Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.

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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Agosto a gosto de quem?

O dia foi tão corrido que ele não percebera que agosto passou. Já estava na primeira madrugada de setembro. Relembrou o dia anterior, o último dia de agosto, cheio de coisas a fazer e as fez. Viveu todo aquele mês na espera daquele último dia de agosto que chegou e ele nem percebera que tinha passado, não viveu o mês inteiro como gostaria de viver, mas gostou do que viveu, sobretudo, aquele último dia de agosto.

A noite que antecedeu aquele dia, o último de agosto, já anunciava que o dia seguinte, a seu gosto ou a seu contra gosto, passou e restava apenas viver o seu último dia. E aquele fim de agosto teria um gosto diferente, um gosto especial.

Ainda restavam alguns ajustes a fazer antes que o galo anunciasse um novo dia. Sentado em frente ao seu computador, o jovem escritor, nada conseguia fazer, seus pensamentos estavam presos no dia que ainda estava por vir. Embriagago por seus pensamentos que o levavam para além dali, de seu quarto, tantas vezes frio com sua cama vazia, virou-se com um ar de satisfação e um suave sorriso, olhou para a sua cama que já não estava vazia como de costume e viu aquele corpo que cansado repousava ali e chamava por sua companhia.

O mar de palavras de seus mergulhos diários ganhava outros significados, com novas denotações e conotações, tão únicas que o seu maior esforço seria inútil para tentar verbalizar tudo o que aquele momento preenchia em seu interior. Um anjo resolveu lhe visitar e lembrar-lhe a beleza que há em ser divino na humanidade. O vazio que outrora tanto lhe incomodara já não tinha poder sobre ele. Sua divindade era o que mais humano possuía e foi preciso a presença daquele anjo para recorda-lhe do sentido da vida.

O eco do seu grito interior trouxe até ele aquela presença que o fazia sorrir. Deixou seus ajustes de lado. Nada mais importava. Somente a contemplação de sua amada que se encontrava ao alcance de seus abraços, beijos e carinhos, merecia sua atenção. E, ao ouvido daquele ser angelical que repousava em sua cama, sussurrou: impossível não te amar, és tão radiante que o arco-íris nasce em ti e por isso tua presença colore o mundo.

Sem a ansiedade da espera pela chegada do último dia de agosto, deitou-se, abraçou sua amada e continuou suas juras de amor e adormeceu sentindo a brisa que invadia seu quarto e fazia aquela junção de corpos ganhar mais sentido. Foi assim, que aquele mês de agosto e, sobretudo, seu último dia, não ficou ao gosto do jovem escritor, mas ficou a gosto do amor, que sempre foi sua maior reverência, a causa de seus escritos e seus melhores refluxos mentais.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Gritos silenciados, mas evidentes.

Com muitos gritos chamamos porque precisamos de gente unida e comprometida.

Queremos revelar algo que se tornou segredo, que era sabido por todos, mas foi esquecido. É algo muito precioso e sabemos onde está.

Não nos envergonhamos de gritar, não nos envergonhamos de pedir ajuda, pois sabemos que só a união de forças será capaz de transformar o mundo. E que juntos podemos sempre mais. Outro mundo melhor deve ser para todos, e nosso segredo deve correr o mundo.

Venha como vier, com tuas dores, com teu desânimo, com teu peito machucado e teu cansaço de tanto tentar e nada conseguir. Venha que temos muita garra para contagiar, muita força para partilhar, ternura e esperança. Venha que saberemos despertar o que escondes no peito, a esperança de criança, pura e teimosa, simples e ousada.

Vamos precisar estar dispostos para enfrentar os perigos que se escondem nas esquinas e nos impedem de ver adiante. Vamos precisar estar atentos para ouvir o que há tempos não conseguimos mais. Vamos precisar de astúcia para distinguir os sons errantes que tentam nos enganar. Não nos dispersemos, vamos precisar estarmos juntos, com o sorriso no rosto, vamos caminhar de mãos dadas.

Não esqueçam o colorido, não esqueçam o sorriso. Busquemos nas águas das chuvas o vigor, no arco-íris a cor e no coração a vontade de fazer a diferença. Nós vamos estar com nossos variados estilos, que caracteriza nossa diversidade. Venham como vier, vamos ampliar nosso jeito de ser. Vamos ser uma corrente viva e colorida, com muitas caras e muitos jeitos e um só desejo: revelar o segredo.

Nada de pressa, vamos com calma. É certo que o segredo que queremos revelar já não pode tanto esperar. Mas, vamos com cautela, sem o risco de revelá-lo sem a forma que ele mereça. Por isso, vamos pelo caminho longo, sem enveredar pelos atalhos que muitas vezes são traiçoeiros. Sem desânimo vamos caminhando sempre em frente. No caminho vamos pensar no que já vivemos e o que queremos viver. Vamos planejando o que faremos quando chegarmos. Mas, uma coisa é certa: vamos revelar o segredo ao mundo.

Vamos revelar a todos, a todos que ficaram, a todos que não quiseram descobrir, a todos que escondem suas esperanças no baú interior, que acham que utopia de nada vale, que o sonho acabou e já não sonham mais e por isso, nem vivem. Vamos revelar a todos. Com quem prefere deixar como está. Com quem prefere ver as notícias na TV como se tudo fosse um programa de auditório e que basta desligar o botão para que tudo acabe. Quando tiverem acesso ao segredo, não vão se contentar em ficar sentados na poltrona esperando que o programa seguinte entre no ar. Irão se juntar a quem ainda tem coragem de sonhar.

Vamos revelar a todo mundo, até para quem não quis vir por medo de ouvir, pois, no fundo sabia que não resistiria. Para quem ridicularizou nossa aventura, e teve vergonha de vir conosco. Para quem nos seguiu escondido com vergonha de ter voltado atrás na sua decisão de não vir. E principalmente, para aqueles e aquelas que por medo do poder desse segredo, sempre forjou meios de nos impedir de revelá-lo. Vamos revelar até para quem não tem certeza de sua existência. Vamos gerar uma nova ordem mundial, onde os gritos silenciados chegarão ao conhecimento de todos, e ninguém deixará de escutar os desejos que há muito foi calado e esquecido. Ninguém os ouvia, mas eles sempre existiram.

E isso tudo é apenas parte do segredo. Houve um tempo, que todos sabiam disso. E o capital e sua ideologia diabólica que nos divide, inventou sons que abafaram os tantos gritos: os gritos de tantos lutadores e lutadoras do povo que se envergonham de uma história manchada por tanta indiferença, discriminação e opressão; o grito dos pobres sem chance de melhorar de vida, dos negros escravizados e discriminados; dos povos indíginas explorados e massacrados; dos retirantes sem ter onde ficar; dos sem terra para plantar; dos sem tetos para morar; das mulheres exploradas e confinadas nas prisões domésticas; das crianças que não suportando os falsos lares encontravam nas ruas o “abrigo”, dos jovens sem chances e esquecidos, sem emprego, acesso ao lazer e obrigados a freqüentar escolas pouco qualificadas. Gritos de tantos, mulheres e homens, que o sofrimento não deixava mais sorrir.

E o segredo que queremos revelar é que aprendemos. Tentaram nos impedir, mas a vida não parou e aprendemos. Aprendemos que podem abafar nossos gritos, mas não podem nos calar. Aprendemos que mais gente gritava e não era ouvida, por isso chamamos todos para unirem-se em torno da mesma luta: evidenciar nossos gritos. Mas, para isso, não vamos mais gritar, aprendemos que existe algo mais eficiente do que os gritos que podem ser silenciados. Vamos sussurrar como os assovios dos ventos nas frestas, como os segredos ditos aos ouvidos. E o segredo é esse: sussurre que não desaparecemos, que estamos vivos, que vamos continuar lutando, mesmo quando o mundo achar que não somos nada, pois, somos jovens e estamos construindo um mundo novo. Não esqueça o segredo: não grite, sussurre. Os sussurros voam como os ventos, e esses ventos levarão a esperança jovem que contagiará o mundo.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Cumplicidade: Quando nos tornamos cúmplices?


Ser cúmplice! Esta é uma questão que me acompanha constantemente. É assim que gosto de chamar quem me é raro/a. Outro dia escrevi sobre as rosas negras, sobre sua raridade e sobre sua beleza transformadora. Assim são os cúmplices, são seres raros, como as rosas negras, por isso chamo as minhas e os meus cúmplices de rosas negras, elas e eles não sabem disso, mas assim os considero. São tão raros que não é possível encontrar aos montes, e por sua raridade devem ser cuidados e preservados. Cumplicidade não se faz, se vive, assim como o amor. Só existem na vivencia humana, na relação mais profunda de intimidade. Na capacidade de colocar-se no lugar do outro para entender o que o outro sente e assim, nada precisar dizer, apenas oferecer o colo ou o ombro se tristeza, ou abraçar e festejar se alegria.

Os cúmplices se conhecem no olhar, se entendem no olhar, conseguem dizer e sentir apenas no olhar. O olhar de um cúmplice invade a alma, desnuda nosso ser e encontra o que por ventura tentamos esconder. Podemos esconder, de muitos, o que sentimos, não de um cúmplice. A cumplicidade não permite segredo, a cumplicidade nos dá a capacidade de poder partilhar e não viver sozinho seja o que for: dor ou alegria. Ser cúmplice é ser humano, é ser a mais autêntica expressão humana, é se reconhecer como um fragmento de uma complexa existência que se materializa na relação sincera que estabelecemos com o outro.

Mas, quando nos tornamos cúmplices? Não se torna cúmplice, se percebe cúmplice. Quando menos se espera, já é, nem o próprio cúmplice sabe o memento exato de ter se tornado um, apenas se percebeu sendo um. Todos são capazes de estabelecer relações de cumplicidade, se você ainda não tem, não se preocupe, chegará o momento que serás reconhecido e reconhecerá o seu ou a sua cúmplice. Não dá para precisar o momento em que se torna cúmplice. Mas, acredito que no primeiro contato entre os seres, estes já se percebem cúmplices, mesmo que não tenham dimensão disso. Às vezes, as turbulências cotidianos nos impedem de enxergar um ou uma cúmplice a nossa frente. Contudo, existem encontros tão fortes, que é possível perceber que aquele momento não é um encontro comum, é um encontro de alma. Devo informar que a cumplicidade extrapola a matéria, não são apenas corpos que se encontram e convivem, são almas que se reconhecem.

Por mais que não seja possível nos tornarmos cúmplices, por já nascermos cúmplices, existem momentos que tornam a cumplicidade cada vez mais forte. Como falei de rosa rara, de cumplicidade, será na história da cumplicidade de um príncipe menino com sua rosa, que não era negra, mas era rara, por ser a única entre tantas rosas, que busquei os exemplos dos momentos que tornam a cumplicidade mais forte. E é esse mesmo príncipe menino que nos exemplifica o momento em que se é reconhecido como cúmplice, através do seu encontro com a raposa. E foi do diálogo desses cúmplices reconhecidos que tirei três trechos que ajudarão a perceber, valorizar e preservar esse sentimento, assim como para que a cumplicidade se fortaleça. Pois, exige compromisso.

Foi o tempo que dedicastes à tua rosa que fez tua rosa tão importante. Esta fala da raposa nos faz perceber o quanto que não damos conta do que de fato torna o/a outro/a tão importante em nossa vida, e muitas vezes, o simples e necessários fato de estar junto, seja aqui tão perto ao alcance da mão, ou através apenas da voz que viaja quilômetros pelas ondas telefônicas ou virtuais, ou mesmo pelas escritas através das cartas ou das diversas redes sociais. Aqui, encontramos um pressuposto fundamental na relação entre cúmplices, perder tempo com o/a outro/a. Na verdade, quando estamos junto de nossos/as cúmplices, não perdemos, ganhamos tempo. Estar com o outro representa e possibilita descobrir e conhecer um ao outro, o que proporciona o nosso reconhecimento como verdadeiros cúmplices o qual a distância física faz brotar o sentimento de falta, vazio, e comumente conhecido como Saudade, que só existe porque o ser distante se tornou importante em nossa vida. Assim, desperta em nós o desejo do reencontro.

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Não existe relação de cumplicidade sem compromisso, sem o cuidado com o/a outro/a. Essa responsabilidade brota naturalmente em nós. E esta fala da raposa corresponde ao nosso grau de responsabilidade pelo outro, uma vez que nós só nos tornamos importante na vida de alguém, porque às cativamos, senso assim, somos responsáveis pela falta que o outro sente de nós, somos responsáveis pelos outros sentirem Saudade, portanto, devemos cuidar e saber cuidar. Esta falta que o cúmplice faz em nossa vida, nos leva e motiva criarmos diversas possibilidades de encontro, pois, sabermos que está lá, em algum lugar, já nos alegra. Mas, podermos estarmos juntos, nos realiza, nos deixa plenamente felizes. A cumplicidade invade tanto nosso ser, que não nos contentamos apenas, com os telefones, cartas ou meios virtuais. Queremos ver, tocar, sentir o coração do outro sincronizar com as batidas aceleradas do nosso, provocada pela ansiedade da espera do reencontro, num abraço de corpo inteiro.

Se tu vens às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. É quase que involuntário, mas, reencontrar um cúmplice provoca em nós quase uma revolução interior. São tantos sentimentos que envolvem uma relação entre cúmplices que um reencontro mexe profundamente com o nosso ser, são as lembranças, as confidências, as vivências ainda não contadas, os abraços não dados, os choros não chorados, os risos esperados. Tudo fará parte da projeção e preparação do encontro, que tenta materializar todo o nosso desejo de rever, e escancara nossa ansiedade e felicidade de esperar pelo outro. O encontro com um/a cúmplice expressa todo o nosso envolvimento para que tudo ocorra da melhor maneira possível, essa sempre será a motivação que um cúmplice terá no coração ao reencontrar o outro.

Bom, o tema é vasto e me é muito especial e valioso, não caberá apenas nestas linhas, mas o que segue já é um retalho do que concebo e acredito sobre a cumplicidade. Talvez tenha me perdido ao navegar esse vasto mar, mas, não dá para traduzir em palavras as entrelinhas dos sentimos de cumplicidade, por isso o que segue é apenas um alinhavado de uma costura muito mais densa e complexa. E, à medida que me aperfeiçôo no ofício da costura, trabalhos mais aprimorados e dignos de um tema tão ilustre serão postados aqui.

Paz e Vida Longa!

Um pescador que ousa costura palavras...

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Mulher Presidente

Qual será a mão que desarmará a bomba?

Temos pouco tempo, eles estão chegando e não podemos esperar,

O corpo estremece, o medo aterroriza e ainda temos esperança,

É preciso o terror para que as pessoas se reconheçam enquanto povo,

Mas é preciso a revolta para que esse povo seja reconhecido,

Onde estão os heróis e heroínas?

Dormindo ou jogando milho aos pombos?

Talvez estejam de férias no Caribe,

Dizem que exílio ainda não acabou,

Onde estão os heróis e heroínas?

Estão exilados no coração dos lutadores adormecidos

Estão despertando no coração das lutadoras sempre esquecidas e menosprezadas

Quem decidirá o destino da humanidade?

Está nas mãos de uma só pessoa, ou na união do povo?

A humanidade tem futuro? Futuro? Alguém sabe o que é?

Lutar para mudar algo que nunca chegará pode ser em vão,

E o povo ainda espera sem revolta, ainda espera para ser salvo,

Não se fala mais em luta, não se ouve mais em ir para as ruas,

Acorda Brasil, mostra a tua cara, mostra a tua garra,

Acorda Brasil, pare de viver com tuas “glórias” do passado,

E sem nada fazer, só esperando a paz no teu futuro,

Os noticiários perguntam: Quem mudará a humanidade?

O mundo perpetua o patriarcado que exalta a exploração

E o Brasil aponta um sinal, o Brasil não tem medo dizer:

Chega de homem no poder!

O Brasil acredita na força da mulher,

É povo que na rua grita: para o Brasil caminhar para frente,

Queremos uma mulher presidente!
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