Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.

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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Agora só o amor

Após tanto penar neste mundo
Vejo recompensa em tanta beleza encontrada
Após tantas desilusões
Vejo os tantos momentos inesquecíveis
Após choros e lágrimas
Vejo os tantos sorrisos encontrados
E tantos abraços recebidos e dados
Após, tantos após...
De frente com decisões
Diante de tantas invasões
Sentimentos estranhos
Tentei fugir e me esconder
Medo e insegurança
Parte integrante de mim
Dominadores e dominado
A flor murcha no vaso
O som silenciado da presa
E eu pseudo feliz
O amor
Que dúvida cruel
Ser e não ser
Fim de questão
Descobrir-me amante
No amor coragem
Medo não combina com amor
Em mim uma força irradiante
Medo e insegurança não me dominam mais
Agora só o amor
Amar incondicionalmente exige fundamentalmente coragem
Só os corajosos são capazes de amar verdadeiramente.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Resposta

Após escrever aquela mensagem
De repente fui dominado por uma incontrolável ansiedade
Cada segundo se tornou eterno
A ansiedade me embriagou e comecei a criar coisas
Simular situações
Mas, o que me levaria a ficar assim?
Não escrevi nada de mais
O que estaria por trás daquela mensagem?
Que influência estranha sobre mim
Meu corpo estremece
Não consigo parar de pensar
A mensagem!
Ela foi lida? Foi entendida? Como foi lida? Como foi entendida?
Porque enviei?
A ansiedade virou angustia
Que não consegui controlar
Quantas questões em minha mente
Quantas dúvidas rondam meus pensamentos
Só uma coisa explica esta confluência de sentimentos
Que me tiram a paz
E que me fazem esquecer que a paciência é uma virtude
Escrevi esperando uma resposta.

Nota:
------------------------------------------------------
Esta costura faz parte do acervo de textos inacabados do Pescador.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Velho Preto

Em tuas histórias, lindas lembranças
Tuas aventuras despertavam em mim desejos
No teu jeito simples de pescador
O teu dom nobre de galanteador
Tua pele áspera da experiência acumulada
Na “mardita branquinha” tua fraqueza
Que te libertava da escravidão patriarcal
Nas tuas canções o sonho e a tristeza
Sonho de um mundo novo
Tristeza herdada pela dor vivida por teu povo
Ao costurar a tarrafa em tuas mãos a destreza de cada ponto
Assim como em tua boca os pormenores de cada conto
Viveste a espera dos anjos que te buscassem e te levassem
Hoje, és um, junto deles
És o meu anjo guerreiro e defensor
Meu anjo cor noturna
Pescador e contador
Meu sangue afro
Minha força
Grande companheiro de minha amada
Hoje, minha grande companheira
Tens ao teu lado um fiel escudeiro
De cor igual à noite
Juntos me acompanham
Presença que me encoraja
Que me faz sentir proteção
Fostes nas companhias dos anjos
Que tanto chamastes
Agora, tua vida pulsa em mim, Velho Preto
Meu Vô Preto.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sereia - o amor é libertação

Onde estás ó pescador?
Há muito te procuro e não te encontro
Sinto saudades dos teus olhos
Do teu sorriso encantador
Da tua voz sedutora
Sem tua presença eu perco minha paz
Minha ansiedade me faz seguir sons errantes
Que imagino serem teus
Os teus sons que sempre foram únicos
Que eu podia distingui-los entre mil sons
Procuro-te nos teus lugares preferidos
Procuro-te nas paisagens mais belas
Procuro-te na calmaria das águas e nas tortuosas tempestades
Procuro-te no pôr do sol e no nascer lua
Morte a nascimento tão lindos
Só comparados ao seu nascer e ao seu morrer
Uma lua que vai e um sol que surge fazendo nascer um novo dia
[e morrer mais uma noite
Fenômenos incomparáveis em que me perdia no tempo
[ao te contemplar contemplá-los
Tentei te encantar com meus cantos
Mas, tu me encantaste com teus encantos
Hoje, canto um canto de saudade que te traz aqui
Meu canto de lamento por não te encontrar
Em minhas águas, estas belas águas que te viram chegar
[e que se harmonizaram com tua chegada
Ó pescador! Por onde andarás?
Foste navegar por outros mares
Foste em busca de novas aventuras
Foste encantar outros leitos
Foste em busca de teus sonhos
Sei que o mundo é tua felicidade
E eu continuo aqui a me contentar com este pedaço do mundo
Que sempre acreditei ser uma imensidão
Imagino-te desbravando o por ti desconhecido
E isso me dar força para ir além
Transcender essa forma de semi deusa e seguir-te
Para isso faço-te um pedido
Traga seu encanto até mim e me liberte desse lugar
Deixe-me ouvir o teu canto de felicidade
E terei a coragem de vencer meu medo e irei contido
Como tua companheira, navegar por outros mares
Venha “Em-canto” meu que eu irei sem pranto e medo
Meu amor por ti é minha libertação.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Vença o seu medo ou serás infeliz...

Outro dia alguém me disse que deixou de fazer e não faz muitas
[coisas por medo
E eu disse: - Acredito que só o medo é capaz de impedir nossa
[felicidade
Diante dessa situação, lembrei dos momentos em que sinto medo
Ouço como que um sussurro ao ouvido
- Vença o medo, engane-o, só assim serás capaz de ser feliz
Então me pergunto: Eu quero ser feliz? Sim, eu quero.
Mas, tenho tanto medo
Medo de ser enganado, Medo de não dar certo
Medo de sofrer, Medo de me machucar
Medo de me decepcionar, medo, medo, medo...
Sim, tenho muito medo
E aquele sussurro não pára...
Nesses momentos pensei: Como vencer o medo? Como enganá-lo?
Recordo da minha infância: Eu tinha medo de escuro
Mas, eu enganei meu medo
Lembro minha mãe dizendo: – meu filho não tem medo
Eu acreditei naquilo, criança acredita em cada coisa!
Era preciso acreditar naquilo para vencer meu medo
Acreditar em nós é o primeiro passo para vencer o medo
Acreditando que eu não tinha medo eu fazia o inacreditável para
[alguém medroso
Quando tinha que ir lá fora, meu coração acelerava
Minhas pernas tremiam e eu sentia o medo ali
Tentando me impedir de seguir em frente
Era quando eu conseguia enganá-lo
Dizendo-me: eu não tenho medo
Ele estava ali, o escuro era personificação do meu medo
E eu o enfrentei muitas vezes
E assim eu venci o medo na minha infância
A gente cresce e outros medos aparecem
Mas, agora eu sei como vencê-los
Pois, uma coisa eu aprendi
Se você quer vencer seu medo é preciso encará-lo
No começo engane-o, depois de tanto enganá-lo você o vencerá
Mas, lembre-se, é preciso acreditar em você
E não perca a chance de ser feliz por causa do seu medo.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Paraense é assim...

Existem coisas que só paraense, seja ele de nascimento ou por adoção, sabe o que é: passar numa esquina e salivar só de sentir o cheiro do tucupi, vindo de um bom tacacá, ou o cheiro da maniçoba, empinar papagaio do Cobra ou fazer pacientemente, com talinhas de palmeira e papel de seda uma curica e se perder no tempo, no encantamento com sua arte subindo os mais altos céus e dar laço e correr atrás do papagaio que xina. Paraense joga peteca e não bolinha de gude, tem seguro contra as mangas que quebram os pára-brisas dos carros, uma pena é não existir seguro para a cabeça, eu mesmo quase já fui alvo delas...

Paraense conhece mato, marés, conta estória do boto - moço bonito, mas com um pitiú de peixe e que mesmo assim, encanta as moçoilas mais desavisadas nas noites de lua cheia. Não sabe o que é pitiú? O paraense sabe! Se tem uma coisa que paraense sabe, é fazer comida, é irresistível ir ao Pará e não degustar de uma deliciosa unha de caranguejo (é comum ouvir alguém pedir uma coxinha de caranguejo, rsrsrs) - a sopa, também, é uma delícia -, caruru, casquinha de mussuã, pato no tucupi, peixe moqueado, sem contar a experiência única de comer um bom avuado com os amigos.

Paraense é carinhoso, chama todo mundo de mano, mana, maninho, fica logo amigo, faz almoço, jantar, põe logo dentro de casa. Eita povo hospitaleiro! Fala se não é? Por aqui tomamos açaí pra dormir a sesta, com farinha d’água ou de tapioca, com açúcar ou sem, com charque, camarão, pirarucu ou sem nada só ele purinho, bom que só! Temos os frutos mais deliciosos e mais exóticos, isso o paraense, esteja ele onde estiver jamais esquecerá, o gosto do cupuaçu, bacuri, uxi, graviola, pupunha, taperebá, castanha do pará, muruci, piquiá, tucumã, Bacaba. Delícias que proporcionam criar os melhores inesquecíveis sabores de sorvetes, sem contar o maravilhoso sorvete de tapioca. Além, dos saborosos bombons do Pará.

Paraense tem alto verão em julho, quando a maioria do Brasil morre de frio e nós por aqui bronzeadérrimos, acentuando a beleza de nossa morenice! Festa? É com a gente mesmo! Em todo o canto tem uma música legal, um legítimo carimbó, um violão, uma guitarra, uma aparelhagem botando todo o mundo pra dançar. Por aqui, tomamos banho de rio, barrento como o Guamá ou a baía de Guajará, de rio azul transparente como o Tapajós, de Igarapé Gelado de bater o queixo de frio.

Paraense quando não tem nada pra fazer vai pra beira do rio ver o pôr do sol vermelho e os pôpôpos passarem. Quando está estressado vai pra Salinas, Marapanim - eita cidade paid’égua -, Crispim, Marudá, Algodoal, Mosqueiro, Cotijuba, Marajó, Ajuruteua ou ata uma rede na sacada de casa e fica lá, de pezinho pra fora esfriando a cabeça. Somos índios, místicos e curandeiros, mas, também, com toda essa energia de águas e mata não poderia ser de outro jeito!

Paraense vai ao Ver-o-Peso, compra ervas, faz chá, garrafadas, banho de cheiro - uma delícia! Curas de corpo e de alma. Ao mesmo tempo temos o privilégio de ter as bênçãos de Nazica, com toda a intimidade que eu, como paraense, tenho pra chamá-la assim. Minha Santinha, que em outubro sai toda linda fazendo todo o mundo, paraense, turista, brasileiro e gringo engasgar de emoção.

Somos orgulhosos por sermos assim essa mistura morena, brejeira e gostosa, por sermos autênticos, pela cultura que temos, por nosso sangue índio que a tantos outros se misturou e que a nós, nos faz muito, mas muito especiais!
Nota:---------------------------------------------------------------
Costura de autoria desconhecida, remendos e ajustes feitos por Mauro Juventude.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Um dia como outro qualquer

Hoje
O dia amanheceu como todos os outros dias têm amanhecido
Nada de especial
Um dia comum
Teria ficado tudo como sempre
Se não fosse por uma pergunta que me incomodou a alma
A tenho escutado frequentemente
Mas, hoje, ela alterou meu dia
Quando a escutei
Olhei para mim e fingir não ser comigo
Continuei a conversa como se a pergunta não tivesse existido
Esforço inútil
A pergunta ressoou em ecos dentro de mim
Ansiando por uma resposta
Resposta que só eu seria capaz de dar
Tentei esconder
A angústia que aquela pergunta provocara em meu ser
Neste dia comum
Comum como os outros dias
Se não fosse por aquela pergunta.
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