Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.

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Eu sempre estive perto de você

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Entrelinhas



Tivemos uma briga eu não sei o motivo. Tudo começou após eu ter publicado um poema lindo que costurei. Não entendi aquele telefonema, aqueles comentários agressivos, não consegui entender toda aquela raiva transmitida por aquele anjo, o anjo do mais belo sorriso. Não podia ser verdade, aquilo não podia estar acontecendo.
 Ela dizia: “para quem você escreveu aquele poema? Eu sei que não foi para mim.” E eu questionava se todo poema escrito foi escrito a alguém. Como saber se um poema foi escrito para essa ou aquela pessoa, ou como ela sabia que não foi escrito para ela?
Impulsionado por essas indagações resolvi ligar para ela e perguntar. E ela me disse: “está escrito nas entrelinhas”. Entrelinhas? Que porra é essa? Eu mal sei escrever as palavras que mal aprendi na escola. Entrelinhas..., seria um gênero literário ou uma ortografia ensinada nas academias para os futuros imortais da Academia Brasileira de Letras? E como ela sabia ler essas entrelinhas, estaria ela pretendendo tornar-se uma imortal? Não creio, ela não. Sempre achou que essas coisas eram coisas de quem não tem o que fazer e por isso consegue perder tempo escrevendo coisas inúteis que ninguém lê, então, não acredito que teria mudado de opinião em relação aos poetas, os vagabundos natos. Entrelinhas! Ela sabia ler as entrelinhas. Ela leu em minha costura, e como ela leu se eu não escrevi? Mais um mistério que me aguçava a curiosidade.
Passei o dia inteiro pensando sobre quem poderia ter escrito algo nas entrelinhas da minha costura. A noite chegou e não conseguia dormir, o galo já estava em seu quarto canto da madrugada, quando eu cansado daqueles refluxos mentais sentia meus olhos pesados e não conseguia lutar mais contra o desfalecimento do meu corpo, que se estirava sobre aquela cama cheia de história para contar. Antes de pegar completamente no sono, ou já estaria sonhando? Não sei. Mas, da cama me vi ali, seguindo em direção a minha escrivaninha, acendi as velas que deixavam o quarto a meia luz, pus uma música ambiente, acendi o incenso e peguei uma de minhas costuras completas e me pus a escrever sobre ela, eu usava uma caneta de pena, dessas que só se vê em filmes antigos de reis e rainhas. Estranhamente, à medida que ia escrevendo as palavras iam sumindo. Curioso por aquilo que via ali, em minha frente, perguntei a mim: o que estás escrevendo e por que as palavras que escreves somem?  Eu (minha alma) olhei para mim e sorri, e sorrindo respondi: “essa é forma de comunicação entre as almas, só elas são capazes de ler, ou as pessoas de espíritos livres, que conseguem ver além do que está dado, do que está posto, do que é possível olhar e ver. Isso são as entrelinhas dos textos que você escreve enquanto estás acordado”.
Foi quando comecei a entender, as entrelinhas são os escritos das almas, são nossas almas se comunicando entre elas. Aproveitando de minha alma que estava ali pronta para me livrar daquelas dúvidas e daquele mistério voltei a perguntar: Mas, como meu amor sabia ler as entrelinhas dos meus textos se são comunicação entre as almas? Se ela sabe ler, não deveria saber que essas entrelinhas são escritas para ela? Minha alma me olhou mais uma vez com aquele sorriso nos lábios e me disse: “Você nunca estranhou que ela tenha um sorriso tão belo e encantador e que você tenha a amado desde a primeira vez que a viu sorrir?” Sim, sempre achei, respondi.
Pois bem, devo dizer-te um segredo, mas deves guardar contigo. Sim, pode contar, eu disse. “Ela é um anjo em tua vida, que antes do nosso nascimento já nos amava e cuidava de ti, quando nós fomos escolhidos para encarnar, ela impulsionada por esse amor, resolveu cair e nascer humana, para assim cuidar da gente aqui.” Mas, você não respondeu o porquê de ela não saber que estas entrelinhas são escritas para ela e mais, se ela é um anjo porque sente raiva? “Entenda, ela decidiu nascer humana, para isso, deve esquecer ou mesmo perder suas habilidades angelicais e consequentemente adquirir sentimentos próprios do humano. O que isso quer dizer? Que algumas habilidades ela conservará como saber ler as entrelinhas do que você escreve, quer dizer, eu, ou melhor, nós escrevemos, mas nem sempre distinguira se essas entrelinhas são para ela, e a raiva, isso é coisa do ciúme, coisa do amor humano”.
Ciúme, eu precisava saber mais sobre isso e resolvi aproveitar o momento que estava de frente com minha alma e continuar minha consulta astral para entender um pouco mais sobre esse sentimento, foi quando comecei a ouvir cantos de passarinhos, latidos e vozes, uma canção que repetia as mesmas notas e cada vez ficava mais alta, e mais alta. Todo aquele barulho não me deixava compreender o que minha alma me dizia e então despertei com aquela canção alta, repetitiva e irritante, era o despertador tocando e o cachorro latia irritado por aquele barulho. Lembrei-me do diálogo noturno que teria tido comigo e rapidamente olhei em direção a minha escrivaninha e vejo apenas, minhas costuras, como havia deixado na noite anterior, as velas acesas que talvez eu tenha me esquecido de apagar e o som ligado que também eu tenha ligado antes de dormir, então percebi que aquilo tudo tinha sido um sonho. Mas, uma coisa me deixou intrigado, aquele cheiro de incenso.
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