Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.

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domingo, 15 de janeiro de 2012

O ritmo do sistema


Estou cansado! É o lamento que se ouve
Acorda! Está na hora da escola, do trabalho, da academia
Antes, um banho. Corre! Se não... não vai dar tempo
Tempo? Pra quê?
O sistema impôs e nós acatamos: haverá tempo para tudo
Menos para você, adapte-se ou não sobreviverá
Oito horas no escritório, antes, o banho, o café que não quer esfriar
Corre! Vai perder o ônibus. Passou! Quinze minutos perdidos...
Ou o único tempo achado para cuidar um pouco mais de si?
Quinze minutos de espera é muita coisa.
Muita coisa? E os teus problemas?
Desculpe, estás ocupado demais
Ocupado demais com o pouco tempo que tens
Pouco tempo para cumprir tuas tarefas diárias que não tens tempo para os teus problemas
Não tens tempo nem para ter problemas, esse direito não te foi permitido
E muito menos para curtir a companhia de quem te é raro
Afinal, vives em função do tempo que impuseram a ti
Hoje acreditas que não consegue parar
Teu relógio parou, há tempos...
E mesmo assim despertas com a mesma programação diária
De não ter tempo para ti, sem saber
Sem saber que quem vive em função do tempo não aproveita o que ele tem de melhor
Hoje, se puder, não pergunte, não queira saber a hora
Não pergunte quanto tempo falta para você ser feliz
Dê um tempo para essa sua rotina e gaste tempo com o que te faz sorrir
E, agora que já perdeu seu tempo lendo e pensando sobre o que acabou de ler
Esqueça tudo e volte aos seus afazeres
Afinal, você não tem tempo a perder
Volte ao ritmo do sistema. 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Noites Amargas


A noite e suas surpresas nem sempre tranqüilas, muitas vezes inquietantes. Chega e remexe tudo e desperta o vulcão que tanto cuido para não explodir. A noite e sua última gota no copo preste a derramar, cai e derrama um turbilhão de sentimentos que me pressionam o peito, me espremem o coração retirando dele um suco nada agradável ao paladar, mas necessário, como os remédios amargos que são os melhores para nos curar das enfermidades.

Essas noites doentias, em que o leito não cabe nosso corpo tão carregado do que nós não conseguimos definir. É uma tempestade repentina que nos assalta dos mais desconhecidos sentimentos. É um emaranhado de sentimentos que nos sufoca e faz até o mais forte dos seres: pequeno, frágil.

Vem como um furacão arrasando tudo que encontra em sua frente sem distinção, negro, branco, índio, homem, mulher, pobre, rico, poeta ou pescador. Se eu pudesse me livrar dessas surpresas noturnas, estaria eu ouvindo o som da cachoeira que canta a bravura das águas, fortes, pacientes e determinadas. Estaria numa rede, a balançar meu corpo frágil, mas livre da dor que certas noites me provocam. E o dia? Este sempre resolve atrasar sua chegada nestas noites enfadonhas e sufocantes.

A noite, suas surpresas e o dia que não vem. Melhor que não venha logo, só assim encaro minhas feras, meus monstros que com tanto zelo trancafio em mim, no mais profundo de mim que nem minha alma consegue alcançar. Mas a noite, com sua força, os faz surgirem, os liberta e minha alma teme e treme. Teme meu corpo não suportar e ela não ter mais onde repousar.

E eu já não consigo livrar-me de tão dilacerantes surpresas e o meu coração grita dizendo não suportar mais. E os meus olhos, para evitar que minha alma sofra ao ver meu coração e meu corpo tão fragilizados e desfalecendo, cerram-se.

Então, o dia chega com seu sorriso indecente como se a noite me tivesse sido a melhor das amantes, e eu vencido pelo cansaço causado por estas surpresas noturnas sufocantes, adormeço sem saber se verei mais um anoitecer e sem saber qual surpresa a noite me reserva. 
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