Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.
Hoje, perdi uma costura que trabalhei para homenagear essa grande alma. Juntamente com outra alma que passou por aqui e, também, nos deixou grande exemplo de vida, anunciou a paz e plantou, assim como Chico tem plantado, o riso na vida de muitos.
Esta semana essa alma grandiosa, Chico Anysio, completou 80 anos de idade. Nascido em Maranguape, Ceará, Brasil, aos 12 (doze) dias do mês de abril de 1931, Chico é grande exemplo de ser humano, que através do riso tem plantado a paz e alegrias neste mundo, cheio de ganância, banhado em sangue de muitos inocentes e que tem caminhado aceleradamente rumo ao caos, destruição e extinção. O Grande mestre Chico tem inspirados muitos e a mim de forma particular, pequeno diante de sua grandeza, mas grande admirador e aprendiz da arte de fazer rir, arte que esta grande alma sabe usar com maestreza.
Deixo aqui minha gratidão a esse mestre.
Segue abaixo a costura declamada por Chico no vídeo.
Mundo Moderno (Chico Anysio):
Mundo moderno, marco malévolo, mesclando mentiras, modificando maneiras, mascarando maracutaias, majestoso manicômio. Meu monólogo mostra mentiras, mazelas, misérias, massacres, miscigenação, morticínio – maior maldade mundial.
Madrugada, matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna. Monta matungo malhado munindo machado, martelo, mochila murcha, margeia mata maior. Manhãzinha, move moinho, moendo macaxeira, mandioca. Meio-dia mata marreco, manjar melhorzinho. Meia-noite, mima mulherzinha mimosa, Maria morena, momento maravilha, motivação mútua, mas monocórdia mesmice. Muitos migram, macilentos, maltrapilhos. Morarão modestamente, malocas metropolitanas, mocambos miseráveis. Menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo. Metade morre.
Mundo maligno, misturando mendigos maltratados, menores metralhados, militares mandões, meretrizes, maratonas, mocinhas, meras meninas, mariposas mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas. Mundo medíocre. Milionários montam mansões magníficas: melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, Mercedes, motorista, mãos… Magnatas manobrando milhões, mas maioria morre minguando. Moradia meia-água, menos, marquise.
Mundo maluco, máquina mortífera. Mundo moderno, melhore. Melhore mais, melhore muito, melhore mesmo. Merecemos. Maldito mundo moderno, mundinho merda.
Ando tão preocupado com o mundo e com a tristeza de quem amo que me esqueço de mim. Olho no espelho e não reconheço o que vejo. Um ser moribundo, meu reflexo não é meu, meu reflexo não sou eu. Mesmo assim, sigo adiante, como um ser forte e inabalado, enganado por aquilo que finjo ser.
Enquanto por dentro, no âmago do meu ser, eu preciso de ti cuidando de mim, sem eu fingir ser aquilo que não sou. E sendo aquilo que só você, em seu colo, ao cantar a minha canção, me faz lembrar quem realmente eu sou. E, ao me olhar com teu riso cantado, o teu riso me faz sorrir e sentir que é possível ser feliz. E o reflexo do espelho já não importa mais, pois, em teus olhos eu consigo ver, sem mancha ou enganação, meu verdadeiro ser.