Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.

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quarta-feira, 7 de abril de 2010

Lexicapescaria

Existem dias, momentos, que a poesia aflora dentro de mim
Mas as palavras me parecem tão longínquas
Talvez seja a tristeza que as afastam
Na melancolia em que me afogo
Procuro uma saída de estado tão angustiante
Os pássaros fazem sua rítmica migração
Sei que existe, em mim, uma saída
As palavras estão em mim
Nas palavras está o caminho da alegria
Busco algo que possa me ajudar a alcançá-las
Uma inspiração, a ajuda de um irmão
Parece que quanto mais as sigo elas mais afundam
Num profundo mar
Sinto-me um navegante amador nesse vasto mar
Queria saber pescar
Assim, pescaria palavra por palavra
Mas, do que me adiantaria uma pescaria tão lexicográfica?
Ou seria literal?
Precisaria, também, saber costurar
Assim, eu costuraria cada palavra bonita
Com linhas coloridas
Cheias de alegria
Faria a colcha mais linda
Da costura das palavras pescadas
No mar da minha vida.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Uma Carta de Pa(z)coa!


Belo Horizonte, 31 de abril de 2010

Cúmplices,

Inicio esta, com um grande pesar no coração, parece-me que o tema que sonda nossos pensamentos é a violência, deve ser por estarmos vivendo esse caos mundial, esses tempos de guerra, e foi a partir daí, que me senti obrigado a escrever esta missiva a todos os que de alguma forma fazem parte de minha vida, em especial aqueles que não me conhecem, e sendo assim, não sabem o que penso referente a esse caos que assola a humanidade, não estou falando isso me referindo ao lamentável horror que vivem os povos em guerras, mas, não podemos também deixar de falar de tal situação vivida por esses povos e simultaneamente a nação mundial e é incontestável que toda guerra é absurda, mas a invasão a qualquer nações sem poderes defesas são as mais absurdas e covardes que se pode ter notícia.

A violência ocupa as principais manchetes, nas mais variadas formas de noticiários existente em nosso país, ela aparece hoje com uma força inigualável, dominante, disposta a atacar qualquer um que ouse contestá-la.

A morte está solta por aí, procurando vítimas para mostra-se poderosa, e mesmo que tentemos, nunca conseguiremos derrotá-la. Podemos dizer que essa seja uma das mais autênticas verdades, mas não é a única, existe outra que nos conforta o coração e que junto com ela trás um mundo de esperança, de novas possibilidades, a qual me dedicarei mais adiante.

Apesar de o medo estar nos dominando ultimamente, por sabermos que se está gerando no ventre do mundo, o desejo de vingança, retaliação, morte e destruição, devido ao elevado nível de conflitos armados, temos que fazer despertar em nós a consciência que devemos respeitar e valorizar a pessoa do outro, que é a aceitação da alteridade, para quebrar com o nosso etnocentrismo; seria ideal se todas as potências usassem seu poder, para erradicar a fome, o analfabetismo, e outras pragas que levam o desejo de vingança nos países famintos e oprimidos, o que tornaria sua grandeza maior ainda.

Temos o exemplo de várias personalidades, que tentaram despertar no coração da humanidade que somos capazes de romper com os sistemas dominantes, que destroem os seres deste planeta azul, para construir um sistema vivo onde reine o amor. E dentre tantos defensores e defensoras deste mundo reinado pelo amor, como: Madre Tereza, Dalai Lama, Padre Josimo, Ghandi, Zilda Harns, Buda, Chico Mendes, Dom Oscar Romero, Margarida Alves, Luther King, destacamos aquele pelo qual se realizou a salvação do mundo, Jesus Cristo, que mais do que ninguém nos deixou o exemplo da humildade, perdoando os que o condenaram, e nos deixando como tarefa o amor ao próximo, mas Cristo só conseguiu chegar tão alto, devido ao seu olhar, que como dizia o Príncipe Menino: “Só se vê bem com o coração”, e foi isso que Cristo fez e tentou nos ensinar, “olhar com o coração”, e essa lição deveria ser tomada como base fundamental de nossas ações.

Cristo experimentou a crueldade da violência, foi vítima da ganância dos homens, que por medo de perder o poder, armaram uma forma de condená-lo a morte, pois ele anunciava abertamente seu desejo de construir no mundo, a civilização do amor.

E a vontade dos poderosos foi cumprida, Cristo morre na cruz, mais uma vez a morte se faz presente com sua feroz potência, ela (morte) é a arma mais poderosa e eficaz que os sistemas dominantes possuem para calar a voz daqueles que se posicionam contra, e ameaçam o seu poder, lutando por um mundo mais igualitário. Mas Cristo não se deixa vencer por aqueles que o tentaram calar, e eis que acontece o inesperado, ele destroe, a mais eficaz e poderosa arma que usaram para eliminá-lo, e é com ele que nasce a outra verdade, a qual falei anteriormente, que conforta nossos corações, que é, a sua Ressurreição. Assim, Cristo não só vence a morte, como vence o sistema que o condenou, e incita-nos a fazer o mesmo, que não nos deixemos vencer por este sistema que está aí, que é herança daquele que o crucificou, comandado pelo olhar e desejo da ganância, do poder, do controle, e não pelo olhar do coração, que consegue ver a possibilidade de homens e mulheres, viverem em fraternidade.

E é acreditando na Ressurreição, e de que não há um sequer poder da morte, “nem mesmo um holocausto nuclear, que não tenha sido vencido” por ela (Ressurreição), que eu desejo a você e a sua família que sejamos Páscoa na Pá(z)coa!

É o desejo deste Pescador que ousa costurar palavras.
PAZ E VIDA LONGA!
Nota:
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Palavras costuradas em 15 de abril de 2003. Naquele ano os Estados Unidos invadiram o Iraque. A Invasão do Iraque iniciou-se no dia 20 de Março, a aproximadamente 25 dias depois eu costurei as linhas acima. A invasão se deu através de uma aliança conhecida como Coalizão, alinça entre os Estados Unidos da América, Reino Unido e muitas outras nações. O Kuwait foi o ponto de partida da ofensiva terrestre, realizada após uma série de ataques aéreos com mísseis e bombas a Bagdad e arredores que abriram caminho às tropas no terreno. Como as guerras e a violência parece que ainda sondam nosso cotidiano, resolvi fazer alguns remendos na costura original e postar neste espaço.

terça-feira, 30 de março de 2010

O que dizer?


O que dizer quando a beleza que encanta os olhos nos deixa mudo?

Como não sei,

Darei um sorriso

Um olhar sincero

Espero que isso traduza o que sinto aqui dentro.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Sí! ¿Como no?


¿Como no ser? ¿Si así soy?
Si delante de ti me veo a mi
Me veo más claro que el agua más clara
No veo la materia
Veo el alma, veo la luz
Veo el pasado,
Veo las sombras del futuro
¿El presente? Un milagro
Tú eres yo
Y Yo? ¿Quién soy?
¿Nadie? Quizás
Quizás, pero sólo quizás yo sea tú

Así mirame
Mirame como yo te miro
Mirame y no me veas
Mirame y vete a ti
Ve a tu alma en mí
Así, seremos uno
Uno en el otro
Seremos nosotros
Nosotros en el otro
Un nosotros sin lo otro
Un nosotros que es uno
Un uno que no es ninguno
Tampoco otro

Así, seremos apenas el amor

¿Amor?

Sí! ¿Como no?

sábado, 20 de março de 2010

A dança da igualdade

Venham cúmplices
Venham festejar
Festejemos com dança e muita alegria
Juntemos-nos aos mártires da caminhada
Juntemos-nos a quem lutou antes de nós
A quem gerou essa raiz
De gente forte e de garra
Que não precisa de mãos armadas

Vamos fazer a nossa luta a tanto sonhada
Vamos gritar o grito sagrado
Gritemos em coro, o grito de liberdade
Vamos por os pés na estrada e caminhemos rumo ao mundo novo
Pés que dançarão a dança igualdade
Juntemos nossas mãos calejadas
Mãos que batucarão o batuque da mãe Gaia
Ensinado por nossos antepassados, indígenas e afros

Na dança da igualdade ensaiaremos um passo novo
O passo da dignidade, numa dança em que todos são chamados
Com o passo ensaiado venceremos os erros passados
Edifiquemos uma terra sem exploradores ou explorados
O amor é a nossa bandeira, a fraternidade, nossa moeda
Sem fronteiras, seremos uma só nação e nunca mais falarão em [guerra
De cúmplices seremos chamados e não ouviremos sobre discriminação
De credo, etnia, gênero ou cor
Na tão sonhada: Civilização do Amor.

quinta-feira, 18 de março de 2010

É meu!


Estava eu sentado na beira de uma calçada
Olhando o nada, se é que no nada exista algo a olhar
Mas, entre o nada olhar e o tudo que não se vê
Continuei a olhar
Alguém, que para mim, sem importância
Parou, e a cena em que me enquadrava, estranhou
Talvez se indagando o que eu estava a olhar
Se ele soubesse,
A cena, a mesma, eu a olhar e ele a me olhar
Ele sem importância para mim
E eu já não era sem importância para ele
Ele, então, sentou-se ao meu lado
Juntos olhávamos
Os carros passavam e as pessoas nos observavam estranhamente
Carros de todos os modelos e marcas e...
De repente surge um Fusca vermelho
E num relâmpago de consciência, um grito
É meeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeu! Porra!
E uma gargalhada soou mais alto
Então gritei euforicamente: Perdeu otário...
Não consegui parar de rir
E ele disse: não vale, eu estava distraído
Então, ele que não tinha importância para mim teve sentido.
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