Aqui você poderá encontrar muito de mim e espero com isso revelar o que ainda não sabe sobre você. Calma, aqui não será um espaço esotérico. Mas, acredito que no contato com o outro/a descobrimos quem verdadeiramente somos. Sinta-se a vontade em viajar comigo nesses escritos e saiba que o conhecimento é um processo, é uma construção, em que todos/as nós fazemos parte das diversas etapas de sua edificação. Participe desta aventura, venha pescar comigo nesse grande mar que é a vida, onde costuraremos histórias e reflexões acerca dos nossos sentimentos, pensamentos e das coisas da vida, as coisas do dia-a-dia que nos rodeiam.
O sábado e domingo é um tempo de ócio, tempo de esperar ser visitado por uma nova inspiração para as postagens da semana seguinte, entre as atividades do final de semana e o próprio nada a fazer.
Nestes dias é possível que sejam publicadas postagens livres também, ou mesmo explicativas do que teremos durante a semana.
Nasexta-feira, contaremos com a indicação de umaCostura em
Movimento, nomenclatura utilizada para as produções ligadas à sétima arte e artes cênicas.
A publicação seguirá o mesmo estilo de postagens sobre as
costuras musicadas e encadernadas, mas tendo a sétima arte e seus elementos como base para o comentário, tais como: roteiro, direção, fotografia, figurino, cenário, maquiagem, efeitos visuais trilha sonora e o esperado as razões da escolha da costura em movimento publicada, que apontam o olhar do pescador e relação com a vida e as lições que podemos retirar.
É possível que animações, teatro, seriado ou mesmo minisséries,
sejam abordadas neste dia. Pois, uma proposta é dar uma alternativa de entretenimento
para o final de semana de quem acompanha este atelier, a partir do tema
norteador da semana, claro que quando estiver ligada aos primeiros itens, uma vez que minisséries e seriados exigirão um tempo maior de acompanhamento e apreciação que não caberão em um final de semana.
A quinta-feira é um dia livre, onde Pescador não está preso
a um estilo de postagem, mas é comum nos apresentar uma de suas costuras mais
elaboradas, talvez seja um dia para detalhar mais sobre os temas que nortearão
as postagens da semana.
Assim, vamos publicar hoje a segunda parte da Costura
publicada na segunda-feira.
Aleatoriedade (parte 2)
Costurar palavras..., meio
louco isso, mas acredito que a disposição de palavras de forma textual é um
processo de costura, costuramos as letras que formam as palavras e costuramos
as palavras que se tornam versos, textos, poesias... Por isso que eu acredito
que uma das mais belas artes é a de saber costurar palavras. É uma arte
minuciosa, detalhista e muitas vezes complexa. Muitas são as inspirações que
motivam cada costura: experiências diversas, sentimentos vividos, sonhados, esperados
ou mesmo rejeitados. Tudo, muitas vezes, desconhecido, oculto... a espera de
serem alinhavados, costurados. E o que torna cada costura uma verdadeira arte,
não é o saber explicar cada sentimento, como um conhecimento pronto e acabado.
E sim a incerteza do saber, a busca, o ato de tentar, o contínuo seguir em
frente. E, mais ainda, quando possibilita que cada ser, ao se deparar com
nossas costuras, nos ajude a compreender cada sentimento que habita em nós.
Alguém pode, triste, dizer. Então estou
fadado a não me conhecer completamente por não saber costurar palavras? Não,
não há quem não saiba costura costurar palavras, todos sabemos, todos temos
esse dom. Alguns, mais aprimorados que outros, mas todos o possui, alguns o
administram com maestria, outros estão ensaiando. Alguns, nem sabem disso.
Sobretudo, por haver, muitas formas de costurar palavras. Seus pensamentos
mesmo, ao degustar as palavras aqui costuradas, são uma das diversas formas de
exercitar seu dom.
Aquarta-feira é o dia em que o Pescador nos
presenteia com mais uma de suas Micro Costuras,
pequenas, mas profundas, que nos levam a refletir profundamente a partir destas
pequenas costuras que trazem significados capazes de transcender nossas
percepções superficiais das coisas da vida, nos levando a questionar sobre
muitas das ideias que trazemos conosco.
Geralmente são pequenas costuras que podem ganhar remendos e se tornarem costuras mais elaboradas.
A terça-feira, é o dia de
conhecermos um pouco mais de alguma Costura
Encadernada indicada e apresentada pelo Pescador, onde ele nos alinhava algumas palavras sobre o autor, sobre as influências da costura em sua vida e até sobre sua contribuição da costura para a sociedade, além de apresentar os horizontes a serem contemplados após esse contato, sempre com esse jeito que o Pescador possui de nos fazer desejar aprofundar sobre as
costuras encadernadas que nos apresenta.
Na segunda-feira,
contaremos com os comentários do Pescador sobre as Costuras Musicadas, as canções que o marcaram e que nos levam a viajar pelo
universo dos sentimentos e reflexões sobre nossas vidas. Nas costuras
musicadas, somos apresentados a compositores, intérpretes e a uma análise sobre
a canção e da relação que o pescador estabeleceu com ela. A proposta é além de
apresentar uma costura musicada é que esta possa nos acompanhar durante a semana.
Levando em consideração a temática da
segunda-feira, resolvi recuperar uma costura que trata deste item, intitulada
Aleatoriedade, que mais parece uma Costura Explicativa, por isso cabe sua
publicação aqui.
Aleatoriedade (parte 1)
Ontem, ao visitar meu canal no youtube
resolvi revisar algumas coisas, layout, foto de capa e sua descrição, então
alinhavei algumas palavras e acabei omitindo algumas coisas, mas que vou contar
aqui, não é nada de grave ou que cause algum movimento de manifestação por tal
omissão. Contei que que inicialmente o meu canal no youtube surgiu para
publicação de costuras musicadas, mas na verdade ele surgiu antes. O criei para
postar um vídeo de declaração de amor, mas que acabei por não postar e o canal
foi criado.
Um tempo depois, com a reformulação do
meu blog o “Costuras e Pescarias”, aí sim resolvi usar o canal, para postar as
costuras musicadas de tantos costureiros e costureiras que cantam costuras da
vida e dos sentimentos humanos, que eu publicaria no Blog do Pescador, fiz uma
abertura para introduzir todos os vídeos, mas que acabou ficando apenas nas
primeiras publicações.
Ao estabelcer esta dinâmica de postagem
costurei as seguintes palavras para compor a parte de introdução/abertura dos
vídeos: “Costuras musicadas inspiram poetas, transformam almas e tornam a vida
mais bela”. Chamo assim as canções por considerar que cada verso que compõe uma
canção é retalho de uma trama de palavras costuradas por tantos seres sensíveis
que conseguem alinhavar tantos detalhes e coisas simples da vida que muitos não
conseguem perceber, assim como os sentimentos humanos.
Amanhã se iniciará setembro e
junto com ele uma nova estação. E assim pegaremos carona nas cores da primavera
e vamos retomar nossas costuras no blog do Pescador.
Com esta retomada, vamos voltar
elegendo um tema para cada semana de postagem, talvez não tenhamos postagens
semanais, mas sempre que tivermos tentaremos seguir uma mesma inspiração para todas as postagens da
semana.
E já começamos nossas publicações
de setembro tendo como Inspiração as Costuras Explicativas, que serão uma forma
de apresentação deste atelier. E começaremos explicando brevemente sobre o nome
deste Blog.
Costura Explicativa 1
Por que Costuras e Pescarias?
A grosso modo poderia dizer:
"são os ofícios que me formaram, que me construíram enquanto ser".
Mas, sei que logo viria a indagação, como assim? Explique melhor. Pois bem,
escolhi este nome por ser um dos ofícios de minha mãe e de meu pai. E, quando
eu resolvi expor, publicar ou mesmo divulgar meus rabiscos, assim chamava meus escritos, minhas costuras. Foi a busca por algo que pudesse ter um significado mais profundo e
encontrei em meu pai e minha mãe esse significado.
Assim, encontrei na costura a
metáfora para meus rabiscos e na pescaria a metáfora para as experiências
vivida, essa foi uma forma de homenagear estes dois seres que me são tão caros,
minha mãe e meu pai.
A partir destes momento surgiu o
Pescador e suas costuras e todas as metáforas deste atelier que aos poucos
vai ganhando mais autonomia e a identidade própria destes elementos.
(Primeira Capa deste atelier)
Costura Explicativa 2
E quem é o Pescador que ousa
costurar palavras?
Sou a soma dos tantos mínimos,
resultado de tudo aquilo que eu quis e tentei ser e não consegui. Sou sorriso,
sou piada, sentimento que chora, que afaga e acolhe. Sou amante e busco
incansavelmente ser Cúmplice. Sou um ser errante, que caminha rumo ao
desconhecido, acampando aqui e ali, ora fugindo do sol, ora o enfrentando e até
esquecendo a sede quando a luta não nos permite parar. E há quem diga que sou
pirata, poeta, palhaço, ator. Cantor? Não, minha melhor canção é o silêncio.
Sou um aprendiz da arte da paciência, arte bela, árdua e necessária e muito
difícil de ser praticada.
Sabe..., falar sobre nós mesmos é
um tanto quanto difícil, se temos algo não muito agradável, logo tenderemos a
ocultá-lo e se temos nossas qualidades, ao apresentá-las pode parecer que somos
exibidos. Por isso, não vejo prudência num relato sobre mim. Porém, quem me
conhece poderá fazê-lo com uma liberdade maior, espero que alguém possa fazer isso
e assim, os que não me conhecem e desejam saber uma pouco sobre mim poderão ter
algo a meu respeito.
Mas, antes de qualquer coisa, sou
filho e irmão. Hoje, tio, pai? Um desejo e realidade em cada ser que de alguma
forma ajudo na construção de sua vida como um ser humano melhor.
Já faz um tempo que o atelier do pescador está sem atualização, ao menos de postagem. Hoje, resolvi retomar as publicações e elegi como tema para esta semana “Ela”, isso mesmo: “Ela”. Alguém pode se perguntar: "quem é Ela?”, mas essa pergunta não cabe aqui. Pois, “Ela” é uma generalização de muitas coisas, muitas possibilidades. Eu não sei exatamente no que resultará essa temática, mas acredito que ela nos permitirá viajar ainda mais nas possibilidades reflexivas, inventivas e criacionistas que possuímos. Ainda mais ao começar a semana com a Costura Musicada Eu fiz uma canção pra ela, canção fruto de uma bela e perfeita parceria entre Galldino* e Fernando Anitelli.
Galldino é violinista, cantor, compositor e autodidata, baiano, nascido em uma família de 9 irmão, aprendeu a tocar violão sozinho, após inúmeras incorporações do Homem Aranha, que lhe valeu muito para ser o que é hoje. Depois surgiu o violino, não como escolha, mas como a única opção restante, pois queria tocar clarinete. Depois, envereda rumo a São Paulo, onde por suas andanças culturais encontra Fernando Anitelli. “Mas antes da internet ser esse fenômeno global, na minha busca por levar as canções aos ouvidos, encontrei num sarau, há mais de dez anos, um cara com uns tiques esquisitos e talento cancionista. Fernando Anitelli.” Este último, vamos dispensar os comentários, não por ser o grande astro que é, mas por eu já ter postado sua apresentação neste atelier. E antes de passarmos às palavras sobre nossa costura musicada, quero ressaltar que Galldino é aquele tipo de artística, claro que com todas sua singularidade, que consegue mesclar letras fabulosas com arranjos magníficos, um processo que não poderia resultar em efeito diferente que não seja o sucesso, irrompendo com os enquadramentos formatados das grandes produções artísticos/culturais através da valorização do artista independente e vanguardista. Talvez por isso, permanecer com a Trupe d'O Teatro Mágico, desde o seu início, que traz a defesa do livre compartilhamento de arquivos musicais via internet e flexibilização do direito autoral, que conta com adesão de artistas e músicos preocupados com a questão da censura na web. Assim, Galldino nos presenteia com a livre disposição de suas canções via web fazendo com que suas belas costuras musicadas viajem, Ao infinito... E além!
Sobre a Costura Musicada: Eu fiz uma canção pra ela – canção bela e profunda que traz elementos fortes e que muito valorizo, através de uma harmoniosa costura de palavras, significados e som/melodia, que suavizam os sentidos fortes dos versos. Afinal, vindo de uma pareceria entre Galdino e Anitelli, mestres das construções metafóricas, paranomásicas e exímios esteticistas musicais, não era de se esperar outra coisa. Já é sabido de quem acompanha este atelier que costumo postar as costuras musicadas que falam das coisas que penso, acredito, valorizo e até que sinto. E esta costura musicada de hoje conseguiu articular todos esses atributos, além de trazer esse tom misterioso, enigmático, coisa que dizem que sou, então além de falar por mim, a canção fala de mim. É incrível como certas costuras musicadas falam por nós, falam de nós. Assim, deixo que você possa apreciar esta bela costura musicada e faça a sua vivência, de tão bela costura. E deixo meus destaques no que vi, li e senti: a beleza da cumplicidade realizada através da canção; o desejo de acalentar a alma que os corpos distanciam; a valorização da singularidade do outro, que na sua história e valores se igualam a nós; os sentimentos que nos fazem sentir frio e desejarmos sermos aquecidos; a vida em espera, o cultivo da paciência; defesa da liberdade e amor às suas consequências; o desejo de ir além e enfrentar os limites que nos impedem de sermos felizes; e em tudo ser fiel à felicidade e guardar a força e estar sempre a postos para colocar a história de ser feliz(juntos) ao seu devido lugar.
Paro por aqui, deguste e me diga qual sabor encontrou.
A costura musicada de hoje é Pra não dizer que não falei das flores (Caminhada) do Grande Artista da Caminhada Geraldo Vandré, cantor, compositor e violonista e co-autor da costura musicada da semana passada, inteiramente relacionada com a costura de hoje. Geraldo Pedroso de Araújo Dias, conhecido como Geraldo Vandré, nome artístico, usava este nome que era a abreviatura do sobrenome de seu pai, José Vandregísilo. Vandré, nasceu aos 12 dias de setembro de 1935 na cidade de João Pessoa/PE.
Foi e é uma das figuras mais célebres da música popular brasileira e costureiro de canções que se tornaram hinos de resistência contra ditadura militar, em especial nossa costura musicada de hoje. Por suas composições foi obrigado a exilar-se em 1968, mesmo ano em que costurou Pra dizer que não falei das flores. Pois sua costura musicada foi interpretada pela censura como uma chamada a luta armada contra os ditadores, em especial o retalho que versa assim: "Vem, vamos embora / Que esperar não é saber / Quem sabe faz a hora, / Não espera acontecer", um dos meus favoritos.
Antes de partir para o exílio, refugiou-se na fazenda de Aracy de Carvalho Guimarães Rosa, esposa de Guimarães Rosa, que falecera no ano anterior. Partiu para o Chile e, de lá, para a Alemanha e França. Reside até os dias de hoje, em São Paulo, onde ainda compõe e está elaborando seus novos projetos: “gravar um disco no exterior, num país de língua espanhola. Quero gravar num país de música espanhola, com músicos de lá. Minha prioridade comercial é esta”
Refugiado dos holofotes midiáticos, há quem fale de sua insanidade, pois percebe-se em seu semblante um ar enigmático de que nem tudo que pensa consegue sair em palavras de sua boca ou possa dizer, talvez traga esse ar pelas torturas sofridas na ditadura militar e possível retaliação após voltar do exílio em 1973. Mas, ele mesmo diz que não foi torturado ou mesmo obrigado a fazer declaração contra a sua vontade (“Queriam que eu fizesse uma declaração. Não me lembro o que foi que disse. Mas eu disse coisas que poderia dizer. O que eu disse era verdade. Não disse nada que não tenha querido dizer”), mas como saber de fato. Pois na mesma entrevista da qual retiramos os trechos que citamos, ele diz: “Estou exilado até hoje. Ainda não voltei. Eu estou exilado e afastado das atividades que eu tinha até 1968 no Brasil. Eu me afastei. Não retornei”.
E me pergunto: o que de fato está por trás destas declarações? Em fim, são estes os dados que temos e talvez nunca saibamos os reais motivos que retiraram Geraldo Vandré de nós.
Sobre a Costura Musicada: Pra não dizer que não falei das flores – essa costura de hoje, é uma daquelas que me inquietam a alma, por sua melodia, seus versos e o quão ela transcende o status de canção, parece mais uma oração, um mantra motivador. Talvez um tratado da inconformidade. Não lembro quando a escutei pela primeira vez, mas sei que ela sempre mexeu comigo e o trecho que a censura interpretou como um chamada para a luta armada, sempre me impulsionou a não desistir da luta, "Vem, vamos embora / Que esperar não é saber / Quem sabe faz a hora, / Não espera acontecer". Um dos mantras que mais cantei em minha militância. Creio que sua profundidade e importância em minha militância se deem, por trazer à luta, elementos que tanto valorizo como a canção, que representa a presença e importância da poesia nas lutas revolucionárias, muito esquecida nas atuais manifestações que marcham na defesa e efetivação de direitos para todos.
Destaco a atualidade desta costura, pois narra uma realidade presente me nossas lutas, que braços dados ou não, somos iguais, e que essa igualdade deve prevalecer. Pois, quando somos nós os que sofrem, ao invés de procurarmos aquilo que nos divide e enfraquecer o cordão, devemos procurar o que nos unifica para fortalecer a luta. E assim, não caminharmos mais indeciso como dita a canção, mas certos de querermos mudar a nação.
Essa canção de 1968, ao tempo que é uma análise da sociedade daquela época é um prenúncio do que ainda vivemos hoje. E que podemos constatar nas manifestações que, estes dias, tomaram as ruas do país. O povo nas ruas, acuados, violentados pelas as armas da repressão e mesmo assim, ainda trazem as flores nas mãos, pois acreditam na sua força de transformação. Nos quartéis a lição ainda é mesma: viver sem ração. E povo mostra que aprenderam a nova lição: que “Quem sabe faz a hora, / Não espera acontecer”. Lição que em minha juventude sempre me impulsionou a ir para as ruas e fazer a transformação social, ainda enquanto jovem. Pois, logo estaria em outra condição, que não a juvenil, como estou. Mas, ressalto que não esqueci e ainda sigo esta lição, por isso ainda estou a fortalecer o não mais indeciso cordão, composto pelas mais diferentes lutas que se unem numa mesma reivindicação – um país melhor para tod@s.
Para fechar a semana da saudade, replicamos a notícia publicada no portal Pastoral da Juventude Nacional, que trata sobre a "Tenda das Juventude". Pois, a saudade está diretamente ligada a memória e esta tenda traz a importância de se fazer memória, e fazendo memória ao irmão latino guerreiro, Che Guevara, trazemos uma de suas célebres micro costuras: "um povo sem memória é um povo sem coluna vertebral".
Considerando a importância da memória e seu valor na luta, a PJ insere na "Tenda das Juventude" o espaço: "Santuário dos Mártires", que será um espaço para se fazer memória dos mártires da caminhada. Pois, é fundamental não esquecer, não esquecer as lutas, não esquecer o erros, não esquecer a dor, não esquecer tant@s lutador@s que doaram a sua vida para a construção de um mundo melhor.
A tenda quer reforçar a luta na defesa da vida da juventude e fazer memória ao Gisley, cúmplice de luta, de caminhada e de vida, que nesta semana esteve muito presente em meus pensamentos e no que costurei. E hoje, dia de lançamento oficial da "Tenda das Juventudes", fazemos memória do dia em que Gisley partiu para uma outra forma de existência, não física e nos deixou a dor de uma das saudades mais doída, a dor da saudade de quem partiu para não mais voltar.
Notícia:
Espaço reunirá diversas organizações com o desejo de fomentar a luta pela vida da juventude
Com o objetivo de mobilizar os jovens presentes na Jornada Mundial da Juventude para a conscientização e luta em defesa da vida da juventude é que diversas organizações realizarão, durante o evento no Rio de Janeiro, uma atividade como espaço de debate e reflexão da realidade juvenil e políticas públicas para a juventude.
A “Tenda das Juventudes” será espaço de acolhida, formação, celebração, partilha, diálogo e convivência das mais diversas juventudes presentes na JMJ. Deseja ser uma verdadeira tenda, onde todos poderão se aproximar, aconchegar e fazer deste espaço sua morada.
A atividade terá como tema “A juventude quer viver”. Frase que tem pautado a luta pela vida da juventude em especial no combate à violência e ao extermínio que assola a juventude brasileira. A proposta dos organizadores é que esta pauta seja fomentada para os jovens de todas as partes do mudo que estarão presentes na JMJ, mobilizando assim para o engajamento na discussão sobre a banalização da violência e na defesa da vida dos jovens.
A Tenda acontecerá dos dias 22 a 26 de julho, no Galpão do Comitê Rio Ação da Cidadania, no bairro da Saúde no Rio de Janeiro/RJ. A programação contará com mesas temáticas, celebrações e momentos orantes, exposições, apresentações culturais, entre outras atrações. Destaca-se ainda o espaço em memória dos mártires da caminhada, denominado Santuário dos Mártires. Local dentro da Tenda que deseja aprofundar e celebrar a memória da tantas vidas doadas em favor do Reino.
Dentre os assuntos a serem abordados nas mesas temáticas destacam-se a juventude quer viver; justiça e transição, memória e compromisso; desafios socioambientais da humanidade e a juventude; crise econômica, direitos sociais e juventudes; tráfico de pessoas; juventudes, cultura, comunicação e direitos humanos; civilização do amor e a evangelização da juventude na América latina; e solidariedade.
A atividade está sendo organizada pela Pastoral da Juventude, Cáritas Brasileira, Juventude Frasciscana, Comissão Brasileira de Justiça e Paz, Cajueiro - Centro de Formação, Assessoria e Pesquisa em Juventude, REJU – Rede Ecumênica da Juventude, Irmandade dos Mártires da Caminhada, Setor Pastoral da PUC/RJ. Com a parceria do PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento; da Superintendência de Juventude do Governo do RJ; da Secretaria Nacional de Juventude do Governo Federal; e da Rede Brasileira de Centros e Institutos de Juventude. Outras organizações também estão apoiando a iniciativa e que em breve serão divulgadas.
Importante também ressaltar que a iniciativa acontecerá em sintonia com a organização da JMJ, sendo uma das inúmeras atividades inscritas junto ao Comitê Organizador Local/COL e que acontecerá de maneira oficial e simultânea durante a Jornada. A Tenda está prevista no Guia do Peregrino da JMJ e respeitará a programação dos atos centrais e demais momentos significativos.
Lançamento
O lançamento da “Tenda das Juventudes” acontece no dia 15 de junho, data em que se faz memória da vida de padre Gisley Azevedo Gomes, assassinado em Brazlândia/DF, em 15 de junho de 2009.
Pe. Gisley foi assessor do Setor Juventude da CNBB e um dos principais provocadores para a criação da Campanha Nacional contra a violência e extermínio de jovens, promovida pelas Pastorais da Juventude e pautada hoje em todo o Brasil e no continente latino americano por diversas organizações e expressões juvenis.
O desejo da organização do evento é que a memória de Gisley, seu legado pela vida da juventude e no combate a toda forma de violência contra a juventude suscite o envolvimento das pessoas que irão peregrinar até a JMJ para um grande grito contra a violência e extermínio da juventude!
Serviço
Data: 22 a 26 de julho de 2013
Local: Galpão do Comitê Rio da Ação da Cidadania - Av. Barão de Tefé, 75 - Saúde - Rio de Janeiro/RJ
Contato e informações: tendadasjuventudesjmj@gmail.com
Esta semana, elegemos a saudade como nosso tema, e eis que me deparei com uma indagação prática: qual será a costura encadernada desta terça-feira? Então, busquei entre minhas leituras, a costura mais apropriada para postar hoje. E qual foi a minha surpresa? Não consegui pensar em outra que não fosse a Costura Encadernada - O Pequeno Príncipe, do eterno sonhador e menino *Antoine de Saint-Exupéry, grande costureiro e entre suas habilidades está a ilustração e sua grande paixão, a de dominador dos ares, sonho de infância e que ao realizar o consagrou como ótimo piloto. Nosso costureiro de hoje, nasceu aos 29 dias de junho de 1900, na cidade de Lyon/França. E partiu para a eternidade aos 31 dias de julho de 1944 no mar mediterrâneo. Partiu realizando o que mais gostava de fazer, voar. E em sua partida está uma coincidência com o seu personagem mais famoso e, para mim, autobiográfico, o Príncipe Menino. Pois, assim como o Príncipe menino desapareceu dos olhos do piloto que se revelou seu cúmplice, Exupéry desapareceu, sobrevoando sobe o mar mediterrâneo, nosso costureiro de hoje desapareceu dos nossos olhos.
Sobre a Costura Encadernada - O Pequeno Príncipe. Na semana da saudade, o que me levou a escolher esta costura encadernada como postagem desta terça-feira, neste ateliê? Creio que a essência das palavras costuradas nesta encadernação foi a grande motivação. Pois, O Pequeno Príncipe, nos impulsiono mais que a um olhar interior, nos impulsiona a um olhar para o nosso ser da infância, este ser que muitos de nós esquecemos no tempo, no passado. Ele nos provoca a nos aventurarmos nessa viagem no tempo em busca deste ser, muitas vezes, perdido. Ele nos provoca o desejo de resgatar e nos devolve este mistério da infância.
É a busca dos sonhos esquecidos, dos planos guardados, que a adultez nos furtou. E ao navegarmos por esta costura, nos saltam estes sonhos e planos de outrora. Os detalhes das coisas simples que nos faziam sorrir e sonhar. Voltam em lembranças e reacendem nossos sonhos infantis, abrem o baú, há tempos, esquecidos e revelam as inocências acomodadas, hoje, quase transparente que já não conseguimos ver, sobretudo quando por serem ofuscadas pelos compromissos da vida adulta que nos faz viver numa intensa pressa o nosso dia-a-dia.
Nesta costura, é possível perceber o intenso frio (saudade) sentido por Exupéry, por isso fui conduzido, de alguma forma, a postá-la hoje, na semana da saudade. Percebemos a saudade que ele sentia do menino sonhador, aventureiro e puro, perdido em algum lugar no passado. Quando adentramos nesta costura, resurgem as recordações escondidas. É possível reconfortar o nosso coração ao reencontrarmos nossa meninice esquecida que nos faz inverter a lógica das coisas. E voltamos a escutar a voz dos animais e das flores, a cor de um sorriso, o perfume da lua e das estrelas, e som dos guizos das folhas embaladas pelo vento. E nada será comum, pois tudo está carregado da singularidade do que o gerou e o fez existir.
Acredito que esta costura, é capaz, de nos fazer romper com a lógica que fomos levados a viver, onde o outro é obrigado a seguir um padrão e modelo, que cria a ideia de um SER diferente e nos faz esquecer, que não existem seres iguais e muito menos seres diferentes, pois somos todos únicos, sobretudo quando nos deixamos cativar e nos percebemos cúmplices. Que nos faz chorar quando chega a hora da partida e nos restará apenas as lembranças e saudade que nos fará companhia.
Enfim, melhor parar por aqui, esta costura me provoca tanta coisa que me empolgo ao costurar meus comentários sobre ela. E assim, deixo aqui minha recomendação de que você possa fazer sua aventura nesta Costura Encadernada. Caso não tenha o exemplar, é só clicar aqui e baixar o arquivo em PDF ou nos títulos demarcados.
Após uma semana do encontro com a Cúmplice Renata Requena e outros companheiros e companheiras, a Costura Musicada que grita em mim desde que voltei de Curitiba é Canção da Despedida, de co-autoria de Geralva Azevedo e Geraldo Vandré, que aqui será postada no timbre nordestino, do compositor, cantor, violonista e autodidata Geraldo Azevedo*. Ele nasceu aos 11 dias de janeiro de 1945 na cidade de Petrolina/Pernambuco, que margeia o velho chico (rio), fonte de inspiração. Na costura musicada O Ciúme, canta esta relação com sua terra natal e o velho chico. Tocava violão desde os 12, mas foi em Recife que iniciou sua carreira musical aos 18 anos, quando mudou-se para essa cidade com o intuito de estudar e lá juntou-se ao Grupo Folclórico Construção, onde conhceu Teca Calazans e Naná Vasconcelos.
Foi a partir deste grupo que Geraldo Azevedo ficou conhecido por Eliana Pittiman, que o levou como músico acompanhante ao Rio de Janeiro onde se tornou conhecido como compositor e instrumentista versátil; em seguida juntou-se a Naná Vasconcelos, Nelson ngelo e Franklin para formar o QUARTETO LIVRE, grupo que acompanhou Geraldo Vandré em seus shows até a época em que, devido a problemas políticos com o governo militar, Vandré teve que deixar o país e o grupo se dissolveu.
Logo em seguida, GERALDO participou com Alceu Valença (um antigo amigo de Pernambuco) de um festival de música onde defenderam a canção “78 ROTAÇÕES”. Era o início de uma carreira que iria dar bons frutos, e que conduziu os artistas ao Festival Internacional da Canção do Rio de Janeiro em 1972 com “PAPAGAIO DO FUTURO”. Juntamente com o lendário cantor popular Jackson do Pandeiro, eles tiveram uma notável apresentação no Festival, e foram contratados pela Gravadora Copacabana; seu disco de estréia, “ALCEU VALENÇA & GERALDO AZEVEDO”, foi lançado no mesmo ano.
Sobre a Costura Musicada - Canção da Despedida: esta canção já me acompanha há tempos, e sempre que vivo, penso e sinto as confluências de sentimentos que envolvem a partida, esta canção me vem a mente. Creio que seja por trazer a resposta de uma pergunta que certa vez em um momento de despedida me fizeram, “o que se diz na hora de se despedir?”, como já costurado anteriormente, se diz: “até logo”. Pois, como a própria canção nos apresenta é confortante a certeza que vamos nos reencontrar, “já vou embora, mas sei que vou voltar”, do contrário sentiremos um eterno vazio preenchido pela falta que sentimos. O frio fica menos intenso (saudade menos dolorida), quando há a esperança do reencontro. E sabe de uma coisa? Quando mais cumplicidade existir, nem esperança haverá, pois não há esperança quando se tem a certeza, e esta canção me faz sentir isso. O frio mais intenso é aquele provocado por aquilo que vivemos e não se repetirá e pela partida de quem amamos que não voltará. Por mais difícil que seja, precisamos compreender a hora da partida, da despedida, que por algum motivo somos levados a vivermos, precisamos compreender “que a hora é deixar”, e que este momento não será superior ao amor que sentimos, que permanece em nós, amor que nos faz bem, amor que sempre ficará. Sempre que me despeço, canto esta canção. E sempre que a ouço, trago presente cada momento, cada ser que ficou em algum lugar no tempo e agora habita em meu coração e em minhas lembranças, e desta forma está sempre presente aqui, em mim. Termino por aqui minha costura de hoje , e desejo que você tenha uma boa semana e que o frio (saudade), que por ventura venha sentir, ganhe novo significado em tua vida.
A Costura Encadernada de hoje é O Livro dos Abraços de nosso grande hermano Eduardo Galeano*, nascido em nossa pátria irmã Uruguai. Entre tantas habilidades destaca-se seu tino jornalístico, costureiro/escritor e sonhador. Um dos seus grandes sonhos ainda o acompanha, ser jogador de futebol que nos é apresentado em algumas de suas costuras, enquanto costureiro apresenta um estilo que transcende os gênero ortodoxos, conseguindo articular ficção, jornalismo, análise sociopolítica e histórica. Galeano estreou na vida no terceiro dia de setembro, no palco da Cidade de Montevidéu, no ano de 1940. Traz em seu ser esta identidade latino-americana, tão intensa e perceptiva em suas costuras.
Esta marca levou Galeano a ser o primeiro cidadão da América Latina a receber o título de Cidadão Ilustre do Mercosul. Quando costura, faz a memória ganhar vida, ao considerá-las como bicho inquieto. Em suas memórias pessoais navegamos desbravando um mar de possibilidades e ganha força ao juntar suas memórias com nossa coletiva e identidade latino-americana. Em suas costuras nos apresenta a importância dos pequenos momentos ao contarmos nossa história, pois são esses momentos que remexem dentro nós e nos faz sentir a verdadeiro sentido da vida.
Sobre a Costura Encadernada - O Livro dos Abraços: Esta costura traz essa autêntica marca de seu costureiro, fruto de sua navegação neste grande mar que é a vida, e de modo especial, nas águas desta Latino-América, onde pode observar e sentir muita coisa. Pois, costureiro desta magnitude, sente e vive, e o que costura é sempre resultado de suas experiências vividas e isso podemos perceber em nossa Costura Encadernada de hoje. Nela, vamos encontrar aquilo que de mais intenso ele encontrou por sua navegação e destaca a grandiosidade dos pequenos momentos e como eles vão se entrelaçando e alinhavando a vida.
Nesta costura, Galeano nos leva sentir a sensação do abraço, aquele abraço apertado, de corpo inteiro, que nos possibilita sentir o outro por completo, sua respiração e as batidas do seu coração, embaladas pelo sentimento de bem querer. Sensação que nos retira do lugar e nos levas a viajar, por um grande mar de lembranças e sensações que só um abraço é capaz de proporcionar. Essa defesa da memória como algo vivo, e como ele mesmo diz que “nasce a cada dia” podemos encontrar na costura encadernada de hoje.
Caro navegante, nada que possamos costurar aqui será capaz de alcançar em sua plenitude o que esta bela costura de nosso querido hermano nos proporciona ao degustar o seu conteúdo. Esta é uma costura é uma colcha de retalhos, onde cada retalho pode ser considerado uma costura completa e muito bela, uma vez que valoriza os pequenos detalhes de nossa vida que deixamos passar despercebido e não conseguimos ver quanta beleza eles contem.
Com tudo isso, esta costura ganha uma dinâmica, permitindo que seja lida sem que nos preocupemos em seguirmos a ordem sequencial que ela foi encadernada. Cada retalho que compõe esta colcha possui especificidades e está carregada de sentimentos únicos que saltam, como se tivesse vida própria, e nos preenchem. E preenchidos de tanta coisa bela, sentimos cada sentimento e somos impulsionados a fazer memória das coisas simples que vivemos e pouca atenção demos, e desejamos viver tudo com a mesma intensidade de valor e beleza que nosso costureiro de hoje, conseguiu alinhavar em sua costura encadernada: O Livro dos Abraços (baixe aqui). Que você tenha uma boa contemplação desta costura e compartilhe conosco sua experiência deixando seu retalho em nosso atelier.
A Costura Musicada que apresentamos hoje é Abraço de pai de Walmir Alencar, que é cantor e compositor católico e é possuidor de um timbre vocal que torna suas costuras musicadas mais belas ainda. Este costureiro destaca a música e a religião como suas duas grandes paixões. Walmir nasceu aos 29 dias de julho de 1967, na baixada paulista. Foi na cidade de São José dos Campos, onde ainda reside. Fez parte da banda católica Vida Reluz, com a qual gravou dois CDs onde além de vocalista, foi o compositor da maioria das costuras musicadas cantadas pela banda. Deixou a banda para seguir carreira solo, tendo gravações em português e espanhol.
Sobre a Costura Musicada – Abraço de pai: além de trazer a temática que escolhemos para essa semana, ela me recorda do tempo em que vivi na Comunidade Imaculada Conceição, onde pude desenvolver e aprofundar meu envolvimento com o espaço religioso. Não é esta canção que marca meu envolvimento adolescente com a religião, mas ela faz parte de uma lista extensa de costuras musicadas que me fazem recordar deste momento bom, que me impulsionou ir mais longe. A costura nos faz lembrar a parábola do filho pródigo que narra o reconhecimento do amor de Deus, o filho que reconhece a grandiosidade de amor do pai e decide voltar, mesmo após ter tido uma atitude decepcionante e, para muitos, imperdoável, mas não para Deus.
A costura não fala exatamente do filho da parábola, mas de nossa busca por Deus e tudo que estamos dispostos a fazer para encontrá-Lo e que Ele está sempre a nos esperar e o gesto com que Ele nos espera. E apesar de já termos citado, nosso foco não falar da grandiosidade do amor de Deus, e sim queremos falar do gesto com que o Pai recebe o filho, Ele o acolhe em um abraço, lugar de proteção e de carinho. Por isso o abraço é o lugar onde sempre queremos estar quando a falta nos preenche ou a tristeza tenta nos consumir. Acolher o outro em um abraço é dizer, eu estou contigo, eu sou contigo, é dizer sem palavras, eu te entendo. É um gesto de amor. Antes e depois do beijo um abraço. Melhor pararmos por aqui e deixarmos que cada um/a possa costurar as suas próprias reflexões.
Na Semana que o Costuras e Pescarias dedica suas publicações em homenagem à Mulher, apresentamos uma nova exposição em nosso atelier, o Costuras em Movimento, que pretende a exemplo das exposições sobre Costuras Musicadas e Costuras Encadernadas (a primeira onde tecemos comentários sobre canções e seus compositores e/ou intérpretes e a segunda onde tecemos comentários sobre livros e seus autores, onde em ambas tecemos um pouco de nossa relação com as mesmas e as motivações de postá-las), ser um espaço onde teceremos comentários sobre produções cinematográficas seguindo a mesma lógica das salas que citamos anteriormente.
Mas, por quê chamar esta sala de Costuras em Movimento, se vamos falar sobre Cinema? A ideia surge da origem da palavra “CINEMA”, que vem do grego κίνημα - kinema que quer dizer "movimento". Assim Cinema “é a técnica e arte de fixar e de reproduzir imagens que suscitam impressão de movimento”.
Feita a apresentação desta nova sala, falemos agora sobra a Costura em Movimento de hoje, que vem dar continuidade e finalizar nossas publicações acerca da mulher nesta semana.
Assim, escolhemos para iniciar esta nova sala de exposição a produção Encantadora de Baleias, da diretora Niki Caro, que conta a história de uma antiga tribo existente na Nova Zelândia, os Maori, uma comunidade que passa por um acentuado declínio, populacional e cultural, colocando em risco a continuidade de sua tradição e costumes.
E, se deparam com um problema que coloca a sua tradição em questão. Pois, desde a chegada do primeiro Maori em Nova Zelândia, sempre tiveram como líder um homem, que descendiam diretamente de Paikea, o maori pioneiro, o grande domador de baleia, que teria chegado naquele local (Nova Zelândia), há milhares de anos, após sua canoa ter virado em cima de uma baleia e ele teria liderado seu povo ao local em que a tribo reside atualmente, cavalgando a baleia.
Num contexto em que o descendente mais recente de Paikea é uma mulher, Pai (Keisha Castle-Hughes) a tribo, ou o patriarca Koro (Rawiri Paratene), avô de Pai, se depara com um conflito, no qual vê-se tendo que reconhecer como um novo líder, uma mulher, se negando a isso, Koro, em vão, busca encontrar entre os meninos, aquele que seria o novo líder da tribo. Possibilitando a estes todo o ensinamento para que se tornassem um bom líder, enquanto Pai, descente direta de Paikea, por ser mulher é proibida de participar destes momentos.
Através da maravilhosa atuação de Keisha Castle-Hughes, que dá vida a protagonista Pai, atuação que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz, podemos ver a abordagem de assuntos que ultrapassam o conflito sobre a continuidade da tradição, o declínio de um sistema patriarcal, vemos a dificuldade de aceitação da capacidade da mulher assumir o lugar que tradicionalmente sempre foi ocupado por um homem.
Mesmo Koro vendo as tradições e costumes de seu povo sumirem lentamente, em um processo gradual e, quase brutal, envolvido pelas alterações culturais, se recusa aceitar que sua neta (Pai) seja a nova líder da tribo.
Pai, ama seu avô e seu maior objetivo é vê-lo feliz, além de manter vivo os costumes do povo maori. Ao ver Koro procurar um novo líder dentre os primogênitos da aldeia, e ter sido proibida de participar destes momentos. A menina inicia um aprendizado sozinha, escondida, tudo o que um líder maori deve saber e dominar, como a taiaha, por exemplo, que é um bastão de guerra típico dos maori, de uso exclusivamente masculino.Pai se esforça porque sabe que precisará mostrar seu valor ao avô.
E durante essa luta de Pai para que seu avô a aceite como nova líder dos maori, podemos transitar por dramas pessoais que se desenvolvem concomitantemente à trama principal. “São histórias de pessoas que procuram sua identidade, que vivem de restos de lembranças, que se prendem ao passado de forma dolorosa”.
A diretora Niki Caro, nos presenteia com esta produção, ao conseguir abordar temas tão delicados sem ser apelativa ou mesmo clichê, ao mesmo tempo em que nos faz se emocionar e rir sem perder o foco da trama. Percebemos um fluir natural, de forma tranquila e propriedade do texto, que faz seus personagens atuarem de forma muito espontânea e real, suas histórias, as situações e seus sentimentos. Não se buscar arrancar sorrisos ou lágrimas, os personagens apenas vivem seu ato, e a cena acontece. Talvez, isso de dê pela despretensão de ser uma super produção que o torne tão bom.
Em Encantadora de Baleias, para além da triste abordagem sobre a real possibilidade de extinção de um povo, ocasionados por diversos fatores - que em nossa sociedade atual, se torna tão recorrente, quando olhamos para nossos povos tradicionais-, encontramos a figura da mulher, sua invisibilidade, sua desvalorização, seu lugar sempre a margem. E, a luta de Pai, é a luta de muitas mulheres que buscam seu reconhecimento, sua valorização e seu real lugar na sociedade, mesmo que para isso seja preciso romper com tradições e costumes.
Ficamos por aqui e esperamos que possam aproveitar o final de semana para degustar desta bela Costura em Movimento, fazer a sua avaliação e postar aqui o seu comentário.
Encontro a tua força e a tua beleza de ser Mulher,
São tantos exemplos e inspirações,
Minha gratidão será eterna,
Mulher! Algumas eu tive a graça de conviver,
Outras nunca saberão da minha existência,
E seja de perto ou de longe,
Eu as admiro e bendigo cada uma delas,
E eu lhes serei eternamente grato,
Mulher! Que ao seu modo me ajudou a crescer,
Crescer como homem e, me ajudou a ser forte,
Forte e sensível na luta diária que travamos para sermos HUMANOS.
One Woman "Uma Mulher"
Sobre a Costura Musicada - "Uma Mulher" (Uma Mulher): No último Dia Internacional da Mulher, dia 8 de Março, a Organização das Nações Unidas - ONU, lançou esta costura musicada, uma canção para a ONU Mulheres, que é uma celebração musical das mulheres no mundo, a canção ganha vida com a participação de mais de 20 artistas de diferentes nacionalidades. E este é o primeiro tema musical criado para uma organização das Nações Unidas.
Pela beleza que esta costura musicada carrega e pela semana que estamos passando no Costuras e Pescarias e por considerar uma aproximação com o poema do pescador resolvemos postá-la nesta semana, mesmo não sendo hoje dia de costuras musicadas. E isso se faz também como forma de reforçar essa luta que apoiamos e defendemos e que a ONU Mulheres tem como elemento sustentador.