Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.

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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Costura Musicada - Fiz uma canção pra ela (Galldino & F. Anitelli)

Já faz um tempo que o atelier do pescador está sem atualização, ao menos de postagem. Hoje, resolvi retomar as publicações e elegi como tema para esta semana “Ela”, isso mesmo: “Ela”. Alguém pode se perguntar: "quem é Ela?”, mas essa pergunta não cabe aqui. Pois, “Ela” é uma generalização de muitas coisas, muitas possibilidades. Eu não sei exatamente no que resultará essa temática, mas acredito que ela nos permitirá viajar ainda mais nas possibilidades reflexivas, inventivas e criacionistas que possuímos. Ainda mais ao começar a semana com a Costura Musicada Eu fiz uma canção pra ela, canção fruto de uma bela e perfeita parceria entre Galldino* e Fernando Anitelli.

Galldino é violinista, cantor, compositor e autodidata, baiano, nascido em uma família de 9 irmão, aprendeu a tocar violão sozinho, após inúmeras incorporações do Homem Aranha, que lhe valeu muito para ser o que é hoje. Depois surgiu o violino, não como escolha, mas como a única opção restante, pois queria tocar clarinete. Depois, envereda rumo a São Paulo, onde por suas andanças culturais encontra Fernando Anitelli. 

“Mas antes da internet ser esse fenômeno global, na minha busca por levar as canções aos ouvidos, encontrei num sarau, há mais de dez anos, um cara com uns tiques esquisitos e talento cancionista. Fernando Anitelli.” Este último, vamos dispensar os comentários, não por ser o grande astro que é, mas por eu já ter postado sua apresentação neste atelier.

E antes de passarmos às palavras sobre nossa costura musicada, quero ressaltar que Galldino é aquele tipo de artística, claro que com todas sua singularidade, que consegue mesclar letras fabulosas com arranjos magníficos, um processo que não poderia resultar em efeito diferente que não seja o sucesso, irrompendo com os enquadramentos formatados das grandes produções artísticos/culturais através da valorização do artista independente e vanguardista. Talvez por isso, permanecer com a Trupe d'O Teatro Mágico, desde o seu início, que traz a defesa do livre compartilhamento de arquivos musicais via internet e flexibilização do direito autoral, que conta com adesão de artistas e músicos preocupados com a questão da censura na web. Assim, Galldino nos presenteia com a livre disposição de suas canções via web fazendo com que suas belas costuras musicadas viajem, Ao infinito... E além!
    
Sobre a Costura Musicada: Eu fiz uma canção pra ela – canção bela e profunda que traz elementos fortes e que muito valorizo, através de uma harmoniosa costura de palavras, significados e som/melodia, que suavizam os sentidos fortes dos versos. 

Afinal, vindo de uma pareceria entre Galdino e Anitelli, mestres das construções metafóricas, paranomásicas e exímios esteticistas musicais, não era de se esperar outra coisa. Já é sabido de quem acompanha este atelier que costumo postar as costuras musicadas que falam das coisas que penso, acredito, valorizo e até que sinto. E esta costura musicada de hoje conseguiu articular todos esses atributos, além de trazer esse tom misterioso, enigmático, coisa que dizem que sou, então além de falar por mim, a canção fala de mim. É incrível como certas costuras musicadas falam por nós, falam de nós.

Assim, deixo que você possa apreciar esta bela costura musicada e faça a sua vivência, de tão bela costura. E deixo meus destaques no que vi, li e senti: a beleza da cumplicidade realizada através da canção; o desejo de acalentar a alma que os corpos distanciam; a valorização da singularidade do outro, que na sua história e valores se igualam a nós; os sentimentos que nos fazem sentir frio e desejarmos sermos aquecidos; a vida em espera, o cultivo da paciência; defesa da liberdade e amor às suas consequências; o desejo de ir além e enfrentar os limites que nos impedem de sermos felizes; e em tudo ser fiel à felicidade e guardar a força e estar sempre a postos para colocar a história de ser feliz(juntos) ao seu devido lugar.
Paro por aqui, deguste e me diga qual sabor encontrou.

* O violinista, cantor e compositor Galldino, membro da trupe do Teatro Mágico, e desponta com um estilo singular no meio musical, suas cações fazem grande sucesso nas redes onde pode mostrar um pouco do seu potencial, além dos shows da sua carreira solo  realizando pelo Brasil. Desde seu primeiro disco solo, lançado em 2008, intitulado “OctOpus I”, que é uma mostra parcial de sua versátilidade, é possível perceber sua sensibilidade artística impressionante, resgatando uma originalidade que a muito tempo não se encontrava.


Este primeiro disco é composto por 12 faixas que provocam uma inquietude até nos mais discretos. Galldino conseguiu mesclar letras fabulosas com arranjos magníficos, e, todo esse processo, não poderia resultar em efeito diferente ao que foi: Sucesso!

A experiência com o Teatro Mágico acabou servindo como uma grande receita para o seu reconhecimento. Experimente esse maravilhoso álbum!

Em 2012 lançou seu segundo álbum, intitulado @Twitticas, surgido da ideia de criar canções que coubessem no twitter. É um repertório de 8 canções que possuem entre 140 e 280 caracteres, que correspondem, no máximo, a dois postes no twitter, são aquilo que o pescador chama de Micro Costura. Micros, pequenas mas com força gigantesca, de alguma forma esse segundo álbum de Galldino vem reforçar a máxima de que “Nos pequenos frascos estão os melhores perfumes e os piores venenos.”  Em @twitticas podemos perceber a força e a beleza dos pequenos detalhes que são capazes de elevar a alma.

Desde seu último álbum, Galldino tem publicado alguns vídeoclipes de suas canções que são verdadeiras obras primas e entre estes encontramos a Costura Musicada que apresentamos hoje, um vídeoclipe em homenagem aos 10 anos de O Teatro Mágico e aqui deixo que o próprio Galldino nos fale:


“Minha primeira música, oficialmente falando, nasceu quando eu tinha 15 anos. Antes disso eram só improvisos logo esquecidos. Mostrei aquela pedra bruta para meu irmão que já era compositor, Osmar. 

Mais velho e experiente, ele me disse: "...ah, legal pra quem tá começando. Mas cuidado: tá meio brega isso aí!". 
Eu nem sabia o que era "meio brega". Que eu soubesse, lá em Feira de Santana, "brega" era uma casa onde certas mulheres davam "mimos" por uns trocados... 
Só sei que, depois de pesquisar esse novo sentido pra "brega", fugi dele com toda dedicação. 
Acho que esse foi, de certa forma, um equívoco. Se tivesse me esmerado em fazer música brega talvez hoje eu possuísse uma frota de jatinhos e fosse conhecido nacionalmente. 
Mas lá fui eu atrás de letras complicadas e cheias de metáforas, imagens, palavras que não aparecem nem nos dicionários e etc. 
Resultado: tive que me contentar com a internet - único universo capaz de receber essas canções amalucadas. 
Mas antes da internet ser esse fenômeno global, na minha busca por levar as canções aos ouvidos, encontrei num sarau, há mais de dez anos, um cara com uns tiques esquisitos e talento cancionista. Fernando Anitelli. 
Ele me chamaria logo para tocar numa banda (Madalena 19) que faria dois ensaios e meio com um conjunto de músicos formado por guitarra/voz, baixo, bateria, eu ao violino e um tecladista misterioso que nunca apareceu. Nem mesmo no único show realizado antes da banda virar passado. 
Lá se foram: Fernando para os EUA, Galldino para as bandas country e os outros para outras "bandas". 
No entanto, um ano e pouco depois eu estava outra vez com Fernando. Agora era num estúdio gravando uma produção confusa, sem estrutura nem base. E eu pensava assim: "esse cara é meio lôco!". 
Naquele dia, saí quase do fim do mundo, de um lado, indo parar depois do outro fim do mundo, no outro lado (o mundo tem muitos fins...), onde encontraria o técnico de som mais "figura" de todo o universo: Nardão (Estúdio Bonham). 
Toquei umas duas frases sopradas pelos dois caras e de resto fui fazendo o que "rolasse na hora". No fim, eles disseram: "fica tocando aí..." 
As frases saídas dessa experimentação estão por toda parte no CD que mais de 1.000.000 de pessoas compraram: "Entrada para raros". 
Nele ainda há uma música instrumental, 22-11, cuja melodia saiu em um take rápido, na sobra de tempo daquela sessão de gravações. 
Talvez, justamente coisas como essas tenham dado um quê de mágico ao CD. Você bem sabe que magia não é matemática, não é física e nem é química. É isso "tudo numa coisa só!"
Ao sair do estúdio, Fernando me chamou num canto e me "pagou" R$10,00. Na estação de trem (é, antes do ônibus, do jegue, da barca...) eu comprei um copo de Fanta, um sanduíche de presunto e queijo e economizei uns R$4,00 para comprar as passagens. 
O fato é que eu não sabia (nem eles) mas naquela tarde insólita estava ajudando a fundar um projeto que iria percorrer o Brasil renegando as estruturas que negavam as minhas letras "bizarras".
Iríamos refutar não só a indústria fonográfica, mas também as estruturas viciadas do show biz. Isso, à época, não era morte certa pois nem pra nascer daria. 
Mas deu: nasceu e perdurou. 
De lá pra cá há muita história. 
Muita história...
Tenho um certo orgulho do fato de que meu tijolo musical, frágil e discreto, tenha feito parte do alicerce, da construção e da consolidação de uma alternativa que se tornou, pra maioria, a mais viável hoje, dez anos depois. 
"Fiz uma canção pra ela", única parceria composta pela dupla que se encontrou naquele sarau, é uma espécie de selo desse alicerce. Acho que eu e Fernando fizemos essa canção pra ela - a história dos tentáculos num mesmo motor. 
Aqui meu olhar vai, claro, bem além d'OTM (um pequeno fenômeno dentro de outro sem proporção). Falo de cultura. 
Nas engrenagens que movem essa máquina somos pequenas peças. Mas somos individuais e temos funções e valores próprios. 
Artistas autônomos, cada um em sua própria trajetória e aventura.
O fenômeno maior, duradouro e espontâneo, é a cena do "faça você mesmo", da "calda longa", do download, do compartilhamento, das redes sociais... 
E como toda manifestação coletiva, esse patrimônio é de todos nós. Somos nós todos. 
Nossa história passa e é transpassada por ela, numa intersecção na transversal do tempo. 
E assim, n'OTM, n'As claves, n'O baile ou onde for, fazemos nossas as canções. Tantas cações. (Nem) todas as canções. 
Parabéns aos 10 anos do Teatro Mágico. Mas parabéns também pra todos que participam e/ou participaram desse mosaico cultural.” 

(Retirado da dscrição do vídeoclipe “Eu fiz uma canção pra ela”, publicado no Canal Galldino Twitticas no youtube)

E terminamos aqui com uma micro costura de Galldino: “Eu já tinha uma relação complicada com isso (sucesso ou enriquecer através da arte - grifo meu), eu achava que o que eu estava fazendo era música, eu não tinha que ter aquela relação de você tocar com a finalidade de virar um POP Star.(...) Não pode ser a finalidade, (...) Não pode ser a finalidade,esse não pode ser o fim, e o fim pra mim,(...) a Música, é a experiência humana”
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