abraço com-paixão.
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